As novelas e as freiras
As freiras não prestam?
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados - 23 março 07
Meu Deus, o que querem certos autores ao tentar manchar a vida de pessoastão abnegadas? Não é de hoje que programas televisivos tentam denegrir a vida de sacerdotes, freiras e outros…, sobretudo nas novelas globais. Mas estão assando dos limites. Em janeiro passei as férias
em São Paulo com o meu irmão e sua família.Presenciei algo “chocante”: minha sobrinha de 11 anos estava enfurecida, nãoera decepcionada, com as freiras que para ela não passavam de frustradas que descontavam suas mágoas nas pessoas que encontravam. Chamei-a para uma conversa franca. Perguntei-lhe se confiava em mim, seu tio. Sim, foi a resposta. Você já esteve num convento para passar alguns dias?Não, respondeu-me. Você tem amizade com alguma religiosa? Não! Então qualé o motivo do ódio? Perguntei-lhe. O senhor não assiste novela? Não vê oque estão fazendo aquelas freiras? Pois bem, responda-me: o Aristides da novela, na vida real qual o seu nome? A resposta foi: Tarcísio Meira. Então o Aristides não é o Tarcísio Meira?Alguém é irreal? Sim, respondeu ela! O que você acha do Aristides? Alguémlegal! E o Tarcísio Meira, perguntei? Não sei, não o conheço. Eu disse-lhe: é isto mesmo, você não pode julgar alguém que você nãoconhece. Como você pode julgar as religiosas, se aquelas que ali estão sãopersonagens e com a vida religiosa não tem nada a ver. Por acaso a Marly Bueno é na verdade Irmã Maria? Não!
A partir deste diálogo a conversa tomou outro rumo, que talvez possa fazervocê também refletir. Quando eu era menino convivi com muitas religiosas. Naminha paróquia de origem, a casa das freiras era ao lado do colégio ondecursei o ensino fundamental e era eu quem tirava as frutas do seu quintal,sempre vi mulheres dóceis, capazes e acolhedoras. Na adolescência e juventude trabalhei em vários projetos sociais com irmãs, foi um período rico pela capacidade de doação que observei nestas mulheres. Aqui, na Diocese deDourados, conheço o trabalho maravilhoso desempenhado pelas muitascongregações femininas, por isso não posso me conformar com tamanhodesrespeito. É maquiavélico!
Quanto à “Páginas da Besteira”, observem alguns detalhes: jamais uma irmãcom votos perpétuos nos nossos dias, se submeteria a uma superiora como sesubmetem aquelas personagens da novela, sobretudo a superiora de uma casa, que não é nem superiora de uma região. As irmãs, são como sugere o nome, irmãs e não empregadas; jamais uma superiora ficaria num cargo tãoimportante com medonho comportamento. Qual o motivo do autor pintar uma freira - superiora - com tanto ódio? Comcerteza não é para mostrar a realidade, mas para denegrir a imagem dasreligiosas, que em última instância, fazem parte da Igreja Católica, que porsua vez se opõe a certos comportamentos da sociedade permissiva em que vivemos. É bem sabido por todos o que pensa a Igreja sobre o matrimônio indissolúvel, o casamento homossexual, das relações sexuais desenfreadas, da ética na política, da eutanásia, do aborto, etc., aqui está o “X” da questão:atingir os cristãos. Faço um desafio: experimente você, bom amigo/a, a visitar e conhecer nossasfreiras, aqui na nossa Diocese de Dourados, veja os seus trabalhos, aprecie acapacidade de desprendimento dessas mulheres. Se não lhe bastar, conheça avida e a obra de duas freiras, só duas, Irmã Dulce, na Bahia, e Madre Terezade Calcutá e verifique se o senhor Manoel Carlos (autor de “Páginas daVida”), com as suas muitas novelas, com o belo dinheiro que embolsa falando mal dos outros, se já dividiu com alguém ou se ele sustenta algumas obrassemelhante às Obras destas duas mulheres, e tantas outras religiosas quepoderia citar. Mas observe também qual o modelo de família apresentado na referida novela. Também a família é alvo desses autores, que não medem esforços para denegrir sua imagem.