OS SANTOS SÃO ONISCIENTES?

Filed under: Santos — Prof. Felipe Aquino at 11:33 pm on Wednesday, October 31, 2007

No céu os Santos sabem, através da comunhão com Deus, de nossas condições aqui na terra. A sua felicidade no céu consiste em compreender a Deus. Eles participam da comunhão e do interesse de Deus por nós. Deus não é indiferente ao que está acontecendo aos seus filhos da terra por ele criados. Os Santos, que tanto se assemelham a Deus no seu amoroso interesse por nós, também acompanham as nossas lutas.

Podemos invocá-los, e eles podem ouvir as nossas preces. Como? É claro que os Santos não são oniscientes e nem onipresentes, mas no Céu todos os seus desejos razoáveis são satisfeitos pelo poder de Deus. É razoável que eles desejem conhecer os pedidos a eles dirigidos. Então, Deus habilita-os a conhecer as nossas preces. A perfeita comunhão com Deus permite aos Santos conhecerem nossos pedidos e interceder por nós. Eles não estão dormindo. A alma não dorme. A Carta aos Hebreus ensina: “Está determimado que cada um morra uma só vez, e em seguida vem o juizo (de Deus)” (Hb 9,27). Ora. é óbvio que logo após a morte a alma não será julgada por Deus dormindo…

O tempo e a distância não são empecilhos para que os Santos ouçam nossas preces e nos socorram com sua intercessão; estas realidades que tratamos são coisas do espírito. Na vida eterna não existe mais a limitação do tempo e do espaço que nos impedem, por exemplo, aqui na terra a bilicação. Por mais secretas que sejam, eles conhecem as nossas preces. Querem ajudar-nos, por mais desesperada que seja a nossa necessidade.E podem ajudar-nos. Este é talvez o fato mais importante de todos. Eles são amigos de Deus, muito chegados a Ele pela sua santidade, que os fez “participantes da sua natureza divina”, como diz S. Pedro. Eles têm grande influência junto ao “Pai das luzes” de quem vem “todo dom melhor e todo dom perfeito” (Tg 1, 17).

Que fique claro, o Santo intercede diante de Deus, mas é Deus quem faz o milagre.

Precisamos conhecer as vidas dos Santos e precisamos  invocá-los em nossas necessidades continuamente. Devemos fazer todo esforço  para nos lembrar deles. As imagens e os quadros são grandes auxílios para isto; nos inspiram seus exemplos e nos convidam à oração. Dias especiais de honra tributada aos Santos particulares renovam o nosso interesse por eles. Novenas, demonstrações públicas especiais, Procissões, a coroação da imagem da Santíssima Mãe de Deus no último de Maio, as peregrinações aos santuários, a dedicação de igrejas a um santo particular – todos estes são apenas alguns dos meios honestos, humanos, de nos ajudar a recordar e imitar os Santos.

Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, insistia sobre a necessidade de nos “recomendarmos” continuamente aos Santos. Santa Teresa de Ávila, também doutora da Igreja, tinha devoção especial a São José e a Santo Agostinho.

No Batismo, a cada criança católica deve ser dado o nome de um Santo. É bom que um novo cristão tome o nome de um dos heróis da fé cristã. Além disto, o nome dá honra ao Santo, tal como um homem na terra é honrado por ter um filho com o seu nome. E, do mesmo modo que um homem acompanha com interesse e afeição a carreira do seu homônimo, assim também o Santo no céu se interessa por aqueles que trazem os seus nomes na terra e os ajuda.

Antigamente na ocasião em que era recebido o Sacramento da Confirmação, a Crisma, os católicos às vezes juntavam ao seu nome o de outro santo. A Confirmação introduz um homem numa nova fase da sua vida, a de “soldado de Cristo”. É apropriado ter outro santo a velar por ele na sua nova condição.

Não somente os indivíduos têm Patronos, mas também os grupos. A piedade cristã tem sugerido que certas profissões sejam colocadas sob a proteção de Santos que tiveram similar estado na vida. Os médicos são abençoados tendo como seu padroeiro S. Lucas, “o médico caríssimo” (Col 4, 14) e companheiro de São Paulo. Santo André é o Padroeiro dos pescadores, como é apropriado; S. José, dos carpinteiros e trabalhadores de modo geral; S. Marcos, dos escrivões públicos (ele era como que secretário de S. Pedro), e assim por diante.

Outros padroeiros foram sugeridos, numa época de fé. S. Cristóvão tornou-se padroeiro dos motoristas. Santo Estêvão, que foi o primeiro cristão a morrer pela sua fé – foi apedrejado até morrer – tornou-se o santo padroeiro dos pedreiros. S. Dimas, o bom ladrão, tornou-se o padroeiro dos condenados à morte.

Nenhuma condição de vida deixa de ter o seu padroeiro. Os agricultores têm Santo Isidoro; os vinhateiros, S. Vicente Mártir; os sapateiros, S. Crispim. Há  um padroeiro dos comediantes, S. Vito. Veja como a Igreja dá importância à proteção dos Santos.

Conta-se a história de S. Brás, a quem, enquanto aguardava o martírio na prisão, trouxeram uma criança em perigo de sufocação  por causa de uma espinha de peixe que lhe atravessara na garganta. Pela oração do Santo, a aflição dissipou-se. Em igrejas católicas, a 3 de fevereiro de cada ano é dada uma bênção especial aos fiéis, rogando a S. Brás protegê-los contra as doenças da garganta.

Santo Antônio de Pádua é invocado quando se precisa de assistência para achar alguma coisa perdida. Isto aparentemente se origina de uma história de que um noviço, no mosteiro dele, uma vez fugiu levando consigo um livro valioso. Pela oração de Santo Antônio, o rapaz foi colhido por uma violenta tempestade. Assustado, resolveu não somente devolver o livro, mas emendar sua vida.

Não se deve imaginar que seja uma superstição infantil que sugere tais devoções. A oração pode ajudar-nos mesmo nos negócios diários mais comuns. Certamente é mais apropriado rezar a algum Santo que tenha ligação, embora remota, com a nossa necessidade, do que rezar sozinho, sem o auxílio das orações dele.

Em épocas recentes, a Igreja Católica declarou oficialmente certos santos patronos universais de obras particulares. S. José, o pai adotivo de Cristo, é o Patrono da Igreja Católica inteira. Isto foi declarado pelo Papa Pio IX em 1870. Santa Teresa de Ávila diz que São José nos socorre em todas as necessidades, seja qual for.

 Se na terra São José foi o protetor do próprio Menino-Deus, deve ser agora o Patrono (protetor, defensor, guarda)  do seu Corpo Místico, a Igreja.

É eloqüente o testemunho de Santa Teresa devotíssima de São José.  No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu :

 “Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma.  A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre
em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como  pai  adotivo,  o  podia mandar,  assim  no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram  outras pessoas  a quem eu aconselhava encomendar-se a ele.  A todos  quisera  persuadir  que  fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus…De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre  lhe  peço  algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida”.
 

S. Vicente de Paulo é o padroeiro de todas as obras de caridade. Santo Tomás de Aquino é o patrono das universidades e escolas. S. Francisco Xavier e Santa Teresa do Menino Jesus são padroeiros das Missões e São Francisco de Sales, dos escritores e jornalistas.Se você quiser conhecer um pouco dos que os Santos nos ensinaram, pode ler os nossos livros: “Na Escola dos Santos Doutores”; “Ensinamentos dos Santos”, “Relação dos Santos e Beatos da Igreja”; “Intercessão dos Santos, relíquias e imagens”.  

 Prof. Felipe Aquino -  www.cleofas.com.br 

Brasileiro é contra o aborto

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 9:32 pm on Wednesday, October 31, 2007

 

 

Carlos Alberto Di Franco

 diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco-Consultoria em Estratégia de Mídia. E-mail: difranco@ceu.org.br 

 Pesquisa Datafolha divulgada no domingo, dia 7, constatou um expressivo aumento da rejeição ao aborto no Brasil. Para 87% dos entrevistados, fazer um aborto é algo moralmente errado. A maioria declara que daria apoio a um filho ou filha no caso de uma gravidez na adolescência, e rejeita a prática do aborto. 

Ao considerar a hipótese de ter uma filha que ficasse grávida ainda adolescente, 82% a apoiariam para que tivesse o filho em qualquer situação. Dariam seu apoio para que ela levasse a gravidez adiante. Apenas 1% dos entrevistados aconselharia o aborto em qualquer situação. Não chegam a 1% os que a aconselhariam a fazer um aborto, caso o pai da criança não quisesse assumir o filho. 

Se fosse um filho a engravidar uma menina, 71% o apoiariam para que ele tivesse o filho em qualquer situação. Os que aconselhariam um aborto em qualquer situação não somam 1%, e o mesmo acontece com os que seriam favoráveis à interrupção da gravidez por achar o rapaz muito novo para ser pai. 

O resultado da pesquisa é uma ducha de água fria na estratégia pró-aborto do ministro Temporão e confirma uma tendência flagrada em pesquisas anteriores. As campanhas do governo estão de costas para o Brasil real.  

Vale acrescentar que, se o projeto do Conselho Federal de Jornalismo estivesse vigorando, caro leitor, hoje certamente eu não estaria escrevendo este artigo. Mas, como a imprensa brasileira é pluralista e defensora da liberdade de expressão, posso, sem nenhum constrangimento, defender meu ponto de vista, que talvez não esteja, necessariamente, em sintonia com a linha editorial de alguns diários. Os jornais não amordaçam. Felizmente. Mas os governos, freqüentemente, gostam de ouvir Samba de Uma Nota Só. Por isso, devemos, todos, defender a liberdade de imprensa e de expressão com vigor e coragem moral. 

A legalização do aborto, independentemente dos eufemismos de alguns e da ambigüidade do presidente da República, é prioridade do governo Lula. A opinião pública assiste, atônita, a uma articulada campanha que pretende impor contra a vontade expressa da sociedade, e em nome da “democracia”, a eliminação do primeiro direito humano fundamental: o direito à vida. 

No tocante ao inegável sofrimento vivido pela gestante, reproduzo o depoimento de uma mãe que, não obstante a dor provocada pela morte do feto anencéfalo, justificou sua decisão de levar a gravidez até o fim. Sua carta, publicada no jornal O Globo, é um contundente recado ao governo e ao Congresso Nacional. “Fui mãe de uma criança com anencefalia e posso afirmar que, durante nove meses de gestação, convivi com um ser vivo que se mexia, que reagia aos estímulos externos, como qualquer criança no útero. Afirmo também que não existe dano à integridade moral e psicológica da mãe. O problema é que estamos vivendo numa sociedade hedonista e queremos extirpar tudo o que nos cause o mínimo incômodo.” (…) “Se estamos autorizando a morte dos que não conseguirão fazer história de vida, cedo ou tarde autorizaremos a antecipação do fim da vida dos que não conseguem se lembrar da sua história, como os portadores do mal de Alzheimer”, escreveu, há 3 anos, Ana Lúcia dos Santos Alonso Guimarães. 

Trata-se de uma carta impressionante e premonitória. A autora se opunha ao aborto anencefálico. Agora, no entanto, o que se pretende é o aborto amplo e irrestrito. A legalização do aborto, estou certo, é o primeiro elo da imensa cadeia da cultura da morte. Após a implantação do aborto descendente (a eliminação do feto), virão inúmeras manifestações do aborto ascendente (supressão da vida do doente) - a eutanásia já está sendo incorporada ao sistema legal de alguns países -, do idoso e, quem sabe, de todos os que constituem as classes passivas e indesejadas da sociedade. Acrescente-se ao drama do aborto, claro e indiscutível, os imensos danos psicológicos e afetivos que provocam nas mulheres. Surpreendeu-me, em recente viagem à Europa, constatar que algumas vozes em defesa da vida nascem nos redutos feministas. O rasgão afetivo apresenta uma pesada fatura e muita gente começa a questionar seus próprios caminhos. 

O brasileiro é contra o aborto. Não se trata apenas de uma opinião, mas de um fato medido em pesquisa de opinião. Por isso o governo precisa ir devagar com o andor. A legalização do aborto seria, hoje e agora, uma ação nitidamente antidemocrática. Ademais, existe a questão dos princípios. A democracia é o regime que mais genuinamente respeita a dignidade da pessoa humana. Qualquer construção democrática, autêntica e não apenas de fachada, reclama os alicerces dos valores éticos fundamentais. 

Por isso, não obstante a força do marketing emocional que apóia as campanhas pró-aborto, é preocupante o veneno antidemocrático que está no fundo dos slogans abortistas. Não se compreende de que modo obteremos uma sociedade mais justa e digna para seres humanos (os adultos) por meio da morte de outros (as crianças não nascidas). Há um elo indissolúvel entre a prática do aborto, o massacre do Carandiru, a chacina da Candelária e outras agressões à vida: o ser humano é encarado como objeto descartável. 

A violência contra a infância abandonada, o surpreendente crescimento da violência infanto-juvenil, o clima de insegurança que se respira nos grandes centros urbanos são a conseqüência lógica da cultura da morte. É inútil enclausurar-se em condomínios fechados, multiplicar guaritas, erguer muros cada vez mais altos. A humanidade humanicida, como afirmou duramente alguém, não pode esperar sensibilidade da geração que deu à luz, porque os filhos não costumam ser mais generosos e dedicados que seus pais.