Não soube do mundo

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 10:47 pm on sexta-feira, fevereiro 8, 2008

De: Renato de Azevedo

Era tão pequeno

que ninguém o via. Dormia sereno

enquanto crescia.

Sem falar, pedia

- porque era semente -

ver a luz do dia

como toda a gente.

Não tinha usurpado

a sua morada.

Não tinha pecado.

Não fizera nada.  

Foi sacrificado

enquanto dormia,

esterilizado

com toda a maestria.

Antes que a tivesse,

taparam-lhe a boca

- tratado, parece,

qual bicho na toca. 

Não soltou vagido.

Não teve amanhã.

Não ouviu “Querido”…

Não disse “Mamã”…

Não sentiu um beijo.

Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo

de pisar o solo,

pezito descalço,

andar hesitante,

sorrindo no encalço

do abraço distante. 

 Nunca foi à escola,

de sacola ao ombro,

nem olhou estrelas

om olhos de assombro.

Crianças iguais

à que ele seria,

não brincou com elas

nem soube que havia.

Não roubou maçãs,

não ouviu os grilos,

não apanhou rãs

nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão,

vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão

à espera do doce. 

Não soube que há rios

e ventos e espaços.

E invernos e estios.

E mares e sargaços.

E flores e poentes.

E peixes e feras

 -as hoje viventes

e as de antigas eras. 

Não soube do mundo.

Não viu a magia. 

Num breve segundo,

foi neutralizado

com toda a maestria.

Com as alvas batas,

máscaras de entrudo,

técnicas exatas,

mãos de especialistas

negaram-lhe tudo

( o destino inteiro…) 

- porque os abortistas

nasceram primeiro. 

7 Comentários »

Comentário por André Luiz

9/02/2008 @ 02:53

É doído ler uma poesia como esta, as crianças hoje em dia estão sofrendo muito, sendo assasinadas, violadas, martirizadas, não da para ficar festejando carnaval e viver uma falsa alegria, enquanto houver crianças sendo tratadas com extrema desumanidade. Definitivamente isto não pode continuar, essas monstruosidades não podem continuar. Mas, ainda bem que há esperança em Deus que suscita pessoas honestas e preocupadas com as crianças inocentes, que lutam para salva-las desses carrascos nazistas que querem massacra-las por causa do poder e do vil metal.

Comentário por Francisco

9/02/2008 @ 13:45

Quem tem filhos, como eu, sabe que não há nada no mundo que nos dá tanta alegria, que nos mobiliza tsnto , esta glória de Deus; é motivo para lágrimas de tristeza , saber que esta aberração que é o aborto, tem tantos defensores. Rezo muito para os seus combatentes e, dentro do meu espaço de convívio ,procuro tomar minha parte no combate. Deus vencerá como os que são Dele sempre venceram, mas não sem luta.

Comentário por José Carlos

9/02/2008 @ 20:31

Poêma bonito, dramático e realista!… Que toda a gente, sobretudo os abortistas, deviam ler!

Comentário por Vinnnie

10/02/2008 @ 15:00

Nossa Prof. Felipe, fiquei muito emocionado com este poeminha. Angustia-me saber que as pessoas querem pouco a pouco destituir os direitos humanos. A legalização deste homicídio é sinal de que o mundo vai mal e, acima de tudo, que os interesses pessoais estão se tornando mais importantes que a vida. Este diagnóstico é óbvio ao nos depararmos com a destruição da natureza, a intolerância ao Sagrado, a relatização, o consumismo e o cientificismo.

Não nos deixemos abater. Professor, o trabalho que o senhor faz é bendito. Deus te abençoe sempre!

Comentário por Jorge e Neli

16/02/2008 @ 04:20

Parabéns ao autor de tão belo poema! Hino à Vida e à Criação. Hino a Deus.
Gostaríamos de obter do autor autorização para passar este poema aos jovens, na cruzada contra o aborto.

Neli e Jorge

Trackback por Poemas & Poesias

8/04/2008 @ 20:45

Não soube do mundo…

Belo poema que fala sobre o aborto, retirado do blog do Felipe Aquino.
Era tão pequeno
que ninguém o via.
Dormia sereno
enquanto crescia.
Sem falar, pedia
- porque era semente -
ver a luz do dia
como toda a gente.
Não tinha usurpado
a sua morada.
N….

Comentário por Simone Campos

19/01/2010 @ 00:58

Linda poesia.

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