Há novos pecados capitais?

Arquivado em: Pecado — Prof. Felipe Aquino at 6:08 pm on Quarta-feira, Março 12, 2008

A Imprensa está noticiando que o Vaticano criou “novos pecados capitais”. Não é bem assim; é incrível a capacidade da Imprensa de fazer barulho, especialmente em cima da Igreja Católica. O que aconteceu?

Na semana de 10 a 15 de março realizou-se  no Vaticano um curso de atualização para sacerdotes sobre o Sacramento da Confissão, patrocinado pela Penitenciária Apostólica do Vaticano. Em entrevista ao jornal do Vaticano L´Osservatore Romano, o responsável pelo Tribunal da Penitenciária Apostólica, Monsenhor Gianfranco Girotti falou de outros pecados do mundo moderno, no contexto da globalização: manipulação genética, o uso de drogas, a desigualdade social, a poluição ambiental, pedofilia, etc..  Em nenhum momento o Mons. falou em Pecados Capitais; quem fez esta referência foi a Imprensa por sua conta.

A Igreja, com sua experiência bi-milenar, nos ensina que os piores pecados são aqueles que ela chama de “capitais”. Capital vem do latim “caput”, que quer dizer cabeça. São pecados “cabeças”, isto é, que geram muitos outros. Assim como, por exemplo, a capital de um estado ou de um país, é de onde procedem as ordens, as decisões e comandos, assim também, desses pecados “cabeças”, nascem muitos outros. Por isso, eles sempre mereceram, por parte da Igreja, uma atenção especial. São sete: soberba, ganância, luxúria (impureza), gula, ira, inveja e preguiça.

 Por exemplo, podemos ver como filhos da Soberba: orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, auto-suficiência, jactância, etc. Podemos ver como filhos da ganância: a exploração da pessoa humana, a destruição do meio ambiente como fonte de enriquecimento, as brigas pelos bens materiais, etc. Entre outras afirmações, o Mons. destacou os pecados relacionados aos direitos individuais e sociais, os da área bioética onde há violações de direitos fundamentais da natureza humana (aborto, eutanásia, inseminação artificial; uso de células tronco embrionárias, clonagem humana, etc.), “através de experiências e manipulações genéticas, cujos êxitos são difíceis de prever e manter sob controle”. Destacou também a gravidade da desigualdade social, onde “os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”, alimentando uma insuportável injustiça social. E falou ainda da ecologia. Na verdade, todos os pecados cabem bem na lista antiga dos pecados capitais, pois eles podem ser desdobrados em muitos outros, inclusive nesses citados por Mons. Gianfranco; mas ele desejou deixar mais explicito a sua gravidade.

O Vaticano está preocupado com o grande número de católicos que não se Confessam. Ao menos uma vez a cada ano o católico é obrigado a fazer uma Confissão, segundo o Catecismo da Igreja (Mandamentos da Igreja, §2042). O Sacramento da Confissão foi instituída por Jesus logo após a Ressurreição; ele enviou os Apóstolos dizendo: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados; a quem vocês não perdoarem os pecados, os pecados não serão perdoados” (João 20, 22).

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br

Cinco Sofismas

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 1:51 pm on Quarta-feira, Março 12, 2008

Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo Metropolitano de Uberaba, MG

Na efervescência da luta pela preservação da vida, (contra o aborto) no meio de um tiroteio esfuziante, apareceram algumas afirmações errôneas, como se verdades fossem. Fez-se uso do velho aforismo “guerra é guerra”. Isso é, vale tudo, sem constrangimentos. Colecionei algumas dessas pérolas, para aferir o grau intelectual da discussão.

1 – A Igreja não tem direito de impor seus princípios morais particulares, a toda uma nação, onde não existem só católicos. Diz, no entanto, Kant, que toda norma justa se torna universal. Assim, mentir, é proibido não só para os católicos, mas para toda a humanidade. O mesmo se diga do mandamento de respeitar pai e mãe. E ninguém escapa da proibição de matar crianças indefesas. Isso vale para católicos, e para qualquer cidadão.

2 – Os católicos não devem meter-se em prescrever leis para o Estado. Este é laico, e não admite leis religiosas. Sim, o Estado é laico, e é bom que o seja. Mas o povo não é. Quanto mais laico é o Estado, mais saberá respeitar os pontos de vista dos cidadãos. Ademais, todos os cidadãos podem se manifestar sobre as regras de conduta do povo. Por que os católicos não teriam esse direito? Seriam cidadãos de segunda classe?

3 – Sabe-se que 75% da população é a favor do uso das células-tronco embrionárias. Só os retrógrados proíbem seu uso. Com certeza, a maioria que se define favorável ao seu uso, acha que se trata de células-tronco adultas, e não sabem que naquelas já está envolvido um ser humano. Se a população desconhece a diferença, como pode ser chamada a se definir?

4 – Na luta pelo uso livre das células dos embriões, acontece o confronto entre a ciência e a Igreja, entre o progresso e o atraso. Não, a Igreja só usa argumentos da ciência. A verdadeira luta foi pela vida dos inocentes, contra os interesses econômicos, desencadeados pelas poderosas ONGs. Respeitem a Igreja, porque novamente, em pesquisa nacional, é a entidade que mais merece crédito no Brasil, seguida de longe por outras entidades.

5 – O uso de células-tronco embrionárias é necessário, porque, por serem totipotenciais, podem curar muitas doenças. Por enquanto não existe nenhuma comprovação real dessas curas, que no futuro poderão ocorrer. Mas as células-tronco adultas (cordão umbilical, medula), por serem pluripotenciais, poderão substituí-las perfeitamente, sem sacrificar vidas.

Fonte: Arquidiocese de Uberaba/MG