“EM NOME DA CIÊNCIA, PAREM…”

Arquivado em: Bioética — Prof. Felipe Aquino at 8:57 pm on terça-feira, março 25, 2008

 

 

O biólogo francês Dr. Jacques Testard, pesquisador do Inserm, Instituto Especializado em Inseminação Artificial, membro da equipe do Hospital Antoine-Belcere, em Clamart (subúrbio parisiense), e um dos melhores especialistas mundiais em fecundação “in vitro”, concedeu entrevista publicada na FOLHA DE SÃO PAULO em 8/3/1987. Ele decidiu parar com suas pesquisas com embriões humanos porque considera que a pesquisa científica tem de reconhecer os limites que a ética e a dignidade hu¬mana impõe ao estudioso. Publicamos, a seguir, o texto de Jacques Testard juntamente com a introdução que o jornalista Milton Blay redigiu para a FOLHA.  

Foi a primeira vez que um cientista especializado nas técnicas da procriação artificial mostrou “vivas inquietudes” face à evolução de sua disciplina e propôs uma “moratória internacional”. “Eu não irei mais longe. Não tentarei outras “premières”. Minha última proeza foi o congelamento de embriões humanos.” 

Jacques Testart disse que “Trata-se de uma posição minoritária no mundo científico. Outros continuarão. Não porque sejam melhores, mas pela vontade de ver seus nomes nos jornais e aparecer na televisão. Eu reivindico uma lógica de “não descoberta”, uma ética de “não-pesquisa”. Sei que será um “suicídio profissional”, mas não faz mal: chegou a hora de dizer em alto e bom tom que não existe pesquisa neutra e que só suas aplicações são boas ou ruins. Este postulado é mentiroso e perigoso. Se me demonstrarem que uma única vez uma descoberta que correspondia a um desejo não foi aplicada, então recomeçarei…”. 

A  Entrevista 

“Folha – Cinco anos após o nascimento de Amandine, o primeiro bebê-proveta francês, fecundado “in vitro” pela equipe do Hospital de Clamart, o senhor anuncia no livro “Oeuf Transparent” (“Ovo Transparente”, em português, da “Édition Flammarion”) que “ viveremos o momento da pausa da auto-limitação do pesquisador”. Por quê? 

Jacques Testart – Se prosseguirmos, chegaremos rapidamente a uma nova situação, que nada tem a ver com a primeira função da fecundação “in vitro”: responder a um diagnóstico e dar um filho a um casal estéril. Amanhã veremos nascer o bebê “prêt-à-porter” e, dentro de alguns anos, poderemos oferecer ovos “à la carte”, com sexo determinado, em conformidade com normas garantidas. Nossos filhos serão escolhidos como cachorros no canil: cor de pelo, tamanho das patas, forma das orelhas. Eu não pretendo, por exemplo, cortar um ovo humano em dois, retirar uma ou várias células de um óvulo fecundado para determinar o sexo da criança a nascer ou para fazer o diagnóstico de uma anomalia genética. Prefiro dedicar-me ao aperfeiçoamento das técnicas existentes e a desenvolver, nos animais, os estudos sobre congelamento dos óvulos. 

Folha – Qual é exatamente o perigo? 

Testart – A perspectiva do bebê sob medida me inquieta. Uma equipe científica multidisciplinar francesa anunciou recentemente a descoberta de uma técnica de diagnóstico do sexo dos embriões bovinos. É um primeiro passo para a determinação futura do sexo do embrião humano. No início, esta técnica será proposta como um progresso médico para as doenças hereditárias ligadas ao sexo. Depois, as pessoas passarão a se interessar pela fecundação “in vitro” para escolher o sexo dos seus filhos e os especialistas serão tentados a “fabricar” gêmeos. Um dia saberemos agir sobre o embrião e assim substituir um gene por outro, para corrigir tal ou tal malformação. Então, o termo “fabricar bebês” perderá as aspas. Encontramo-nos diante de uma encruzilhada: seguir adiante significa satisfazer, a médio prazo, o sonho dos biólogos de fazer homens sob medida, na mais perfeita lógica hitleriana. A técnica nos oferecerá “ovos à la carta”. E no cardápio biogenético as propostas serão infinitas: podemos imaginar a fecundação do óvulo pelo óvulo (sem a presença do espermatozóide), a auto-procriação feminina (que permitirá à mulher ter um filho que será sua cópia genética), a gestação humana no ventre de um animal, e até, por que não, a gravidez masculina. 

Folha – Existem na França e em outros países que praticam a fecundação “in vitro” comitês de Ética encarregados de estudar este tipo de problema. Por que eles não se manifestam? 

Testart – Os comitês de Ética, que não têm poder legal, também se sentem ultrapassados pelos avanços científicos. Por exemplo, eles ainda não se manifestaram sobre o congelamento de embriões, que se tornou corriqueiro. Quando uma mulher engravida, o que fazer com os embriões congelados? Na falta de resposta nós decidimos caso por caso, de comum acordo com o casal. 

Em setembro de 84, a equipe do Hospital Belcere publicou um método de micro-injeção de espermatozóide no óvulo. O comitê de Ética respondeu negativamente, dizendo que era prematuro e pedindo novos estudos em animais. Resultado: hoje, na França, várias equipes aplicam esta técnica, sem terem aguardado nossas conclusões.Assistimos atualmente a uma tal volúpia entre as equipes médicas que ninguém respeita as regras éticas, ninguém tem tempo para perder com reflexão. Por isso proponho uma moratória imediata das experiências”. 

Comentário do Prof. Felipe Aquino: Embora a Igreja não concorde com a inseminação artificial para pessoa humana, e também não concorde com o congelamento de embriões humanos e sua manipulação, a entrevista do Dr. Testart mostra, desde 1987, isto é, há 20 anos, os perigos que representam a manipulação dos embriões humanos. Mostra também que o desrespeito à ética e `a dignidade humana acontece por conta de “uma tal volúpia entre as equipes médicas que ninguém respeita as regras éticas”. O melhor seria dizer: “Em nome de Deus, parem…” 

 

 

Padre Michael Keller, cientista de Deus

Arquivado em: Ciência e Fé — Prof. Felipe Aquino at 3:36 am on terça-feira, março 25, 2008

Um total de 210 astrônomos de 26 países do mundo participaram  de 1 a 5 de Outubro de 2007, de uma Conferência internacional organizada pelo Observatório Astronômico do Vaticano sobre a formação e evolução das galáxias. A Conferência, ofereceu 62 palestras e 132 apresentações, e aconteceu no Centro Matteo Ricci da Universidade Gregoriana de Roma, fundada pela Igreja.

 O diretor do Observatório Vaticano, o jesuíta argentino José Gabriel Funes, fez um doutoramento em astronomia na Universidade de Pádua, sobre o tema “Cinemática do gás nas regiões centrais das galáxias com disco”, que apresentava os resultados obtidos ao “pesar” os buracos negros supermaciços que se encontram no centro das galáxias com disco. E ainda tem gente que pensa que a Igreja é um obstáculo para a Ciência.

Agora, o Padre polonês Michael Keller, de 72 anos, doutor em cosmologia e um dos mais conceituados cientistas no campo da cosmologia e, também um dos mais renomados teólogos de seu país, ganhou um dos maiores prêmios em dinheiro já dados em Nova York pela Fundação Templeton, instituição que reúne pesquisadores de todo o mundo: US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 2,87 milhões). Com o prêmio que recebeu, ele anunciou a criação de um instituto de pesquisas: Centro Copérnico, em homenagem ao filósofo polonês que provou que o Sol é o centro do sistema solar. 

 Pe. Michael foi o pioneiro na formulação de uma nova teoria que começa a ganhar corpo em toda a Europa: a “Teologia da Ciência”, que une Deus e a ciência. Os seus trabalhos abordam a questão da origem do universo sobre aspectos avançados da teoria geral da relatividade, de mecânica quântica e de geometria não-comutativa.

 Pe. Michael valeu-se também das ferramentas da física quântica (que estuda, entre outros pontos, a formação de cadeias de átomos) e inspirandou-se em questões levantadas no século XVII pelo filósofo Gottfried Wilhelm Leibniz. 

Pe. Michael Keller usou algumas ferramentas fundamentais tendo como base principal a Teoria da Relatividade, de Albert Einstein, ele mergulhou nos mistérios das condições cósmicas, como a ausência de gravidade que interfere nas leis da física. Como explicar a massa negra que envolve o universo e faz nossos astronautas flutuarem? Como explicar a formação de algo que está além da compreensão do homem? Analisando essas questões, que abrem lacunas na ciência, ele afirma a possibilidade de encontrarmos Deus nos conceitos da física quântica, onde se estuda a relação dos átomos. Dependendo do pólo de atração, um determinado átomo pode atrair outro e, assim, Deus e ciência também se atraem. “E, se a ciência tem a capacidade de atrair algo, esse algo inexoravelmente existe”. O Pe. Michael Keller explica que: “A ciência nos dá o conhecimento do mundo e a religião nos dá o significado”.  

Ele afirma que: “ao questionar (a causalidade primeira) não estamos apenas falando de uma causa como qualquer outra. Estamos nos perguntando sobre a raiz de todas as possíveis causas”. “Invariavelmente eu me pergunto como pessoas educadas podem ser tão cegas para não ver que a ciência não faz nada além de explorar a criação de Deus.” 

Para os jurados, Heller mereceu o prêmio por desenvolver “conceitos precisos e notavelmente originais sobre a origem e as causas do universo, muitas vezes sob intensa repressão governamental” . “Apesar da opressão das autoridades comunistas polonesas a intelectuais e padres, a Igreja, impulsionada pelo Concílio Vaticano 2º, garantiu a Heller uma esfera de proteção que o permitiu alcançar grandes avanços em seus estudos”, diz sua biografia. 

O Pe. Michael afirma que “há perguntas que a ciência não responde, mas o universo está aqui e nós, nele”. Nesse “buraco negro” entra Deus. Segundo Keller, apesar dos nítidos avanços no campo da pesquisa sobre a existência humana, continua-se sem saber o principal: quem seria o responsável pela criação do cosmo? Ele  montou a sua metodologia a partir do chamado “Deus dos cientistas”: o big bang, a grande explosão de um átomo primordial que teria originado tudo aquilo que compõe o universo.  

Ele argumenta que “Em todo processo físico há uma seqüência de estados. Um estado precedente é uma causa para outro estado que é seu efeito. E há sempre uma lei física que descreva esse processo”. “Mas o que existia antes desse átomo primordial?” Essas questões, sem respostas pela física, encontram um ponto final na religião – ou seja, encontram Deus.  

Não é sem motivo que o Dr. Francis Collins, Diretor do Projeto Genoma Humano, o maior projeto de biotecnologia já desenvolvido no mundo, disse: “Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas.” (Revista Veja, Edição 1992 - 24 de janeiro de 2007) 

 Fonte: http://www.comshalom.org/noticias/exibir.php?not_id=1518 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br