A humanidade está enlouquecendo por Dom Eduardo Benes

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 3:35 pm on Tuesday, May 6, 2008

Comove a opinião pública a morte de Isabella. A concentração dos noticiários televisivos na apuração dos fatos estimula e alimenta a indignação das pessoas. Faço duas observações sobre o que está acontecendo. A primeira se refere à brutalidade do assassinato de Isabella. É muito difícil crer que os próprios pais sejam os autores de tal crime. A segunda se refere ao poder da mídia de mobilizar emoções ao dar cobertura minuciosa ao acontecido. Mas passo agora a narrar o que ouvi de um médico ginecologista.

Procurado por uma jovem senhora decidida a abortar, ele fez ver a ela a gravidade da decisão que ela estava a tomar. Mas ela tinha uma razão definitiva: com seu esposo acabara de criar uma empresa e precisava dedicar-se à consolidação desse projeto. Não estava, pois, em condições de levar a gravidez até o final e a arcar com os cuidados que um bebê exige.

Diante da negativa do médico de atender sua solicitação, ela lhe pediu indicar outro que aceitasse fazer o aborto. Ao que recebeu a resposta: “não conheço e não tenho relações com pessoas envolvidas nessa tarefa”. Com muito custo foi convencida a fazer o ultra-som para verificar as condições do bebê. A esperança do médico é de que, vendo a imagem do bebê durante a realização do ultra-som e ouvindo as batidas de seu coração, lhe fosse mobilizado o instinto materno, tão forte na espécie animal, e, assim, ela viesse a assumir o ser humano que crescia em seu ventre.

A jovem senhora, entretanto, recusou-se terminantemente a olhar para o vídeo onde as imagens da vida em desenvolvimento mostravam sua força bem como recusou-se a ouvir as batidas do pequeno coração do bebê que respondia, com suas batidas apressadas, às batidas do próprio coração da mãe. A mãe não voltou mais ao médico a quem havia procurado. Deve ter encontrado um outro qualquer que lhe atendeu o desejo.

Lembro-me que o primeiro lhe havia dito que o projeto de ter e criar um filho é muito mais importante do que consolidar uma empresa. Ela, entretanto, estava inebriada pelo sonho de se tornar uma grande empresária e, firmada no direito de decidir sobre a vida do filho em gestação, permitiu sua execução. O bebê foi morto por esquartejamento, sugado aos pedaços do seio de sua própria mãe.

Pergunto ao leitor: é possível falar em direito ao aborto? Faz poucos dias vi em projeção de data-show a imagem de um bebê recém-nascido a mamar. Estava como que pregado pelos lábios no peito da mãe. Pensei: seria um crime arrancá-lo da fonte que o alimenta. Só muito lentamente ele vai dispensar aquela fonte. Na mesma projeção, ao lado, aparecia um embrião nidado, agarrado à parede do útero da gestante. Há quem julgue ser lícito arrancá-lo de sua fonte, como se um carrapato fosse.

Curiosa e escandalosamente a lei do aborto interrompe uma lógica divina que estabelece ser tanto mais necessário proteger a vida humana quanto mais frágil ela se apresente. Matar uma criança ou dela não cuidar é crime, tanto mais grave quanto mais a criança necessita de proteção. Quanto mais no início tanto mais a sociedade deve cuidar da vida do ser humano. A lógica é interrompida assim: não se pode destruir a vida começada há 12 (11, 10, 9) meses, mas, recuando mais dois, seis, ou 08 meses, quando a vida mais necessita de proteção, aí a lógica é a do egoísmo, prevalece o pretenso “direito” da gestante sobre o real direito do feto ou do embrião.

Se todos os canais de TV colocassem no ar, de vez em quando, o DVD “o grito silencioso” [Disponível no Canal Cléofas do YouTube], onde está filmada a cena de um abortamento, com certeza haveria de se verificar a mesma comoção produzida pelo assassinato de Isabella. Em outro artigo assim descrevi a cena que vi: “A mulher se colocara na posição de dar à luz. Depois era necessário perfurar a bolsa amniótica. Quando o instrumento - amniótomo - tocava a bolsa, a criança se movia, em manifestações de aflição. Ela não tinha como expressar seu desespero. Confesso que foi com relutância que continuei a presenciar a cena: uma mulher em posição de dar à luz e, colado a seu corpo, em posição de quem faz um parto, um médico, ou coisa parecida, a agir como quem vai extirpar um tumor maligno. E dentro um bebê sem ter onde se esconder.

Ah! se ele pudesse fugir para dentro do coração da própria mãe! Ali com certeza não tocariam nele. Perfurada a bolsa, a presa estava à disposição. Foi então introduzido no útero da mãe o aspirador que ligado a uma pequena bomba pneumática tinha a tarefa de sugar, aos pedaços, o pequeno ser. Ele morreu dando um forte grito. Aqueles que crucificaram Jesus escutaram esse grito quando Jesus morreu (Lc 23,46). Do lado de fora foram caindo os pedaços sugados. Sobrou a cabeça, que logo depois foi arrancada por uma espécie de tenaz. E assim veio para fora a parte mais nobre daquela pobre humanidade. Por fim fez-se a limpeza do abrigo onde cresceu por 12 semanas aquela frágil vida. Que horror!

* Dom Eduardo Benes é arcebispo de Sorocaba (SP)

6 Comments »

Comment by larissa

6/05/2008 @ 19:46

Parabéns pela bela ação professor Felipe, pela busca insesante por novos artigos que são de grande valia para todos nós e que só vem acrescentar, é preciso lutarmos contra essas práticas do mundo moderno se o que estão nos mostrando como matar crianças no ventre, manipular vidas, é ser moderno prefiro ser retrógrada a vida inteira.

Comment by Daniel

6/05/2008 @ 20:11

Você quer saber se é sensivel ou não com o aborto?Então faça o seguinte:faça amizade com um doente
terminal,quando ele morrer,se você não ficar comovido,
tampouco se comoverá com a morte de um recém-nascido,
mas,se você se comover você está pronto(a) para ser
um pró-vida.

Comment by Marina

7/05/2008 @ 13:14

Olá professor… faz tempo que não comento por aki rs mas não deixei de ler seus artigos, apenas não tive mais tempo para comenta-los rs rs

Bommm queria deixa aki um vídeo que mostra, mais do que o filme “um grito silencioso” como é brutal um aborto… Ja aviso que esse filme contem cenas fortíssimas, pois mostra o corpo do bebe sendo retirado da mãe… não mostra no ultra-som, mas na visão do médico.

Aos curiosos aviso mais uma vez que eh mto forte o video, tem que ter estomago para assistir…

Eis o link:
http://www.abortionno.org/

Esse vídeo mostra como eh cruel um aborto e creio que ngm após ver um filme desses tenha coragem de fazer tal atrocidade…

É isso ae! Aborto não é um direito a ser decidido, a vida e a morte não pode ser escolhida por nós….

Sem mais
Mari

Comment by Pedro

7/05/2008 @ 15:47

O texto de D. Benes exemplifica muito bem o tão decantado “direito de decidir sobre o próprio corpo” que nossos políticos liberais tanto pregam. Gostaria de saber se nosso ministro da saúde seria capaz de citar um exemplo desses em seus discursos pela legalização do aborto.

Comment by Daniel

7/05/2008 @ 18:24

PARA O AMIGO PEDRO
Para quem já disse que a Igreja sempre esteve errada,
como disse o nosso ministro da saúde Temporão em uma
entevista,não duvido nada que ele quer a legalização
do aborto.

Comment by Pedro

7/05/2008 @ 20:02

O Ministro Temporão quer, sim, a legalização do aborto, que ele defende seja tratado como assunto meramente de saúde pública, sem implicações morais. O que pensar de um administrador público que imagina existirem atos que estejam além de qualquer julgamento moral?
Também é defensora do aborto a Ministra (de que mesmo? Há tantos ministros nesse governo) Nilcéa Freire, que num artigo na revista Época, que vi há pouco tempo, apela para o argumento sentimentalista das pobres mulheres que estão presas por terem praticado aborto. Naturalmente, dos bebês que foram abortados, na visão dela, ninguém precisa ter pena.

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