Em síntese: O Evangelho de Felipe, apócrifo de origem gnóstica, foi recentemente publicado em português com os comentários de Jean Yves Leloup. Este autor endossa a tese segundo a qual Jesus se casou com Maria Madalena, não levando em conta o caráter não cristão do texto gnóstico; este é de data tardia (século II) e recorre ao pseudônimo do Apóstolo São Filipe. Não há um vestígio de tal casamento em toda a tradição cristã – o que já seria suficiente para lançar suspeita sobre a veracidade da hipótese apresentada por Leloup.
Foi publicado em português o texto do apócrifo gnóstico intitulado “O Evangelho de Felipe”1 acompanhado de comentários de Jean-Yves Leloup. Tal apócrifo tem sido freqüentemente citado como portador de notícias que a Igreja subtraiu ao conhecimento do público, mas que seriam verídicas. – Em vista da importância de tal escrito no debate teológico, será, a seguir, explanado, levando-se em conta as ponderações de Leloup.
1. O Evangelho de Felipe: origem
Na década de 1940 foi encontrado em nag Hammadi (Egito) um papiro, escrito em língua copta e intitulado “O Evangelho de Felipe”. Pertence a um acervo de escritos de origem gnóstica ou não cristã. Terá sido escondido este texto num recanto de Nag Hammadi por monges que o queriam salvar da destruição que a Igreja oficial lhe infligiria se o tivesse em mãos; terá sido um escrito proibido, porque dá notícia de um presumido casamento de Jesus com Maria Madalena, notícia esta envolvida em considerações “místicas” sobre a união conjugal.
“Pode ter acontecido que estes textos se encontrassem ameaçados não só pela ortodoxia…, mas talvez também pelos monofisitas, chocados por verem certos detalhes lembrar de forma tão explícita o realismo da encarnação do Verbo. O corpo que falava era também um corpo que amava, e amava não de maneira platônica ou grega, mas com toda a presença sensual e psíquica do humano bíblico” (ob. Cit., p. 11).
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1. O Evangelho de Felipe
Traduzido e comentado por Jean-Yves Leloup. – Ed. Vozes, Petrópolis 2006, 183 pp. Comentaremos oportunamente esta tese de Leloup. O manuscrito do Evangelho de Felipe assim descoberto consta de 150 páginas, cada qual com trinta e três e trinta e sete linhas. O texto em pauta deve datar do início do século IV; é uma tradução copta do original grego, que pode ter sido redigido por volta de 150. Vem a ser uma compilação de sentenças atribuídas a Jesus em estilo sibilino ou obscuro, que se presta a mais de uma interpretação.
2. O Evangelho de Felipe:  conteúdo – Observa Leloup: “Os temas propostos por esse florilégio ou esse colar de pérolas, que é o Evangelho de Felipe, são numerosos. Cada lógion (sentença), como cada pérola do colar, pode ser uma fonte de luz e exigiria um longo comentário” (ob. cit., p. 21). O comentador realça os três seguintes tópicos:
2.1. Íntimo relacionamento de Jesus Cristo com Maria Madalena
A sentença 55 é assim concebida: “A companheira do Filho é Miryam de Magdala. O Mestre amava Miryam mais que a todos os discípulos e beijava-a frequentemente na boca. Os discípulos, vendo-o amar dessa forma Miryam, disseram-lhe: “Por que a amas mais que a todos nós?” O Mestre lhes respondeu: “Por que pensam que não os amo tanto quanto a ela?”
O pseudo-Felipe exalta a união conjugal como algo de sagrado e, por isto, compatível com a dignidade do Mestre: “O quarto nupcial é o Santo dos Santos… Esta libertação se manifesta no quarto nupcial… Aqueles que verdadeiramente oram em Jerusalém, tu os encontrarás somente no Santo dos Santos… no quarto nupcial” (lógion 76). Este é o tópico que mais interessa aos estudiosos do apócrifo em questão.
2.2. Ressurreição espiritual
Em linguagem obscura Leloup parece negar a realidade da ressurreição corporal de Jesus, admitindo apenas a ressurreição espiritual. Assim é interpretado o lógion 21: “Aqueles que afirmam que o Senhor morreu primeiro e que depois ressuscitou se enganam pois primeiro Ele ressuscitou e em seguida morreu. Se alguém, antes de tudo, não ressuscita, não pode senão morrer. Se já ressuscitou, vive como Deus vivo”.
Esta proposição condiz com o dualismo gnóstico, que julga ser a matéria má e o espírito bom ontologicamente ou por sua própria natureza.
2.3. Não-dualidade
Por não-dualidade Leloup entende não haver distinção nítida entre o bem e o mal. “É, sem dúvida, imprudente delimitarmos com muita precisão os territórios do bem e do mal; um não funciona sem o outro, como o dia não existe sem à noite; isto nos conduz também à parábola do joio e do trigo: arrancar um é destruir o outro” (ob. cit., p. 21s). Tal afirmação é depreendida do seguinte lógion: “Luz e trevas, vida e morte, direita e esquerda são irmãos e irmãs. Seão inseparáveis. Por isto a bondade não é apenas boa, a violência violenta, a vida apenas vivificante, a morte apenas mortal” (lógion 10).
Na verdade, dever-se-ia dizer: o bem e o mal, as trevas e a luz, à direita e a esquerda… são distintos entre si, mas caminham conjuntamente na mesma estrada. Convém recordar a terminologia precisa:
Dualismo: dois princípios antagônicos entre si; o corpo seria mau, o espírito seria bom. Tal concepção não é cristã.
Dualidade: dois princípios distintos um do outro, mas não antagônicos e, sim, complementares; tal é o caso de homem e mulher, são distintos um do outro e se complementam mutuamente.
Monismo: um só princípio.
Pergunta-se agora:
3. Que dizer?
O Evangelho de Felipe é um texto difícil ou obscuro, prestando-se a diversas interpretações. O seu comentador Jean-Yves Leloup também se ressente da falta de clareza em suas páginas. Como quer que seja, tal apócrifo transmite uma nítida concepção: Jesus teve relacionamento íntimo com Maria Madalena, ficando insinuado que se casaram. É este o ponto que nos interesse considerar mais atentamente: Começamos por observar que há dois tipos de apócrifos: os de origem cristã e os de origem gnóstica.
Os de origem cristã são o eco daquilo que as comunidades cristãs pensavam desde os inícios da história da Igreja. Apresentam um Jesus taumaturgo e maravilhoso, completando a seu modo o teor dos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Não referem especial relacionamento de Jesus com Madalena. Nesses apócrifos se encontram dados que a tradição cristã aceitou como verídicos (ou, ao menos, verossímeis os nomes dos genitores de Maria SSma. (Joaquim e Ana), a apresentação de Maria no Templo aos três anos de idade, o nascimento de Jesus numa gruta entre o boi e o burro, os nomes dos três magos tidos como reis (Gaspar, Belchior e Baltasar), os nomes dos dois ladrões (Dimas e Gesta), o nome do soldado que feriu o lado de Jesus com a lança (Longino), o episódio de Verônica, que enxugou o rosto ensanguentado de Jesus…
Os apócrifos de origem gnóstica não procedem do tronco cristão como os anteriores, mas de premissas de escolas dualistas que floresceram nos séculos II e III e quiseram apresentar suas concepções sob a forma de textos bíblicos como se fossem autenticamente cristãs. Essa literatura é muito complexa: assim como ela refere à intimidade de Jesus com Madalena, refere também a aversão às mulheres, que se deveriam tornar homens para salvar. Com efeito: em Nag Hammadi, no mesmo lote de manuscritos que continham o  Evangelho de Felipe, achava-se também o Evangelho de Tomé, que se encerra com o seguinte lógion: “Simão Pedro disse a eles: “Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida”.
Jesus respondeu: “Eu a guiarei para fazer dela um homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês, homens. Pois toda mulher que se tornar homem entrará no reino do céu”. (lógion 114).
Percebe-se assim a contradição dentro do próprio setor gnóstico: ora Maria Madalena é estimada como mulher “companheira” de Jesus, ora é rejeitada no que ela tem de feminino e transformada em homem. Tal contradição desqualifica a tese do casamento de Jesus.
De resto, em nenhum documento da história do Cristianismo aparece vestígio dessa pretensa união conjugal do Mestre Divino. Se tal união fosse uma realidade histórica, não teria permanecido vinte séculos oculta pela prepotência da Igreja ciosa de dominar, pois “a mentira tem pernas curtas” como se diz em linguagem popular. A Igreja não tem medo da verdade.
Notemos outrossim que, ao morrer, Jesus toma providências em relação à sua Mãe, mas não parece estar preocupado com o futuro de Maria Madalena – o que não seria compreensível se houvesse íntimo relacionamento entre o Senhor e Madalena.
Pergunta-se então: Por que devia Jesus permanecer celibatário?
- Jesus veio anunciar a entrada do Reino de Deus no tempo dos homens (cf. Mc 1,14). Começou aqui na terra o Definitivo com toda a riqueza de seus dons. A consciência disto levou os cristãos desde a primeira geração a abraçar a vida uma ou indivisa para se dedicarem totalmente ao Eterno Presente; cf. 1Cor 7, 25-35. O próprio Jesus nos diz que no Reino de Deus consumado não haverá casamento, mas serão todos como os anjos de Deus (Mt 22,23-33). Sendo assim, Jesus, como arauto desse Reino, devia ser o primeiro a abraçar a vida uma ou indivisa. O celibato é o testemunho de que a sede de vida e felicidade do ser humano pode ser satisfeita com bens invisíveis e com a renúncia aos valores passageiros e, por vezes, ilusórios deste mundo. Jesus não foi menos homem pelo fato de não se casar; teve os nobres sentimentos de um coração humano; estes, porém, eram dirigidos para além dos bens materiais e visíveis. Muito sabiamente escreveu Saint-Exupéry: “O essencial é invisível”. O celibatário acima, mas ama segundo os parâmetros do Definitivo e Absoluto. – É isto que compete dizer a Jean-Yves Leloup.
Dom Estevão Bettencourt, osb

21 Comentários

  1. Como se não bastasse o falso Evangelho de Tomé,agora
    tem o Evangelho de Felipe.Os gnósticos continuam
    causando problemas mesmo depois do desaparecimento
    da seita.E digo que atacar o Cristianismo e a
    Santa Igreja dá ibope,por isso que ateus e CIA fazem
    isso.

  2. Adorei o seu blog. Parabéns!!!

  3. Muito bom seu artigo, acho que devemos olhar com carinho estes textos apócrifos para não tirarmos nenhuma conclusão precipitada. Uma vez que alguns de nossos conhecimentos a respeito da religião, como exeplo dos pais de Maria, Joaquim e Ana, o nome do anjo do mal que é Lúcifer e outros que não me recordo, tudo isso não se encontra na bíblia e no entanto para todos, são aceito como verdadeiros e são de origens apócrifos. Se tudo isso foi oculto por quase 2 mil anos, vejo que já é hora de aparecer mesmo, pois todos sabemos que um dia a verdade ira aparecer, custe o que custar. Quanto ao evangelho de Felipe, não quero fazer nenhuma afirmação contra ou a favor uma vez que a sua verdede só se revelara através do Espírito Santo e isso ainda não me aconteceu. O que eu não acho certo é fazer disso uma história de ficção, deturpando a verdade como se ela fosse um marionete na mão de horrendos mortais que só visam o lucro e estatus, fazendo com que as referências as respostas que procuramos, desde já sejam vistas como piadas e chacotas.

    Grande abraço a Parabens pelo artigo

  4. como eu faço pra poder ter acesso a essa leitura?

  5. “manter a mente aberta, não tomar nada como impossível ou definitivo, acreditar que estamos sempre aprendendo e corrigindo erros, isso nos faz ser seres hmanos melhores.”

  6. nilton de campinas

    OS EVANGELHOS APÓFRICOS VEIO PARA DESTRUIR A FÉ DE MUITOS.EXEMPLO A PARABULA DO SAMEADOR A SEMENTE QUE CAIU NO SOLO PEDREGOZO VEIO O SOL E A QUEIMOU PORQUE A RAIZ ERA FRACA.CREIO NO JESUS QUE FOI ANUNCIADO PELO ANJO GABRIEL E QUE HONROU SEU CELIBATO.

  7. há uma grande chance de tal evangelho ter sido escrito por pagãos,visto que seu conteúdo é bem parecido com a cultura pagã, as tradições, as crenças, os ritos, as supertições…
    tambem sua origem é muito longinqua ao tempo de cristo e dos apostolos. mas o considero em partes, por não ter certeza sobre minha hipótese. se souberem algo mais acerca do que comntei por favor me informen.

    grato. hedrondantas@hotmail.com

  8. neste tempo em que tal evangelho foi escrito o cristianismo crescia em ascensão social e o paganismo estava perdendo espaço. havia grande conflito entre os tais. quem sabe se algum pação devoto não quis divulgar um evangelho em que Jesus parecia aceitar as idéias do paganismo.
    os apostolos escreveram varias sobre falsos mestres que teriam se metido no meio dos cristãos pervertendo os irmãos, como era costume pagão.
    basta examinarmos um pouco as Escrituras e teremos a verdade.
    há, ótimo blog. valeu mesmo!

  9. NUBIA S MEDEIROS

    venho dizer a voces que é de grande valor nós conhecer-mos esses evangelhos pois só assim tira esse mito que eu acho que foi apreguado pela igreja católica que os homens que se dedica a igreja deve ser celibatado, quando na verdade servir a deus é profundamente a melhor coisa do mundo, e não precisa exatamente esta só, pois não foi assim que deus que (não é bom que o homem estsja só farei para ele uma mulher….)gen.2.18.

  10. Muito bom a artigo, é sabido entre os historiadores que a história é construida a parti de um ponto de vista, com leituras de fontes, documentos e etc.. Sendo a biblía um livro historico e espiritual, sabendo separar o que sagrado do profano, não vejo problema nenhum em se ler os evangélicos apócrifos, é com diz o ditádo popular “quem não deve não teme”.

  11. olá, professor

    se possível, eu gostaria de ver um post ou artigo sobre o conflito na faixa de gaza. talvez o sr. possa esclarecer qual sua origem, já que há interpretações que dizem ser bíblica essa volta dos judeus. na minha opinião, se for mesmo bíblica, foi muito mal feita, porque a partir do movimento sionista eles foram retornando e culminou em 1948 com uma invasão, não atentando para o fato do povo muçulmano viver ali a séculos, já. realmente lamentável essa situação, ainda mais se estiverem usando a bíblia para justificar. um abraço e Deus abençoe o sr.

  12. muito bom o assunto pois essa área historica é muito pouco divulgada

  13. O mestre jesus nos falou o meu reino não é
    deste mundo. o filho do homem não tem aonde
    encostar a cabeça. ele disse eu não vim para
    ser servido mas para servir.
    ele disse ainda aquele que amar mais sua
    familia do que amim Não é digno de mim.
    portanto tudo que te faz afastar destas verdades
    pode até ter um valor estórico pelo tempo que
    foi escrito, porem te afasta do vedadeiro JESUS
    Aquele que veio para mostrar o caminho averdade e a
    Vida. ele esta muito vivo te esperando acorde e viva
    e viva tanbem não no passado ou no futuro no aqui agora!!!!!

  14. Não vivemos na época de Cristo e nem 70 anos após, época que salvo engano começaram a redigir os 04 evangelhos.Acreditar na bíblia como fonte histórica é preciso em virtude de ser uns dos poucos livros que nos trazem algumas informações imporatntes sobre nosso mestre maior. Mas, mesmo não sendo ateu, me reservo ao direito de questionar e até mesmo buscar mais informações com respeito a vida e obra de Jesus de Nazaré. Viveu 30 anos de sua vida, e quase nada fora escrito, cumpriu seu ministério em três anos, foi pregado em uma cruz segundo tradição romana e ressucitou no terceiro dia. Depois de algun tempo aparecendo para algumas pessoas foi para o céu e vive hoje a direita do Pai, segundo ensinamento cristão. Tenho a nítida impreensão que existem e exiistiram outras fontes que falam mais deste Deus homem que viveu nesta terra. Tenho interesse em saber um pouco mais. O fato dele ter sido casado ou não, ao meu ver não mudaria a importância de sua obra divina. Se foi, cumpriu mais um mandamento do Pai. Se não foi, não muda nada como relatado. No fundo, gostaria de acreditar que ele foi, tendo como premissa que ele é o exemplo que deve ser seguido, assim sendo, não seria surpresa que ele desse o exemplo se casando. Lembremos de seu batismo….nos deu o exemplo…ele não precisa se arrepender.

  15. Sendo Jesus casado ou não, teve mulher ou não, isso é o que menos importa, o que realmente vale é saber e acreditar piamente na sua existência, pois para um bom entendedor, “isso é uma coisa que a Bíblia cita muito, ter sabedoria” basta ler o que Ele nos diz, Ele simplesmente foi o maior ser que pisou na face desta terra.Sigam-no e pronto…
    que Deus Pai criador de tudo e de todos os ilumine

  16. Parabéns pelo trabalho.

  17. Julio Ramalho

    É muito bom termos estas informações e sabermos de todos os acontecimentos. Acho que quem acredita em Jesus e o ama irá continuar a amá-lo com Mª Madalena ou não. Pra mim é super importante ter conhecimento da hitória, já minha fé em Jesus Cristo, por mais que eu não seja católico, continua inabalada.

    Parabéns pelo belo trabalho.

  18. cristiane

    eu repreendo em nome d jesus.Nosso Deus com seu poder infinito e amor por nós não deixou isso acontecer…

  19. Não acredito que Jesus subiu ao ceu de carne e osso, e sim em espirito mas isso não muda em nada minha fé me Jesus Cristo, Deus estar dentro de cada um de nós basta entender!!!

  20. veronica aparecida cavanha tomim

    gostaria de saber em que capitulo da biblia esta o texto sagrado e o profano pois preciso de ajuda para fazer um artigo obrigado .

  21. Alex Vieira

    O estudo sobre as sociedades secretas e sobre a origem dessas traz a tona segredos que estão ocultos dentro das mais variadas religiões bem como as análises que são feitas à respeito dos evangelhos gnósticos pois estes podem nos dar uma idéia do que poderia ocorrer caso realmente o que foi escrito fosse realidade.

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