Clodovis Boff e a Teologia da Libertação

Filed under: Teologia da libertação — Prof. Felipe Aquino at 10:44 pm on Friday, June 20, 2008

O teólogo Clodovis M. Boff, OSM, irmão do conhecido Leonardo Boff, escreveu um longo artigo no site adital.com.br, de 16.06.2008,  mostrando o erro fundamental da teologia da libertação (TL), de viés marxista, que fez o atual Papa a condenar como uma “heresia singular”, em 1984, como Prefeito da Congregação da Fé , em sua Carta “Eu vos explico a teologia da Libertação” (veja no site www.cleofas.com.br). 

Por muitas vezes e de várias formas o Papa João Paulo  II condenou esta teologia – a de cunho marxista – por não se coadunar com a fé da Igreja. Agora, o teólogo C. Boff, que dela participa desde o início, mostra em seu artigo na Adital, que de fato houve e há razões teológicas e pastorais para que tal teologia da libertação seja condenada.  

 Adital - http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33508 

O artigo todo pode ser lido no site da Adital, mas basta ler a sua “Síntese” para entender o essencial da importantíssima revelação de C. Boff. Ele diz:  

“Quer-se mostrar aqui que a Teologia da Libertação partiu bem, mas, devido à sua ambigüidade epistemológica, acabou se desencaminhando: colocou os pobres em lugar de Cristo. Dessa inversão de fundo resultou um segundo equívoco: instrumentalização da fé “para” a libertação. Erros fatais, por comprometerem os bons frutos desta oportuna teologia. Numa segunda parte, expõe-se a lógica da Conferência de Aparecida, que ajuda aquela teologia a “voltar ao fundamento”: arrancar de Cristo e, a partir daí, resgatar os pobres”. 

Esta  Síntese já é suficiente para entendermos o que C. Boff revelou -  a partir de dentro da TL – e que já conhecíamos há muito tempo. Mas alegra-nos saber que alguém dentro dela teve os olhos abertos pelo Espírito Santo para ver a verdade de Cristo ensinada pelo Sagrado Magistério ministrado pelo Papa.  C.Boff deixa claro ao menos três erros básicos, que não deixam margem  a colocar a TL na categoria de “heresia singular” como dizia o Cardeal Ratzinger.  1 - Em primeiro lugar ele reconhece que “devido à sua ambigüidade epistemológica, acabou se [a TL] desencaminhando”. Ora, uma teologia que se desencaminha, desorienta os seus seguidores e provoca uma imensa confusão na pastoral e na Igreja. Imediatamente tem de ser coibida pelo Magistério; o que foi feito, graças a Deus, com pulso firme e grande sabedoria para evitar cismas, por parte do Papa João Paulo II. Muitas e eficazes foram as medidas que esse santo, sábio e douto homem de Deus soube tomar. Não se pode deixar de dizer que o seu braço direito nessa árdua tarefa foi o atual Papa. Não é sem motivo que o Espírito Santo o colocou na Cátedra de Pedro, apesar da idade.  

2 - A segunda revelação importante de C. Boff, é quando ele diz que a TL “colocou os pobres no lugar de Cristo”. E ai esta a “causa mortis” da TL como teologia. Ora, não existe teologia sem Deus e sua Revelação. Retirar Cristo do centro da teologia e colocar nela, como “fator determinante” o pobre, é esvaziá-la completamente e subverte-la. O que sobra é  sociologia, como aliás um dia a classificou João Paulo II. Nesta linha todo o Cristianismo é “virado de cabeça para baixo” ou no avesso, como disse o então cardeal Ratzinger. Na prática, a Bíblia é lida numa visão sociológica e não religiosa, a Liturgia passa a ser celebração de uma ação política, a Moral é relativizada e vivida segundo as “necessidades” do pobre, o Credo um conjunto de verdades secundárias, os Sacramentos perdem sua força, os pecados, só existem os sociais… Enfim, a fé se evapora, o povo fica à mingua da verdadeira Catequese e do sagrado… e se dispersa para outras bandas, como vimos acontecer tristemente.

C. Boff afirma: “A prioridade do pobre e de sua libertação se tornou na TL um pressuposto quase que “evidente por si mesmo”. Aí está posto sem problemas. Contudo, está posto de modo teoricamente indeciso e confuso, permitindo ambigüidades, equívocos e reduções”…“Em resumo: por falta de uma epistemologia rigorosa e clara, a TL labora em ambigüidades; laborando em ambigüidades, cai no erro de princípio. E do erro de princípio só podem provir efeitos funestos, como veremos em breve”.        

O terceiro erro mortal da  TL que Boff revela no seu artigo é a “instrumentalização da fé “para” a libertação”. A fé foi politizada, causando imensa confusão e agitação na Igreja. A TL penetrou nas Comunidades Eclesiais de Base e as transformou, em sua maioria, em Comunidades mais políticas que eclesiais, aliadas muito a serviço de  certos Partidos políticos… Surgiu também  toda uma ação política muito discutível por parte de certas  Pastorais sociais. Este grito de Boff, no seio da própria TL deve servir de reflexão a toda a Igreja no Brasil, desde os catequistas até os Bispos, é o que sugiro com humildade e puro amor à Igreja.           

C. Boff tenta salvar a TL; ele diz: “Queremos aqui, numa primeira parte, fazer um questionamento de fundo da Teologia da Libertação. A intenção não é desqualificar a TL, mas, antes, defini-la de modo mais claro e refundá-la sobre bases originárias. Só assim se podem garantir seus ganhos inegáveis e seu futuro”. 

         Deus queira que a sua voz seja ouvida no seio dos seguidores de Gutierrez, L. Boff, Jon Sobrino, etc, de modo a se criar uma teologia da libertação como aquela que pediu o Papa João Paulo II, “necessária”, a serviço dos pobres e oprimidos, desvalidos e excluídos, mas sem usar o veneno marxista da violência e do ódio de classes como meio de revolução e de mudança. Se o grito de Boff for ouvido poderemos ter uma TL boa e “necessária”. 

Como o texto de C. Boff e´ muito longo e interessante, vou parar por aqui, mas sugiro que se leia o seu artigo na íntegra; aliás contestado por seu irmão Boff, no mesmo site. 

Gostaria de sugerir que os leitores ouvissem a palestra do Padre  Paulo Ricardo: ”Palestra Cardeal Ratzinger e a Teologia da Libertação”  - http://www.padrepauloricardo.org  - Escute a palestra ou faça o download em mp3

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

6 Comments »

Comment by Jose Gabriel

23/06/2008 @ 03:16

Boa tarde Prof. Felipe

Muito grato pela sugestão de ouvir o Padre Paulo Ricardo, uma formação excelente!
ostaria ue muitos sacerdotes viessem a ter acesso a esta palestra, creio que melhoria muito a meneira de encararem o cristianismo. Pois esta havendo muitos equívocos.

Comment by Edem de Almeida

23/06/2008 @ 03:25

A mentira interior para um cristão batizado aceitar a Teologia da Libertação é uma operação de sufocamento da própria consciência que não pode ser explicada apenas pela capacidade humana de fazer maldades. Só o Pai da Mentira pode ser o grande responsável por tal desordem metafísica na alma de um crente.

Um importante estudioso judeu, David Horowitz, resumiu bem: “A teologia da libertação é uma seita satânica.”

Só os teólogos da libertação, dando ouvidos à satanás conseguem escrever que a Bíblia é um poema de ódio aos ricos.

Transformam a Palavra de Deus em um planfeto marxista e os encontros de Bispos Latino americanos em congressos pró luta de classes, onde as opções preferenciais pelos mais desamparados se torna, na verdade, um eufemismo de um conceito deflagrador do ódio entre pessoas com situações econômicas diferentes.

Comment by André Luiz

23/06/2008 @ 05:10

Caro Prof. Felipe Aquino, não existe uma TL “boazinha”. Falar que no inicio ela foi boa é uma ilusão, esta teologia ja foi criada com o germe do marxismo, o que tem que ser feito é seguir A Doutrina social da Igreja segundo o ensinamento do Papa e sem pretenções de se refundar tal Teologia , por que a TL já virou sinonimo de heresia, portanto acabaria incorendo no mesmo erro e no mesmo circulo vicioso do Marxismo. Doutrina Social da Igreja e ponto final.

Comment by Sérgio

23/06/2008 @ 14:24

Esse artigo é muito esclarecedor, especialmente porque partiu de alguém de dentro da TL (um dos maiores teólogos da libertação, irmão de Leonardo Boff), que analisa com impressionante lucidez os erros e desvios desta Teologia, já denunciados pelo então Cardeal Ratzinger nos anos 80…

A palestra do Padre Paulo Ricardo é IMPRESCINDÍVEL E FUNDAMENTAL para se ter uma visão clara do que representa a TL. Não deixemos de escutá-la, fazer o download e dvulgá-la.

Comment by Alex

23/06/2008 @ 14:29

Vê-se que aos católicos fiéis à Igreja em geral, entre os quais me incluo, é difícil apresentar argumentos refutativos à Teologia da Libertação, tamanha a sua complexidade!
Eu escutei a palestra do Padre Paulo Ricardo em seu site sobre a TL e é verdadeiramente uma excelente aula sobre o que é a TL!
Parabéns ao Pe. Paulo Ricardo pelo seu zelo apostólico pelo Evangelho!
É de padres e bispos assim que nós precisamos.
Infelizmente, aqui, no Brasil, eles são poucos!
A mentalidade brasileira em geral, incluindo a clerical, está tão obscurecida, tão subjugada ao esquerdismo que não consegue ver os seus males e, consequentemente, os da TL.
Gostaria de sugirir também aos leitores do blog a leitura do debate de Leonardo Boff e o saudoso Dom Estevão Bettencourt no Jornal do Brasil, Domingo, 18 de Fevereiro de 1996, caderno B, disponível no endereço eletrônico seguinte: http://www.cot.org.br/igreja/debate-leonardo-boff-e-dom-estevao-bettencourt.php
Nesse debate Dom Estevão apresenta a visão oficial da Igreja. Exige um esforço intelectual maior, mas vale a pena pela fala ortodoxa de Dom Estevão.

Comment by Serejo

10/07/2008 @ 17:00

Felipe Aquino,
Algumas pessoas são como vinho, o tempo passa e vão se tornado melhores, mais apurados, por isso tornam-se preciosidades. Outras, no entanto, o tempo revela sua natureza, suas opções escondidas, mas o tempo, que o tempo não pode contar, revela serem como plntas nascidas e crescidas sobre pedras, como disse Jesus de Nazaré, O Crucificado-Ressucitado, não suportarão o sol. Clodovis revela no seu artigo nao poder suportar a dura verdade de que mais e mais pessoas têm negado o acesso aos bens da criação. Por isso, talvez, tenha sentido a necessidade de negar a palavra do Mestre recolhida por Mateus, o cobrador de imposto, no cap. 25.
Mesmo a este irmão não faltará a compreensão e a compaixão de todos os que, nas periferias do mundo, vamos lutando para ver “novo céu e nova terra”.
Continuaremos fiéis ao Evangelho da vida e da Esperança.

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