ECUMENISMO E INCULTURAÇÃO

Filed under: Ecumenismo — Prof. Felipe Aquino at 4:47 pm on Thursday, June 26, 2008

  

 

O Concílio Vaticano II mostrou a importância do Ecumenismo e da Inculturação do Evangelho nas culturas do povo. Sobre isto o Papa João Paulo II falou claramente na Carta Encíclica Ut unum sint (Que todos sejam um-UUS).Infelizmente, porém,  têm havido abusos e erros nestes dois assuntos importantes. No discurso que o Papa dirigiu aos Bispos do Brasil que estiveram com ele, em setembro de 1995, falou sobre  isso: 

“Em diversas ocasiões a Providência divina permitiu-me insistir naquela conclusão básica do Concílio Vaticano II, segundo a qual é decisão da Igreja assumir a tarefa ecumênica em prol da unidade dos cristãos e de a propor convicta e vigorosamente”(UR,1). 

É  preciso entender que o Ecumenismo é  com as igrejas cristãs, aquelas abertas ao diálogo, como a Igreja Ortodoxa do oriente, a Anglicana da Inglaterra, e as  tradicionais, históricas, derivadas do protestantismo; mas não com as seitas, às quais o Papa se referiu aos bispos como “uma ameaça para a Igreja Católica” na América. Ele disse aos nossos bispos, falando dos perigos de um falso ecumenismo ou de uma falsa inculturação: 

“Já tive ocasião de comentar, mesmo recentemente, que , ‘não se trata de modificar o depósito da fé, de mudar o significado dos dogmas, de banir deles palavras essenciais, de adaptar a verdade aos gostos de uma época, de eliminar certos artigos do Credo com o falso pretexto de que hoje já não se compreendem. A unidade querida por Deus só se pode realizar na adesão comum ao conteúdo integral da fé revelada’ (UUS,18). Falando aos representantes do mundo da cultura em Salvador, Bahia, eu lembrava que ‘a inculturação do Evangelho não é uma adaptação mais ou menos oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma verdadeira encarnação nesta cultura para purificá-la e remi-la ‘(Discurso, 20.X.1991,4).” 

“O mesmo vale no campo ecumênico. Com efeito, no campo da inculturação como no do ecumenismo, nota-se uma certa facilidade com que  a busca do entendimento, do acolhimento ou da simpatia com outros grupos  ou confissões religiosas têm levado a sérias mutilações na expressão clara do mistério da fé católica, na oração litúrgica, ou a concessões indevidas quanto às exigências objetivas da moral católica. Ecumenismo não é irenismo (cf.UR, 4 e10).  Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço“. (g.m.) 

“Este diálogo[ecumênico], que somente tem sentido se for uma busca sincera da verdade, poderá nos pedir que deixemos de lado elementos secundários que poderiam constituir um obstáculo de ordem psicológica para nossos irmãos de distintas denominações religiosas. Mas nunca será verdadeiro, autêntico, se implicar na mais mínima mutilação duma verdade da fé, no abandono da legítima expressão da piedade tradicional do povo cristão ou no enfraquecimento das exigências de séculos da disciplina eclesiástica ou das  veneráveis  tradições litúrgicas do Oriente, da Igreja Romana e outras igrejas do Ocidente”. 

Se o Papa quis dirigir essas palavras marcantes aos nossos Bispos, certamente é porque  aqui têm havido  ensaios infelizes de inculturação e ecumenismo. É importante ressaltar certas coisas frisadas pelo Papa. Ele afirma que “não se trata de modificar o depósito da fé”, nem com a “mais mínima mutilação de uma verdade da fé”, e que a unidade que Deus quer só poderá se realizar “na adesão  comum ao conteúdo integral da fé revelada”. Sem observar isso o ecumenismo é falso. Por outro lado, ele chama a atenção para o cuidado com a prática da inculturaçào do Evangelho, dizendo que “não é uma adaptação mais ou menos oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma verdadeira encarnação nesta cultura para purificá-la e remí-la”. Sabemos que neste campo têm havido abusos. 

É importante observar que o Papa diz que, “no campo da inculturação como no do ecumenismo, nota-se uma certa facilidade com que a busca do entendimento…tem levado a sérias mutilações na expressão clara do mistério da fé católica, na oração litúrgica,  ou a concessões indevidas quanto às exigências objetivas da moral católica”.E ele, diz que: “ecumenismo não é irenismo. Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço”. 

Em 1981, a Santa Sé, através da Sagrada Congregação dos Ritos, proibiu a chamada missa dos Quilombos e todas as formas de missas dedicadas às minorias; para que a Missa, Sacrifício de Cristo oferecido ao Pai, não sofresse qualquer manipulação ou conotação política. Há celebrações de “missa afro, missa do caboclo, etc”. Como disse D. Estevão Bettencourt, essas celebrações são mais “festejos folclóricos do nosso povo, associado a Carnaval e a cultos não cristãos” (Revista Pergunte e Responderemos, n.403/1995, p.32ss). No mesmo artigo D.Estevão afirma que “nos últimos tempos algumas paróquias do Brasil têm apresentado aos fiéis o espetáculo de Missa com instrumentos musicais, cantos, gestos e símbolos que lembram fortemente o folclore popular ou mesmo o Candomblé, a Umbanda, o Carnaval…que contrariam as instruções oficiais da Santa Sé”. 

Para dar um exemplo disso, basta dizer que no 9° Encontro das Comunidades Eclesiais de Base em São Luiz do Maranhão, em julho de 1997, no encerramento do Encontro foi divulgada A Carta de S.Luiz, onde se lê que “lado a lado estavam, o arcebispo, o pastor evangélico, a mãe de santo e o pagé indígena - todos orando juntos…”  

Fato mais triste ainda, foi a Parábola de autoria de Frei Carlos Mesters, publicada no Boletim de preparação do citado Encontro das Cebs. Nela, Jesus é apresentado um em terreiro de Candomblé, chamando a mãe de santo de “Mãe” (como se fosse Maria), colocando-se na fila para receber “passes”, dançando, invocando “orixás”,  e outras coisas inacreditáveis, além de afirmar que “ali está o Reino de Deus”. Tudo isso nos parece uma grande profanação à Pessoa de Jesus.Em artigo na revista PR (n.423, agosto de 97), D. Estevão Bettencourt, classificou a Parábola de Carlos Mesters, como  Blasfêmica.  

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

5 Comments »

Comment by Edem de Almeida

27/06/2008 @ 02:34

Tradução do texto abaixo: “O mundo chama Tolerância, mas no Inferno é Desespero, o pecado de nada crer, de não se importar com nada, conformar-se em nada saber, não se envolver com nada, com nada se alegrar, não ter aversão por nada, em nada achar propósitos, viver por nada e só se manter vivo porque por nada vale a pena morrer.”

Não podemos aceitar uma tolerância que nos leva a condescender com a indiferença. Não podemos confundir o verdadeiro Ecumenismo com a tolerância anêmica dos relativistas, que pretendem confundir a mentira com a verdade, o bem com o mal, a moral com a amoralidade ou mesmo com a imoralidade.

Para ser catolicamente ecumênico é necessário ser seguidor de Jesus, para quem o Sim é Sim, e o Não é Não.

“In the world it is called Tolerance, but in hell it is called Despair, the sin that believes in nothing, cares for nothing, seeks to know nothing, interferes with nothing, enjoys nothing, hates nothing, finds purpose in nothing, lives for nothing, and remains alive because there is nothing for which it will die.”
– Dorothy Sayers

Comment by André

27/06/2008 @ 07:05

Querem saber qual o verdadeiro ecumenismo, leiam o documento do Papa “Dominus Iesus”. E mais, sem aceitarem os dogmas não existe ecumenismo.

Comment by Daniel

27/06/2008 @ 19:44

O que deve ser feito é a tentativa não de Ecumenismo,mas de Unidade Cristã,que foi abalada em 1521 por Lutero.

Comment by Gilton Freire

5/08/2008 @ 19:38

Caro Prof. Felipe Aquino, Salve Maria.
Parabéns pelo seu sitio e votos de continuado sucesso. Navegando pelo seu sitio deparei-me com o artigo sobre ecumenismo.Professamos no credo: ET UNAM SANCTAM CATHÓLICAM ET APOSTÓLICAM ECCLÉSIAM. Nosso Senhor só fundou uma unica Igreja, Católica Apóstica Romana, fora da qual NÃO HÁ SALVAÇÃO. Cristo Disse aos seus Apóstolos “ide e ENSINAI” e não ide e dialogai. Infelizmente este assunto tão difundido por alguns bispos modernistas, fruto do Concílio Vaticano II,único concílio NÃO DOGMÁTICO e de triste memória, vem sendo bastante distorcido por aqueles que querem misturar a água pura da doutrina católica com a água suja dos cismáticos e hereges protestantes. Há uma só fé, um só batismo, um só Deus, um só pastor, um só rebanho, portanto há uma só Igreja, que ao contrário do que ensina o CV II não “subsist” na Igreja Católica, mas É a Igreja Católica.Portanto a Igreja não dialoga, ENSINA !, pois ela cumpre a ordem de nosso senhor. Portanto não pode haver diálogo entre católicos e hereges protestantes, filhos do heresiarca Luter e inimigos da Cruz de Cristo. não pode haver diálogo, pois diálogo implica condição de igualdade. Não pode haver diálogo entre os filhos da Mulher e os filhos do Dragão (Gen. 3,15).O único diálogo possivel seria: arrependam-se de seus erros, se convertam, aceitem o primado de Pedro e voltem para a única igreja fundada por Cristo. Rezem o “confiteor… e recebam Jesus Cristo presente na hóstia santa. Não pode, não deve haver diálogo com quem blasfema contra Maria sempre Virgem. Quanto ao Motu Próprio do valente Bento XVI, it missa( nova)est!!! Que nossa senhora de Fátima, traga de volta toda beleza do santo sacrificio de Cristo, desterre da Igreja todo abuso, todo rebolado, todo blá, blá, blá, todas as aeróbicas do padres marcelos, dos zezinhos, dos joaozinhos. Que reine absoluta toda a liturgia de sempre.
VIVA A IGREJA CATÓLICA, fora da qual não há salvação!
VIVA O PAPA!!!
VIVA A MISSA DE SEMPRE, em latim, de costas para o povo e com cantos gregoriano.

Sem mais para o momento, despeço-me!!!
AD IESUM PER MARIAM!!!

Gilton Freire

Comment by Daniel Volpato

17/11/2008 @ 04:24

Gilton,
Graça e paz!!!
Parece que já li seu discurso em algum lugar no site da Montfort.
Sugiro que leia o seguinte artigo, para que não seja induzido ao erro:
http://www.veritatis.com.br/article/4571

O CVII não veio mudar a doutrina da Igreja, mas reafirma a Lumen Gentium.

Colo aqui o ponto mais importante do artigo, tratando da questão do “subsiste”, que cita um texto do então cardeal Ratzinger, escrito em 1985:

“Ratzinger ressalta a identificação entre Igreja de Cristo e Igreja Católica; mas lembra que os limites da Igreja de Cristo não se resumem à catolicidade visível – qualquer um que conheça os conceitos de batismo de desejo e batismo de sangue sabem que a salvação é possível aos que não pertencem visivelmente à Igreja Católica, mas que, graças à sua vivência da lei natural e ignorância invencível sobre as verdades da fé, pertencem invisivelmente à Igreja.”

Deus lhe abençoe!!!

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