Ministério da Saúde impede pesquisa com células tronco adultas

Arquivado em: Células tronco, Sem Categoria — Prof. Felipe Aquino at 11:02 pm on terça-feira, julho 22, 2008

A imprensa denunciou que um estudo que pretende usar células tronco adultas para curar a diabetes tipo 1, está paralisado há dois anos em um departamento do Ministério de Saúde. (www.acidigital.com – 22.julho.2008)

Segundo fontes pró-vida, o lobby de quem aposta pelo uso das células tronco embrionárias – cuja obtenção implica a destruição de seres humanos – estaria bloqueando um eventual êxito na investigação com células adultas.O periódico “Gazeta” de Ribeirão Preto informou que o estudo está paralisado na Comissão de Ética em Investigações do Ministério de Saúde em Brasília, que ainda não dá luz verde aos experimentos.

A investigação seria conduzida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo e é uma iniciativa da equipe de transplante de células tronco da FMRP, Hemocentro e o Hospital das Clínicas.Segundo um dos investigadores, o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, o procedimento que quer provar é revolucionário, econômico e daria maior comodidade aos pacientes de diabetes tipo 1. O tratamento se apóia no uso de células tronco adultas e não embrionárias, que regeneram o pâncreas e impedem que o sistema imunológico as rejeite.

“É uma lástima que tanto se demorem em aprovar um experimento importante como este. Poderia mudar a vida de muitas pessoas “, disse Couri. Atualmente há um tratamento com células tronco, desenvolvido pela Usp de Ribeirão que elimina o uso da insulina, mas utiliza a quimioterapia. Este tratamento “desliga” o sistema imunológico dos pacientes a fim de que o pâncreas não seja afetado, mas também faz que a pessoa seja vulnerável a qualquer tipo de enfermidade. Por outra parte, o paciente padece todos os inconvenientes da quimioterapia, como perda do cabelo, vômitos e mal-estar geral. Este procedimento só pode ser feito em pacientes menores de 12 anos que padeçam a enfermidade por menos de 42 dias.

Os dados do Ministério de Saúde indicam que a cada dez segundos morre uma pessoa pelas conseqüências da diabetes, e nesses dez segundos, seis pessoas adquirem a enfermidade.Como sabemos a terapia com células tronco adultas já é utilizado no tratamento de mais de 75 doenças, e não precisa destruir embriões humanos, que são vidas.  

O Ateísmo de Sartre

Arquivado em: Ateísmo — Prof. Felipe Aquino at 2:24 am on terça-feira, julho 22, 2008

    Por: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Professor do Seminário de Mariana (MG) -  21/07/2008    

Jean Paul Sartre, escritor, dramaturgo francês, é um filósofo mais conhecido pela sua obra literária. Daí a sua influência. A negação de Deus é a essência mesma de seu sistema. Para Sartre, que Deus não exista é de tal evidência, que não há utilidade de examinar e de refutar o que tradicionalmente sobre Ele se inculcou. Deixou exarada esta sentença: “O existencialismo não é de modo algum um ateísmo no sentido de que se esforça por demonstrar que Deus não existe. Ele declara antes: ainda que se Deus existisse, em nada se alteraria a questão; esse é o nosso ponto de vista”.  

O ateísmo não é tema de discussão. É um pressuposto, um ponto de partida, um dado primeiro. Herdeiro de uma herança atéia já constituída, Sartre se meteu a desembaraçar os ateísmos precedentes de qualquer resquício de religiosidade. Eis suas palavras textuais: “O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Declara ele que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem, ou como diz Heidegger, a realidade humana”.  

Sartre é uma versão francesa da fenomenologia e do existencialismo alemão. Ele é o Heidegger francês, embora tenha sofrido também funda influição de Husserl. Deus não é para ele senão uma miragem do psiquismo. O homem fiando-se em Deus, se perde. Da liberdade se deduz que Deus não existe. O existencialismo é um testemunho de clarividência e coragem, segundo ele. Além disto, Sartre intenta demonstrar, através de suas representações românticas teatrais, que a hipótese Deus não é de nenhuma maneira requerida para a compreensão e a realização da existência, tanto individual quanto coletiva. Portanto, que Deus exista, tanto não acrescenta nada à condição concreta do homem.  

Em “O Diabo e o Bom Deus”, ele relata, entretanto, mais radicalmente a antinomia Deus-homem: “se Deus existe, o homem é um nada; se o homem  existe, Deus não existe”, é o que ele coloca nos lábios de Goetz, dilemática personagem que quer estruturar-se na insurreição contra Deus. Este deve ser negado em nome do livre arbítrio. Deus é um obstáculo à promoção humana. A não aceitação de Deus se torna o fulcro necessário da afirmação do homem. Há que se escolher entre Deus e o homem. Não há meio termo. O homem, doutrina Sartre, só se libertará na negação do Absurdo. É que o homem não seria livre, se houvera uma ordem universal dos valores absolutos. Segundo ele, ontologicamente, o homem é  uma fuga do ser. A realidade humana é existência pura. A consciência procura se conquistar, possuir-se absolutamente, ser ela mesma, eliminar o nada que a constitui. Ela aspira à totalidade acabada, à densidade infinda do ser em si completo, que se fundamentaria em si mesmo. Esta meta definitiva ela quereria atingi-lo continuando existir por si, isto é, numa ascensão ininterrupta. Toda a luta humana, porém, é uma “paixão inútil”, um sofrimento vão. O homem sabe que a morte é irremediável. Enquanto consciência e liberdade desaparecerá um dia, sem deixar rastros. Toda a trama da historia da humanidade não é senão uma batalha para a abolição de sua radical contingência, sua total finitude. Daí o aparecimento da idéia de algo sólido, eterno, infinito.  

O homem é, pois, projeto de si ou projeto de Deus. Deus não é outra coisa que a visão fantástica e enganosa da ambição inatingível do homem. Deus é o álibi dos que têm medo da natureza e da vida. O homem e o mundo espargem atrás de si a sombra de Deus, a imaginária cicatriz de uma ferida, que é desastrosa. Um Deus transcendente é, pois, para ele a ilusão da consciência infeliz.  No livro “La Nausée” ele chega a afirmar que Deus não existe, porque o contingente do qual temos experiência, se bata sem o concurso de um Ser necessário!