Recebi por email a Nota de Esclarecimento de D. Pedro Luiz; creio ser útil tomar conhecimento da mesma. Data: 20 out 2008; 16:16 horas.

regiaobelem@uol.com.br 

 

 

NOTA DE ESCLARECIMENTO 

Informo e esclareço o que segue. No dia 17 de outubro de 2008, às 9:00 h, aconteceu, na Região Episcopal Belém, Arquidiocese de São Paulo, uma reunião, com a participação de cerca de 200 pessoas, dentre as quais 40 padres, sendo 9 padres da Região Episcopal Belém. Dessa reunião, resultou um manifesto de apoio à candidata Marta Suplicy, que disputa a Prefeitura de São Paulo, intitulado “Católicos pela Justiça, em favor dos mais Pobres”.

Dois dias antes, quando eu soube que havia sido marcada uma reunião, para a qual os padres estavam sendo convidados, eu estava reunido com 12 padres. Expressei-lhes minha contrariedade e aconselhei a que os padres da Região não participassem.

Na sexta-feira, enquanto acontecia a reunião (e eu me dirigia a Itaici para a Assembléia das Igrejas do Estado de São Paulo) já começaram a chegar telefonemas e mensagens de católicos e outros protestando contra a presença dos padres e o referido apoio.

Imediatamente, da estrada, telefonei à secretaria da Região, pedindo que avisassem aos 63 párocos da Região que estava proibida a divulgação, nas Igrejas, da referida nota, pelo já tão conhecido motivo de que a participação da Igreja na sociedade existe em vista do bem comum e da justiça, mas não é partidária e, por isso mesmo, jamais se posiciona em favor deste ou daquele candidato/a. Por isso, a Igreja não aprova a participação de padres em apoio a um manifesto de caráter político, partidário, eleitoral. O evangelho, nesse domingo, exortava a “dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). 

Assim foi feito e, do que pude me informar, hoje, segunda-feira, de fato não ocorreu a divulgação. E o clima nas 250 comunidades da Região Belém é de grande serenidade (cf. At 9,31). O povo ama sua Igreja, participa de sua missão evangelizadora e reconhece o imenso bem que realiza, em nome de Jesus Cristo, na defesa da vida e na solidariedade aos pobres. Peço perdão aos católicos que se sentiram ofendidos e, em nome das comunidades e seus padres, desejo transmitir paz e serenidade através dos mesmos meios de comunicação, que prontamente se empenham na divulgação de incidentes como o acima relatado. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

 Em Cristo Jesus, fraternalmente,   

Dom Pedro Luiz Stringhini – Bispo Auxiliar de São Paulo – Região Episcopal Belém   

São Paulo, 20 de outubro de 2008.

Ano Santo Paulino


Cada um de nós é um ser em construção; todos temos defeitos e qualidades, e os nossos limites não podem fazer com que deixemos de nos amar e valorizar. É uma grande sabedoria saber aceitar-se a si mesmo; quem não se aceita é porque carrega um refinado e escondido orgulho; e isto não deixa você ver o seu valor. Todos nós nascermos com a capacidade de vencer e de ser feliz.  Quem não se aceita acaba se tornando rancoroso contra si mesmo, contra os outros, contra a vida e até contra Deus… e isto o leva à revolta, à  auto-piedade e à depressão.

Pare de sonhar, pegue o material que você tem e comece a construir a sua casa, do jeito que for possível. É melhor você morar num casebre do que ficar ao relento sonhando com um castelo. Ninguém é perfeito; por isso, todos precisam se aceitar.  Não estou dizendo para você negar os seus limites; isto seria perigoso, pois não os elimina. Olhe-os com coragem, de frente, sem exagerá-los nem diminuí-los, e mude o que for possível. O que não pode ser mudado, aceite e ofereça a Deus. Você não é menos amado por Ele por causa dos seus limites. A partir desta aceitação, toda a sua pobreza pode começar a se transformar em imensa riqueza. Comece agora a ver as suas qualidades; você as tem. Ser humilde é reconhecer a verdade sobre si mesmo.

Aceite-se também diante dos outros; não se sinta pequeno ou invejoso porque o seu colega tira notas melhores do que você, ou porque ele se destaca e você não. Não deixe a inveja aninhar-se no seu coração; lance-a fora, é um veneno. Seja o que você é diante dos outros; não finja ser outra pessoa, e não fique paralisado diante dele por um complexo de inferioridade.   A melhor maneira de impressionar alguém é ser autêntico e espontâneo diante dele. A personalidade é para o homem o que o perfume é para a flor, o que a luz e calor são para  o sol. Uma engrenagem pequena não é menos importante do que uma engrenagem grande num jogo de engrenagens. Um tijolinho que falte em uma construção deixa um buraco na casa. Cada um é importante neste mundo de Deus.

Não fique imitando a vida dos outros; você é rico porque é único no universo; não esqueça isso. O Pai lhe deu uma vida sob medida, e única, irrepetível; viva-a, desenvolva-a.    Se você se aceitar, os outros te aceitarão também. Não queira parecer o que você não é. Não tenha medo ou vergonha de ser você mesmo; e seja honesto em dizer: “eu não entendi isto”, “eu não sei fazer aquilo”, etc… e você ajudará os outros.  Saiba de uma coisa: os homens têm necessidade de ver pessoas que reconhecem os seus limites, para que tenham coragem de reconhecer também os seus. É nobre saber dizer: “eu não compreendo isto…”, “por favor, me ensine isto!” Enfim, os outros precisam de você como você é, como Deus o fez. Você é um exemplar único na História da Humanidade.  Todos nós somos limitados, mas isto nos ajuda a aprender a precisar uns dos outros. Assim aprendemos a amar, pois damos o que temos e receberemos o que nos falta, e todos crescemos juntos. Não é bonito isto? Chegar à perfeição é chegar a ser plenamente aquilo que Deus quer que você seja, e não os outros. Deus deu uma vida para cada um, para que cada um cultive a sua e respeite a do outro.

Cada um de nós é riquíssimo no seu ser. Como, então, você pode ficar reclamando das qualidades que você não tem? Antes de lamentar e lamuriar o que você não tem, agradeça o que você tem, e tudo o que recebeu gratuitamente Dele. Olhe primeiro para as suas mãos perfeitas… e diga muito obrigado Senhor! Pense nos teus olhos que enxergam longe, teus ouvidos que ouvem o cantar dos pássaros, e diga obrigado Senhor!

Olhe para a beleza e vigor da sua juventude, e agradeça ao bom Pai, de quem procede toda dádiva boa. A pior qualidade de um filho é a ingratidão diante do pai. Você recebeu uma grande herança: sua inteligência, sua memória, consciência, liberdade, capacidade de amar, de cantar de sorrir e de chorar, e muitos outros talentos que Deus espera que você faça crescer para o seu bem e o dos outros.

Mas a primeira coisa para que você possa multiplicar esses talentos, é aceitar-se como você é, física e espiritualmente. Não fique apenas olhando para os seus problemas, numa introspecção mórbida, porque senão você acabará não vendo as suas qualidades; e isto te tornará vitima de seus sentimentos. São Paulo disse que somos como que “vasos de barro”, mas que trazemos um tesouro de Deus escondido aí dentro (cf. 1Cor4, 7).

Eu não estou dizendo que você deve se esconder dos seus problemas, ou fazer de conta que eles não existem, não é isto. Reconheça-os e aceite-os; e, com  fé em Deus, e confiança em você, lute para superá-los, sem  ficar derrotado e lamuriando a própria sorte. Saiba que é exatamente quando vencemos os nossos problemas e quando superamos os nossos limites, que crescemos como pessoas humanas. Não tenha medo dos problemas, eles existem para serem resolvidos. Todo problema tem solução, quando um deles não tem solução, então, deixa de ser problema. É na crise e na luta que o homem cresce. É só no fogo que o aço ganha têmpera.

Por isso, é importante eliminar as suas atitudes negativas. Deus quer que você seja um aliado dele, um cooperador Seu, na obra da construção do mundo. Ele não nos entregou o mundo acabado, exatamente para poder nos dar a honra e a alegria de sermos seus colaboradores nesta bela obra. É um ato de maturidade ter a humildade de reconhecer os seus limites e aceitá-los; isto não é ser menor ou menos importante; é ser real. Aceite suas limitações, seus problemas, seu físico, sua família, sua cor, sua casa, também seus pais e seus irmãos, por mais difíceis que sejam… e comece a trabalhar com fé e paciência, para melhorar o que for possível.Como dizia São Francisco, “sou, o que sou diante de Deus.”

Certa vez iam por uma estrada um velho, um menino e um burro. O velho puxava o burro e o menino estava sobre o animal. Ao passarem por uma cidade, ouviram alguém dizer: “Que menino sem coração, deixa o velho ir a pé. Devia ir puxando o burro e colocar o velho sobre este!” Imediatamente o menino desceu do burro e colocou o velho lá em cima, e continuaram a viagem. Ao passar por outro lugar, escutaram alguém dizer: “Que velho folgado, deixa o menino ir a pé, e vai sobre o burro!”  Então, eles pararam e começaram a pensar no que fazer: O velho disse ao menino: Só nos resta uma alternativa: irmos a pé carregando o burro nos nossos braços!…” Moral da estória: é impossível agradar a todos!   Se eu não me aceitar como sou, jamais saberei amar os outros como eles são; estarei sempre desejando conviver com pessoas sem defeitos; e isto não existe. Saiba reconhecer e aceitar os erros; um erro reconhecido com simplicidade é uma vitória ganha.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 Por:

Cardeal Christoph Schönborn7 de julho de 2005, New York Timeshttp://www.nytimes.com/2005/07/07/opinion/07schonborn.html 

Desde 1996, quando o papa João Paulo II disse que a evolução (um termo que ele não definiu) era “mais do que uma simples hipótese”, defensores do dogma neo-darwinista frequentemente tem invocado a suposta aceitação – ou ao menos aquiescência – da Igreja Católica Romana, quando defendem sua teoria como algo compatível com a fé Cristã.

Mas isso não é verdade. A Igreja Católica, enquanto deixa para a ciência muitos detalhes sobre a história da vida na terra, proclama que pela luz da razão o intelecto humano pode prontamente e claramente discernir propósito e design no mundo natural, incluindo o mundo das coisas vivas.

Evolução, no sentido de ascendência comum deve ser verdade, mas evolução no sentido neo-darwinista – um processo não guiado, não planejado de variações randômicas e seleção natural – não é. Qualquer sistema de pensamento que nega ou procura eliminar a esmagadora evidência para design na biologia é ideologia, não ciência.

Considere o real ensinamento de nosso amado João Paulo. Enquanto sua tão vaga e pouco importante carta de 1996 sobre evolução é sempre e em todo lugar citada, não vemos ninguém discutindo estes comentários de uma audiência geral de 1985 que representam seu robusto ensinamento sobre natureza:“Todas as observações sobre o desenvolvimento da vida levam a uma conclusão similar. A evolução dos seres vivos, da qual a ciência procura determinar os estágios e discernir os mecanismos, apresenta uma finalidade interna que desperta admiração. Esta finalidade que dirige os seres em uma direção para a qual eles não são responsáveis nem estão no controle, obriga a supor uma Mente que é sua inventora, sua criadora.”Ele prosseguiu: “Para todas estas indicações da existência de Deus o Criador, alguns opõe o poder do acaso ou os próprios mecanismos da matéria. Falar de acaso para um universo que apresenta uma organização tão complexa nos seus elementos e tão maravilhosa finalidade na sua vida seria equivalente a desistir da busca por uma explicação para o mundo como ele aparece para nós. De fato, isto seria equivalente a admitir efeitos sem uma causa. Seria abdicar da inteligência humana, que então recusar-se-ia a pensar e procurar uma solução para seus problemas”.

Note que nesta citação a palavra “finalidade” é  um termo filosófico sinônimo a causa final, propósito ou design. Em comentários a outra audiência geral um ano depois, João Paulo conclui, “Está claro que a verdade da fé sobre a criação é radicalmente oposta às teorias da filosofia materialista. Estas vêem o cosmos como o resultado de uma evolução da matéria redutível a puro acaso e necessidade”.

Naturalmente, o respeitável Catecismo da Igreja Católica concorda: “Sem dúvida, a inteligência humana já pode encontrar uma resposta para a questão das origens. Com efeito, a existência de Deus Criador pode ser conhecida com certeza por meio de suas obras, graças à luz da razão humana”*. Ele adiciona: “Cremos que Deus criou o mundo segundo sua sabedoria. O mundo não é o produto de uma necessidade qualquer, de um destino cego ou do acaso.”**Em uma infeliz nova virada desta velha controvérsia, neo-darwinistas recentemente têm procurado retratar nosso novo papa, Bento XVI, como um evolucionista satisfeito. Eles têm citado uma afirmação sobre ascendência comum de um documento de 2004 da Comissão Teológica Internacional, destacando que Bento era presidente da comissão na época, e concluem que a Igreja Católica não tem problema algum com a noção de “evolução” como usada pela maioria dos biólogos – isto é, sinônima do neo-darwinismo.

O documento da comissão, entretanto, reafirma os ensinamentos perenes da Igreja Católica sobre a realidade do design na natureza. Comentando sobre o abuso generalizado  da carta de 1996 de João Paulo sobre evolução, a comissão alerta que “a carta não pode ser lida como uma aprovação irrestrita de todas as teorias de evolução, incluindo aquelas de proveniência neo-darwinista que explicitamente negam à divina providência  qualquer papel causal verdadeiro no desenvolvimento da vida no universo”.

Além do mais, de acordo com a comissão, “Um processo evolucionário não guiado – que cai fora dos limites da divina providência – simplesmente não pode existir”.Realmente, na homilia da sua escolha como papa há algumas semanas atrás, Bento proclamou: “Não somos o produto casual e sem sentido da evolução. Cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário”.Através da história a Igreja tem defendido as verdades da fé dadas por Jesus Cristo. Mas na era moderna, a Igreja Católica está na peculiar posição de manter-se em firme defesa da razão também. No século XIX, o Primeiro Concílio Vaticano ensinou a um mundo recém fascinado pela “morte de Deus” que pelo uso só da razão a humanidade poderia conhecer a realidade da Causa Não-Causada, o Primeiro Motor, o Deus dos filósofos.Agora, no começo do século XXI, confrontada com afirmações científicas como o neo-darwinismo e a hipótese de multi-universos em cosmologia, inventadas para evitar a esmagadora evidência de propósito e design encontrada na ciência moderna, a Igreja Católica irá novamente defender a razão humana proclamando que o design imanente, evidente na natureza, é real. Teorias científicas que tentam excluir a aparência de design como um resultado de “acaso e necessidade” não são de modo algum científicas mas, como João Paulo colocou, uma abdicação da inteligência humana. 

Christoph Schönborn, o cardeal católico romando arcebispo de Viena, foi editor presidente do Catecismo da Igreja Católica de 1992. 

Traduzido por Alexandre Zabot 

* N.T: CIC 286, usei a tradução da versão portuguesa.** N.T: CIC 295, usei a tradução da versão portuguesa.