O mundo inteiro celebrará 2009 como o Ano Internacional da Astronomia (AIA) porque há 400 anos Galileu Galilei apontava sua luneta para o céu e começava a desvendar os segredos do universo. Nós brasileiros, de certa forma, seremos os anfitriões da festa porque receberemos no Rio de Janeiro a XXVII Assembléia Geral da União Astronômica Internacional, o maior órgão representativo dos astrônomos de todo o mundo. É conhecida por todos a controversa história entre o cientista italiano e a Igreja Católica. Entretanto, geralmente se conhece mal esta história. Pelo grande enfoque na mídia do AIA, vale a pena entender melhor o que realmente aconteceu.

 

É imprudente, ou até de má-fé, quem analisa acontecimentos do passado sem contextualizá-los com os fatos da época, sem buscar perceber as coisas como então se fazia. Na época de Galileu não existia a ciência como a concebemos hoje, não havia o “método científico”. Basicamente existiam os filósofos naturais, que seriam algo como os cientistas de hoje, mas com instrumentos técnicos e teóricos muito mais rudimentares. Buscava-se a verdade natural através da especulação filosófica, não através da experimentação. Muitos historiadores da ciência colocam Galileu como uma quebra de paradigma no rumo da história porque ele foi um dos primeiros intelectuais que levou a sério a experiência para desvendar os mistérios do universo. E, de fato, o fez de maneira gloriosa. Muitas de suas conclusões são válidas ainda hoje, quatro séculos depois. Por isso, com toda razão, é considerado o pai da física.

 

O “Caso Galileu”, como é conhecido o julgamento do cientista pela inquisição romana, é cercado de mitos. Um deles é que Galileu teria sido queimado na fogueira. Isso é mentira, ele foi condenado à prisão domiciliar e morreu vivendo confortavelmente em luxuosos aposentos, cercado por seus discípulos. Ele era católico fervoroso e tinha grandes amigos na cúria romana, inclusive o papa. O processo contra Galileu durou décadas e transcorreu em vários episódios separados. O motivo alegado era sua defesa da teoria de que a Terra gira em torno Sol, e não o contrário como se pensava na época. Pode parecer ridícula uma condenação da Igreja por causa de um motivo científico, mas a verdade é que na época acreditava-se que a bíblia defendia que era o Sol que orbitava a Terra. Galileu não tinha muitos argumentos para defender sua teoria e terminou apelando para a flexibilização da interpretação literal da bíblia. Entretanto, fazer isso durante a contra-reforma era uma péssima idéia. Há cerca de um século a reforma protestante vinha desafiando a doutrina católica e qualquer ato suspeito em assuntos de fé era motivo para fortes medidas da Igreja.

 

A posição de Galileu, seu estilo irônico e sarcástico de escrever suas obras, e sua infeliz tentativa de defender sua teoria com uma exegese modificada e não com argumentos científicos, acabaram rendendo-lhe uma condenação do Santo Ofício. Sua condenação foi, portanto, muito mais por causas religiosas devido a sua nova interpretação bíblica, do que por motivos científicos.

 

Apesar do Caso Galileu não ter sido uma questão de “martírio científico” como se coloca hoje, mas de certa forma uma condenação compreensível para a época, o papa João Paulo II reconheceu humildemente o erro [dos filhos] da Igreja. Reabilitou Galileu e pediu desculpas por vários outros equívocos históricos. Atualmente a Igreja Católica incentiva fortemente a ciência, desde que liberta da filosofia materialista, que a torna cientificismo, doutrina ateísta que vai contra a Verdade.

 

Dentre os principais incentivos, podemos citar a Pontifícia Academia de Ciências, que reúne cientistas de todas as áreas do conhecimento e de todo o mundo. Também vale lembrar do Observatório do Vaticano, dirigido por padres jesuítas que têm formação em astrofísica e que, além da pesquisa de ponta na área, dedicam-se à divulgação da harmonia entre a fé e a ciência. Além disso, muitos religiosos têm formação científica nos mais diversos tópicos de investigação e estão envolvidos nos esforços  contínuos da Igreja de incentivar o progresso científico e tecnológico com ética e respeito aos valores humanos.

 

O ano de 2009 será um ano de muita divulgação científica na mídia. Por causa da celebração do AIA, a Igreja inaugurará uma estátua em tamanho real de Galileu nos jardins do Vaticano. Se nós católicos não estivermos prontos para defender a perfeita complementariedade entre a fé a e razão, 2009 deixará de ser um ano de festiva celebração da ciência para se tornar um ano de ataques à nossa fé pelo dito mundo “racional”.

 

Alexandre Zabot

alexandrezabot@gmail.com

www.stalbertus.wordpress.com

Físico, mestre e doutorando em Física pela UFSC

 

 

 

 

Entrevista com Mons. Michel Schooyans

 

SÃO PAULO, quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 (ZENIT.org). – Quando se celebram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a maior ameaça ao documento e aos princípios ali proclamados vem da própria entidade que deu vida ao texto: a ONU.

 

Neste mês de aniversário da Declaração de 1948, Zenit entrevistou mons. Michel Schooyans, renomado especialista em filosofia política e demografia.

 

Mons. Schooyans é membro da Pontifícia Academia para a Vida, da Pontifícia Academia das Ciências Sociais e professor emérito da Universidade de Lovaina (Bélgica).

 

 

–Fale-nos, por favor, do surgimento da Declaração de 1948.

 

–Mons. Michel Schooyans: A ONU foi criada em 1945 com a carta de São Francisco e, de certa forma, consolidada em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foi consolidada na base de uma missão essencial que é a promoção dos direitos de todo ser humano. Todo ser humano tem direito à vida, afirma o artigo terceiro da Declaração. O texto convida todos os homens, países, governantes a reconhecer a dignidade de cada ser humano, qualquer que seja a sua força, a cor da sua pele, a sua religião, idade. Todos merecemos ser reconhecidos simplesmente pelo fato de sermos homens. É sobre esta base, diz a Declaração, que vamos poder construir novas relações internacionais, uma sociedade de paz e de fraternidade.

Se houve a Guerra Mundial que terminou em 1945, é porque houve um desconhecimento da realidade desses seres humanos que, todos, têm direitos inalienáveis e imperecíveis. A Declaração situa-se na continuidade de todas as grandes declarações que marcaram a história política e jurídica das nações ocidentais. Por exemplo, a Declaração da Independência dos Estados Unidos, de 1776, a Constituição dos Estados Unidos de 1787, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da França, em 1789, são as declarações clássicas. A Declaração de 1948 se situa na tradição mais fiel àquelas Declarações que demonstraram a sua eficácia no campo do reconhecimento e da promoção dos direitos humanos. Esses direitos são reconhecidos em decorrência de uma atitude moral e antropológica. Eu reconheço a realidade do meu semelhante. Eu me inclino na sua presença. Reconheço a sua dignidade. Ainda que ele seja doente, esteja no início ou no final da sua vida, ele tem uma dignidade igual à  minha.

 

 

–Que tipo de documento é a Declaração de 1948?

 

–Mons. Michel Schooyans: A Declaração não é um documento de Direito no sentido técnico da palavra. O documento enuncia os direitos básicos. Mas para que esses direitos básicos sejam colocados em prática, eles necessitam de uma tradução em textos legais. Precisam ser codificados. Devem ser prolongados em instrumentos jurídicos apropriados, no que se chama o direito positivo. Isso significa que os direitos proclamados em 1948 devem se exprimir em leis que serão aplicadas pelos governos das nações e controladas pelo poder judicial. São, portanto, duas coisas: primeiro, o reconhecimento da realidade de seres humanos que têm a mesma dignidade e os mesmo direitos básicos, e, por outro lado, instrumentos jurídicos que dão uma forma concreta, exigível, àqueles direitosreconhecidos como fundamentais.

 

Quando se trata da Declaração de 1948, convém perceber que os mesmos direitos fundamentais podem dar lugar a codificações diferentes de acordo com as diversas tradições jurídicas dos países. As nações podem traduzir diferentemente o mesmo respeito que elas têm aos direitos fundamentais dos homens.

 

O que acabamos de evocar é o que se chama a tradição realista. Essa tradição se inclina frente à realidade de seres concretos: você, eu e a universalidade dos seres humanos. Essa mesma tradição comanda todo o edifício das nações democráticas, não só o edifício jurídico, mas o edifício político, que também se baseia no reconhecimento da igualdignidade. Agora, hoje em dia, a Declaração de 1948, que se inspira nítida e explicitamente na tradição realista, e que foi redigida com a colaboração de um dos brasileiros mais ilustres da história, Alceu Amoroso de Lima, está sendo contestada.

 

 

–Que tipo de contestação?

 

–Mons. Michel Schooyans: Uma contestação que vem da influência da teoria positivista do Direito, elaborada sobretudo por um autor chamado Kelsen (1881-1973). Sob a influência de Kelsen, propagou-se uma nova concepção do direito e, portanto, dos direitos humanos. Tudo o que a gente explicou a respeito dos direitos inatos do homem que, por ser homem, tem naturalmente direitos, é contestado. Tudo isso é negado, é colocado entre parênteses, é desprezado e esquecido. Só subsistem as normas jurídicas; só subsiste o direito positivo, barrando toda referência aos direitos que os homens têm naturalmente. Nesse contexto, as determinações jurídicas são a única coisa que merecem estudo e respeito. Agora esses ordenamentos jurídicos, essas disposições lavradas nos Códigos, podem mudar ao sabor de quem tem força para defini-las. São puro produto da vontade de quem tem poder, de quem consegue impor a sua visão do que seja tal ou tal direito humano. De modo que, como salta aos olhos, a visão puramente positivista dos direitos humanos depende finalmente do arbítrio de quem tem a possibilidade de impor a sua concepção própria dos  direitos humanos, já que não há mais nenhuma referência à verdade, concernente à realidade do homem.

 

 

–Quais as consequências?

 

–Mons. Michel Schooyans: São trágicas. O positivismo jurídico abriu e abre o caminho para todas as formas de ditadura. Como o próprio Kelsen dizia, na União Soviética de Stalin havia estado de direito, já que havia leis. Era um ditador, mas ele fazia a lei.  Mas que lei? A lei que era a expressão da  vontade dele, da brutalidade dele. Não tinha referência a direitos que seriam naturais, que seriam objeto de uma verdade à qual a gente adere e que se impõe pelo seu fulgor. A lei no tempo de Stalin era reflexo da vontade do mais forte. Hoje em dia, a lei que permite o aborto, que permite a eutanásia, não é outra coisa. É uma lei que permite que vença a força do mais forte, que diz: já que tal é a minha vontade, nós vamos decidir quem pode ser admitido à existência e quem não pode.

 

Essa mentalidade entrou em várias agências da ONU. E a ONU hoje em dia está se comportando como uma superpotência global, transnacional, na linha exata de Kelsen. Ele mesmo diz que as leis nacionais, as que conhecemos nos nossos Códigos nacionais, devem ser submetidas à aprovação, validação, de um centro  de poder piramidal. A validez das leis nacionais depende da validade outorgada, concedida pelo poder supranacional aos códigos nacionais, particulares. Isso significa que as nações ficam totalmente alienadas da sua soberania e os seres humanos de sua autonomia. A gente observa isso todos os dias, nas discussões parlamentares. Muitos parlamentos são simplesmente teatros de marionetes que executam determinações vindo de fora, cumprem a vontade de quem impõe suas decisões, eventualmente comprando os votos, através da corrupção.

 

Isso tudo se passa sob o simulacro da globalização, que merece muito a nossa vigilância. É que, na mentalidade de quem adere a essa concepção puramente positivista do direito, a lei não está a serviço dos homens e da comunidade humana; está apenas a serviço deste ou daquele centro de poder. Este pode ser uma nação como os Estados Unidos, mas pode ser sobretudo a trama das vontades que se aglomeram nas Nações Unidas, apoiadas por numerosas ONGs, e também por algumas sociedades secretas, como a maçonaria. Isso mostra que hoje em dia o direito internacional tende a prevalecer sobre os direitos nacionais, a esmagá-los, pois estão sendo aos poucos desativados. É uma coisa terrível! Estamos assistindo à emergência de um direito internacional tirânico porque puramente positivista, ignorando os direitos humanos inalienáveis proclamados em1948. E a gente não percebe…

 

 

–Um novo tipo de totalitarismo?

 

–Mons. Michel Schooyans: Sim, porque daqui em diante a soberania das nações é pura fachada. Kelsen explica muito bem isso: o direito internacional, que dita sua lei às nações, deve ser ele mesmo validado, aprovado, pelo topo da pirâmide, pela instância suprema. Vejamos um exemplo: no momento em que estamos falando, há uma discussão na sede das Nações Unidas sobre a introdução ou não do aborto como “novo direito humano”. Seria uma nova versão da Declaração de 1948. Uma modificação calamitosa porque introduziria sub-repticiamente um princípio puramente positivo numa declaração que é antropológica e moral. Ali se colocaria também o direito à eutanásia. Restaria às nações particulares ratificar estes “novos direitos humanos” emanando da instância suprema. Isso significa que, como a referência aos direitos naturais dos homens já teria sido desativada, essa nova Declaração se tornaria um documento de direito puramente positivo, que deveria ser aplicado por todas as nações que aderissem ao novo texto da Declaração ou a algum outro documento similar.

 

É uma coisa pavorosa o que está quase acontecendo. E vai mais longe. A Corte Penal Internacional, que foi instituída há alguns anos, vai ter como área de competência julgar as nações ou as entidades que se recusarem a reconhecer esses “novos direitos” inventados ou a serem inventados. A Igreja Católica é um dos alvos possíveis dessa Corte Internacional. Já houve quem dissesse há anos que o Papa João Paulo II poderia ter sido intimado a comparecer no Tribunal Internacional por se opor a um “novo direito”, o “direito” da mulher ao aborto. Ameaça semelhante paira sobre Bento XVI. E no domínio da educação é a mesma coisa com a ideologia do gênero. Em virtude de um “novo direito humano”, as pessoas escolheriam o seu gênero, poderiam mudar de gênero. Então o gênero deve ser ensinado nas escolas. É doutrinação ideológica em grande escala, a ponto de quem não subscrever a essa ideologia ser passível de punição por uma corte internacional.

 

 

–Discute-se então uma alteração do texto da Declaração?

 

–Mons. Michel Schooyans: A Declaração de 1948 enuncia princípios fundamentais. São verdades primeiras, fundadoras. Nós reconhecemos esse fato, que o ser humano tem naturalmente direito à vida, à liberdade, à propriedade, a se casar, a se associar, a se exprimir livremente e que tudo isso não decorre da vontade arbitrária dos homens. Mesmo antes de entrar numa sociedade política, organizada, o homem já tem direitos humanos fundamentais. E os direitos precedem a lei. Mas o homem precisa que a sociedade se organize para que esses direitos sejam aplicados, respeitados e que, eventualmente, as infrações sejam reprimidas. Tudo isso está sendo questionado atualmente. Circulam abaixo-assinados. Há um abaixo-assinado a favor do aborto e outro contra. Mas os que mais alto gritam são os partidários da introdução de uma modificação da Declaraçãode 1948 que alteraria a natureza da Declaração, bem como da própria ONU.

 

 

–Isso é fruto unicamente da manipulação do poder ou também de um ‘obscurecimento das consciências’, utilizando uma expressão de Bento XVI?

 

–Mons. Michel Schooyans: Bento XVI tem motivos dos mais sólidos para insistir no papel e na nobreza da razão. Tudo o que acabamos de discutir são problemas de antropologia e de moral natural. Note-se que a defesa do ser humano não é um privilégio da Igreja; faz parte do patrimônio das grandes tradições morais da humanidade. A necessidade de defender o homem, de reconhecer a dignidade do homem é uma coisa à qual a gente tem acesso através do uso correto da razão. Infelizmente estamos assistindo a uma espécie de perversão da própria razão. A razão é utilizada para ser levada a certas armadilhas dela mesma. O homem é capaz de ser manipulado; é capaz de ser dominado. Em português há uma expressão muito bonita, ao que parece usada no candomblé, para dizer isso: a gente pode ‘fazer a cabeça’ de alguém. É exatamente isso. A razão de um indivíduo ou de um povo pode ser desconectada. E você pode encher a cabeça de alguém com idéias completamente malucas. É o caso do aborto e da eutanásia.

 

Na Bélgica, o aborto foi criminalizado pela lei em 1867. Quem mandou aprovar essa lei não eram os católicos, mas sim os liberais, que, naquela época, eram mais de tendência maçônica, como até hoje, aliás. Foram eles que fizeram essa lei. Os católicos aprovaram, mas a iniciativa veio dos liberais, então maioritários. Quer dizer que a razão funcionava. A razão deles tinha descoberto que era evidente que o ser humano devia ser protegido antes do nascimento. É uma questão de razão. Os tempos mudaram. Pode-se alterar a capacidade de raciocínio. Hoje assistimos a várias manobras que vão nesse sentido. Há os casos de aborto, de eutanásia, do gênero. Há o problema da homossexualidade: há 30 anos, quem teria pensado em promover um “novo direito” à homossexualidade? A razão humana é capaz de genialidade, mas é também uma faculdade delicada, vulnerável, frágil, uma faculdade que pode ser desmobilizada, hibernada. A pior forma de escravidão é a escravidão mental, a escravidão da razão, que comporta um brinde: o naufrágio da fé, porque não há ato de fé que não seja razoável. Então se você entra naquela confusão mental de dizer que o aborto é um direito, a eutanásia é um direito, você entra num processo que acaba corrompendo não só a sua razão, mas também a sua fé.

 

Por: Pe. Gaspar Pelegrini.

1 – Instrui-se nas Verdades Eternas.
Procura conhecer a Religião, com seus dogmas, seus preceitos. Conhece a Deus e sabe que Deus o ama e só quer o seu bem.

2 – Obedece a Deus e a Seus representantes.
Respeita os Mandamentos de Deus e da Igreja. Vê em seus pais e superiores os representantes de Deus.

3 – Freqüenta os Sacramentos.
Sabe que, pela confissão, consegue o perdão dos pecados passados, e, pela comunhão, força para evitar novas quedas.

4 – Reza com freqüência, principalmente a Nossa Senhora.
Não deixa passar um dia sem rezar. Vê em Nossa Senhora, uma Mãe que o ama muito. Reza sempre o Terço.

5 – Pensa em seu futuro.
Antes de escolher qualquer profissão ou carreira, procura ver o que Deus quer dele. Está disposto a seguir a vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa, se Deus assim o quiser.Se vê que a vontade de Deus é que se case, leva a sério o namoro, escolhendo bem e respeitando a companheira.

6 – Luta contra o pecado e suas ocasiões.
Prefere morrer a ofender a Deus, seu Pai, seu Salvador. Sabe quanto Jesus já sofreu pelos pecados. Esforça-se por viver sempre na graça de Deus. Evita programas inconvientes na televisão, revistas, ambientes perigosos. Vive sempre na presença de Deus.

7 – Foge da ociosidade.
Está convencido de que a maneira mais fácil de cair no pecado é ficar sem fazer nada. Por isso está sempre ocupado.

8 – Evita os maus companheiros.
Sabe que quem ama o perigo, nele cairá. Por isso foge de todos aqueles que podem fazer mal à sua alma, mesmo sob pretexto de amizade.

9 – Não leva os outros ao pecado.
Tem grande cuidado para não dar escândalo. Não aconselha, nem convida a ninguém para ações ou lugares pecaminosos.

10 – Detesta todos os vícios.
Não se deixa prender pelo álcool. Foge das drogas. Evita a música pesada e as imorais, porque também viciam. Combate todas as tentações contra a castidade (pensamentos, palavras, olhares, desejos, ações com outros ou sozinho).

Os profetas já tinham anunciado…

         “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. ”(Is 11,1).

         “O próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7, 14).

         “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma Luz… um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado, a soberania repousa sobre os seus ombros, e ele se chama: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Príncipe da Paz” (Is 9,1-7)

        

E o profeta dá uma amostra do Reino a ser implantado por esse Menino Deus:

         “Então o lobo será hospede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da serpente. Não se fará mal nem dano em todo o meu Santo Monte.” (Is 11, 1-9)

        

O Natal é a festa do amor de Deus pelo homem.  Para salvar a criatura amada, Ele mesmo se faz homem, assumiu a nossa frágil natureza, sem perder a divina, e veio resgatar o que estava perdido. A humanidade tinha uma dívida impagável com Deus; e nenhum homem poderia pagar este resgate. Esse Homem tinha que ser ao mesmo tempo homem e Deus, para ser a ponte – o Pontífice – entre Deus e o homem. O rio do pecado havia derrubado a ponte da comunhão da humanidade com Deus.

 

Jesus veio pagar a nossa dívida. O Redentor, assumindo a natureza humana, se tornou o único Mediador entre Deus e o homem. Em virtude da natureza humana Ele pode morrer; em virtude da natureza divina pode ressuscitar e nos devolver a vida eterna para a qual fomos criados.

         Aquele que nasceu na terra é o mesmo que foi gerado desde toda a eternidade, consubstancial ao Pai e ao Espírito Santo, “Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”!

        

Depois que o Verbo de Deus se fez homem, ninguém mais pode duvidar do amor de Deus pela humanidade. Seria blasfêmia. O Deus infinito se fez limitado, o Rei do universo se fez escravo, o Soberano das nações se fez pobre para nos enriquecer, o Imortal assumiu a nossa morte para destruí-la…

        

Na criancinha do estábulo somos levados a adorar a divindade e a vislumbrar a glória do Pai que está no Filho, e que foi concebido no seio da Virgem Maria, pelo poder do Divino Espírito Santo.

        

São Leão Magno num de seus mais belos sermões de Natal, relembra a nossa grandeza: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade, e, já que foste feito participante da natureza divina, não queiras voltar à antiga vileza com procedimentos indignos de tamanha nobreza”.

        

Jesus nasceu para nos transladar para o Reino da  luz , do qual é preciso começar a participar já nesta terra. Então, diante do Presépio, o batizado deve se lembrar que, ao ser regenerado na pia batismal, se tornou o templo vivo da Trindade Santa e que, portanto, não pode mais cometer más ações que expulsem Deus de sua alma, e o faz submeter-se, de novo,  à escravidão  do diabo.

        

Diante da manjedoura, que cada um renuncie às obras da carne (Gl 5,19). Somente assim as alegrias do Natal serão verdadeiras e não uma mera comemoração externa de um fato histórico.

        

São Leão Magno frisa no seu Sermão que: “Nasceu hoje o nosso Salvador”. Este “hoje” quer dizer que a mesma eficácia salvífica que o acontecimento de Belém  trouxe ao mundo, acontece “hoje” para aqueles que participam desta Festa através da liturgia. Os atos salvíficos de Cristo se realizam novamente, dando à alma fiel as graças do Natal. O Redentor repete a cada um o que foi dito através do profeta Isaías: “Aqueles que esperam em mim não serão jamais confundidos” (Is 49, 23).

        

 O Menino-Deus nascendo numa pobreza total vem nos ensinar que não são os bens terrenos a fonte da felicidade verdadeira,  e nos convida a conquistar um reino de eterna felicidade, destino e grandeza de quem foi criado à imagem e semelhança de Deus.

 

O silêncio da gruta santa de Belém, bem longe do barulho de uma civilização hedonista e materialista, chama-nos à adoração e à meditação. Naquela gruta pobre e simples, encontramos os melhores modelos de justiça e santidade: Jesus, José e Maria.

A transcendência do Natal nos convida a nos colocarmos a serviço deste Menino, que veio para implantar entre nós o Seu Reino de paz, amor, justiça, verdade, santidade e liberdade; que são os nossos maiores anseios. Por isso, a melhor maneira de viver bem o Natal é comprometendo-se com Jesus a trabalhar pelo seu Reino, através da Igreja, com amor puro e reta intenção.

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br