02. julho 2009 · 1 comment · Categories: Igreja

No Jubileu do ano 2000 o Papa João Paulo II pediu à Igreja uma “Nova Evangelização”, com “novos métodos, novo ardor e nova expressão”, afim de reavivar a fé do povo católico e também para trazer de voltar para a Igreja aquelas ovelhas desgarradas que as seitas levaram embora.

 

Muitos filhos da Igreja foram levados porque não conheciam a doutrina católica nem mesmo na sua fundamentação básica; por isso foram enganados pelos “falsos pastores” que Jesus avisou que viriam como cordeiros, mas que eram lobos ferozes. (cf. Mt 7,15). E isto acontece porque esse bom povo católico não foi evangelizado, especialmente não foi catequizado nem pelos pais e nem pela Igreja.

 

Nos últimos decênios a catequese diminuiu muito; em primeiro lugar por causa da crise da família provocada pelo divórcio, pela falta de formação dos pais, e tantos outros fatores. A catequese das  crianças sempre começou no colo dos pais, mais isso diminuiu muito, e, por outro lado, muitos segmentos da Igreja desviaram a catequese quase exclusivamente para o campo social, deixando as crianças e os jovens à mingua de uma catequese completa sobre os Sacramentos, o Credo, os  Moral católica e a vida de piedade e oração. O povo, então, foi buscar a fé nas outras comunidades.

 

Portanto, urge que se estabeleça uma “nova catequese” para as crianças e jovens de modo especial. S. Paulo, S. Pedro e S. João nos mostram o cuidado dos Apóstolos em preservar a “sã doutrina” (1 Tm 1,10). Paulo fala do perigo das “doutrinas estranhas” (1 Tm 1,3); dos “falsos doutores” (1 Tm 4, 1-2); e recomenda a S. Timóteo: “guarda  o  depósito” (1 Tm 6,20).

 

         O Concílio Vaticano II convocou de modo especial os leigos para essa urgente retomada na catequese: “Grassando em nossa época gravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, este Concílio exorta de coração todos os leigos que assumam mais conscientemente suas responsabilidades na defesa dos princípios cristãos”. (Concílio Vaticano II – Apostolicam Actuositatem, 6)

 

         E o Documento de Santo Domingo, do IV CELAM, insistiu no mesmo ponto: “Instruir o povo amplamente, com serenidade e objetividade, sobre as características e diferenças das diversas seitas e sobre as respostas às injustas acusações contra a Igreja”. (Doc. Santo Domingo, n.141)

 

         Para sentirmos a gravidade das seitas hoje, basta dizer que o  Parlamento Europeu declarou, em 1998, que nos últimos anos nasceram 20.000 (vinte mil) seitas em todo o mundo (12.000 no ocidente e 8.000 na África), um fenômeno que envolve cerca de 500 a 600 milhões de pessoas. (cf. L´Osservatore Romano, n. 35; 29/08/1998 – 12 (476)).

 

         Como enfrentar essa situação? Somente com uma boa catequese desde a infância. O Catecismo da Igreja lembra que: “Os períodos de renovação da Igreja são também tempos fortes da catequese. Eis por que, na grande época dos Padres da Igreja, vemos Santos Bispos dedicarem uma parte importante de seu ministério à catequese”. (§8).

 

         Em 1979 o Papa João Paulo II preocupado com a catequese escreveu a “Catechesi tradendae” e chamou a Igreja a assumi-la;  e aprovou em 1992 o novo Catecismo da Igreja, a pedidos dos bispos que participaram da Sínodo dos Bispos de 1985. O Santo Padre  endossou o pedido dos Bispos, reconhecendo que “este desejo responde plenamente a uma verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares”. (cf. §10).

 

         Pediu o Papa “aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo… e o usem assiduamente ao cumprir sua missão de anunciar a fé e convocar para a vida evangélica”. Insistiu o Papa que ele é “uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição Apostólica e pelo Magistério da Igreja… uma norma segura para o ensino da fé” (cf. Fidei Depositum). Resta-nos agora empunhar o Catecismo e formar as crianças principalmente. O futuro da Igreja passa por elas.

 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

 

02. julho 2009 · 3 comments · Categories: Jesus

 

O mês de julho a Igreja dedica ao preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado pelo perdão dos nossos pecados. E o dia 2 de julho é o dia do Sangue de Cristo. O Sangue de Cristo representa a Sua Vida humana e divina, de valor infinito, oferecida à Justiça divina para o perdão dos pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares. Quem for batizado e crer, como disse Jesus, será salvo (Mc 16,16) pelo Sangue de Cristo.

 

Em cada Santa Missa a Igreja renova, presentifica, atualiza e eterniza este Sacrifício de Cristo pela Redenção da humanidade. Em média, a cada quatro segundos essa oferta divina sobe ao Céu em todo o mundo. 

 

O Catecismo da Igreja ensina que mesmo que o mais santo dos homens tivesse morrido na cruz, seria o seu sacrifício insuficiente para resgatar a humanidade das garras do demônio; era preciso um sacrifício humano, mas de valor infinito. Só Deus poderia oferecer este sacrifício; então, o Verbo divino, dignou-se assumir a nossa natureza humana, para oferecer a Deus um sacrifício de valor infinito. A majestade de Deus é infinita; e foi ofendida pelos pecados dos homens. Logo, só um sacrifício de valor infinito poderia restabelecer a paz entre a humanidade e Deus.

 

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.  Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5,8-9).  

 

São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus, mediante “a aspersão do seu sangue” (1Pe 1, 2). “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo.” (1Pe1,19)

 

Ao despedir dos bispos de Éfeso, em lágrimas, S.Paulo pede que cuidem do rebanho de Deus contra os hereges que já surgiam naquele tempo, porque este rebanho foi “adquirido com o seu Sangue” (At 20,28). Para os judeus a vida estava no sangue (cf. Lv 11, 17), e por isso eles não comiam o sangue dos animais; na verdade, a vida está na alma e não  no sangue; mas para eles o sangue tinha este significado. É muito interessante notar que no dia da Páscoa, a saída do povo judeu do Egito, naquela noite da morte dos primogênitos, Deus, segundo o entendimento do povo, mandou que este passasse o sangue do cordeiro imolado nos umbrais das portas para que o Anjo exterminador não causasse a morte do primogênito naquela casa.

 

Este sangue do cordeiro simbolizava e prefigurava o Sangue de Cristo, da Nova e Eterna Aliança que um dia seria celebrada no Calvário. É por isso que S.João Batista, o Precursor de Jesus, ao anunciá-lo aos judeus vai dizer: “Este é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 19).  É a missão de Cristo, ser o Cordeiro de Deus imolado por amor dos homens.

 

É este Sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado:

“Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1, 7). “Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu Sangue  e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.” (Ap 1, 5) 

 

“Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra” (Ap 5, 9-10).

 

Os mártires derramaram o seu sangue por Cristo, na força do seu Sangue: “Mas estes venceram-no por causa do Sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte” (Ap 12, 11).  O Apocalipse ainda nos mostra que os santos lavaram as suas vestes (as almas) no Sangue de Cristo:

“Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no Sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14).

 

Hoje esse Sangue redentor de Cristo está à nossa disposição de muitas maneiras. Em primeiro lugar pela fé; somos justificados por esse Sangue ensina S. Paulo:

“Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5, 8-9).

 

Ele está à nossa disposição também no Sacramento da Confissão; pelo ministério da Igreja e dos sacerdotes o Cristo nos perdoa dos pecados e lava a nossa alma com o seu precioso Sangue. Infelizmente muitos católicos ainda não entenderam a profundidade deste Sacramento e fogem dele por falta de fé ou de humildade. O Sangue de Cristo perdoa os nossos pecados na Confissão e cura as nossas enfermidades espirituais e psicológicas.

 

Este Sangue está presente na Eucaristia: Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. Na Comunhão podemos ser lavados e inebriados pelo Sangue redentor do Cordeiro sem mancha que veio tirar o pecado de nossa alma. Mas é preciso parar para adorá-lo no Seu Corpo dado a nós. Infelizmente muitos ainda comungam mal, com pressa, sem Ação de Graças, sem permitir que o Sangue Real e divino lave a alma pecadora e doente.

 

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br