Padre Juliano Ribeiro Almeida

 

         A cena foi grotesca: o presidente Lula, do seu camarote na avenida Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, lançando para o público camisinhas com a marca registrada do Ministério da Saúde. Nunca imaginei que chegaria a ver um presidente da República se prestando a tão baixo papel. Lembrou-me a política do “panis et circensis” (pão e circo), em que o imperador romano, do alto do seu camarote nos teatros públicos da Roma antiga, mandava distribuir pão gratuitamente para conter as massas. Além de já distribuir o pão com seu programa Bolsa Família, Lula agora decide avançar em seu viés de assistencialista, distribuindo orgasmo para o povo; afinal, como cantou a banda Titãs, “a gente não quer só comer; a gente quer comer e quer fazer amor. A gente não quer só comer, a gente quer prazer pra aliviar a dor”.

 

E eu acrescentaria, para não faltar com a verdade: a gente não quer só prazer, a gente quer juros mais baixos e um bom sistema de saúde. O que a gente quer não é tão fácil de distribuir e nem tão descartável como um preservativo, numa aventura sexual de carnaval. A gente quer segurança pública e qualidade de vida, a gente quer política sem nepotismo, corporativismo e corrupção… Uma canção de Gilberto Gil diz: “o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe”. Ainda quando não sabe nomear e definir bem, o povo quer valores morais, referências, ideais, cultura.

 

É preciso deixar bem claro que os preservativos que Lula distribuiu no carnaval são paliativos, isto é, instrumentos que procuram conter momentaneamente o problema, mas não o resolvem, porque nem sequer tocam em suas causas. O governo está querendo conscientizar o povo em relação à camisinha. Mas é preciso perguntar: o uso da camisinha conscientiza em relação à AIDS? Usar camisinha não significa eliminar o risco de ser contaminado, mas apenas cobrir o risco com uma camada finíssima de látex. Está provado que as DST’s – doenças sexualmente transmissíveis – se disseminam em situações em que não há um comportamento sexual adequado.

 

Na prática, isso quer dizer: onde há infidelidade conjugal, prostituição, promiscuidade sexual, contato íntimo sem respeito e compromisso. O que a sociedade está fazendo é apenas ir aos lugares de risco, legitimar esse comportamento e distribuir camisinha num clima de “salve-se quem puder”. É como se um navio não desse a mínima para as normas de segurança na navegação e se limitasse a distribuir coletes salva-vidas quando o navio ameaçasse afundar.

 

O problema das DST’s precisa ser enfrentado, claro. É preciso haver programas de informação, prevenção e, por fim, intervenção também com ações paliativas para os que não foram convencidos a mudar de comportamento. Sem dúvida. Mas a preocupação do governo em conter o HIV não pode ser apenas a de diminuir os gastos do SUS com o tratamento dos soropositivos. Sua preocupação deve estar com o bem-estar integral da pessoa, sua harmonia familiar, seu correto desenvolvimento sexual. E é simplesmente impossível tratar de todas essas questões apenas distribuindo camisinha, sem sugerir claramente: repense sua vida sexual, pergunte-se se já é o momento adequado para transar, ouça sua família e sua religião, escolha bem a pessoa a quem você pretende entregar o seu corpo.

 

Tenho certeza que Lula e dona Marisa não teriam coragem de jogar camisinhas do camarote se tivessem uma filha de 13 anos lá embaixo, na quentura da puberdade e no embalo do carnaval.

 

Juliano Ribeiro Almeida, 28 anos, é padre católico e trabalha em Cachoeiro de Itapemirim. julianorial@gmail.com

 

 

A ação contra o Ministério da Saúde prevê a suspensão dos efeitos do Edital de Pregão n.º 142/2008

 

O líder do PHS na Câmara, o deputado federal Miguel Martini protocolou ontem, 20/01, uma representação contra o Ministério da Saúde, pela realização do Edital de Pregão nº 142/2008, para a aquisição de 15 milhões de saches de gel lubrificante.

 

De acordo com o edital, o material é indicado para lubrificação íntima durante a relação anal e vaginal, com uso de preservativo, possibilitando assim maior conforto e segurança aos usuários. “Nós conhecemos a triste realidade do sistema de saúde pública do Brasil. Se no SUS faltam remédios primordiais aos pacientes e não tem leitos hospitalares para internação, adquirir sache de lubrificantes íntimos, em detrimento a outras necessidades básicas, é um grande equívoco. O cidadão brasileiro precisa ser respeitado”, ressalta Miguel Martini.

 

O resultado do julgamento do pregão estabeleceu a empresa Carbogel Indústria a Comércio, com o valor estimado de R$1.160.000,00 (um milhão, cento e sessenta mil reais). Martini afirma que há outras formas de o Ministério da Saúde fazer campanhas de prevenção contra doenças. “As políticas públicas de saúde para as doenças sexualmente transmissíveis deve ser objeto de reflexões sobre os conceitos de prevenção e, principalmente, observar o delineamento de ações que favoreçam a adoção de medidas preventivas em defesa da vida e da saúde da população”, ressalta o deputado.

 

O parlamentar ainda lembra que a empresa vencedora é também fornecedora, no SUS, do produto Carbogel ULT, gel especialmente recomendado para transmissão ultra-sônica, em aparelhos de ultra-sonografia, como ecógrafos e dopplers. “Inúmeros postos de saúde e hospitais públicos deixam de realizar exame nas gestantes por falta do gel condutor, não nos parece razoável o Ministério da Saúde adquirir gel íntimo, ao invés do gel para exame nas mulheres grávidas”, diz Martini.

 

Na representação judicial, o deputado Miguel Martini ressalta que não há nenhuma estatística ou estudo acadêmico ou cientifico comprovado, que confirme a redução das doenças sexualmente transmissíveis pelo uso de lubrificante íntimo. Ele também solicita a suspensão dos efeitos do Edital do Pregão nº 142/2008 e, caso já tenham sido efetivados quaisquer das etapas previstas, que sejam impugnadas.

 

 21/01/2009 – Assessoria de Comunicação do deputado federal Miguel Martini  – Janaína Santos – (31)3295-3229/8838-7885

O Ministério da Saúde já está inaugurando as primeiras 400 “máquinas de camisinha”, nas Escolas públicas, segundo o anúncio do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante o 7º Congresso Brasileiro de Prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, em Florianópolis. O encontro foi promovido pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. A Igreja não concorda em hipótese alguma com esta medida imoral e inócua; e os nossos Bispos, bem como o Papa, já se manifestaram muitas vezes contra o uso e a distribuição de “camisinhas” para os jovens, por se tratar de um procedimento imoral e que fomenta o uso irresponsável do sexo, deseduca o jovem e faz  aumentar ainda mais a contaminação pela AIDS, e também o aumento do número de meninas grávidas, como mostram alguns especialistas. É uma tristeza e uma vergonha que se estimule, mesmo que indiretamente, os nossos filhos à promiscuidade sexual. O jovem cristão jamais deverá usar uma camisinha pelos seguintes motivos: 1 – a vida sexual  deve ser vivida apenas no casamento de um homem com uma mulher (Gen 2, 24) unidos em matrimônio. Fora disso a vida sexual é pecaminosa (fornicação ou adultério);2 – o ato sexual entre os casais deve sempre estar aberto `a vida, e não ser impedido por meios artificiais, como a camisinha. Seu uso é imoral em qualquer situação;3 – está mais que comprovado que a camisinha não proporciona  o tal “sexo seguro”; muitos pesquisadores afirmam que o vírus da AIDS, por ser cerca de 500 vezes menor que um espermatozóide, pode através o látex da camisinha, especialmente quando há problema de vencimento do prazo, má conservação, más fabricação, etc.  

Uganda é o único pais da África que conseguiu até hoje baixar consideravelmente o número de contaminados pelo vírus da AIDS, com uma campanha de fidelidade conjugal e de abstinência sexual antes do casamento. A castidade mostrou os seus frutos. A contaminação caiu de 26% para 6%. Por outro lado, a Àfrica do Sul,     esta´ com 30% da população contaminada, mesmo com o derramamento de milhões de camisinhas sobre a população. 

O Papa João Paulo II assim se expressou sobre a “camisinha”:“Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana… O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo … O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental”  (Pergunte ao Papa, Augusto Silberstein, Legnar Informática e Editora Ltda, SP, pg. 57). O teatrólogo francês, católico, Paul Claudel, disse certa vez que: “a juventude não foi feita para o prazer, mas para o desafio”. Se você quer um dia construir uma família sólida, um casamento estável e uma felicidade duradoura, então precisa plantar hoje, para colher amanhã.  Ninguém colhe se não semear. Na carta aos gálatas, São Paulo diz: “De Deus não se zomba. O que o homem semeia, isto mesmo colherá.” (Gl 6,7)   A gravidade do pecado da impureza é que mancha o Corpo de Cristo.     “Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor 12,27), diz São Paulo, “… assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós somos membros uns dos outros”. (Rom 12,5) 

 Já é hora de voltarmos a falar aos jovens, corajosamente, sobre a importância da castidade e da virgindade. A família cristã, diante deste mundo paganizado, é chamada a dar testemunho dessas verdades. Também sobre a homossexualidade, os pais têm o dever de ensinar os filhos o que ensina a Igreja. Muitos pais já estão sendo levados a serem “tolerantes” com o pecado de seus filhos. Isto fere a moral católica e a lei de Deus. Vale a pena recordar as sérias advertências de São Paulo: 

  “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, o qual recebestes de Deus, e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço”. (1 Cor 6,19)“O corpo, porém não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o Corpo: Deus que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder”. (1 Cor 6,13).       “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”. (1 Cor 6,20)“Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado – e isto sois vós”. (1 Cor 3,16-17) 

  O Mahatma Gandhi, que libertou a Índia, e que não era cristão, mas amava Jesus, disse essas belas palavras:  “A castidade não é uma cultura de estufa… A castidade é uma das maiores disciplinas, sem a qual a mente não pode alcançar a firmeza necessária”. “A vida sem castidade parece-me vazia e animalesca”. “Um homem entregue aos prazeres perde o seu vigor, torna-se efeminado e vive cheio de medo. A mente daquele que segue as paixões baixas é incapaz de qualquer grande esforço”. (Tomás Tochi, “Gandhi, mensagem para hoje”, Ed.  Mundo 3, SP, pp. 105ss,1974) 

Os homens e mulheres que mais contribuíram para o progresso do ser humano e do mundo, foram aqueles que souberam dominar as suas paixões, e, sobretudo viver a castidade. Fico impressionado de observar como têm vida longa, por exemplo, a maioria dos nossos Bispos católicos, e tantos sacerdotes que sempre guardaram com carinho a castidade. Se ela fosse prejudicial à saúde, não teríamos tantos bispos, padres e freiras, tão idosos, felizes e equilibrados. Santo Agostinho dizia: “se queres ser feliz, sê casto”. 

O Estado é laico, mas o povo brasileiro é católico em sua maioria, comprovada pelo Instituto de Pesquisa do próprio governo, o IBGE. Então esse bom povo católico tem o direito que os seus filhos recebam uma educação pública de acordo com os seus bons costumes, que moldaram a nossa Civilização, sem imoralidades. Por isso, é dever e direito dos pais protestarem ordenadamente contra esse absurdo implantado em nossas escolas. Se não o fizerem, seus filhos serão moldados pela mentalidade neo-pagã que domina cada vez a sociedade e o Estado. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

  

A Revista “Super Interessante” (n. 236 de janeiro de 2007 – Teté Ribeiro, de Washington) trouxe uma interessante entrevista com o Dr. Jeff Trimbath, que é o responsável no governo do Presidente americano George Bush,  pelos programas que ensinam jovens a se manter virgens até o casamento, e assim viverem uma vida moral e livres da contaminação da AIDS.

Desde que assumiu seu primeiro mandato como presidente dos EUA, em 2001, George W. Bush fez da abstinência sexual uma das bandeiras morais de seu governo. O Presidente, como a Igreja católica, prega a abstinência como único método anticoncepcional e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis ao invés do uso de preservativos. Jeff Trimbath é o diretor da divisão de “Administração para Crianças e Famílias” (ACF, na sigla em inglês). Sua função é gerenciar os recursos – a maior parte é doada para organizações não-governamentais, hospitais e igrejas que assumem a organização das ações pró-abstinência. Trimbath se casou virgem aos 30 anos de idade.  

A entrevista 

Super Int: Como você se envolveu com programas pró-abstinência sexual?
         Sempre me interessei por assuntos de família, sempre acreditei que o núcleo familiar era muito importante. Então, assim que me formei na universidade, no começo dos anos 90, comecei a trabalhar em ongs que apoiavam programas de famílias no meu estado natal, a Pensilvânia. Sempre tive a certeza de que uma criança tem melhores chances na vida se for criada em uma família com pai e mãe, casados. E acredito que a abstinência sexual entre os jovens é a melhor maneira de prevenir que uma criança venha ao mundo em condições difíceis. Então comecei a trabalhar em ongs que promoviam o conceito de abstinência sexual entre os jovens até que eles se casem, até que fui convidado para coordenar esse programa do governo, 6 anos atrás, e aceitei.
SI:
Como os jovens americanos recebem essas informações?
Não há uma fórmula única de como conscientizar jovens a esperar pelo casamento para fazer sexo. Pode ser uma palestra, um acompanhamento semanal, uma terapia. Depende de cada organização – e por isso é importante que o dinheiro vá tanto para universidades, que têm acesso a muitos jovens, quanto aos pequenos grupos de bairro, gerenciados por quem conhece bem a comunidade. O importante é o jovem ter acesso às informações sobre a abstinência e que ele não tenha de procurar por elas, e sim o contrário.

SI: Por que a educação sexual deve ser um assunto de governo, e não da família?
Eu concordo plenamente que essa é uma questão familiar. Mas, como muitos outros assuntos que deveriam ser tratados em família, esse tem implicações sociais. Crianças nascidas fora do casamento são um problema para o Estado. Muitas vezes acabam abandonadas e o Estado é responsável por ir atrás do pai, estabelecer a paternidade com testes de DNA caros e coletar dinheiro para a educação da criança até que ela complete 18 anos. Isso tudo custa bilhões de dólares todos os anos ao governo. Portanto, nosso programa existe porque é necessário, e não simplesmente porque acreditamos que é melhor para os jovens que eles se mantenham virgens até casar.

SI: Mas a abstinência sexual não é a única maneira de prevenir problemas como esse. Por que o programa não ensina aos jovens métodos de contracepção? Os dois conceitos não podem conviver harmoniosamente?
O governo dos EUA tem uma lei dizendo que esse dinheiro só pode ser usado para programas que promovam exclusivamente a divulgação do conceito de abstinência. Há outros programas financiados pelo governo que promovem o uso de contraceptivos, e eles também têm ótimos resultados. Mas acredito que os dois conceitos não podem ser ensinados ao mesmo tempo, um é o oposto do outro. O nosso ideal é que os jovens esperem até o casamento para fazer sexo. Então não fazemos campanha contra o uso de contraceptivos. Os jovens americanos podem aprender a usar camisinha ou então outras formas de contracepção, mas isso não acontecerá dentro dos nossos programas de abstinência.

SI: O programa não corre o risco de ficar limitado, se o único assunto é evitar que jovens façam sexo?
Não, porque isso não é verdade. O título de abstinence-only (“apenas abstinência”) dá mesmo essa impressão, mas a verdade é que queremos ajudar os jovens a fazer boas escolhas de vida, não apenas em relação ao sexo. Queremos que eles não usem drogas nem álcool, que façam planos para o futuro, que escolham uma profissão, que tenham relações amorosas saudáveis.

SI: A crítica mais freqüente ao programa é que os jovens vão fazer sexo de um jeito ou de outro, e que não ensinar a usar camisinha ou outras formas de contracepção aumenta o risco de gravidez não desejada e de transmissão de doenças. Você discorda?

Essa crítica vem recheada de preconceitos sobre os jovens. Nosso programa se baseia em estudos que mostram que, se você elevar o padrão de expectativa em relação aos jovens, na maioria das vezes eles não vão decepcioná-lo. Se você começa um programa acreditando que os jovens não vão fazer a escolha certa, é quase certo que não vai ser bem-sucedido. Nosso programa se recusa a baixar o padrão de expectativa. Cada vez há mais jovens que se mantêm virgens – e esse número só vem aumentando. Então por que deveríamos mudar nossos métodos?

SI: A professora Clara Haignere, Ph.D. da Universidade Temple, argumenta que o método da abstinência é difícil de usar por um período longo de tempo, além de requerer negociação entre os parceiros. Ela alega ainda que até 86% dos jovens que tentam adotar a abstinência acabam falhando no processo.
A professora Clara está confundindo duas coisas: uma é a educação da abstinência, outra é a abstinência
em si. Se ela dissesse que devemos estudar outros métodos de divulgar a abstinência entre os jovens, eu concordaria. A abstinência em si é 100% efetiva, mas só se for usada corretamente – assim como outros métodos de concepção. Quanto a ser necessária uma negociação, tudo relacionado à intimidade entre duas pessoas requer negociação. O uso da camisinha também requer negociação.

SI: Mas um jovem que adota a abstinência não precisa lutar simplesmente contra seus desejos e hormônios. Ele também tem de brigar contra o que vê na TV, no cinema, nas revistas. Toda a cultura popular usa o sexo como atração.
Sexo está em todo lugar mesmo, é natural, faz parte da vida. US$ 175 milhões certamente não são suficientes para fazer com que os jovens deixem de pensar
em sexo. Aliás, nenhum dinheiro é suficiente para isso, o desejo é natural. Mas o desejo também é controlável. É mais fácil adotar a abstinência se o jovem acreditar que ela será temporária, que ele um dia vai ter uma profissão, formar uma família e ser um bom pai. E claro que é dificílimo que jovens não façam sexo até quase 30 anos, mas sou a prova de que é possível. Eu e minha mulher nos casamos aos 30 anos e éramos virgens. Não foi fácil, mas foi possível.

SI: A recente eleição de um Congresso com maioria democrata pode atrapalhar os programas que você gerencia?
Espero que não. Pouca gente sabe, mas quem assinou a primeira lei aumentando o financiamento de programas de abstinência foi o presidente [democrata] Bill Clinton. Na época, as verbas do programa cresceram 300%. Então acredito que este é um tema com o qual os dois partidos concordam.
 

Prof. Felipe Aquino

site – www.cleofas.com.br

 

O médico Drauzio Varella escreveu no jornal “Folha de São Paulo” (17 março 2007, Ilustrada) uma matéria intitulada “O Crime da Camisinha”, onde acusa a Igreja Católica e a CNBB de fazerem pressão sobre os políticos para a não distribuição da famigerada camisinha, e ainda mais, acusa a Igreja Católica de “crime continuado” e  culpada de muitos morrerem por infecção da AIDS.         Escreveu o médico que: “A CNBB afronta o presidente da República porque pretende reafirmar para os políticos menos poderosos que sua “posição é clara. Não mudou nem mudará”.
Se não mudou nem mudará, pergunto: por quanto tempo a Igreja Católica cometerá o crime continuado de dificultar o acesso dos brasileiros à camisinha, em plena epidemia de uma doença sexualmente transmissível, incurável? Quanto sofrimento humano esses senhores de aparência piedosa ainda causarão em nome de Deus, impunemente?”
         Não sou representante da CNBB, mas sou católico e me sinto no dever e no direito de responder a esse médico que pode entender um pouco de medicina, mas deixa muito a desejar sobre ética e de moral.          Em primeiro lugar, a Igreja não faz pressão sobre os políticos, ela apenas ensina ao povo de Deus a verdade legada por Jesus Cristo; se a sua influência junto ao povo é grande, é porque a Igreja é amada e respeitada por esse povo católico. Os filhos da Igreja já derramaram muito sangue, em todos os vinte séculos, para defender a Verdade ensinada por Cristo à Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo, e não é hoje que a Igreja vai abdicar da Verdade que liberta.          É muito cômodo, fácil e rápido distribuir fartamente camisinhas aos jovens para transarem à vontade, mas a Igreja não aceita “soluções fáceis”, rápidas, cômodas e imorais para problemas difíceis; pois ela sabe que ao invés de resolver o problema irá agravá-lo ainda mais. Ninguém cura câncer dando apenas analgésico para o doente.          A Igreja Católica vê o homem e a mulher como seres criados à “imagem e semelhança de Deus”, dotados de corpo e de alma espiritual e imortal, e não apenas um composto orgânico formado apenas de um amontoado de carne, ossos e nervos, sem destino eterno. É essa visão pobre do homem que leva muitos a aceitarem o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões, o uso da camisinha, o casamento de homossexuais, e outras imoralidades. Eles vêem o homem apenas como um animal mais aperfeiçoado, enquanto a Igreja o vê como um filho amado de Deus, por quem permitiu até o sacrifício do Seu Filho amado na Cruz.          O Dr. Varella acusa a Igreja de “crime continuado”, mas eu gostaria de dizer que crime continuado é entregar um pacote de camisinha para uma jovem viver vida sexual com um namorado hoje, e com outro amanhã, iniciando-se num caminho de prostituição e promiscuidade. Isto é que um crime hediondo; substituir a educação moral e religiosa pela depravação sexual.         Crime Dr. Varella é ensinar os jovens a viver o sexo sem responsabilidade e sem um compromisso de vida com outra pessoa, com uma família,  fazendo dele apenas um meio de prazer vazio.  

A virulência da AIDS pôs às claras a miséria moral de nossa civilização. O rei está nu, como se diz. Não tendo força e princípios morais para enfrentar este flagelo, nossa miserável sociedade não é capaz de oferecer aos jovens algo melhor do que uma degradante camisinha. É nos momentos de crise que se conhece a fortaleza moral de um homem e de uma sociedade. John Spalding dizia que as civilizações não perecem por falta de ciência ou de poder, mas por falta de princípios morais. Um homem sem esses princípios é uma caricatura de homem. É isto que queremos para a nossa juventude? 

O compromisso da Igreja Católica é com o Seu Senhor; por isso ousa enfrentar o descalabro moral e vexaminoso da propaganda da camisinha que se assiste nas ruas, escolas, jornais, televisão, rádios, clubes, etc.  

A propaganda explícita do preservativo, tornou-se uma declaração de “ liberdade sexual ”; uma vivência sexual sem compromisso, sem amor, sem fidelidade, totalmente fora dos planos de Deus. É a pior deseducação que os nossos jovens já receberam! São tratados como animaizinhos que devem aprender a comer, beber, dormir, gozar e morrer.  Além do mais, a FDA – Food and Drug Admnistration, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já avisaram que os preservativos não impedem totalmente a contaminação do vírus. A camisinha deixa passar por seus poros o espermatozóide que é 500 vezes maior que o vírus da AIDS. A Rubber Chemistry & Technology, Washington, D.C., junho de 1992, afirma que: “Todos os preservativos têm poros 50 a 500 vezes maiores que o virus da AIDS”. 

Além desse fator, vários problemas da camisinha (má qualidade, má conservação, etc) podem fazer com que ela falhe em até 30% dos casos. Ora, convenhamos, é um risco enorme; é uma roleta russa.  

Ninguém subiria em um avião se ele tivesse 1% de chance de cair. As estatísticas mostram que nos vôos comerciais a chance de um avião cair é de 0,0001%; não se pode por a vida
em risco. Muitos se contaminaram pensando que a camisinha fosse segura.
 

Crime Dr. Varella é mentir para a juventude dizendo-lhe que a camisinha é segura; não existe o tal “sexo seguro”. 

A Igreja – como disse um dia Paulo VI – , é “perita em humanidade”; e ela defenderá sempre a sua dignidade sem medo de ameaças.  

Ao invés de ficarmos propondo o uso da “camisinha” , o que  temos a fazer é eliminar todas as formas de incentivo ao sexo irresponsável, fomentado de mil maneiras pelos meios de comunicação . Incentiva-se de mil formas  a prática sexual pela TV, e depois não se entende porque aumenta  tanto a prática dos abortos, Aids, estupros, homossexualismo, crimes sexuais, adolescentes grávidas, etc. Sabemos muito bem que “quando se planta vento colhe-se tempestade”.  

 

Prof. Felipe Aquino – 19 março de 2007Dia de São José, patrono da Castidade 

 

Email da Folha de São Paulo: leitor@uol.com.br

Site do Dr. Drauzio Varella: http://drauziovarella.ig.com.br/