PAPA BENTO XVI NÃO É CONTRA O CONCILIO VATICANO II

Arquivado em: Concílio Vaticano II — Prof. Felipe Aquino at 3:42 pm on sábado, agosto 29, 2009
O Papa Bento XVI não vai “contra” o Concílio, diz Cardeal Bertone

 

.- O Secretário de estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, assinalou que as “elucubrações e sussurros sobre supostos documentos de retrocesso” quanto à reforma da Igreja, em continuidade com a Tradição e o Magistério iniciada com o Concílio Vaticano II, “são puras invenções segundo um clichê padronizado e re-proposto de maneira obstinada” por alguns.

Assim o indicou o Cardeal vaticano em uma entrevista concedida ao L’Osservatore Romano ao ser perguntado por “algumas reservas” ou “temores” de alguns que consideram que o Papa Bento XVI estaria indo “contra” o Concílio Vaticano II, quando a realidade demonstra justamente o contrário.

“Para entender –explicou o Cardeal– as intenções de ação do governo de Bento XVI é necessário referir-se à sua história pessoal –uma experiência variada que o permitiu atravessar a Igreja conciliar como verdadeiro protagonista– e, uma vez eleito Papa, ao discurso de inauguração de seu pontificado, ao da Cúria romana em 22 de dezembro de 2005 e aos atos precisos por ele queridos e assinados (e em cada momento pacientemente explicados)”.

Seguidamente o Secretário de estado cita algumas “instâncias do Concílio Vaticano II promovidas constantemente pelo Papa com inteligência e profundidade de pensamento: a relação mais pormenorizada com as Iglesias ortodoxas e orientais, o diálogo com o judaísmo e com o Islã, que com recíproca atração, suscitou respostas e aprofundamentos nunca antes vistos, purificando a memória e abrindo-se às riquezas do outro”.

Depois de ressaltar a boa relação que tem o Papa com os bispos, o Cardeal Bertone assinalou que “quanto à reforma da Igreja –que é sobre tudo uma questão de interioridade e de santidade– Bento XVI nos chamou à fonte da Palavra de Deus, à lei evangélica e ao coração da vida da Igreja: Jesus, o Senhor conhecido, amado, adorado e imitado”.

“Com o volume do livro Jesus de Nazaret e com o segundo que está preparando, o Papa nos faz um grande presente e nos recorda sua vontade de ‘fazer de Cristo o coração do mundo’”, acrescentou.

Logo depois de explicar que em seu pontificado, Bento XVI até o momento tem feito mais de 70 nomeações, o Cardeal Bertone adverte que, nos meios seculares, está como “estabelecido o costume de imputar ao Papa –ou como se diz, sobre tudo na Itália, ao Vaticano– a responsabilidade de tudo o que acontece na Igreja ou o que declara qualquer membro das Igrejas locais, instituições ou grupos eclesiásticos. Isto não é correto”.

“Bento XVI é um modelo de amor a Cristo e à Igreja, a pessoa que é Pastor universal, o guia na via da verdade e da santidade, indicando a todos a medida alta da fidelidade a Cristo e à lei evangélica”, acrescentou.

O que é justo, explicou o Cardeal Bertone, “para uma correta informação, é atribuir a cada um (unicuique suum) a própria responsabilidade pelos fatos e as palavras, sobre tudo quando estas contradizem patentemente os ensinos e o exemplo do Papa”.

“A imputabilidade é pessoal, e este critério vale para todos, inclusive na Igreja. Mas sobre tudo o modo de informar e julgar depende das boas intenções e do amor pela verdade dos jornalistas e os meios”, explicou o Secretário de estado.

«Estamos em dívida com o Concílio Vaticano II»

Arquivado em: Concílio Vaticano II — Prof. Felipe Aquino at 2:12 pm on quarta-feira, outubro 29, 2008

  

Mais uma vez o Papa Bento XVI destacou a grande importância do Concílio Vaticano II. Falando aos participantes do Congresso «O Vaticano II no Pontificado de João Paulo II», sobre João Paulo II e o Concílio, organizado pela Pontifícia Faculdade Teológica São Boaventura – Seraphicum (www.zenit.org – 28 out 2008).  Papa disse, entre outras coisas, que:  

«Os documentos conciliares não perderam sua atualidade com o passar do tempo», mas ao contrário, «revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da presente sociedade globalizada». 

Disse o Papa que «todos nós somos verdadeiramente devedores deste extraordinário acontecimento eclesial», e lembrou que teve «a honra de participar como especialista». «Tornar acessível ao homem de hoje a salvação divina foi para o Papa [João XXIII] a razão fundamental da convocação do Concílio, e foi com esta perspectiva que os Padres trabalharam». 

O Papa Bento XVI, falando do Papa João Paulo II, disse: «que naquele Concílio ofereceu uma contribuição pessoal significativa como Padre conciliar, da qual se converteu depois, por vontade divina, em executor primário durante os anos de seu pontificado».  

Disse ainda que João Paulo II «acolheu praticamente em todos os seus documentos, e ainda mais em suas decisões e em seu comportamento como pontífice, as instâncias fundamentais do Concílio Ecumênico Vaticano II, do qual se converteu em intérprete qualificado e testemunha coerente». O Concílio, «brotou do coração de João XXIII, mas é mais exato dizer que em último termo, como todos os grandes acontecimentos da história da Igreja, brotou do coração de Deus, de sua vontade salvífica».  

«A múltipla herança doutrinal que encontramos em suas constituições dogmáticas, nas declarações e nos decretos, estimula-nos ainda agora a aprofundar na Palavra do Senhor para aplicá-la ao hoje da Igreja, tendo muito presentes as necessidades dos homens e mulheres do mundo contemporâneo, extremamente necessitado de conhecer e experimentar a luz da esperança cristã.» 

O Santo Padre pediu aos congressistas que se aproximem «dos documentos conciliares para buscar neles respostas satisfatórias aos muitos interrogantes de nosso tempo».  

«A meta última de todas as nossas atividades deve ser a comunhão com o Deus vivo. Assim, também para os Padres do Concílio Vaticano II, o fim último de todos os elementos da renovação da Igreja foi guiar ao Deus vivo revelado em Jesus Cristo», concluiu o Papa.  

Essas palavras do Papa deixam muito claro, mais uma vez, a fundamental importância do Concílio Vaticano II para a Igreja. João Paulo II já tinha se referido a ele como “a primavera da Igreja”. Assim, é preciso calar de vez as vozes dissonantes e muito prejudiciais à Igreja que se levantam contra o Concílio. São maus católicos, em comunhão imperfeita com a Igreja, os que se prestam a esse triste serviço.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

DOM BRUNO FORTE: OS ÚLTIMOS DOCUMENTOS DE BENTO XVI RENOVAM O VALOR DO CONCÍLIO VATICANO II

Arquivado em: Concílio Vaticano II — Prof. Felipe Aquino at 8:38 pm on sexta-feira, outubro 19, 2007

Chieti, 14 jul (RV) – O arcebispo de Chieti-Vasto, Dom Bruno Forte, renomado teólogo, comenta o Motu proprio do papa sobre a celebração dos sacramentos segundo o antigo rito tridentino e também o documento da Congregação para a Doutrina da Fé, acerca de alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja…

Dom Bruno Forte:- “Este documento da Congregação para a Doutrina da Fé reafirma exatamente aquilo que diz o Concílio Vaticano II, que faz distinção entre Igrejas e comunidades eclesiais, referindo-se às comunidades de cristãos não-católicos. Isso, com o objetivo do Vaticano II de distinguir aquelas comunidades que mantiveram a natureza da Igreja segundo a idéia católica e, portanto, mantiveram o sacerdócio na sucessão apostólica e na Eucaristia, e aquelas comunidades que, ao invés, não tendo mantido essa mesma natureza, não podem ser consideradas Igrejas. Essa distinção quer ajudar o ecumenismo a construir-se, sempre no respeito pelo outro. Em outras palavras, a diversa idéia de Igreja que têm as comunidades nascidas da Reforma, faz com que _ elas mesmas _ em seus documentos, sublinhem essa diversidade em relação à Igreja Católica. Portanto, é justo respeitar essa autoconsciência de diversidade e exprimi-la também com uma terminologia diversa.”

P. Desde o início de seu pontificado, Bento XVI invocou um diálogo ecumênico que caminhasse sobre os trilhos paralelos da verdade e da caridade. Este documento se insere nesse quadro?

Dom Bruno Forte:- “Sim, se insere, justamente porque evidencia uma distinção fundamental, relativa ao conceito de Igreja, que é preciso, peremptoriamente, não ignorar, sob pena de transformação do ecumenismo num irenismo fácil, que não beneficia ninguém. Evidencia também o valor do diálogo da caridade, porque retoma a idéia da “Lumen gentium” (Constituição dogmática sobre a Igreja, ndr), onde ela afirma que a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica subsiste na Igreja Católica, sob a guia do Sucessor de Pedro e dos bispos, em comunhão com ele. Usando aquele “subsistit in“, ou seja, aquele “subsiste” e retomando o seu valor, este esclarecimento doutrinal quer nos recordar as razões pelas quais o Concílio Vaticano II preferiu o termo “subsistit in” ao invés da simples afirmação “est”. Se o documento conciliar tivesse dito que a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica “é” a Igreja Católica, guiada pelo Sucessor de Pedro e pelos bispos, em união com ele, tratar-se-ia da mera afirmação de uma identidade que excluía, fora da comunhão católica, todo outro grau de comunhão, toda presença real dos meios da graça.”
P. Dom Bruno, o senhor sublinha que o papa faz referências constantes ao Concílio Vaticano II. Todavia, algumas críticas ao Motu proprio “Summorum Pontificum” afirmam que Bento XVI quer retroceder ao período pré-conciliar. No entanto, por exemplo, na sua carta aos católicos chineses, o papa não menciona sequer um documento anterior ao Concílio…

Dom Bruno Forte:- “Estou convencido - baseado nas afirmações feitas pelo papa, desde o início de seu pontificado - de que toda a orientação de fundo, de sua mensagem às Igrejas e ao mundo, segue a linha do Concílio Vaticano II. E foi o que o papa reiterou também nestes recentes documentos. Também no documento relativo à celebração da santa missa segundo o Missal de São Pio V, Bento XVI sublinha, com muita clareza, o valor indiscutível do Concílio Vaticano II e da Liturgia renovada por ele, e considera esta, a forma ordinária da Liturgia da Igreja. Não vejo nesse documento nenhuma forma de traição do Concílio e quem assim o interpretasse, cairia no mesmo erro dos seguidores de Dom Marcel Lefèbvre, que sempre declararam abertamente, rejeitar a autenticidade doutrinal do Concílio Vaticano II.” (AF)Fonte: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=144810 - 14/07/2007