Muitas pessoas dizem que estão em crise de fé

Quando só Deus é a resposta. Todos nós passamos por momentos difíceis na vida, nessas horas parece que ninguém tem resposta para nós, só Deus; mas, muitas vezes, não O escutamos.

Muitas pessoas dizem que estão em crise de fé; isso acontece porque muitas vezes baseamos a nossa fé em nós mesmos. Nossa fé precisa estar em Jesus Cristo e na sua Igreja. A nossa fé é coisa séria, nossa Igreja existe há mais de dois mil anos, por isso é algo sólido. Se você não quer se basear na sua fé, creia na Igreja. ‘Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações’ (Atos dos Apóstolos 2, 2). Continue lendo…

A verdadeira religião consiste em amar de verdade

Estamos vivendo o Tríduo Pascal, nos aproximando da Páscoa. Se Jesus não tivesse ressuscitado, estaríamos perdidos, e como diz São Paulo: “seria vã a nossa fé!”

Em João 13, 1 está escrito: “Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim”, pois a crucificação era a morte mais vergonhosa que se podia experimentar naquele tempo. Não existia morte pior. Jesus nos ensina, com essa dor, que Ele sofreu por amor a nós. Muitas vezes, só procuramos o Senhor por causa das curas que Ele realiza, e nos perguntamos se Deus realmente nos ama por permitir que soframos assim. Quando olhamos para a cruz encontramos respostas para a nossa pergunta. Continue lendo…

Os santos ensinam, com unanimidade, que o caminho da santidade é “fazer a vontade de Deus”. Isto nos santifica porque nos conforma com Jesus, o modelo da santidade, que, acima de tudo queria fazer a vontade de Deus em todo tempo.
A Encarnação foi a maneira que Jesus encontrou para, como Homem, fazer perfeitamente a vontade de Deus, que Adão não quis fazer, e assim anular o seu pecado.
A vontade de Deus nem sempre não coincide com a nossa. E aí está o primeiro passo para amar a Jesus: abdicar do que nós queremos, para fazer o que Ele quer. É o que São Paulo chamava de “a obediência da fé” (Rm 1,5), sem o quê é “impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), já que o “justo vive pela fé” (Hab 2,4; Rm 1,17).
O profeta Isaías disse:
“Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55, 8-9).
A lógica de Deus é diferente da nossa porque Ele vê todas as coisas, perfeitamente, enquanto a nossa visão é míope e limitada. É como se olhássemos a vida como um belo tapete persa, só que pelo lado do avesso.
Não podemos duvidar de que a vontade de Deus para nós “seja a melhor possível”, mesmo que seja incompreensível no momento.
O que mais agrada a Deus é trocarmos, consciente e livremente, a nossa vontade pela d’Ele, porque Isto é prova de muita fé, concreta. Quando damos esse passo, Ele substitui a nossa miséria pelo seu poder. Portanto, é preciso a cada dia, a cada passo, em cada acontecimento da vida, fazer esse exercício contínuo de aceitar a vontade do Senhor, que sabe o que faz.
São Bernardo, doutor da Igreja (†1153) disse: “Se os homens fizessem guerra à vontade própria, ninguém se condenaria”.  Este é o segredo para se abandonar aos desígnios de Deus: ele é Pai, ele nos ama, ele quer só o nosso bem, por mais adversas e incompreensíveis que sejam a situação que vivemos. Ele está no leme do barco da nossa vida. É preciso confiar!
Deus é o maquinista do trem da nossa vida, por isso não precisamos nos preocupar com a nossa sorte. O salmista diz: “Confia ao Senhor a tua sorte, espera Nele: Ele agirá” (Sl 36,5).
“Mas eu Senhor, em vós confio… meu destino está em vossas mãos” (Sl 30,15-16)
Santo Afonso de Ligório (†1787), doutor da Igreja, resumia tudo dizendo: “Fazer o que Deus quer, e querer o que Deus faz”.
São Paulo insistia nisso; dar graças a Deus em  tudo é o que alegra ao Senhor, pois é o melhor testemunho de fé que lhe damos. Esta atitude consciente elimina a tristeza da nossa vida, arranca de nós o mau humor, a impaciência, a grosseria com os outros e a perigosa lamentação.
É nessa perspectiva que S. Paulo dizia: “Ficai sempre alegres, orai sem cessar. Por tudo dar graças” (1Tes 5,16).
Não seremos felizes de verdade e não teremos paz duradoura, sustentada, enquanto não nos rendermos à santa e perfeita vontade de Deus.
“Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos!…  O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com nada; mas apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças. Então a paz de Deus, que excede toda a compreensão, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus” (Fil. 4, 4-7).
O santo vive na paz e na perene alegria, embora caminhando sobre brasas muitas vezes. São João Bosco dizia que “um santo triste é um triste santo”, e o seu discípulo, S. Domingos Sávio, dizia que a santidade consiste em “cumprir bem o próprio dever e ser alegre”.
São Paulo perguntava: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8,31). E o Apóstolo explicava a razão dessa esperança: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho (…) como não nos dará com Ele todas as coisas“? (8,32).
É nessa mesma fé e esperança que o santo vive; a cada instante repetindo para si mesmo aquela palavra do Senhor: “Não vos preocupeis por vossa vida… Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos?… São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais  de tudo isso” (Mt 6,25-32).
Jesus ensina o que é essencial: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça” (6,33), isto é, fazer a vontade de Deus.
Também conosco será assim; é nos momentos mais difíceis da vida, nas crises de toda espécie, que temos a oportunidade de fazer a vontade de Deus da melhor maneira; especialmente quando Deus nos pede beber o cálice da amargura. O que fazer? Correr, fugir?
A vontade do Pai deve ser perfeitamente realizada na terra como é no céu. Quando isto acontecer, então o Reino dos céus acontecerá na terra plenamente.
Na última Ceia Jesus disse a seus apóstolos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Quem não luta para guardar os Mandamentos de Deus, não ama a Deus. É por amor a Jesus que devemos amar os Mandamentos e não pecar. Eles são o caminho da conduta moral que nos leva à perfeição querida por Deus.
Infelizmente, em nossos dias, os homens querem fazer a própria moral e não mais viver a moral que Deus nos deu. É o que nos tem dito o Papa Bento XVI, “a ditadura do relativismo”: cada um faz a moral e a doutrina que quer; como se Deus não existisse e não tivesse revelado suas leis; e quem não aceita esta “nova mentalidade”, é, então, taxado de retrógrado, obscurantista e atrasado. É uma verdadeira ditadura do homem contra Deus. É como se a verdade não existisse e o bem fosse igual ao mal.

Prof. Felipe Aquino

Numa visão antiga, que vem sendo muito retomada nos últimos tempos, é a ideia de que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida. O que está claro é que a vida humana vive de altos e baixos, de alegrias e sofrimentos, o que constitui um mistério.

Pensando bem, não há explicação para o sofrimento. Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre. Nos evangelhos entendemos que Jesus cura quem sofre, mostra que Deus conhece o sofrimento do humano por dentro e o assume até o fim.

Falar de prosperidade é ater-se a uma vida sem sofrimento, de mirar para alvo que só ocasiona gozo e alegria. Esta pode ser uma visão cristã da vida, isto é, prosperidade significando intimidade com Deus, realizando o maior de todos os mandamentos, o amor.

É contra os princípios do evangelho ancorar-se na artimanha da prosperidade, para ferir a liberdade das pessoas, extorquindo delas bens materiais. Pior ainda quando isto é feito em nome de Deus. Isto passa a causar a queda de quem é “fraco na fé”.
O anúncio da Palavra de Deus pode estar cheio de ambiguidades, carregado de atitudes escusas. Ela pode ser instrumentalizada para atender aquilo que não favorece o bem comum. Deixa de ser uma Palavra de gratuidade e de transformação.

A Palavra de Deus é fonte de prosperidade espiritual. Ela aciona os corações e as mentes para a liberdade e abertura ao verdadeiro bem. Não pode ser “privatizada” para bens materiais e enriquecimento ilícito, explorando a sensibilidade das pessoas.
Não podemos ver nas doenças e sofrimentos um castigo. Aí acontece a manifestação do mistério divino. Sabemos que muitos sofrimentos são provocados por imprudências, vícios e atitudes irresponsáveis. Normalmente, o egoísmo aumenta o sofrimento.

É violência enganar as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um sentimento de culpa. Muitos se perguntam: que fiz de errado? Por que mereci isto? O importante é dar sinais do amor de Deus, que é nosso Pai.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto (SP)

A Igreja nos ensina que na eternidade em Deus nossa atividade será louvá-Lo, sem cessar. Citando santo Inácio de Loyola, o Catecismo sempre ensinou que este será o gozo da nossa alma . Na oração Sacerdotal , antes de sofrer a Paixão, Jesus orou assim: “A vida eterna consiste em que Te conheçam a Ti , um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste.”(Jo 17,3). Então, a vida eterna consiste em “conhecer” e “louvar” a Deus.
Não é possível louvar a Deus sem conhecê-Lo. Mas este conhecimento de Deus não é apenas teológico, mas principalmente pela comunhão e participação de sua vida divina.
Ao contemplar a grandeza ou a beleza de suas obras, todas feitas para nós, com amor, sabedoria e perfeição, nosso coração exulta e nossos lábios cantam como o salmista. Os 150  Salmos são a expressão de um coração apaixonado pelo seu Deus, e que exprime em prosas, versos, canções, gritos e júbilos, toda a sua alegria e todo o seu amor ao Criador.
Assim, o louvor é a expressão primeira e necessária de todo aquele que crê. O salmista quer que tudo e todos, sem cessar, em todo o tempo e lugar, cantem as glórias do Senhor. O último dos salmos expressa essa “explosão” de louvor:
” Louvai o Senhor em seu santuário,
Louvai em seu majestoso firmamento.
Louvai-o por suas obras maravilhosas,
Louvai-o por sua majestade infinita.
Louvai-o ao som da trombeta,
Louvai-o com a lira e a cítara.
Louvai-o com tímpanos e danças,
Louvai-o com a harpa e a flauta.
Louvai-o com símbolos sonoros,
Louvai-o com símbolos retumbantes.
Tudo o que respira louve o Senhor” (Sl 150).
É maravilhoso esse “tudo o que respira louve o Senhor”!
A Liturgia faz eco a essas palavras dizendo:
“Na verdade, Vós sois santo, ó Deus do universo, e tudo o que criastes proclama o vosso louvor…” (Or. Eucarística III)
Deus, por sua onipotência, onisciência, onipresença, perfeição, majestade, eternidade,… tem direito de receber de todas as suas criaturas o louvor permanente, por uma razão muito simples, foi Ele quem as criou; isto é, as tirou do nada. Por isso dizia São Tomás que “quanto mais nos afastamos de Deus, mais nos aproximamos do nada.”
O louvor é, portanto, a necessidade da alma que reconhece a grandeza do seu Criador, e agradece as suas maravilhas.
Maria, a “serva do Senhor”, soube expressar muito bem esta realidade:
“Minha alma engrandece o Senhor,
Meu espírito exulta de alegria em Deus meu salvador”.
Quando louvamos o Senhor, conscientemente, do fundo da alma, não apenas com os lábios, nossa alma sintoniza com Deus, e todas as suas faculdades são ordenadas, harmonizadas e pacificadas. Por isso, diz a Liturgia: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças e bendizer-Vos, Senhor, Pai santo, fonte da verdade e da vida…” (Prefácio – o dia do Senhor).
Deus não precisa do nosso louvor, nós é que  precisamos louvá-Lo, a fim de fazermos comunhão com Ele, e nos enriquecermos dos seus dons. É ainda a Liturgia que nos ensina que: “se louvar a Vós, nada acrescenta à Vossa Majestade, no entanto contribui para a nossa santidade…”.
E ainda: “É justo e nos faz todos ser mais santos louvar a Vós, ó Pai, no mundo inteiro, de dia e de noite, agradecendo com Cristo…” (Or. Euc. V)
Agostinho de Hipona dizia que “Ser sábio é tudo dirigir ao louvor de Deus”. E afirmava ainda que; “Ainda que não se possa dizer coisa alguma digna de Deus, Ele admite o obséquio da voz humana e quer que nos rejubilemos com nossas próprias palavras ao louvá-Lo.” E ensinava aos seus discípulos dizendo:
“Nossa meditação é uma espécie de treino no louvor do Senhor. Se a felicidade da vida futura consiste em louvar a Deus, como poderemos louvá-Lo se não fomos treinados? Louva e bendiz ao Senhor todos e em cada um dos teus dias para que quando venha esse dia sem fim, possas passar de um louvor a outro sem esforço.”
Como não podemos passar o dia em louvor, apenas com os lábios, por causa das atividades, Deus nos deu uma outra maneira de louvá-Lo: cumprindo bem a sua vontade em tudo o que devemos fazer. Assim, tudo será dirigido para a Sua glória.
Podemos louvar a Deus com os lábios e com a vida. Santo Agostinho dizia : ” Vou te dar um meio de louvar a Deus o dia inteiro, se o quiseres. Tudo o que fizeres, faze-o bem e terás louvado a Deus.”
São Paulo nos ensina a fazer tudo com a reta intenção de louvar a Deus:
“Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. (1Cor 10,31)
Isto deixa claro que não devemos louvar a Deus somente com palavras, mas também com a vida.
O apóstolo ainda insiste aos colossences:
‘Tudo o que fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (Cl 3,17).
“Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens…” (Cl 3,23)
Esta é a mais bela maneira de louvar a Deus: cumprir bem a sua vontade. “Fazer o que Deus quer, e querer o que Deus faz”, dizia Santo Afonso de Ligório.
Trabalhar bem, honestamente, fazendo tudo com diligência, capricho, eficiência, sem preguiça e sem murmuração, mesmo entre suores ou lágrimas, é uma belíssima maneira de também louvar a Deus, desde que tudo seja feito por seu amor. Por isso dizia São Bento: “Ora et labora”.
Jesus disse: “Brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5, 16)
Portanto, o Pai é glorificado quando os outros observam as nossas “boas obras”, e não apenas nosso louvor oral.
De nada vale louvar a Deus com os lábios e ser um preguiçoso, relapso nos serviços do seu estado, ou displicente na sua profissão. Pouco vale louvar a Deus com os lábios se não o louvar com a vida. Por isso dizia o grande santo de Hipona: “Canta com os lábios, canta com o coração, canta com a vida.”
Quando Jesus terminou sua missão, antes de sofrer a Paixão, disse ao Pai: “Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer.” (Jo 17,4)

Prof. Felipe Aquino

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