bandeira-do-brasil-oficial-150x100-copa-do-mundo-2014-14382-MLB4549852241_062013-FO sistema político do Brasil é um dos grandes problemas de nossa democracia. Do jeito que ele funciona estimula a corrupção, fazendo com que mesmo os bons candidatos acabem muitas vezes sendo corrompidos por causa do sistema. Como assim? Vamos explicar.

Um dos problemas é o tamanho do Brasil e de cada Estado. Em São Paulo, por exemplo, temos cerca de 600 municípios, o que significa que um candidato a deputado tem de trabalhar em todos eles para publicar sua candidatura e fazer sua campanha. Ora, se o período de propaganda eleitoral é de mais ou menos 60 dias, então, o candidato tem de percorrer cerca de 10 cidades por dia, contando sábados, domingos e feriados. Sem falar das grandes cidades onde ele certamente gastará muito mais de um dia.

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Fala-se hoje falsamente em nome da laicidade

Cristo ensinou “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, isto é, o Estado e a Igreja têm atividades diferentes e devem atuar conjuntamente para o bem do povo. O Estado é laico, quer dizer, não professa uma religião específica, mas deve incentivar o valor religioso, que faz parte da grandeza e da dignidade do homem. Continue lendo…

Os papas têm insistido para que os católicos participem da vida pública, sem medo, com reta intenção de buscar o bem comum, e não o seu interesse particular ou o de algum grupo.

A Gaudium et Spes (n. 75), diz: “Lembrem-se portanto todos os cidadãos ao mesmo tempo do direito e do dever de usar livremente seu voto para promover o bem comum. A Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública a serviço dos homens e assumem os trabalhos deste cargo.” Continue lendo…

O poeta Olavo Bilac dizia que “a praça pertence ao povo assim como os céus pertencem ao condor”.
Nenhuma mídia supera ainda o povo nas ruas exigindo seus direitos desde que cumpra seus deveres. A corrupção no Brasil extrapolou todos os limites imaginários. Como dizia o Pe. Antonio Vieira, “conjuga-se o ver roubar em todos os tempos, modos e pessoas”.
A impunidade se tornou tão lamentável que o roubo e a corrupção são estimulados já que ninguém é punido. Desde o mensalão, os dólares nas cuecas, os maços de dinheiro colocados nos paletós – e devidamente filmados – …tudo é permitido, muitas vezes denunciados pela Imprensa, mas ninguém é punido. O governo se limita num jogo de cena substituir os ministros dos transportes, da agricultura, do turismo, mas tudo continua no mesmo. Quem foi punido? Quem foi para a cadeia? Digam os nomes. A copa do mundo promete um mar de lama…
Um editorial da  REVISTA VEJA  (27/7/2011) – intitulado “CADÊ A INDIGNAÇÃO” diz que “o relatório da maior investigação já realizada pelo Tribunal de Contas da União sobre o sistema de compras do governo federal, esquadrinhou 142.000 contratos do governo Lula, envolvendo gastos totais superiores a 100 bilhões de reais. Os auditores encontraram mais de 80.000 indícios de irregularidades que foram catalogadas em sete modalidades principais de fraude.”
A Folha de SP (4/9/11) denunciou que “Na última década, estima-se que ao menos R$ 6 bilhões desapareceram por ano no caminho que leva os recursos federais de Brasília para os municípios”. E na matéria especial sobre a corrupção diz que “Governo não sabe para onde foi o dinheiro de 1.641 convênios assinados desde 2007”. Não sabe e parece não querer saber.  E mais: “MAIORES CASOS DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA RECENTE SE ARRASTAM ATÉ 20 ANOS NA JUSTIÇA”. Um país onde  a Justiça humana não funciona de fato.
Na Índia, Anna Hazare, comparado a Gandhi, fez jejum 12 dias, o povo foi para as ruas e obrigou o Parlamento indiano a tomar sérias medidas contra a corrupção. E no Brasil? Por que o povo ainda não foi para as ruas ainda, ordeiramente? Será por que os políticos corruptos não deixam? Será por que as ONGs que mamam nas tetas do governo não estimulam? Por que os movimentos sociais estão satisfeitos com as verbas do governo? Por que a UNE – União Nacional dos Estudantes – esta´ anestesiada com as benesses que recebe do governo para seus congressos e festas? Por que o povo alienado da política e da cultura, e enganado, está satisfeito com o pão e o circo dos imperadores?
Quaisquer que sejam os motivos que impedem uma ação popular, organizada, madura e ordeira, com o povo nas ruas, exigindo respeito pelo bem público e pelo dinheiro dos impostos – cada vez mais escorchantes -, a única maneira de quebrar a corrupção institucionalizada nos órgãos dos governos, será uma forte manifestação da opinião pública.
O Brasil não pode se tornar uma nação amorfa como Cuba que aceitou calada uma ditadura cruel por mais de cinquenta anos. A Índia é melhor exemplo.
No 7 de Setembro começaram as manifestações públicas, e elas precisam crescer, até que os corruptos comecem a perceber que não é só no Oriente que o povo está indo para as ruas contra os ladrões do povo…
O carro de som da manifestação em Brasilia cantava: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.” Era o samba “Reunião de Bacana” que deu o tom das passeatas contra a corrupção, que pipocaram em várias capitais no Sete de Setembro.
Chegou a hora da verdadeira independência do Brasil; se libertar dos corruptos, dos ladrões do povo, daqueles que roubam o dinheiro dos hospitais, dos doentes, dos pobres, das crianças, da casa do povo, da boa escola, da segurança, dos investimentos que o país precisa.

Prof. Felipe Aquino

Reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB, de 02 a 11 de abril de 2008, em Itaici, os nossos Bispos emitiram, em 09 abr 2008, uma necessária e oportuna Declaração sobre as eleições de 05 de outubro deste ano.

Entre outras coisas nossos Pastores destacaram que os cidadãos e as comunidades da Igreja têm na política um amplo campo de atuação. “A tradição da Doutrina Social da Igreja considera a participação na política uma forma elevada do exercício da caridade – uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço do próximo”.

Eles lembram que “no município, a política pode atender às necessidades concretas da população: saúde, educação, segurança, transporte, moradia, saneamento básico e outras e que o Poder local tem sido ainda mais valorizado através das Redes Intermunicipais pelo intercâmbio de experiências – sinais de esperança no mundo planetário”.

Lembram os nossos Bispos que “o voto depositado na urna exige dos eleitores/as e dos eleitos/as um compromisso com a consolidação da democracia… Os eleitores/as são convidados a acompanhar os eleitos/as no cumprimento de sua missão e a valorizar os que atuam com critérios éticos”.

Nossos Pastores lembram que “A cultura da corrupção perpassa as malhas da nossa história política. A corrupção pessoal e estrutural convive com o atual sistema político brasileiro e vem associada à estrutura econômica que acentua e legitima as desigualdades. É relevante e urgente aplicar com empenho a Lei 9.840, em decorrência da qual já foram cassadas em torno de 600 pessoas. Esta lei ajuda a assegurar a lisura das eleições na campanha eleitoral. Para tanto, queremos valorizar os Comitês contra a corrupção eleitoral. Também apoiamos o Projeto de Lei de iniciativa popular, complemento à Lei 9.840, proibindo candidatura de quem já foi condenado em primeira instância”.

E os nossos Bispos terminam a Declaração colocando os critérios a serem observados para se dar o voto a um candidato:

“Propomos critérios para a votação: respeito ao pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos/as; e defesa da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias. Consideramos qualidades imprescindíveis para os candidatos/as: honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada por seu histórico de vida. Para tanto, reafirmamos o Documento de Aparecida ao “apoiar a participação da sociedade civil para reorientação e conseqüente reabilitação ética da política” (n. 406).

Além disso a CNBB quer colher 1,2 milhão de assinaturas a favor da ética na política. Ela lançou  uma grande iniciativa popular que pretende se tornar um projeto de lei a favor da ética na política. A idéia do novo projeto de lei popular surge na seqüência da Lei 9.840, promulgada em 1999 quando um milhão de brasileiros subscreveram a iniciativa que hoje combate a compra de votos e o uso da máquina administrativa nas eleições no país.

O novo projeto tornaria inelegíveis, durante os trâmites do processo, os políticos condenados pela Justiça em primeira instância. Os políticos processados diretamente pelo Ministério Público também estariam impedidos de ir às urnas enquanto aguardam julgamento. Prevê ainda a inelegibilidade dos políticos que vierem a renunciar de seus cargos públicos para escapar de possíveis punições por quebra de decoro. «Na base da nova iniciativa está a idéia de que os que respondem a processos criminais por delitos graves devem ser afastados temporariamente da vida política até que solucionem seus problemas judiciais», disse Dom Geraldo Lyrio.

Na base do novo Projeto de Lei de iniciativa popular está o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, uma rede de entidades da sociedade, da qual fazem parte a CNBB e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outras instituições.

Todos os católicos e as pessoas de boa vontade devemos nos unir aos nossos Bispos, com o apoio especialmente de todos os meios de comunicação cristãos (Tvs, rádios, jornais, revistas, internet…) para que esse Projeto se realize. Somos profundamente gratos aos nossos Bispos pelas iniciativas oportunas em favor do povo brasileiro tanto na defesa da vida contra o aborto, manipulações de embriões, etc., quanto na luta contra o flagelo da corriupção.

Fonte: ZP08040912 – 09-04-2008 http://www.zenit.org/article-18082?l=portuguese

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br