O DOMINGO DA MISERICÓRDIA

Filed under: Sacramentos — Prof. Felipe Aquino at 3:30 am on Sunday, March 30, 2008

 

Através de um Decreto de 23.05.2000, da Sagrada “Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos”, foi modificada a denominação do Segundo domingo de Páscoa para “Segundo Domingo de Páscoa ou  Domingo da Divina Misericórdia”, com a aprovação do Papa João Paulo II. 

O motivo desta modificação, sem dúvida, está ligada às revelações de Jesus a Santa Faustina Kowalsca, polonesa beatificada e canonizada pelo Papa João Paulo II. 

Neste Segundo domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia,  é celebrada a Instituição do Sacramento da Penitência, ou Confissão, pelo próprio Jesus em sua aparição aos Apóstolos no dia (Domingo) da Ressurreição. O evangelista São João, testemunha ocular dos fatos narra: “Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco! Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” (Jo 20,19-23). 

Infelizmente a maioria das pessoas quando lêem este trecho do Evangelho, ficam sensibilizadas com o episódio da narração da descrença de São Tome, que vem logo em seguida, e acabam às vezes se esquecendo do mais importante: a Instituição da Sagrada Confissão. Ora, Jesus tinha acabado de conquistar com sua gloriosa Paixão, Morte e Ressurreição, a vitória sobre o pecado e a morte, sobre o inferno e Satanás, e agora estava ansioso para distribuir através da Sua Igreja, por meio dos Seus Apóstolos, a copiosa Redenção conquistada com Sangue. Antes mesmo do dia de Pentecostes, Jesus já dá o Espírito Santo aos Apóstolos, para que desde aquele momento, sem perda de tempo, distribuíssem ao mundo o perdão dos pecados que Ele conquistou, como “o Cordeiro de Deus (Agnus Dei) que tira o pecado do mundo”  (Jo 1, 29). 

O Sacramento da Confissão é a aplicação imediata a cada cristão da copiosa Redenção que Jesus conquistou para toda a humanidade. É o momento em que o Seu Sagrado Coração se dilata de amor e misericórdia para com qualquer pecador arrependido que venha a Ele pedir perdão. No Sacramento o sacerdote nos perdoa “em Nome de Cristo” e pela autoridade que Ele conferiu somente à Igreja Católica. A fórmula da absolvição que o Sacerdote da Igreja latina usa,  exprime os elementos essenciais deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo perdão. Ele opera a reconciliação dos pecadores pela páscoa de seu Filho e pelo dom de seu Espírito, através da oração e ministério da Igreja: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

 

Leia o que grandes Padres da Igreja disseram sobre este Sacramento: 

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona, doutor da Igreja: 

“Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de uma libertação eterna. Rendamos graças a Deus que deu à Sua Igreja um tal dom”.      “Fazei penitência, como é costume na Igreja, se quereis que ela ore por vós. Ninguém diga – eu faço penitência secretamente diante de Deus. Ele sabe-o e perdoa-me, porque faço penitência em meu coração… Poderemos nós anular o Evangelho e a palavra de Cristo?” 

 

       São Leão Magno (400-461), Papa e doutor da Igreja: 

 

“Deus em sua infinita misericórdia, preparou dois remédios para os pecados dos homens: o batismo e a penitência. Pelo batismo nascemos para a vida da graça; pela penitência recuperamo-lo, se tivermos a infelicidade de perdê-la. Todo cristão, portanto, deve examinar a sua consciência, não adiando dia a dia a sua conversão. Ninguém espere satisfazer a justiça de Deus na hora da morte. É um perigo para os fracos e ignorantes adiar a sua conversão para os últimos dias de sua vida.” 

São Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja: 

“Os  Apóstolos  receberam, pois, o Espírito Santo para  desligar  os  pecadores da cadeia dos seus pecados. Deus  fê-los  participantes  do seu direito de julgar; e eles julgam em Seu Nome e em Seu lugar. Ora, como  os  bispos  são os sucessores dos Apóstolos têm o mesmo direito”.“O  pecador, ao confessar sincera e contritamente os seus pecados, é como Lázaro: já vive, mas está ainda ligado com as ataduras de seus pecados. Precisa  de  que  o  Sacerdote lhas corte; e corte-lhas absolvendo-o”. 

O Catecismo da Igreja ensina que: §1446 – “Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores de sua Igreja, antes de tudo para aqueles que, depois do Batismo, cometeram pecado grave e com isso perderam a graça batismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de converter-se e de recobrar a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como “a Segunda tábua (de salvação) depois do naufrágio que é a perda da graça”. 

A Igreja ensina que não há pecado, por mais grave que seja, que não possa ser perdoado na Confissão Sacramental, desde que o pecador esteja arrependido e se confesse com o propósito de abandonar o erro.  

Por isso, neste Segundo domingo de Páscoa, o da Divina Misericórdia, o Coração de Jesus, está mais aberto ainda, para acolher e perdoar os pecadores arrependidos. Não deixe para acertar as suas contas com Deus na eternidade, faça isso já, aqui e agora, é muito mais fácil, porque neste tempo a Misericórdia supera a Justiça.  

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você sabe o que são os Sacramentos?

Filed under: Sacramentos — Prof. Felipe Aquino at 10:00 pm on Wednesday, December 5, 2007

Jesus Cristo redimiu o mundo com a Sua Morte e Ressurreição, e instituiu a Santa Igreja, Seu Corpo Místico, para levar a salvação por Ele conquistada, a todos os homens de todos os tempos e lugares, até que Ele volte para encerrar a História, na Parusia, e julgar a humanidade. Ele deu a seus Apóstolos, hoje os nossos Bispos, a missão de levar a salvação a toda a humanidade, pela pregação do Evangelho e celebração dos Sacramentos.

Por isso o Concilio Vaticano II chamou a Igreja de “Sacramento universal da salvação” (LG 4). Ela é o braço estendido do Cristo na História dos homens. Quando a Igreja nos alcança, é Cristo que nos alcança; quando a Igreja nos batiza, é Cristo mesmo que nos batiza; quando a Igreja nos perdoa pela Confissão, é Cristo mesmo que nos perdoa…; isto é, a Igreja é a portadora e administradora da salvação, através dos Sete Sacramentos que ela ministra em nome de Jesus.

Os Sacramentos são os canais por onde flui a salvação de todos os homens, que Cristo conquistou com a Sua Morte e Ressurreição. Eles se relacionam intimamente com Cristo, com a Igreja e com toda a Liturgia. Há em todos eles um denominador comum, que é o conceito de sinal (seméion, em grego) eficiente ou sinal que realiza o que ele assinala. A santíssima humanidade de Cristo é o grande sinal eficiente, transmissor da graça; também a Igreja, como Corpo de Cristo prolongado na história dos homens (cf. Cl 1, 24) e a Liturgia, com seus ritos sagrados, continuam essa função. Cristo toca o cristão pelos Sacramentos não apenas de maneira psicológica ou afetiva, mas de uma forma concreta.

Os Sacramentos são esses sinais comunicadores da graça divina.Por isso o cristão não pode ficar sem os Sacramentos. O Cristianismo não é apenas uma filosofia religiosa, mas é uma comunhão de vida com o próprio Deus da maneira que Ele estabeleceu, especialmente pelos Sacramentos.Todo Sacramento é um sinal, que não apenas assinala, mas que realiza o que assinala; assim, a água do Batismo indica a purificação da criança e a realiza. Os Sacramentos dão continuidade à santíssima humanidade de Cristo, que assinalava e realizava a salvação dos homens. Por isso a Igreja (Corpo de Cristo prolongado) com os sete Sacramentos formam como que “o Grande Sacramento - a ordem sacramental através do qual a vida eterna do Pai flui até cada indivíduo em particular” (E. Bettencourt).

Cada Sacramento consta de matéria (água, pão, vinho, gestos…) e forma, que são as palavras proferidas sobre a matéria, declarando o sentido da mesma: “Eu te batizo…; Isto é o meu Corpo…” Os Sacramentos são sinais visíveis porque o ser humano é formado de corpo e alma; ele passa do visível ao invisível. Aristóteles († 322 a.C.) dizia que: “Nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos”. É pelos sentidos que ele aprende.Tertuliano († 220 ) dizia que: “A carne (o corpo) é o eixo da salvação. Lava-se o corpo a fim de que a alma seja purificada; unge-se o corpo a fim de que a alma seja consagrada… O corpo é nutrido pelo Corpo e Sangue de Cristo, a fim de que a alma se alimente de Deus… Não podem, pois, ser separados na recompensa, já que estão unidos nas obras da salvação” (Sobre a Ressurreição da Carne 8 PL 2, 852).

Os Sacramentos agem “ex opere operato”, quer dizer, pela força do próprio rito, independente da santidade do ministro; em outras palavras, é Cristo quem ministra todo e qualquer Sacramento, pois Ele é o único sacerdote do Novo Testamento; os demais ordenados são seus ministros, como disse S. Tomás de Aquino. Se tiverem sido validamente ordenados pela Igreja e ministrarem os sacramentos com a mesma intenção que Cristo fez, então, participam do único Sacerdócio de Cristo e sua ação é eficaz.

Todo sacramento produz dois efeitos: o caráter e a graça santificante. O caráter é uma marca, um selo espiritual que é impresso na alma do cristão pelos três Sacramentos que não podem ser repetidos: Batismo, Crisma e Ordem. Os demais sacramentos imprimem um “quase-caráter”; por exemplo, o vínculo conjugal para os validamente casados.

Esta marca significa uma pertença a Cristo, e não depende das disposições morais da pessoa que recebe o sacramento. Santo Agostinho comparava esta marca com aquela que era impressa nas ovelhas, no gado, e até nos escravos pelos seus donos. Mesmo desertado o escravo continuava com a marca para sempre. A graça santificante comunicada pelo Sacramento é a “participação na vida divina” de que falou S. Pedro (1Pe 1, 4), que a pessoa pode não receber se põe obstáculo a ela. Por exemplo, se alguém comunga em pecado grave, ou se não crê na Eucaristia, mesmo assim recebe o verdadeiro Corpo de Cristo, mas não recebe a graça. Por isso os frutos dos Sacramentos dependem do esforço de conversão da pessoa; das suas disposições interiores.

“Toda a vida litúrgica da Igreja gravita em torno do sacrifício eucarístico e dos sacramentos” (SC,6), disse o último Concílio. Há na Igreja sete sacramentos: o Batismo, a Confirmação ou Crisma, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos Enfermos, a Ordem, o Matrimônio (cf. DS 860;1310;1601).” (Cat. §1113)

Os Sacramentos encerram em si todas as graças que precisamos durante a vida para que a imagem de Cristo seja formado
em nós. Nascemos de nossos pais para uma vida de sofrimentos herdada de Adão; o Batismo nos faz renascer, dando-nos uma vida nova, de filhos de Deus, herdeiros do Céu, passando pela morte e ressurreição de Cristo (Rm 6, 1-11).

Aos poucos a criança atinge a adolescência e se robustece; na vida espiritual recebe o Sacramento da Crisma que lhe dá pelo dom do Espírito Santo, a maturidade espiritual e a força para viver e testemunhar a fé. A cada dia a vida precisa ser alimentada com o pão, mas ele não impede que a morte aconteça; então, Cristo nos dá, pela Igreja, o Pão do Céu, a Eucaristia, que é remédio e sustento para a caminhada, e que nos garante a vida eterna.

As doenças ameaçam o nosso corpo e a nossa vida terrena, também os pecados ameaçam nossa vida espiritual. Temos os remédios para a vida do corpo e Cristo nos dá, pelo Sacramento da Penitência, o remédio que cura a alma. Quando chegamos à vida adulta escolhemos a profissão e o trabalho, e nos preparamos para ele; na vida espiritual seguimos a nossa vocação, para o casamento ou para a vida religiosa. Para realizar bem esta missão Deus nos dá o Sacramento do Matrimônio e da Ordem.

No final da vida, ou na doença grave, quando o sofrimento e até a morte se aproxima, novamente Cristo nos acolhe e prepara para nos curar ou para nos preparar para o desenlace final, acompanhando-nos pelo Sacramento da Unção dos Enfermos.

Assim, os Sacramentos nos acompanham em toda a vida, a fim de que a vida espiritual não pereça, e sejamos felizes sempre na companhia de Cristo, para que possamos chegar “ao estado de homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (cf. Ef 4, 13; 1Cor 2,6).

Do Livro: OS SETE SACRAMENTOS

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br

O que é Cardeal, Bispo, Arcebispo, Cônego, Monsenhor?

Filed under: Sacramentos — Prof. Felipe Aquino at 1:26 am on Tuesday, July 17, 2007

BISPOS, ARCEBISPOS E CARDEAIS

 

Todos são ordenados, no grau máximo do sacramento da Ordem. Todos são bispos, palavra que deriva do grego epíscopos, que significa supervisor. Para chamá-los usa-se o título de Dom, abreviatura do latim dominus, senhor. Com o Papa à frente, os bispos do mundo inteiro formam o Colégio Apostólico, que sucede ao grupo dos apóstolos, os quais tinham a Pedro como seu líder. Assim, a Igreja é guiada pela história afora pelos mesmos pastores escolhidos por Jesus Cristo.

 O Bispo é o pastor da Igreja particular, responsável pelo ensinamento da Palavra de Deus, pela celebração da Eucaristia e demais sacramentos e pela animação e organização dos carismas e ministérios do Povo de Deus. Ele é obrigado a fazer a visita “ad limina  apostolorum” a Roma, e ao Papa, de quatro em quatro anos, quando então apresenta à Santa Sé um relatório de sua diocese e é recebido pelo Papa. Os bispos são, em suas dioceses, o princípio visível e o fundamento da unidade com as outras dioceses e com a Igreja universal. É obrigado pelo Código de Direito Canônico da Igreja a pedir renúncia ao completar 75 anos.  

Arcebispo é o bispo de uma Arquidiocese, o titular da sede metropolitana, que é a diocese mais antiga de uma Província Eclesiástica, que é formada pelo conjunto de diversas dioceses. Ele é responsável pelo zelo da fé e da disciplina eclesiástica e pela presidência das reuniões dos bispos da Província. Mas não intervém diretamente na organização e na ação pastoral das demais dioceses (sufragâneas) da arquidiocese. O arcebispo usa, nos limites de sua Província, durante as funções litúrgicas, como sinal de unidade de sua Província com a Igreja em todo o mundo, o pálio, que lhe é entregue pelo Papa, no dia da festa de S. Pedro e S. Paulo, 29 de junho: uma faixa branca decorada de cruzes pretas que cobre os ombros, confeccionada com a lã de um cordeiro.  

Cardeais são geralmente bispos de importantes dioceses do mundo. Mas também padres ou diáconos podem ser cardeais. São escolhidos pessoalmente pelo Papa, como representantes da Igreja em todo o mundo, para formarem o Colégio dos Cardeais. São responsáveis pela assessoria direta ao Papa na solução das questões organizativas e econômicas da Santa Sé, na coordenação dos diversos Dicastérios (uma espécie de ministério do Vaticano) que compõem o serviço da Santa Sé em favor da comunhão em toda a Igreja e da justiça para com os pobres do mundo todo. São também os responsáveis pela eleição do novo Papa enquanto não completarem 80 anos. A reunião dos Cardeais se chama Consistório e acontece quando o Papa a convoca.  

PADRES, CÔNEGOS E MONSENHORES

 

Pelo sacramento da Ordem, não há nenhuma diferença entre padre, cônego ou monsenhor. Todos são ordenados, no segundo grau desse sacramento. Todos são presbíteros do Povo de Deus.

 Hoje, os títulos de cônego e monsenhor são honorários e não indicam a posse de nenhum cargo ou posição na Igreja. Antes das reformas conciliares, eles formavam o cabido diocesano, para a função de conselheiros do bispo, o governo da diocese durante a vacância e o esplendor das funções litúrgicas na catedral. Hoje, o bispo conta com diversos Conselhos, que são formados por representantes de todo o clero e do laicato. Não contam os títulos, mas a disposição para o serviço comum e comunitário da evangelização. Hoje, cônego e monsenhor são títulos de homenagem e reconhecimento por serviços prestados à Igreja. Além disso, o título de monsenhor é também usado para o padre que foi eleito bispo. Enquanto ele não é ordenado bispo, é chamado de monsenhor.