DUAS MULHERES HERÓICAS
D. Estevão Bettencourt
D. Estevão Bettencourt
Papa João Paulo II1. A perene e coral tradição da Igreja evidencia o modo como a Assunção de Maria faz parte do desígnio divino e está arraigada na singular participação de Maria na missão do Filho. Já no primeiro milênio os autores sagrados se exprimem neste sentido.Testemunhos, na verdade apenas delineados, encontram-se em Santo Ambrósio, Santo Epifânio e Timóteo de Jerusalém. São Germano de Constantinopla (733) coloca nos lábios de Jesus, que Se prepara para levar a Sua Mãe para o céu, estas palavras: “É preciso que onde estou Eu, também tu estejas, Mãe inseparável de teu Filho…” (HomiL 3 in Dormitionem, PG 98, 360).
Além disso, a mesma tradição eclesial vê na maternidade divina a razão fundamental da Assunção. esta convicção encontramos um vestígio interessante em uma narração apócrifa do século V, atribuída ao pseudo-Melitão. O autor imagina Cristo que interroga Pedro e os Apóstolos sobre a sorte merecida por Maria, e deles obtém esta resposta: “Senhor, escolhestes esta Tua serva a fim de que se torne para Ti uma residência imaculada… Portanto, pareceu-nos justo, a nós Teus servos que, assim como Tu reinas na glória depois de teres vencido a morte, Tu ressuscitas o corpo de Tua Mãe e conduze-a jubilosa contigo ao céu” (De transitu V. Mariae, 16 PG 5, 1238). Portanto, pode-se afirmar que a divina maternidade, que tornou o corpo de Maria a residência imaculada do Senhor, se funde com o seu destino glorioso.
2. Num texto rico de poesia, São Germano afirma que é o afeto de Jesus pela sua Mãe que exige a presença de Maria no céu com o Filho divino: “Assim como uma criança procura e deseja a presença de sua Mãe, e como uma Mãe ama viver em companhia de seu filho, assim também para ti, cujo amor materno pelo teu Filho e Deus não deixa dúvidas, era conveniente que tu voltasses para Ele. E, em todo o caso, não era por ventura conveniente que este Deus, que provava por ti um amor deveras filial, te tomasse em Sua companhia?(Homil. 1 in Dormitionem, PG 98, 347). Num outro texto, o venerando autor integra o aspecto privado da relação entre Cristo e Maria, com a dimensão salvífica da maternidade, afirmando que “era necessário que a Mãe da Vida compartilhasse a habitação da Vida” (Ibid., PG 98, 348).
3. Segundo os Padres da Igreja, outro argumento que fundamenta o privilégio da Assunção pode-se deduzir da participação de Maria na redenção. São João Damasceno sublinha a relação entre a participação na Paixão e a sorte gloriosa: “Era necessário que aquela que vira o seu Filho sobre a cruz e recebera em pleno coração a espada da dor… contemplasse este Filho sentado à direita do Pai” (Homil. 2, PG 96, 741). À luz do Mistério pascal, parece de modo particularmente evidente a oportunidade que, com o Filho, também a Mãe fosse glorificada depois da morte. O Concílio Vaticano Il, recordando na Constituição dogmática sobre a Igreja o mistério da Assunção, chama a atenção para o privilégio da Imaculada Conceição: precisamente porque fora “preservada de toda a mancha de culpa original” (LG, 59), Maria não podia permanecer como os outros homens no estado de morte até ao fim do mundo. A ausência do pecado original e a santidade, perfeita desde o primeiro momento da existência, exigiam para a Mãe de Deus a plena glorificação da sua alma e do seu corpo.
4. Olhando para o mistério da Assunção da Virgem é possível compreender o plano da Providência divina relativa à humanidade: depois de Cristo, Verbo encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realiza o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade, prometida aos eleitos mediante à ressurreição dos corpos.Na Assunção da Virgem, podemos ver também a vontade divina de promover a mulher. Em analogia a quanto se verificara na origem do gênero humano e da história da salvação, no projeto de Deus o ideal escatológico devia revelar-se não em um indivíduo, mas num casal. Por isso, na glória celeste, ao lado de Cristo ressuscitado há uma mulher ressuscitada, Maria: o novo Adão e a nova Eva, primícias da ressurreição geral dos corpos da humanidade inteira. Sem dúvida, a condição escatológica de Cristo e a de Maria não devem ser postas no mesmo plano. Maria, nova Eva, recebeu de Cristo, novo Adão, a plenitude de graça e de glória celeste, tendo sido ressuscitada pelo poder soberano do Filho mediante o Espírito Santo.
5. Embora sejam sucintas, estas observações permitem-nos esclarecer que a Assunção de Maria revela a nobreza e a dignidade do corpo humano. Diante das profanações e do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na Sua glória.
Maria entrou na glória porque escutou no seu seio virginal e no seu coração o Filho de Deus. Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da ressurreição. A Assunção, privilégio concedido à Mãe de Deus, constitui assim um imenso valor para a vida e o destino da humanidade.
* L’Osservatore Romano, ed. port. n.28, 12/07/1997, pag. 12(332)
DO Livro: A VIRGEM MARIA - 58 CATEQUESES DO PAPA JOÃO PAULO II - www.cleofas.com.br
Com muita honra e alegria, o Santuário de Fátima recebeu durante a manhã de hoje o Presidente da República de Timor e Prêmio Nobel da Paz, Dr. Ramos Horta. Esta visita a Fátima assume para o Chefe de Estado Timorense as características de uma peregrinação pessoal em agradecimento a Nossa Senhora de Fátima pela proteção que Maria lhe concedeu por ocasião do atentado de que foi alvo no dia 11 de Fevereiro deste ano.
No Livro de Honra do Santuário de Fátima, assinado por ocasião da recepção feita à comitiva timorense pelo Reitor Mons. Luciano Guerra, Ramos Horta escreveu: “É com emoção que venho à Fátima em peregrinação de agradecimento à Virgem Santíssima pela vida que me dá para continuar a servir o meu povo e a humanidade”.
Mons. Luciano Guerra, nas palavras de boas vindas, manifestou a alegria por o Santuário receber tão importante visita do responsável de um país estreitamente unido a Portugal e com tão grande devoção a Nossa Senhora de Fátima.
“Nós acompanhamos com muita emoção e oração tudo o que lhe aconteceu e damos graças a Deus porque pôde restabelecer-se plenamente”, afirmou Mons. Guerra que teceu votos para que Ramos Horta possa continuar a dedicar-se ao seu país, “para que a sua missão possa realizar-se como sempre sonhou”.
Na Capelinha das Aparições, após o primeiro momento de recepção oficial, toda a comitiva timorense se juntou às centenas de peregrinos de várias proveniências que se encontravam naquele lugar. Algumas lágrimas e muitos sorrisos acompanharam o acolhimento feito ao Chefe de Estado e Prêmio Nobel da Paz, quer por timorenses residentes em Portugal quer pelos outros peregrinos, que entenderam publicamente mostrar a consideração que nutrem pelo trabalho e pelo esforço desenvolvido por Ramos Horta em prol da paz.
Conhecemos os esforços que ele fez, de embaixada em embaixada até às Nações Unidas, para que todos pudessem compreender o que acontecia em Timor, acompanhamos a independência, acompanhamos a atribuição do Prémio (Nobel da Paz)”.
D. Ximenes Belo, também ele Prêmio Nobel da Paz, afirmou na ocasião: “Em primeiro lugar saúdo a nossa Mãe de Céu Nossa Senhora de Fátima, que é a mãe dos timorenses”. D. Ximenes Belo explicou que a sua presença neste dia em Fátima se tratou de uma manifestação de solidariedade para com Ramos Horta e também de uma gesto de oração “para que Nossa Senhora o proteja, para que (Ramos Horta) continue a sua missão de paz”.
A caminho da Igreja da Santíssima Trindade e em declarações à Sala de Imprensa do Santuário, Ramos Horta manifestou a sua alegria pela visita a Fátima e divulgou ter sido recebido pela Irmã Lúcia em Julho de 2004. “Terei sido o primeiro e o único timorense a ser recebido pela Irmã Lúcia”, disse.
“Mas o Senhor lhe disse: Vai, porque este homem é para mim um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel. Eu lhe mostrarei tudo o que terá de padecer pelo meu nome” (At 9,15-16).
O Papa Bento XVI abriu o Ano de São Paulo no dia 28 de junho e o encerrará no dia 29 de junho de 2009, em uma celebração na Basílica de São Paulo, fora dos muros antigos de Roma, cuja primeira construção foi do século IV. O Papa deseja celebrar os 2000 anos do nascimento de um dos maiores Apóstolos da Igreja, responsável pela evangelização do mundo greco-romano. São Paulo nasceu por volta do ano 8 e faleceu decapitado pelo imperador Nero no ano 67, na mesma perseguição em que São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.
Tendo em vista este Ano Santo de São Paulo, desejo colocar neste blog várias matérias que possam nos ajudar a conhecer melhor a pessoa e a grande obra do Apóstolo dos Gentios, e a sua grande importância para a Igreja. Neste artigo vamos fazer um resumo das principais viagens de São Paulo.
Por que o Papa instituiu este Ano? Certamente para que o mundo cristão medite sobre a grandeza da obra de São Paulo, e seja animado a fazer o mesmo que o grande Apóstolo fez; isto é, levar Jesus Cristo e o Evangelho até os confins da terra. “Ai de mim se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16). Há hoje um certo esmorecimento no “zelo apostólico”; e até dentro da Igreja há um certo acomodamento no sentido de não se levar o Evangelho a todos os povos da terra, deixando que os mesmos se salvem em suas próprias crenças, dentro de uma mentalidade perigosa de que a salvação está em todas as religiões. É o relativismo religioso que o Papa tem condenado insistentemente. Nada mais oposto ao Evangelho; aceitar isso seria trair radicalmente Jesus Cristo, que instituiu a Igreja para levar a única salvação a todos os povos. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. (At 16, 15-16)
São Paulo (ou Saulo) nasceu na cidade de Tarso na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, era judeu, de família fiel à tradição judaica; seu pai comprou a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente, e ao mesmo tempo tinha a cultura grega, pois se falava o grego em todo o Império Romano; e devia falar também o latim. Essas três características de São Paulo (judeu, romano de cidadania, cultura grega) foram fundamentais para a sua missão de grande evangelizador. Sendo culto e falando o grego pode pregar aos pagãos, discutiu com os filósofos gregos no Areópago de Atenas e lhes pregou Jesus Cristo. Ali Dionísio e Damaris se converteram. “Todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros” (At 17,34).
Sendo cidadão romano, S. Paulo tinha passaporte livre em todo o Império, e exigiu ser julgado por César, em Roma, quando sentiu-se injustiçado em Cesaréia. Sendo judeu, rabino, e falando o hebraico podia pregar nas Sinagogas. Sem dúvida foi um homem de escol escolhido por Jesus na época.
Aos 15 anos de idade seu pai o enviou para a escola de rabinos em Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4; 5,34), e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, e fabricante de tendas.
Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, combatia sem tréguas a “seita” do “Caminho”, e lançava os cristãos nos cárceres. Assistiu e concordou com o apedrejamento de S. Estevão, que morreu rezando por ele. Sem dúvida esta foi a alavanca de sua conversão. O sangue de Estevão realizou o que São Paulo depois ia ensinar aos Romanos: quando se perdoa o agressor, ele se converte. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça (Pr 25,21s)” (Rom 12, 20).
Convertido após o encontro com o Senhor no caminho de Damasco, S. Paulo, no ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1,18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) um tanto decepcionado com o fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Certamente ali Paulo repensou toda a sua vida e ouviu a voz do Senhor com mais clareza. Depois de 5 anos, por volta do ano 43, S. Barnabé, seu primo, que era discípulo de S. Pedro em Antioquia, o levou para lá. Em 44 Paulo e Barnabé são encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, S. Paulo e S. Marcos, evangelista, foram enviados a pregar aos gentios. “Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre”. (At 13,1-3). Esta primeira viagem apostólica durou cerca de 3 anos (45-48). No ano de 49 surgiu a importantíssima questão da circuncisão em Antioquia, então Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja e voltam com Cartas dos Apóstolos afirmando que não era necessária a circuncisão para os pagãos batizados. Assim o cristianismo se tornava de certa forma universal, escapando das amarras judaicas. Isto iria se completar quando S. Pedro na casa de Cornélio batizava os primeiros pagãos abrindo as portas da Igreja e da salvação para o mundo inteiro.
A segunda viagem de S. Paulo foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas Cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras Cartas de Paulo. A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu “as grandes epístolas”, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia, na Palestina. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegou em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta. Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “cartas do cativeiro” (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até a Espanha, “os confins do mundo” (Rom 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66. Colocou Tito como bispo de Creta e Timóteo em Éfeso.
Foi novamente preso no ano 66, no oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 na perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. Deixou-nos 13 Cartas.
Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
A imprensa denunciou que um estudo que pretende usar células tronco adultas para curar a diabetes tipo 1, está paralisado há dois anos em um departamento do Ministério de Saúde. (www.acidigital.com – 22.julho.2008)
Segundo fontes pró-vida, o lobby de quem aposta pelo uso das células tronco embrionárias – cuja obtenção implica a destruição de seres humanos – estaria bloqueando um eventual êxito na investigação com células adultas.O periódico “Gazeta” de Ribeirão Preto informou que o estudo está paralisado na Comissão de Ética em Investigações do Ministério de Saúde em Brasília, que ainda não dá luz verde aos experimentos.
A investigação seria conduzida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo e é uma iniciativa da equipe de transplante de células tronco da FMRP, Hemocentro e o Hospital das Clínicas.Segundo um dos investigadores, o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, o procedimento que quer provar é revolucionário, econômico e daria maior comodidade aos pacientes de diabetes tipo 1. O tratamento se apóia no uso de células tronco adultas e não embrionárias, que regeneram o pâncreas e impedem que o sistema imunológico as rejeite.
“É uma lástima que tanto se demorem em aprovar um experimento importante como este. Poderia mudar a vida de muitas pessoas “, disse Couri. Atualmente há um tratamento com células tronco, desenvolvido pela Usp de Ribeirão que elimina o uso da insulina, mas utiliza a quimioterapia. Este tratamento “desliga” o sistema imunológico dos pacientes a fim de que o pâncreas não seja afetado, mas também faz que a pessoa seja vulnerável a qualquer tipo de enfermidade. Por outra parte, o paciente padece todos os inconvenientes da quimioterapia, como perda do cabelo, vômitos e mal-estar geral. Este procedimento só pode ser feito em pacientes menores de 12 anos que padeçam a enfermidade por menos de 42 dias.
Os dados do Ministério de Saúde indicam que a cada dez segundos morre uma pessoa pelas conseqüências da diabetes, e nesses dez segundos, seis pessoas adquirem a enfermidade.Como sabemos a terapia com células tronco adultas já é utilizado no tratamento de mais de 75 doenças, e não precisa destruir embriões humanos, que são vidas.