8 março,2012  |  autor:   |  Podcast

A mulher e sua identidade

Um universo complexo, mas que atrai grandes admiradores

Nesta semana, comemoramos o ‘Dia Internacional da Mulher’, mas muitos se perguntam por que definir uma data específica para elas. Na verdade, não haveria necessidade de se criar um dia especial para a mulher, já que esta data pode ser comemorada todos os dias, pois, cada vez mais, elas estão se mostrando atuantes na sociedade e ocupando o seu espaço.

A mulher, com seu jeito, sua sensibilidade e delicadeza aprendeu a transformar a rotina do dia em momentos de vitórias e oportunidades.

Foi pensando neste mistério do universo feminino que o Destrave , deste mês, tem como tema ‘A Mulher e sua Identidade’.

Para o Missionário da Comunidade Canção Nova e responsável pelo Destrave, Daniel Machado, trabalhar com este tema foi algo tão belo, mas, ao mesmo tempo, complexo, porque são muitas as interferências ideológicas, políticas e filosóficas que falam sobre a identidade da mulher.

O mundo em que vivemos vêm, aos poucos, desconstruindo a essência da mulher, pois são vários os meios que a descaracterizam como um ser singelo.

A missionária Magda Ishikawa, diretora do programa Revolução Jesus, destaca: “A sociedade foi, infelizmente, deturpando a identidade da mulher e, aos poucos, esta foi perdendo sua refêrencia, pois a identidade dela é medida pela dignidade do amor”, afirmou Magda.

A grande missão da mulher, na sociedade, é gerar vida; não apenas a vida biológica, mas também a espiritual.

“É preciso resgatar o valor da mulher, que é dar de si para humanizar a sociedade”, enfatizou o missionário.

Ouça, na íntegra, o Podcast da Redação, desta semana, com Daniel Machado e Magda Ishikawa.

:: Quer saber mais sobre este assunto? Acesse o Destrave.

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8 março,2011  |  autor:   |  Comemorações

Sem o papel fundamental da mulher a humanidade perecerá

A última criatura que Deus criou foi a mulher; “tirada” do homem; com a mesma dignidade dele para ser-lhe “companheira adequada” (cf. Gen 2, 18) e para ser com ele “uma só carne” (Gen 2, 24). Um foi feito para o outro, completamente diferentes, no corpo e na alma, na voz e na força, nas lágrimas e na sensibilidade. Ao casal humano Deus entregou o destino do mundo: “Crescei e multiplicai, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 28).

Assim, o casal humano – homem e mulher – foram colocados por Deus como o fundamento da humanidade e da sociedade; destruir este arquétipo divino é destruir a própria humanidade.

:: Ouça o Podcast Hora News e saiba mais sobre o papel fundamental da mulher na sociedade

A mulher foi moldada por Deus para ser, sobretudo, mãe e esposa: delicada, meiga, compassiva, generosa, paciente. Um perigoso feminismo, “avançado”, tende a igualar entre si homem e mulher, destruindo a beleza da diferença dos dois sexos, especialmente a da mulher. É a perigosa ideologia de “gênero”, que destrói a humanidade na sua raiz. Muitas vezes, a palavra “gênero” aparece hoje no lugar da palavra “sexo”, com o intuito de eliminá-lo. Em vez de se falar de “diferença entre os sexos”, fala-se de “diferença entre os gêneros”. Essa palavra esconde toda uma perigosa ideologia.

A origem deste perigoso feminismo vem do filósofo alemão, amigo inseparável de Karl Marx, Friedrich Engels (1820-1895), juntos fundaram o chamado “socialismo científico” ou marxismo. Engels dizia: “O primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino” [“The Origin of the Family, Property and the State", International Publishers, New York , 1972, pp. 65-66. 2].

De acordo com a doutrina marxista, não há conciliação possível entre as classes, há que se eliminá-las. Seguindo a mesma linha, o feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja simplesmente melhorias para as mulheres, mas sim, eliminar as “classes sexuais”. Diz a feminista radical Shulamith Firestone, em seu livro “The Dialectic of Sex” (A dialética do sexo): “(…) assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) faça uma revolução e se apodere do controle da reprodução, que se restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias como todas as instituições sociais de nascimento e cuidado de crianças (…) a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente não simplesmente acabar com o privilégio masculino, mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importariam culturalmente”.

A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar cuidando dos filhos, diz a feminista Christina Hoff Sommers: “Pensamos que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa opção existe, demasiadas mulheres decidirão por ela” [Sommers, Christina Hoff. Who Stole Feminism?, Simon & Shuster , New York , 1994, p.257].

A civilização atual atravessa uma fase de rápido declínio moral. É a mulher, não-contaminada pela mentalidade dominante, com a sua intuição, sua preferência pelo amor profundo e estável, pela fraternidade e pela fé religiosa, que deve exercer uma tarefa muito elevada, indispensável para ajudar o homem a alcançar os valores superiores.

Hoje, a opinião pública pressiona psicologicamente a mulher para que ela se realize “superando o homem”, de forma a que busque o sexo mais que o amor; o trabalho e a ciência mais que a geração e a educação dos filhos; o racionalismo mais que a fé; o feminismo e o conflito mais que a ternura; a igualdade de pensamento e de obrigações sociais mais que a complementaridade. Isso destrói a beleza original dela.

O Papa Paulo VI ressaltava que “se o homem tem o primado da razão, a mulher tem o primado do coração”; e este não é menos importante. Por isso, a mulher não pode se afirmar na sociedade querendo copiar os erros do homem: corrupção, fraude, violência, aborto, eutanásia, exploração do sexo, cultura da morte, endeusamento da glória, do dinheiro e do prazer… Ao contrário, ela precisa trazer uma nova alma à sociedade, fruto da sua beleza e do seu amor.

Infelizmente, a própria mulher aceita e permite comercializar brutalmente o seu corpo, por dinheiro e glória, como se fosse uma coisa e não uma pessoa. Além disso, defende-se que a gravidez é incompatível com o seu contrato de trabalho, e muitas até aceitam a imposição do aborto para não prejudicar a profissão.

O feminismo divulgou a ideia de que quem está fora do mercado de trabalho não tem valor. Por isso, há hoje uma geração de mulheres que não têm filhos; ou têm apenas um. O que será desse casal quando ambos envelhecerem? A família é quem oferece os cuidados básicos às pessoas idosas. Se muitos casais não tiverem filhos, haverá uma mudança drástica na sociedade, com muitos idosos sem amparo familiar. Hoje, é comum velhos morrerem sozinhos em seus apartamentos na Europa. Por outro lado, velhinhos fogem dos asilos da Holanda para a Alemanha com medo da eutanásia.

O feminismo foi responsável por difundir essa visão de que apenas o trabalho importa e nada mais vale a pena. Com isso, muitas mulheres abandonaram a vida conjugal e familiar. Chegaremos a um ponto em que a sociedade vai entrar em pânico pela nova conjuntura, especialmente pela falta de crianças, como já acontece em toda a Europa.

Há nitidamente no mundo hoje uma ação deliberada para “desconstruir” a família, e os principais pontos dessa estratégia estão em desvalorizar o casamento e a maternidade. Jamais a mulher poderá se realizar mais em outra vocação do que na maternidade. É aí que ela coopera – de maneira mais extraordinária – com Deus na obra da criação e, consequentemente, é aí que ela encontra a sua verdadeira realização. São Paulo afirma a Timóteo que: “A mulher será salva pela maternidade” (1Tm 2,15).

Assim se expressou o Papa João Paulo II: “Não há dúvida de que a igual dignidade e responsabilidade do homem e da mulher justificam plenamente o acesso da mulher às tarefas públicas. Por outro lado, em geral reservadas ao homem” (Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 23).

Sem o papel fundamental da mulher – como mãe e esposa, segundo o plano original de Deus –, a humanidade perecerá.

Professor Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Trocando Idéias”.
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