“Senhor, sois meu farol; é o Senhor quem dissipa as minhas trevas.” (II Samuel 22,29)

O farol tem a função de conduzir os navios por um caminho seguro. Eu preciso ser farol neste mundo de trevas a guiar aqueles que estão perdidos no mar do mundo em meios as tempestades desta da vida.

“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.”(Mt.5,14-15)

O povo de Deus grita por luz para sair das trevas que os engolem. Precisamos ser faróis para dissipar as trevas do mundo. Porém, somente serei farol neste mundo, quando minha vida for um Evangelho vivo.

“Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa seu proceder e torna-te sábio: ela não tem chefe, nem inspetor, nem mestre; prepara no verão sua provisão, apanha no tempo da ceifa sua comida.”(Prov.6,6-8)

Certa vez, coloquei-me a observar o trabalho das formigas que estavam no quintal de casa. Fiquei impressionado que elas carregavam  folhas dezenas de vezes superior a seu corpo e percorriam distancias que para seres humanos seriam dezenas de quilômetros. Elas davam duro para sustentar a sua “comunidade”. As formigas se tornaram para mim exemplo de trabalho.

Assim também devo ser. Não posso ser um preguiçoso no serviço de Deus. Devo trabalhar como as formigas, carregando aquela pequena “folhinha” que talvez possa parecer insignificante na obra, mas juntando com a “folhinha” de cada um, o formigueiro se manterá na sua missão.

Portanto, vamos trabalhar como formigas para que a Boa Nova atinja os confins da Terra.

“A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela “proclama sobre os telhados”, a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões.” (Evangelii Nuntiandi n.45)

Como consagrados damos continuidade a missão dos apóstolos de comunicar o Evangelho a todos os povos. Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho….

Jesus foi um exímio comunicador, pregava para multidões, e isto sem ter os inúmeros recursos que temos. Hoje, com certeza, usaria de todos os meios de comunicação social para propagar o Evangelho.

Assim sendo, nós da Canção Nova fazemos este papel: Ser a boca de Jesus a anunciar o Evangelho a todos os povos. Para isso, Deus usa de instrumentos insuficientes para expandir a Boa Nova. Eu sou um exemplo disto. Porque nunca tinha trabalhado com rádio e o Senhor me jogou na “fogueira”. Nas minhas limitações vi que “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”.

Assim, seguimos a ordem do Papa Paulo VI: “No nosso século tão marcado pelos “mass media” ou meios de comunicação social, o primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da fé, não podem deixar de se servir destes meios conforme já tivemos ocasião de acentuar.”


Teu povo será um povo de justos que possuirá a terra para sempre; será uma planta cultivada pelo Senhor, obra de suas mãos destinada à sua glória. (Isaías 60,21)

Quando mudamos para nossa casa em SJCampos, havia uma planta na varanda que estava aparentemente morta. O Edison – meu irmão de comunidade –  podou-a e começou a regá-la todos os dias, semanas depois começaram a brotar as primeiras folhas, meses depois a planta estava cheia de folhas e cheia de vida. Ele cultivou e a natureza tratou de fazer o resto.

Isto me fez refletir sobre minha vocação. Devo regar com a água do Espírito Santo todos os dias, pra que não venha secar e morrer. Devo em Deus podá-la naquilo que são inconveniências na minha vida de consagrado, arrancar aquilo não condiz na minha vida de atitudes, gestos, conversas… para que eu possa dar bons frutos em Deus.

É simplesmente cultivar, que Deus faz o resto. Minha vocação somente florirá no Senhor. Por isso, digo devemos cultivar nossa vocação para que sejamos árvores fecundas para a Igreja de Cristo.

“Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça.” (Jo. 15,16a)


“E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.” (Mt.19,29)

Esta é a alegria de minha juventude: “ser todo de Deus“. Deixei pai, mãe, irmãos, namorada, emprego, carro… para viver somente pela evangelização.

Não tanto o meu trabalho físico, mas a oblação espiritual de ser todo de Deus 24 horas por dia. É um crescimento diário nesta entrega, não sou perfeito, sou muito pecador.

Não volto atrás de minha decisão, sou de Deus e já não me pertenço mais, todos os dias em minha liberdade sacrifico meus “Isaques”, minha retribuição é o Senhor.

Todo o dia devo cantar este lindo canto da Toca de Assis: “Subo ao altar de Deus a alegria de minha juventude…Onde estaria eu se não fosse o seu amor, Senhor.”

A Tribo de Levi não ficou com nenhuma parte das terras conquistadas por Israel. Porque os levitas eram os sacerdortes do Senhor, aqueles que estavam somente a serviço das coisas sagradas. A sua única propriedade era o Senhor.

Assim devemos ser todos nós, tanto padres, seminaristas, consagrados, missionários, como todo o povo do Senhor. Nossa única propriedade deve ser o Senhor. O resto vem por acréscimo de Deus…

Meus irmãos, o que levamos deste mundo? Os bens materiais e as riquezas tudo passarão. O que nos restará como única propriedade imperecível é o Senhor.

“À tribo de Levi, porém, não deu herança alguma, porque o Senhor, Deus de Israel, é a sua herança, como ele lho tinha dito.” (Josué 13,33)

Nu, saí do ventre de minha mãe, e nu, voltarei para lá…(Jó 1 ,21)

Um dos princípios mais difíceis de viver na vida consagrada é a pobreza. Porque conseguimos fingir ser pobres e humildes, porém o nosso coração somente Deus vê. A maior avareza não está no exterior. Posso andar como mendigo, porém como está meu coração?

A avareza vai tomando conta sorrateiramente de nosso interior. Aos poucos este veneno vai tomando conta de nós. Somos pobres, mas começamos a ter atitudes de ricos, começamos a fazer certas exigências que não tínhamos quando estava fora do serviço do Senhor. Isto é hipocrisia. Isto é pecar conta Divina Providência.

Se você é um servo de Deus e tem atitudes de rico, reveja-se na sua vocação. Porque o consagrado é chamado para ser pobre. Viver na hipocrisia, é viver na infidelidade como o povo de Israel que murmurava contra o maná que Deus lhes dava todos os dias.

Rezamos ao Senhor pedindo sobriedade, uma vida condizente com aquilo que o Evangelho nos chama. Que eu não seja hipócrita, mas viva a pobreza evangélica com alegria. Deus é minha parte da herança.

Como consagrado devo estar sempre de malas prontas. Como fala a música: “Eu tô de malas prontas pra seguir o meu Senhor… Eu vou ao fim do mundo se preciso for”
Eu vou ao fim do mundo se preciso for. Que isto não seja somente da boca para fora. Pois é isto que deve reger minha vida de consagrado. Ao ingressar na vida religiosa, decidir-me por viver uma vida de despojamento.

Na Canção Nova este desinstalar-se das mudanças dá dinamismo a nossa vocação. Vira e mexe somos surpreendidos com remanejamentos de missões, casa, quarto, departamentos e etc…Deus usa disto para não ficarmos acomodado na vida cantando: “Deixa a vida me levar, vida leva eu…”

Assim Deus conduz minha vida, na minha liberdade, aonde mandar eu irei.


“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (ICor.6,19)

Irmãos, hoje vivo em uma cidade na qual a prostituição é uma profissão regulamentada. Fiquei pensando a que ponto chega o ser humano. Vender seu próprio corpo em troca de dinheiro. Claro que não posso julgar essas pessoas, as necessidades as forçam a viverem nesta situação, muitas não queriam estar ali.

Mas reflito que muitas vezes, nós mesmos, prostituimos o nosso corpo de tantas outras maneiras, esquecendo que somos Templos do Espírito Santo. Deus habita em nós.

Por isso, penso comigo mesmo. Qual o valor que tenho dado para o meu corpo? Como tenho cuidado do Templo do Espírito?

Em nossa peregrinação aqui na Terra, boa parte é de deserto e aridez. Assim foi com os santos, como Santa Teresa D’Ávila que passou muitos anos em um grande deserto na alma.

Assim também é com nós. Como rezamos na Salve Rainha: “Gememos e chorando neste vale de lágrimas”. É uma caminhada dura, no qual somente pela fé alcançaremos o nosso objetivo, que é o Céu.

Mas neste deserto, Deus não nos deixa passar sede. E por vezes, encontramos um “Oásis”, no qual Deus sacia nossa sede e nos dá forças para continuar firme na nossa caminhada. Nestes encontros com o Senhor, é renovada as nossas forças e certezas. Deus sacia nossa alma com a água viva que não nos deixa morrer na secura do deserto.

Nos nossos desertos, Deus cuida de nós.

O povo judeu é por excelência o povo escolhido de Deus. Aqueles que receberam a aliança e a promessa do Senhor, foram resgatados do Egito, peregrinaram no deserto durante quarenta anos, recebeu por herança a terra que mana leite e mel. Prepararam o caminho para a vinda do Messias. Mas quando o Messias se manifestou não acolheram o Senhor.

Mas graças a esta recusa do povo escolhido em receber Jesus Cristo – o Messias, fomos agraciados com a evangelização dos povos pagãos, que nos alcançou.

Assim, pela virtude de Jesus Cristo, somos povo escolhido, raça eleita, povo sacerdotal. Hoje somos nós que carregamos em nosso ser a Arca da nova e eterna Aliança que é o Cristo nosso salvador.

“Cantai ao Senhor um cântico novo, exorta o salmista. E é um programa de vida cristã muito precioso…O homem novo sabe qual é o canto novo…“Cantem com a voz, cantem com a boca, cantem com o coração, cantem com um comportamento reto…”(Dom Stanislaw Rylko, 03/11/2008)

Eu devo cantar esta Canção Nova, este é o meu programa de vida. Grita em minha alma esta busca do homem novo. Que não é uma caminhada fácil. É um caminho difícil e doloroso. É preciso deixar-se humilhar, apresentar as feridas e limitações para que sejam curadas e trabalhadas por Deus.

Minha vida tem que ser um canto novo. Como disse o Cardeal Rylko, este cantar não fica apenas nas palavras, mas esta canção acontece na vida. Por isto é um programa de vida. Porque deve fazer parte do meu cotidiano.

Senhor ensina-me a cantar todos os dias de minha vida uma Canção Nova, porque quero ser um homem novo para um mundo novo. Amém.


No último sábado tive a oportunidade de ir a Campos do Jordão. Lá me encontrei com a Roziselda, uma irmã de comunidade que optou pela vida contemplativa, na clausura do Mosteiro das Monjas Beneditinas.

A clausura não faz nenhuma delas pessoas tristes, muito pelo contrário, percebe-se que elas encontraram a verdade. Uma verdade que não estava no exterior, mas encontraram a verdadeira liberdade no interior de suas almas. Como diz Santo Agostinho: “ não vá fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade: Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas.

Como me alegrou o coração em ver a alegria desta irmã por se encontrar com aquilo que preenche o seu interior.

Eu também sou um consagrado, sou feliz, sou Canção Nova, sou Igreja Católica Apostólica Romana, nada me falta, sou realizado…

Meu irmão se você sente no coração este chamado a vida consagrada, peça ao Senhor o discernimento em seu coração para lhe mostrar onde é seu lugar.

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