Neste sábado saí com a Cauany Marcondes – voluntária salesiana – para fazer missão na região montanhosa de Nkondezi na Aldeia de Chiziro.

Saímos por volta da 7h da manhã com o carro velho que um missionário italiano deixou aqui no Zobué por motivo de obras na paróquia. Seguimos até a Casa Religiosa das Irmãs Mercedárias, 30 km de Zobué, para pegarmos uma irmã e seguir para aldeia. Ao chegar lá encontramos padre Ângelo, salesiano, atual administrador paroquial, que também estava rumo a outra aldeia naquela zona pastoral.

Ali nos alertaram que aquele carro do qual estávamos não chegaria conseguiria chegar a aldeia. Esta aldeia de Chiziro está localizada a uns 15 a 20 km – da boa estrada asfaltada que leva a Ângonia. Portanto, não tão distante como a outra que fomos na semana passada na aldeia de Mutche. Mas o percurso de 20 km até a aldeia é de terra com muitas erosões e grandes pedras a se superar. O padre Ângelo nos cedeu o seu carro, que é maior e em melhores condições, e ele ficou com o nosso “carango”, porque a comunidade da qual iria estava ao lado da estrada de asfalto.

Seguimos para Aldeia, conosco foi ainda uma freira mercedária e os animadores da comunidade. E realmente nos deparemos com a estrada muito ruim, fomos com muito cuidado, pois tivemos que passar por terreno de “Rally” com erosões e com pedras enormes do qual o carro tinha que escalar para seguir a estrada. Depois de mais ou menos uma hora de viagem chegamos a Comunidade Santa Maria Gorete. O povo como sempre é um espetáculo de acolhida, esperando hospitaleiramente para nos saudar com canto e danças de boas vindas.

Apresentamo-nos e saudamos a todos. Mas demoramos ainda um bom tempo para começar a Santa Missa, porque tínhamos Batismos de crianças e adultos e também Matrimônios, assim antes devíamos preencher os livros dos sacramentos. Enquanto isso a Cauany e a freira brincavam e animavam as muitas crianças.

 

Começamos a nossa Santa Missa. As crianças que seriam batizadas e os dois casais apostos em seus lugares. A austera capela feita de galhos e palhas repleta de fiéis e muita gente do lado de fora. Como sempre um grupo Coral que toca o mais profundo da alma, cantando com alma, com o coração. Incrível é que são todos simples camponeses que nunca tiveram aulas de canto nunca frequentaram os mais famosos conservatórios, mas cantam e louvam a Deus de coração. Realmente eles vivem essa frase de Santo Agostinho de que “quem canta reza duas vezes”.

A celebração muito simples, nada de Missa Afro, tudo conforme o Missal Romana, do Sinal da Cruz a benção final, com a aspectos culturais totalmente aprovado pela Conferência e pela Santa Sé. Assim, é claro que o padre esforçou-se para celebrar na língua chewa, louvado seja Deus pelo Concílio Vaticano II, que nos permitiu celebrar na língua nativa. A celebração seguiu por algumas horas com muita alegria junto com os batismos e matrimônios. Concluímos a Missa e ainda ficamos para o almoço – Xima e frango – antes de partimos de volta para casa.

Despedimos do povo e pegamos a mesma estrada ruim para chegar a casa das Irmãs Mercedárias, deixar a freira e os animadores e seguir eu e Cauany para nossa casa no Zobué.

Deixo aqui para vocês mais um pouquinho de nossa ação missionária aos fins de semana em Moçambique.

 

Forte abraço,

 

Até a próxima

 

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova /Moçambique

 

Continuação da partilha da missão em Mutche e Khokwe (parte 2)

Saímos de Mutche nas montanhas e fomos para uma região mais baixa, que lembra o sertão do nordeste do Brasil, para Aldeia de Khokwe. Ainda de moto, mas já a noite e sem enxergar muita coisa, pois o farol da moto era bem fraco, por vezes, alguns “animais não identificáveis” passavam pela estrada a frente da moto. Mas, depois de uma hora e trinta chegamos a Khokwe.

Que coisa linda a uns 500 metros da comunidade o povo já estava nos esperando no escuro, cantando e acolhendo com muita alegria a chegada do padre. Nós celebraríamos somente no domingo de manhã, mas chegamos para dormir na aldeia. Ali jantamos e convivemos com o povo já vindo de várias aldeias na região de Khokwe, alguns me disseram que caminharam mais de três horas. Pelas 21h foram todos dormir. Dormimos todos na terra mesmo em uma esteira. A capela ainda em construção aberta e sem teto, a nossa luz era a lua e a estrela. Nunca dormir tão bem em minha vida.

Acordamos bem cedo para preparativos finais dos Batismos, Matrimônio e Primeiras Comunhões. O povo se vestindo e se ajeitando com aquilo que tinha de melhor. As 8h da manhã começamos a celebração e terminamos ao meio-dia. Tudo muito lindo! Como sempre com muita alegria e bem celebrado pelo povo de Deus.

Depois da Missa confraternizamos com o povo com o almoço, dispensamos o povo no qual muitos caminhariam horas até suas palhotas e também nós pelas 13h da tarde seguimos viagem de retorno a Zobué.

Seguimos mais uma vez de motocicleta, como sempre três na moto, mas agora tinha ainda o ofertório da Missa e o galo que ganhei. No meio do caminho, a motoca não aguentou o tranco e depois de uma hora e meia de viagem avariou.

Por Providência caminhamos somente alguns minutos para encontrar uma aldeia. Ali o nosso animador foi pedir ajuda ao régulo – chefe da aldeia -, depois de alguns longos minutos de negociação, cedeu-nos a sua moto para levar-nos de volta ao rio Nkondezi, mais uma hora de moto dali.

Seguimos até o rio e pegamos a canoa para atravessá-lo de volta. Observação.: O Rio Nkondezi tem crocodilos e hipopótamos, mas graças a Deus não vimos nenhum rsrs…

Subimos até a casa do catequista de Samoa onde deixamos o carango. Pegamos o carro e seguimos de volta a nossa paróquia. Cheguei em casa por volta das 18 horas, estava cansadíssimo, mas muito muito feliz por ter levado Cristo ao povo de Deus. Nada paga a alegria da alma de poder viver e se realizar no Ministério confiado por Deus a mim.

 

“Leva-me aonde os homens necessitem tua Palavra // Necessitem de força de viver // Onde falta a esperança // Onde tudo seja triste simplesmente por não saber de ti.”

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos,

 

Padre Ademir Costa

Missionário da Comunidade Canção Nova em Moçambique

Uma pequena partilha da missão deste fim de semana – visita pastoral as Aldeias de Mutche e Khokwe em Moçambique.

Neste fim de semana fui conhecer e fazer missão em algumas de nossas comunidades mais distantes da paróquia a quase 100 km da nossa sede.

Sai de carro – um carango bem velho e emprestado – no sábado por volta das 5h30 da manhã e segui para pegar no meio do caminho o animador – Sr. Paulo Viagem – que me acompanharia pelas aldeias. Encontrei-o e seguimos viagem.

Chegamos à margem do Rio Nkondezi no povoado de Samoa por volta das 7h30 da manhã. Deixamos o carro na casa de um catequista da aldeia e atravessamos o rio de canoa.

E do outro lado esperaríamos a motocicleta que nos buscaria as 7h30, mas que só apareceu pelas 10h da manhã. Mas, coitado do jovem que veio da Comunidade de Mutche a duas horas e meia de distância.

Subimos os três na motoca e seguimos viagem. As estradas muito ruins, alguns lugares muita areia e outros lugares com muitas pedras soltas, atravessar riachos e um forte calor. Mas tudo vale pela missão…

Por volta de 12h30 – duas horas e meia de viagem – chegamos a Aldeia de Mutche, já numa parte de montanhas muito bonita e completamente isolada. O povo já estava a esperar. Recebeu-nos com muito canto, com muita alegria, com muito amor, só por isso já valeria todo sacrifício da viagem. Este povo estava a mais de um ano sem Missa, mas nunca deixaram de rezar e celebrar a Palavra aos Domingos.

Ali me apresentei aquele povo, pois não me conheciam – tudo traduzido pelo animador, pois só se fala chewa na aldeia. Depois preparamos o povo para receber o sacramento do Batismo. Tomamos “banho” – não tem banheiros, são pequenos cercados de palha -, almoçamos a Xima e celebramos com o povo em sua simples capela de palha, galhos e bambu. Experiência inesquecível.

 

Um detalhe interessante desta comunidade é que as crianças tem muito medo do homem branco. Eu já tinha tido a experiência em outros lugares daqui, mas nesta comunidade era fora do normal. Muitas delas talvez nunca tinha tido esse contato com o branco. Como também as pessoas daqui de Moçambique tem o costume de fazer medo às crianças falando que o mzungo – homem branco – vai levá-los embora para fazer mal.

Celebramos a Santa Missa com muita alegria até quase anoitecer. Como a chuva estava chegando pelas montanhas, despedimo-nos do nosso povo e tivemos que descer rapidamente para outra comunidade a uma hora e trinta de distância.

 

 

No próximo post continuamos a testemunhar nossa aventura missionária… Chegaremos a aldeia de Khokwe! 

 

Mais que cantar é viver a música: “Leva-me onde os homens necessitem tua Palavra. Necessitem de força de viver…”

 

Forte abraço

 

Deus vos abençoe

 

Padre Ademir Costa –

Missionário da Canção Nova/Moçambique

 

 

Aqui partilho mais um pouco do nosso campo de missão em Moçambique.

Estamos em uma região muito diferente da África, pois é uma zona montanhosa e muita fresca de Moçambique. Temos um enorme desafio missionário pelo vasto território paroquial, muitas pessoas ainda não evangelizada. As religiões tradicionais são muito fortes, o islamismo também cresce muito e o protestantismo já iguala ou supera em número os fiéis católicos.

Nesta paróquia, além da Sede paroquial com cinco núcleos eclesiais, temos mais 36 comunidades rurais, algumas a mais de 70 km de distância da Matriz e com acesso muito difícil, algumas tendo enfrentar de estradas rurais péssimas só transitáveis com Motocicletas, outras temos de atravessar rios com canoas e outras ainda somente acessíveis pelo país vizinho, o Malawi. Muitas destas comunidades recebiam apenas uma missa por ano.

 

Na Sede urbana, temos muito trabalho a fazer nas diversas pastorais e no atendimento sacramental do povo. Estamos visitando as famílias de nossa Vila. E ainda temos o desafio de animar e evangelizar uma juventude sem perspectiva de futuro, quebrar um ciclo de constituição familiar e maternidade precoce, muitas adolescentes de 12 a 15 anos já estamos comprometidas com casamentos precoce ligados a cultura do dote. Aqui existem muitas crianças carentes que necessitam de assistência humana e espiritual, sonhamos com uma escolinha paroquial. 

A Paróquia de Zobué é também santuário diocesano dedicado a Imaculada Conceição que recebe na peregrinação anual da diocese cerca de 5000 pessoas. Temos um longo trabalho a desenvolvimento espitirual e de infra-estrutura do Santuário.

Nas próximas postagens continuarei a apresentar um pouco da realidade de nossa paróquia e missão.

 

Até a Próxima!!!

 

Deus abençoe a todos

 

Padre Ademir Costa

Missionário Canção Nova/Moçambique

Em agosto do ano de 2017, o fundador da comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, fez-me uma proposta em viver experiência missionária em Moçambique no norte do país na Província de Tete. Aceitei o desafio e embarquei para África junto com o seminarista Lucas Paulino.

No ano de 2018, inserimo-nos na missão da Paróquia salesiana São João Batista na Vila de Moatize na diocese de Tete na qual conta com uma pequena rádio comunitária. Essa paróquia conta com trinta comunidades, algumas das aldeias atendidas estão a 100 km da Sede. Ali desenvolvemos nossos trabalhos juntos aos missionários salesianos. O seminarista Lucas Paulino voltou ao Brasil para seus estudos teológicos.

Já no ano de 2019 mudamos de paróquia, eu e o missionário Cristian Boher nos inserimos na missão da Paróquia Nossa Senhora da Conceição na Aldeia do Zobué na fronteira com o Malawi. Uma paróquia que estava quase há 40 anos sem padre residente, recebia uma ajuda pastoral dos salesianos que vinha da paróquia vizinha a 100 km daqui.

Defrontamo-nos com muitos desafios, mas também como muitas riquezas de experiências missionárias e encontro com a cultura africana que contarei a vocês nas próximas postagens.

 

Até a próxima!

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe

 

Padre Ademir Costa / Missionário CN em Moçambique

 

Queridos amigos paz e bem,

Sou padre Ademir Costa, missionário da Comunidade Canção Nova. Comecei com este blog em 2011 ainda quando era seminarista e estava em meu ano de pastoral em São José dos Campos.

Mas nos últimos anos depois de minha ordenação diaconal e sacerdotal, pelos muitos serviços e compromissos, não consegui mais postar neste canal. Pretendo retomar e movimentar o Blog. Não prometo um diário, mas algo que mostre periodicamente nossa missão com o povo de Deus.

Hoje vivo missão na África em Moçambique, mostrarei para vocês um pouco da realidade do meu dia-a-dia como missionário em terras africanas, como também no possível comentarei outros assuntos ligados a missão, a cultura local e a Igreja.

Salve, salve…

Diário de um Consagrado – O Retorno!

 

Forte abraço,

 

Deus abençoe a todos

 

Padre Ademir Costa – Missionário Canção Nova/Moçambique

 

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Este trecho do evangelho de Mateus e Marcos fala muito comigo, pois apresenta a participação ativa dos discípulos na multiplicação dos pães. O milagre é sempre obra da Graça divina, mas o Senhor quis precisar da nossa participação na sua obra de salvação no mundo.

Aquele povo sofrido era como ovelhas sem pastor. O Senhor sentiu compaixão daquela multidão que o seguia, e pôs a servi-los com a Palavra (cf Mc. 6,34). E como a hora ia adiantada e não tinha comida para todos, os discípulos queriam mandar o povo ir embora, mas Jesus lhe disse: “Eles não precisam ir embora, dai-lhes vós mesmos de comer” (cf. Mt 14,15-16). Eles apresentaram as únicas coisas que tinham, “cinco pães e dois peixes”, o Senhor abençoou-os e alimentou toda aquela multidão que eram mais de cinco mil homens sem contar mulheres e crianças (cf. Mt 14,17-21).

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Assim, deve ser meu ministério, muitas vezes abdicar do meu descanso, como fez Jesus com os seus discípulos que naquele dia voltavam de missão (cf. Mc 6,31). Devo estar com o povo, não posso dispensá-los, não posso mandá-los ir embora com fome. Mas apresentar ao Senhor aquilo que tenho e sou – os meus cinco pães e dois peixes -, e dar o alimento do amor, dos sacramentos, da Palavra, da Eucaristia ao povo de Deus. Ele realizará o milagre da “multiplicação dos pães” ao povo pelo meu ministério nessa minha disposição de coração de oferta-se a Ele. Eu oferto a Deus os “cinco pães e os dois peixinhos” que é minha vida a torna-se Eucaristia a saciar e alimentar o povo que tem fome e sede de Deus.

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Por fim, em janeiro, como diácono, fiz uma profunda experiência com Deus através do povo marajoara nas águas da Amazônia, passando por lugares onde as pessoas ficam até um ano ou mais sem a Eucaristia, assim confirmou-se o meu lema sacerdotal: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” (Mt 14,16).

 

Forte abraço,

Deus te abençoe!

Padre  Ademir Costa 

Somos convocados a ser uma Igreja em saída e temos como Igreja na América Latina o desafio desta missão continental. Partilho com vocês sobre minha experiência missionária na Ilha do Marajó.

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No meu período de descanso em janeiro, dediquei 14 dias para fazer uma experiência missionária na Ilha do Marajó. Pois sempre me senti tocado pelos apelos de Dom José Luís Azcona pedindo missionários para aquela região. Impulsionado pela minha ordenação diaconal senti que era o momento de fazer a experiência.

Fui acolhido pelos missionários e inserido na Missão Marajó da RCC. Lá não existem estradas, tudo é de barco… E sempre viajando de barco vivenciando a realidade do povo, ou seja, dormindo em redes, comendo suas típicas comidas, vivendo nos seus costumes e cultura local. Enfrentando as marés e tempestades nos grandes rios e baías, presenciando a rotina de vida de um povo simples e muito acolhedor, que vive regido pelas das águas dos grandes rios. Assim, mergulhei na realidade daquele povo.

Cruzei todo o Marajó. Foram 12 horas de Belém à cidade de Breves, onde fiquei três dias. E depois enfrentamos 16 horas de barco de Breves a Macapá, passamos rapidamente por Macapá, e seguimos de lancha por duas horas de Macapá para Afuá, onde permaneci por oito dias.

Fiquei com os missionários da Missão Marajó que fazem um lindo trabalho social nos lugares mais miseráveis de Breves e Afuá, tirando as crianças das ruas e da exploração sexual, educando-as e formando-as com o projeto Anjo da Guarda, no qual atendem mais 200 crianças e suas famílias em cada cidade com escola de artesanato, música, danças, aulas de padaria, reforço escolar, informática, biblioteca, brinquedoteca, dentistas e médicos – quando aparecem voluntários especialistas de outros lugares do Brasil. Também distribuem sopões para o povo que passa fome. Estes missionários, guiados pela Divina Providência, construíram também uma linda Igreja na área mais pobre de Breves, e ainda criaram uma central de tratamento de água para o povo, pois por incrível que pareça, falta água tratada para a população mais pobre. Na cidade de Afuá, construiu-se um lindo e grande espaço de acolhida e formação humana.

Um lindo trabalho de missionários que trabalham sozinhos – quando estive com eles eram apenas três em Breves e dois em Afuá – é perceptível o milagre que acontece através destes servos de Deus que trabalham no silêncio e com a graça de Deus que lhe envia alguns voluntários para fazer o trabalho acontecer.

Vivenciei também uma realidade de Igreja necessitada de missionários. Uma situação muito difícil no qual os poucos padres, além de cuidar de suas paróquias, tem que dar a assistência social e jurídica ao povo que está abandonado pelos poderes públicos. No qual enfrentam profundos desafios de pobrezas e exploração sexual de menores.

No Marajó, cada pároco, além de suas comunidades “urbanas”, possui ainda mais de cem comunidades ribeirinhas para dar assistência pastoral e sacramental. Algumas comunidades estão a seis horas de barco da cidade. Muitas destas comunidades têm a Missa apenas uma vez ao ano, quando o padre passa em visita pastoral. Por exemplo, o Pároco de Afuá, que não tem vigário, fica de dois a três meses nos rios com o barco paroquial para conseguir visitar todas as suas comunidades ribeirinhas. Enquanto isso, os leigos cuidam de toda realidade paroquial.

Visitamos algumas comunidades ribeirinhas, uma experiência inesquecível em tocar em uma realidade de fé genuína de um povo que recebe a Eucaristia poucas vezes ao ano. O seu alimento é a celebração da Palavra aos domingos. Fiquei estabelecido alguns dias em uma comunidade ribeirinha bem distante da cidade. Fui à casa de muitos ribeirinhos sempre com uma pequena canoa motorizada. “Eu que pensei ir evangelizar, fui evangelizado por aquela gente…”. Um povo acolhedor, simples, pobre, humilde e de uma fé muito viva. Eles moram a beira dos rios em casas de madeiras simplíssimas construídas em cima de palafitas, muitas se quer têm portas e janelas, sem energia elétrica. Vivem daquilo que o rio e a mata lhes concede – peixe, camarão, caças, frutas e açaí… Em nenhuma casa que passamos encontramos murmuração e tristeza, mesmo diante de sua pobreza, sofrimentos e enfermidades, demonstravam alegria e um coração agradecido a Deus “por tudo que tinham”. E não tinham quase nada… Meu Deus, que tapa na minha cara! Deus falou comigo através daquele povo…

Foram 14 dias de encontro pessoal com Jesus Cristo nas águas do Marajó. Deus me converteu, tirou-me do comodismo, lapidou minha pobreza, mexeu com meu ministério…  Ainda estou ruminado tudo o que vivi… Testemunho aqui que fiz uma das maiores experiências de minha vida. As palavras não conseguem descrever toda realidade da Igreja no Marajó. É preciso ir e ver para acreditar!

De minha parte eu só posso dizer que: “Eu vi o Senhor na Ilha de Marajó. Eu que pensei ir evangelizar fui evangelizado por aquela gente simples e pobre, mas cheia de Deus…”.

 Obs.: Com a graça de Deus retorno para lá depois de minha ordenação sacerdotal para celebrar minhas primeiras missas com este povo tão generoso e acolhedor.

 

Diácono Ademir Costa

Comunidade Canção Nova

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… que ele cresça, e eu diminua.”  (Jo 3, 30)

 

Estas palavras de João Batista no Evangelho de João marcaram minha vocação. A minha vocação é consequência da experiência de Batismo no Espírito Santo. Recordo-me que voltando daquela experiência de oração no ano de 1996, desejava deixar tudo e doar a vida para Deus pela evangelização como sacerdote.

Ainda naquele primeiro fervor, lembro-me que refletia sobre o serviço de Deus e a humildade, pensava em ser como “tapete” para os irmãos para que a Obra de Deus acontecesse nas suas vidas, e muitos pudessem fazer a mesma experiência que fiz. Neste tempo, rezei muitas vezes com esta passagem, … que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3, 30). Eu tinha uma enorme gana de servir ao Senhor. Desejava trabalhar para de Deus na Igreja, mas de maneira que somente Jesus aparecesse. Nunca usando do serviço de Deus para minha exaltação pessoal e autopromoção.

E foi o que aconteceu, durante três anos, meu serviço foi nos bastidores, tinha uma profunda vida de intimidade com Deus. No serviço da Igreja, ficava na Capela do Santíssimo, como um simples intercessor dos grupos de jovens e nas experiências de oração da paróquia. Ele crescia em minha vida e vocação e eu diminuía. Sabia que tudo provinha d’Ele em minha vida.

Neste tempo, o fogo vocacional permaneceu vivo. Porém, a voz de Deus pedia para esperar passar a empolgação inicial para dar passos. Depois de três anos, resolvi dar passos concretos no meu chamado. Conheci a Canção Nova neste período inicial de caminhada, encantei-me pela obra, pela espiritualidade e forma de vida missionária, e ainda como a possibilidade de ser padre dentro da comunidade.

No ano 2000, fui chamado para fazer os encontros vocacionais. Mas, recebi já no segundo encontro uma resposta negativa para minha vocação na comunidade. Tive um sentimento de recusa de Deus. Tive um sentimento de inutilidade vocacional. “Briguei” com Deus, mas permaneci fiel… Porém, ainda continuou viva uma brasa vocação a fumegar em meu coração. Ela permaneceu viva pela graça de Deus por 4 anos. Neste tempo, continuei servindo a Deus em minha paróquia. Foi um longo tempo de deserto interior.

No ano de 2004, Deus me tirou deste deserto e devolveu-me a esperança vocacional. Consegui, por graça divina, retomar o caminho vocacional com a Canção Nova. Sempre trazendo para a minha vocação as palavras de João Batista: “… que ele cresça e eu diminua”.  Depois de dois anos de vocacional, com muitas provações, ingressei na comunidade em 2007.

Entrando na comunidade Canção Nova esta passagem sempre me acompanhou, foi como uma bússola para minha vocação. Quando o orgulho humano tentava se sobressair em mim, as correções de Deus vinham forte sobre minha vocação, sempre acompanhada por esta passagem do Evangelho de João.

Por isso, escolhi como lema do meu diaconato esta passagem: …que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3,30). Alguns comentaristas bíblicos falam que com estas palavras João Batista desaparece dos Evangelhos. Rezo a Deus e peço a graça de que isto também aconteça comigo, que eu desapareça e somente Jesus apareça por meu ministério. Amém!

 

Diácono Ademir Costa 

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A verdadeira Igreja Corpo Místico de Cristo que nos apresenta o Concílio Vaticano II não é fundamentada em ideologias humanas. Mas aquela que tem Cristo como seu centro, alicerce e cabeça, e nós como seus membros devidamente organizados.

Mas Deus dispôs no corpo cada um dos membros como lhe aprouve. Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Há, pois, muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode dizer à mão: Eu não preciso de ti; nem a cabeça aos pés: Não necessito de vós. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem os mais fracos, são os mais necessários. […] Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros. (ICor.12,18-22.27)

Meus irmãos e irmãs, tomemos cuidado com alguns movimentos extremistas que estão inseridos na Igreja! Alguns que pregam uma anarquia na Igreja, dizendo não precisa de uma Hierárquia eclesial para governá-la… Outros que são contrários ao Concílio Vaticano II, e protestam contra o Papa, mesmo que de maneira velada, estes são muito perigosos, porque são lobos disfarçados de cordeiros, estão dentro da Igreja disseminado “tradições medievais” como se fosse a única verdade.

Dá minha parte, sempre estou e estarei com Roma, estarei com o Papa, sempre seguirei a voz de meu Bispo, porque sei que devo ser um “membro saudável” no Corpo de Cristo e não um “câncer” a causar-lha mal. Se sou um “câncer” no Corpo de Cristo devo ser extirpado!

Sou Igreja Católica! Faço parte do Corpo de Cristo…

Louvado seja Deus!

Forte abraço! Até a próxima!

Ademir Costa

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Dom Alberto Taveira nos ensina: “É possível fazer compromissos definitivos.”

O dia 02 de fevereiro de 2015 foi um dia muito especial para mim, pois fiz o meu Compromisso Definitivo com a Comunidade Canção Nova. Foram oito anos de amadurecimento, lutas, alegrias e etc… para chegar este momento de graça em minha vida.

Diante de um mundo do descartável e do perecível, eu digo que é possível, com a Graça de Deus, fazer compromissos definitivos nesta vida.

Sou feliz, sou realizado, sou todo do Senhor! Pra Sempre Canção Nova!

Forte abraço!

Até a próxima….

 

Ademir Costa

Seminarista da Comunidade Canção Nova

 

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Diante dos últimos atentados terrorista em Paris por extremistas jihadistas, a Revista Charlie Hedbo comoveu “todo o mundo”…

Desde já afirmo que sou contra a toda barbárie contra inocentes. Isto é injustificável! Portanto, não ao extremismo religioso e aos ataques terroristas. É bestial justificar ataques terroristas em nome de Deus. Isto deve ser combatido!

Como também sou a favor da defesa da liberdade de imprensa… A liberdade de expressão é uma grande conquista do homem contemporâneo depois de muitos países no mundo passarem por ditaduras que silenciavam a imprensa, muitos morreram por exporem as verdades de seus países.

Mas sou contra a libertinagem de imprensa. Digo isto porque houve uma grande comoção com o ataque a Revista Charlie Hedbo. Mas a mesma revista, há muito tempo, se coloca acima de tudo e de todos, fazendo charges que fere, ofende e desrespeita as religiões e seus símbolos sagrados – não somente Maomé, mas também Jesus Cristo, o Espírito Santo, Nossa Senhora, Papa e etc… -, como também promovem charges racistas contra políticos, chefes de estados, líderes religiosos e etc… Procurem no Google e vejam com os próprios olhos as publicações dos caras, não tenho coragem de colocá-las aqui. Eles perderam o senso da liberdade de imprensa.

Volto a dizer, nada justifica os insanos ataques terroristas… Inclusive o que vem acontecendo na Síria e no Iraque em uma escala infinitamente maior, na qual a imprensa pouco se mobiliza, limitando-se a dar notícias frias ou simplesmente se omitindo. Omitindo sim! Como é o caso dos muitos ataques que cristãos sofrem na Nigéria e em outros países da África…

É justificável e compreensível uma classe como a imprensa se mobilizar para defender-se de um ataque terrorista. Mas precisamos ter consciência porque as coisas tomaram estas proporções.

Como disse: sou contra aos ataques terroristas, dos quais devem ser combatidos com toda a força em todo mundo, tanto na França como e em todos os países; como também sou a favor da liberdade de imprensa. Mas sou totalmente contra a ofensa as religiões e com aquilo que cada uma tem como Sagrado. Algo que a Revista Charlie Hebdo ofende discriminadamente em suas charges. Não fazem comédia ou crítica… fazem ofensa!

A tragédia acontecida em Paris foi consequência daquilo que eles mesmos plantaram. Colheram aquilo que plantaram durante anos…

Desculpem-me! Mas não vou na onda da imprensa que exalta esta revista, mas relativiza os assassinatos diários de centenas de cristãos e pessoas inocentes por extremistas no Oriente e na África.

Aqui deixo os meus sentimentos e orações pelas almas dos “inocentes” assassinados na Revista e os inocentes assassinados no mercado judeu.

Nada justifica a violência e os assassinatos em Paris…

Mas me desculpem: EU NÃO SOU CHARLIE! … JE NE SUIS PAS CHARLIE!

Ademir Costa

GUADALUPE

A Festa de Nossa Senhora de Guadalupe é muito especial para o povo da América Latina. A aparição da Virgem ao índio São Juan Diego e o sinal que ela deixou em seu manto é a expressão de amor universal de mãe que permanece com seus filhos.

Naquele tempo entre os anos 1500 e 1600, a América estava sendo colonizada pelos europeus. Neste contexto, Maria se manifesta como sinal de proteção daquele povo nativo. Assim, como ela visitou Isabel para lhe servir e ser auxílio oportuno; Maria visitou o povo de nosso continente como sinal de proteção e auxílio. E assim, também como João Batista vibrou no ventre de Isabel com a visita de Maria que trazia Jesus em seu ventre; também nós povo latino americano vibramos até hoje por esta visita da Mãe de Deus.

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Manto original na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe no México

O Concílio Vaticano II nos apresenta Maria como modelo da Igreja (Cf. LG 63). Assim como a Igreja é mãe para todos os povos; também Maria é Mãe de todos os povos do mundo, a aparição de Guadalupe nos manifesta esta verdade, mãe de todas as gentes.

Que pelo sinal de Guadalupe, Maria seja sempre proteção para o povo sofrido da América Latina.

Nossa Senhora de Guadalupe rogai por nós!

Ademir Costa 

Seminarista da Comunidade Canção Nova

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Desculpe-me o grande músico e poeta Milton Nascimento, mas faço um pequeno trocadilho em sua bela música:

“Família é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração,”.

Amo a minha família, mesmo estando a distância, porque escolhi entregar minha vida para Deus na missão da Igreja Católica pela comunidade Canção Nova. A distância e a saudade só fazem crescer o amor no meu coração e valorizar os meus.

Por isso, guardo no fundo do meu coração a estes que amo…

Em uma sociedade em que se perde os verdadeiros valores de uma família. Faço questão aqui de exaltar a minha família onde fui gerado, criado e educado como homem. Se hoje procuro ser um homem justo em meio a sociedade é porque fui educado em uma verdadeira família. Uma família tradicional: Pai, mãe, irmão e irmã.

Louvo a Deus por minha família!

Por isso repito: “Família é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito…dentro do coração…mesmo que esteja a distância”.

Forte abraço,

Ademir Costa

 

 

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Sempre gosto de partilhar minha devoção e amizade para este grande santo e amigo. Hoje, neste dia em que a Igreja celebra sua memória, quero partilhar o Canto que reflete sua vida.

“Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das criaturas. Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus. No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.”

“A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de outubro de 1226.”

“A oração do santo diante do crucifixo de São Damião e o Cântico do Sol são as únicas obras de São Francisco escritas em italiano antigo e, por isso, são dos mais importantes documentos literários da linguagem popular. Foi nesta língua que ele certamente ditou a maioria de seus escritos, antes que os irmãos versados em letras os traduzissem para a língua comum da época, o latim.”

“Na tradição ocidental Francisco de Assis é visto como uma figura exemplar de grande irradiação. Com fina percepção sentia o laço de fraternidade e de sororidade que nos une a todos os seres. Ternamente chama a todos de irmãos e irmãs: o sol, a lua, as formigas e o lobo de Gubbio. As coisas tem coração. Ele sentia seu pulsar e nutria veneração e respeito por todo ser, por menor que fosse. Nas hortas, também as ervas daninhas tinham o seu lugar, pois do seu jeito elas louvam o Criador.”

“O coração de Francisco significa um estilo de vida, a expressão genial do cuidado, uma prática de confraternização e um renovado encantamento pelo mundo. Recriar esse coração nas pessoas e resgatar a cordialidade nas relações poderá suscitar no mundo atual o mesmo fascínio pela sinfonia do universo e o mesmo cuidado com irmã e mãe Terra como foi paradigamaticamente vivido por São Francisco.”

Fonte: http://franciscanos.org.br/?page_id=3124

«Cântico das Criaturas», de S. Francisco de Assis

Altíssimo, Omnipotente, Bom Senhor
Teus são o Louvor, a Glória,
a Honra e toda a Bênção.

Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que,
com a sua luz, nos ilumina.
Ele é belo e radiante,
com grande esplendor;
de Ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras.
preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor.
pelo irmão vento,
pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno
e por todo o tempo
em que dás sustento
às Tuas criaturas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água, útil e humilde,
preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo,
com o qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre,
vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos,
flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam pelo Teu amor
e suportam as enfermidades
e tribulações.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela nossa irmã, a morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.

Louvai todos e bendizei o meu Senhor!
Dai-Lhe graças e servi-O
com grande humildade!

São Francisco de Assis!