Somos convocados a ser uma Igreja em saída e temos como Igreja na América Latina o desafio desta missão continental. Partilho com vocês sobre minha experiência missionária na Ilha do Marajó.

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No meu período de descanso em janeiro, dediquei 14 dias para fazer uma experiência missionária na Ilha do Marajó. Pois sempre me senti tocado pelos apelos de Dom José Luís Azcona pedindo missionários para aquela região. Impulsionado pela minha ordenação diaconal senti que era o momento de fazer a experiência.

Fui acolhido pelos missionários e inserido na Missão Marajó da RCC. Lá não existem estradas, tudo é de barco… E sempre viajando de barco vivenciando a realidade do povo, ou seja, dormindo em redes, comendo suas típicas comidas, vivendo nos seus costumes e cultura local. Enfrentando as marés e tempestades nos grandes rios e baías, presenciando a rotina de vida de um povo simples e muito acolhedor, que vive regido pelas das águas dos grandes rios. Assim, mergulhei na realidade daquele povo.

Cruzei todo o Marajó. Foram 12 horas de Belém à cidade de Breves, onde fiquei três dias. E depois enfrentamos 16 horas de barco de Breves a Macapá, passamos rapidamente por Macapá, e seguimos de lancha por duas horas de Macapá para Afuá, onde permaneci por oito dias.

Fiquei com os missionários da Missão Marajó que fazem um lindo trabalho social nos lugares mais miseráveis de Breves e Afuá, tirando as crianças das ruas e da exploração sexual, educando-as e formando-as com o projeto Anjo da Guarda, no qual atendem mais 200 crianças e suas famílias em cada cidade com escola de artesanato, música, danças, aulas de padaria, reforço escolar, informática, biblioteca, brinquedoteca, dentistas e médicos – quando aparecem voluntários especialistas de outros lugares do Brasil. Também distribuem sopões para o povo que passa fome. Estes missionários, guiados pela Divina Providência, construíram também uma linda Igreja na área mais pobre de Breves, e ainda criaram uma central de tratamento de água para o povo, pois por incrível que pareça, falta água tratada para a população mais pobre. Na cidade de Afuá, construiu-se um lindo e grande espaço de acolhida e formação humana.

Um lindo trabalho de missionários que trabalham sozinhos – quando estive com eles eram apenas três em Breves e dois em Afuá – é perceptível o milagre que acontece através destes servos de Deus que trabalham no silêncio e com a graça de Deus que lhe envia alguns voluntários para fazer o trabalho acontecer.

Vivenciei também uma realidade de Igreja necessitada de missionários. Uma situação muito difícil no qual os poucos padres, além de cuidar de suas paróquias, tem que dar a assistência social e jurídica ao povo que está abandonado pelos poderes públicos. No qual enfrentam profundos desafios de pobrezas e exploração sexual de menores.

No Marajó, cada pároco, além de suas comunidades “urbanas”, possui ainda mais de cem comunidades ribeirinhas para dar assistência pastoral e sacramental. Algumas comunidades estão a seis horas de barco da cidade. Muitas destas comunidades têm a Missa apenas uma vez ao ano, quando o padre passa em visita pastoral. Por exemplo, o Pároco de Afuá, que não tem vigário, fica de dois a três meses nos rios com o barco paroquial para conseguir visitar todas as suas comunidades ribeirinhas. Enquanto isso, os leigos cuidam de toda realidade paroquial.

Visitamos algumas comunidades ribeirinhas, uma experiência inesquecível em tocar em uma realidade de fé genuína de um povo que recebe a Eucaristia poucas vezes ao ano. O seu alimento é a celebração da Palavra aos domingos. Fiquei estabelecido alguns dias em uma comunidade ribeirinha bem distante da cidade. Fui à casa de muitos ribeirinhos sempre com uma pequena canoa motorizada. “Eu que pensei ir evangelizar, fui evangelizado por aquela gente…”. Um povo acolhedor, simples, pobre, humilde e de uma fé muito viva. Eles moram a beira dos rios em casas de madeiras simplíssimas construídas em cima de palafitas, muitas se quer têm portas e janelas, sem energia elétrica. Vivem daquilo que o rio e a mata lhes concede – peixe, camarão, caças, frutas e açaí… Em nenhuma casa que passamos encontramos murmuração e tristeza, mesmo diante de sua pobreza, sofrimentos e enfermidades, demonstravam alegria e um coração agradecido a Deus “por tudo que tinham”. E não tinham quase nada… Meu Deus, que tapa na minha cara! Deus falou comigo através daquele povo…

Foram 14 dias de encontro pessoal com Jesus Cristo nas águas do Marajó. Deus me converteu, tirou-me do comodismo, lapidou minha pobreza, mexeu com meu ministério…  Ainda estou ruminado tudo o que vivi… Testemunho aqui que fiz uma das maiores experiências de minha vida. As palavras não conseguem descrever toda realidade da Igreja no Marajó. É preciso ir e ver para acreditar!

De minha parte eu só posso dizer que: “Eu vi o Senhor na Ilha de Marajó. Eu que pensei ir evangelizar fui evangelizado por aquela gente simples e pobre, mas cheia de Deus…”.

 Obs.: Com a graça de Deus retorno para lá depois de minha ordenação sacerdotal para celebrar minhas primeiras missas com este povo tão generoso e acolhedor.

 

Diácono Ademir Costa

Comunidade Canção Nova

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… que ele cresça, e eu diminua.”  (Jo 3, 30)

 

Estas palavras de João Batista no Evangelho de João marcaram minha vocação. A minha vocação é consequência da experiência de Batismo no Espírito Santo. Recordo-me que voltando daquela experiência de oração no ano de 1996, desejava deixar tudo e doar a vida para Deus pela evangelização como sacerdote.

Ainda naquele primeiro fervor, lembro-me que refletia sobre o serviço de Deus e a humildade, pensava em ser como “tapete” para os irmãos para que a Obra de Deus acontecesse nas suas vidas, e muitos pudessem fazer a mesma experiência que fiz. Neste tempo, rezei muitas vezes com esta passagem, … que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3, 30). Eu tinha uma enorme gana de servir ao Senhor. Desejava trabalhar para de Deus na Igreja, mas de maneira que somente Jesus aparecesse. Nunca usando do serviço de Deus para minha exaltação pessoal e autopromoção.

E foi o que aconteceu, durante três anos, meu serviço foi nos bastidores, tinha uma profunda vida de intimidade com Deus. No serviço da Igreja, ficava na Capela do Santíssimo, como um simples intercessor dos grupos de jovens e nas experiências de oração da paróquia. Ele crescia em minha vida e vocação e eu diminuía. Sabia que tudo provinha d’Ele em minha vida.

Neste tempo, o fogo vocacional permaneceu vivo. Porém, a voz de Deus pedia para esperar passar a empolgação inicial para dar passos. Depois de três anos, resolvi dar passos concretos no meu chamado. Conheci a Canção Nova neste período inicial de caminhada, encantei-me pela obra, pela espiritualidade e forma de vida missionária, e ainda como a possibilidade de ser padre dentro da comunidade.

No ano 2000, fui chamado para fazer os encontros vocacionais. Mas, recebi já no segundo encontro uma resposta negativa para minha vocação na comunidade. Tive um sentimento de recusa de Deus. Tive um sentimento de inutilidade vocacional. “Briguei” com Deus, mas permaneci fiel… Porém, ainda continuou viva uma brasa vocação a fumegar em meu coração. Ela permaneceu viva pela graça de Deus por 4 anos. Neste tempo, continuei servindo a Deus em minha paróquia. Foi um longo tempo de deserto interior.

No ano de 2004, Deus me tirou deste deserto e devolveu-me a esperança vocacional. Consegui, por graça divina, retomar o caminho vocacional com a Canção Nova. Sempre trazendo para a minha vocação as palavras de João Batista: “… que ele cresça e eu diminua”.  Depois de dois anos de vocacional, com muitas provações, ingressei na comunidade em 2007.

Entrando na comunidade Canção Nova esta passagem sempre me acompanhou, foi como uma bússola para minha vocação. Quando o orgulho humano tentava se sobressair em mim, as correções de Deus vinham forte sobre minha vocação, sempre acompanhada por esta passagem do Evangelho de João.

Por isso, escolhi como lema do meu diaconato esta passagem: …que ele cresça, e eu diminua.” (Jo 3,30). Alguns comentaristas bíblicos falam que com estas palavras João Batista desaparece dos Evangelhos. Rezo a Deus e peço a graça de que isto também aconteça comigo, que eu desapareça e somente Jesus apareça por meu ministério. Amém!

 

Diácono Ademir Costa 

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O Papa Paulo VI foi o primeiro Papa depois de muitos séculos a ir em peregrinação para Terra Santa. Um viagem de oração e encontro fraterno com o Patriarca Ortodoxo Atenagoras e com o povo judeu. A partir de então, os papas seguintes seguiram o mesmo caminho. Isto é um lindo sinal, pois mostra a continuidade existente na sucessão papal.

Um outro grande sinal, é a oração dos papas junto aos muros da lamentações. O muro das lamentações foi a única parte que restou do Templo. É portanto, o maior símbolo existente do judaísmo. Os Papas rezaram e deixaram estes bilhetes de intenções junto ao muro como este sinal de oração na busca da unidade pelo Diálogo interreligioso. O muro tem também um grande significado para nós, pois as origens do cristianismo deu-se no judaísmo com Nosso Senhor Jesus Cristo que foi judeu.

Como católicos precisamos ter esta consciência da hermenêutica da continuidade tanto ensinada por Bento XVI e na qual alguns ainda insistem em não compreender.

Forte abraço,

Até a próxima!

Ademir Costa

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A um ano atrás subia a fumaça branca da Capela Sistina: “Habemus Papam!”.

Em meios a tantas especulações de quem seria o novo papa, veio uma grande surpresa: Giorgio Mario Bergoglio! Com o nome de Francisco!

Mas quem era este Cardeal? Poucos sabiam que era um argentino. Um cardeal até então pouco conhecido no mundo.

Mas quando apareceu na bancada da Basílica de São Pedro, já se viu a grande simplicidade de se apresentar com uma veste muito simples. E ainda, a suas palavras simples e pessoal, como a humildade de pedir oração ao povo de Deus. Já conquistou nossos corações.

Começava o pontificado do Papa Francisco, que surpreendeu o mundo trazendo uma dimensão mais pastoral e humana para Igreja. Com certeza o Espírito suscita um papa para necessidade de cada tempo. Foi o mesmo grito de Deus de 800 anos atrás: “Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja”.

Este papa que fala muitas coisas que não ficam somente na mente, mas vai ao coração, como quando diz da Cultura do Encontro, de lutar contra a cultura do descartável, de ir contra a corrente, de ser um pastor com o cheiro das ovelhas.

Este Papa nos incomoda! Sou sincero com todos vocês em dizer que o pontificado do Papa Francisco tem sido um grito em minha alma de seminarista, um tempo de conversão para mim. Não posso ficar no comodismo, tenho que sair de mim para ir ao outro.

O Papa Bento XVI disse de sua alegria sobre o pontificado do Papa Francisco: “Estou muito contente com a minha renúncia, porque Deus preparou, depois de mim, um fenômeno”.

 

Realmente o Papa Francisco é um fenômeno, por sua humildade e simplicidade. Neste dia em seu twitter pediu apenas uma coisa: “rezai por mim!”

 

Façamos isto! Rezemos por nosso Santo Padre!

 

 

Forte abraço!

 

 

Até a próxima,

 

 

Ademir Costa

 

Meus irmãos, não podemos dispensar o auxílio e a companhia dos santos . Alguns “poucos” não aceitam esta companhia, até mesmo nos julgando “idolatras”. Bom, isto é problemas deles. Porque eu confio e peço o auxílio e a intercessão dos santos, algo que nos é ensinado pela Tradição da Igreja a milênios.

Digo isto porque alguns católicos estão perdendo sua devoção pelos santos, talvez influenciados por doutrinas “não católicas”.  Irmãos, nossa Igreja tem mais de dois mil anos, não começou por “falsos profetismos humano”, quem começou nossa Igreja foi Jesus Cristo. Ela nos ensina a importância da Comunhão dos Santos.

A intercessão dos santos. «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade […]. Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo […]. A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna» (CIC n. 956)

Sou peregrino, passo por muitas  lutas e dificuldades na caminhada nesta vida terrena. Os santos são amigos que me ajudam a caminhar nos passos do Senhor. Eles intercedem por mim junto a Deus.

Creio na Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na Ressurreição da Carne, na Vida Eterna. Amém…

Todos os Santos do Céu rogai por nós!

Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...

Algumas pessoas deixam a Igreja, por frustações com padres, pastorais, movimentos, pessoas e etc. Não podemos negar que as pessoas falham, pecam, caem, frusta-nos. Mas devemos ter no coração que a Igreja é santa, porém composta por homens fracos e pecadores. Você e eu somos pecadores.

Podemos até nos afastar das pessoas que nos machucam, mas nunca nos separar da Igreja do Senhor.  Devemos permanecer inabaláveis a nossa fé, não estamos na Igreja atrás pessoas, mas de Deus.

Quem fundou nossa Igreja não foi homens, foi o próprio Jesus Cristo.

Se você está distante, confira este vídeo:

No meio do rebanho do Senhor existem lobos disfarçados de ovelhas. Aqui aparece a importância do papel do Pastor. Por maior que seja o rebanho, o pastor deve tratar de maneira individual as suas ovelhas, de maneira a arrancar do meio do rebanho, estes lobos malditos que estão disfarçados para roubar as ovelhas.

Aquele que tem o papel de pastorear o rebanho da Igreja é o Bispo. Com o seu cajado – o báculo – tem o papel de cuidar o povo de Deus, e tirar do meio da Igreja aqueles que tentam o contaminar a mente das pessoas com ideologias e modas mundanas, tentam usurpar a fé de seus filhos.

Devemos rezar muito por nossos bispos, porque o rebanho é muito grande, poucos são os operários para lhe prestar auxílio neste difícil trabalho de pastorear o rebanho do Senhor por um caminho seguro.