Um dia histórico e profético para cidade de Assis e para Igreja.

No século XIII (anos 1200), Francisco de Assis foi a Roma pedir ao Papa Inocêncio III a aprovação pontifícia do modo de vida de sua fraternidade. Os cardeais relutavam na aprovação, mas o Papa teve um sonho no qual Francisco de Assis sustentava sozinho a Basílica de Latrão da queda e destruição. Depois deste sonho, Inocêncio III aprovou a forma de vida da fraternidade, por ser um sinal profético para reforma da Igreja da época. Hoje este sonho profético se atualiza com o Papa Francisco que sustenta a Igreja com seus ombros.

Pintura do século XIII do sonho do Papa Inocêncio III

800 anos depois da vida e missão do santo, um Papa chamado Francisco visita Assis. Neste dia, o Papa foi como um grito do próprio santo para apresentar qual é o verdadeiro sentido de sua mensagem de amor e paz ao mundo, pois muitos interpretam a seu bel-prazer o que foi a figura do Irmão de Assis:

“A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos… Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem «toma sobre si» o seu «jugo», isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei (cf. Jo 13, 34; 15, 12).” (Homilia do Papa Francisco em Assis, 04/10/2013)

Assim o grito do Santo de Assis continua a ressoar em nosso meio mediante o Papa Francisco que purifica e amplifica esta mensagem de amor e paz tão necessárias para os nossos dias.

Neste dia que celebramos sua memória litúrgica, rezemos:

São Francisco de Assis rogai por nós!

Ademir Costa

Hoje vou partilhar um pouco de meu sagrado, por isso me delongarei um pouco mais neste post. É um dia muito especial.

Minha história com Francisco aconteceu ainda antes de ingressar na Comunidade Canção Nova. Em 2005 encontrei jogado na biblioteca do meu grupo de jovens em Itapecerica da Serra, o livro “O irmão de Assis”.

Meus irmãos, nesta época eu passava por uma grande crise interior. E lendo este livro tive um encontro com Francisco e Clara de Assis. E, Neste encontro pessoal, fui erguido e despertado do desânimo que passava, e ainda fiz um pedido para Francisco: “Que antes de morrer eu fosse à Assis”.

O que aconteceu? Eu ingressei na Comunidade em 2007 e, com menos de um mês fiquei sabendo da notícia do nosso Reconhecimento Pontifício e que Monsenhor Jonas desejava que todos os seus filhos espirituais estivessem em Roma na data do Reconhecimento. A Obra de Maria nos passou o roteiro da viagem e neste roteiro estava Assis. Já vi aí as mãos de Deus pela intercessão de Francisco.

Mas como viajar se eu não tinha um centavo? Aí, a Divina Providência entrou.

O pessoal da minha Paróquia em Itapecerica sabendo de minha situação se uniu e fez uma “vaquinha” para pagar minha viagem. Deus me deu este presente através de meus amigos e familiares que amo muito.

Chegando o dia da viagem para o nosso Reconhecimento Pontifício,  a mesma ia coincidir com a data meu aniversário dia 02 de novembro, e pelo roteiro do meu grupo eu passaria meu aniversário em Roma.

Mas três dias antes da viagem fiquei sabendo que o roteiro tinha mudado e que exatamente no dia de meu aniversário, eu estaria em Assis, creio que foi intervenção de Francisco de Assis.

Nisto vi que realmente que o meu amigo São Francisco tinha ouvido o meu pedido e era ele mesmo que tinha me dado aquele presente. Mas não acaba aí. No dia 1 de novembro viajamos de Fátima para Assis. Chegamos muito tarde à cidade de Assis, eram por volta das 23h, fiquei muito emocionado ao avistar a cidade. Eu e meus amigos não perdemos tempo, deixamos as malas no quarto do hotel e subimos os becos e vielas de Assis, logo nos dirigimos à Basílica de São Francisco, parecia um sonho. E exatamente no momento que estávamos em frente à Basílica Superior, um irmão olhou para o relógio e disse: ”já é meia-noite, já é o seu aniversário”. Só estava nossa turma naquele lugar, ali já cantaram parabéns e me fizeram ajoelhar diante da porta da Basílica, onde estão sepultados Francisco e os seus companheiros e rezaram por mim. Foi uma experiência maravilhosa, senti como que Francisco me falando: “Eis aí o teu presente”.

Voltamos para o hotel e olhando para Basílica da Porciúncula, na parte baixa da cidade, fiquei rezando com Francisco madrugada adentro. Nesta noite dormi menos de duas horas, pois acordei logo às 5 horas da manhã para caminhar sozinho pelas vielas de Assis. E subindo pelas ruas de Assis, deparei-me com uma linda Basílica, e entrando nela percebi que só havia eu naquele lugar, logo à frente me deparei com a Cruz de São Damião, a cruz da qual Jesus falou com São Francisco.  Olhando ao lado vi escrito Cripta de Santa Chiara, desci as escadas e encontrei o corpo da santa e suas relíquias, tive um profundo encontro com Clara. Um detalhe foi que subimos com o grupo de peregrinos mais tarde e mal dava para entrar na Igreja, realmente, minha amiga Clara quis me dar também este presente.

Por fim, a Porciúncula. Em um primeiro momento não entraríamos na Basílica por informações que ela estaria fechada por motivo de feriado na Itália, mas por Providência Divina a Basílica abriu pouco antes de partimos para Roma. Ao entrar na Porciúncula, que se localiza dentro da Basílica, não consegui conter a emoção, sentia como que Francisco estivesse a caminhar entre nós, foi maravilhoso. Um dos grandes momentos de minha vida.

Só posso concluir dizendo que foi o maior presente e o melhor aniversário de minha vida, junto com os meus irmãos de comunidade e junto com Francisco e Clara de Assis. Foi uma experiência simples, porém um encontro que marcou a minha vida. Assim partilho com vocês um pouco da minha vida, do sagrado que é a minha espiritualidade.

São Francisco de Assis rogai por nós