O poder financeiro está por trás da propagação da ideologia de gênero?

O mal por trás da propagação da ideologia de gênero.

O primeiro a falar do assunto em termos de “revolução antropológica” foi Bento XVI, no discurso de Natal à Cúria Romana em 2012. Desde então, o nível de atenção dos homens da Igreja à ideologia do gênero e à revolução antropológica subjacente a ela aumentou na mesma proporção da expansão dessa ideologia. O papa Francisco tem repetidamente levantado a questão.

Neste dia 30 de setembro, a Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma, organiza um debate moderado por Toni Brandi, presidente da associação ProVita, sobre “Ideologia de gênero: uma revolução antropológica”. Participam Filippo Savarese, da Manif Pour Tous Itália; a psiquiatra Dina Nerozzi, o padre dominicano especialista em Bioética Giorgio Maria Carbone e o economista Federico Iadicicco.

Iadicicco, membro do ProVita e coordenador do Departamento Vida e Família do partido Fratelli d’Italia, explicará as razões por trás da propaganda pró-indiferentismo sexual e contra a família, impulsionada por ambientes de poderosa influência financeira porque influencia as escolhas políticas de algumas das principais potências do mundo.

Entrevistado por Zenit, Iadicicco adiantou o que exporá no encontro.

ZENIT – O que testemunha o apoio do poder financeiro à ideologia de gênero?

Definitivamente e de forma inequívoca, o financiamento substancial que grandes multinacionais e ONGs mundiais dão periodicamente a associações LGBT: Apple, Coca-Cola, a Open Society de George Soros, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a Fundação Goldman, a Fundação Rockefeller, a Kodak, a American Airlines, a Pepsi, a Nike, a Motorola, só para citar alguns. Também é suspeita a atenção especial dos organismos supranacionais à promoção da ideologia de gênero nas escolhas legislativas nacionais. Basta considerar que a Organização Mundial da Saúde arruma tempo para ditar aos países as diretrizes de educação sexual para crianças em vez de lidar com os problemas reais da saúde no mundo.

ZENIT – Mas como a ideologia de gênero e o reconhecimento dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo favoreceriam essas empresas?

A involução do sistema econômico mundial produziu a concentração do capital nas mãos de pouquíssimos, que preferem a especulação financeira e a exploração de mão de obra barata em vez de investirem para aumentar a riqueza comum. Esses poucos têm uma capacidade financeira tão grande que podem determinar e influenciar as escolhas políticas. O poder político é afetado por esses potentados econômico-financeiros e já perdeu a sua autonomia de decisão. Esses poderes visam hoje a desintegração de todos os organismos intermédios, destruindo laços comunitários e relacionais para ampliar o seu poder, tornando o homem cada vez mais sozinho e incapaz de relacionamentos. Destruir a família significa tornar homem só, torná-lo um consumidor e súdito perfeito, que consome compulsivamente para tentar preencher sua solidão e que não é mais capaz de tecer relações sociais e comunitárias que possam ser um perigo para a gigantesca indústria que nos governa. A perspectiva mais perigosa, no entanto, o verdadeiro salto para esses poderes financeiros, acontece com a prática do útero de aluguel: quando o homem não souber mais quem é a sua mãe nem o seu pai, quando forem destruídos os laços parentais e, com eles, a nossa própria identidade, então o projeto estará realizado.

Todos os países do chamado Ocidente promoveram leis contra a família: uma lei contra a “homofobia” para amordaçar quem pensa diferente, uma lei sobre a propagação da teoria de gênero nas escolas para manipular as nossas crianças, uma intervenção para simplificar os divórcios, uma lei que implanta o casamento entre pessoas do mesmo sexo e as adoções homossexuais. Uma verdadeira agenda ditada por oligarquias financeiras supranacionais para desintegrar a comunidade que fundamenta a sociedade.

ZENIT – As leis contra a homofobia são então um instrumento jurídico nas mãos desses lobbies financeiros?

Certamente há uma estratégia para silenciar quem se opõe ao reconhecimento do chamado “casamento gay” e das adoções de crianças por casais gays, acusando-os de “homofobia” e introduzindo um crime absurdo de opinião com a clara intenção de eliminar a discordância. O fato, demonstrado por pesquisas estatísticas precisas, é que não há nenhuma emergência homofóbica generalizada.

ZENIT – Na sua opinião, existe diferença entre a esquerda e a direita “institucionais” sobre estas questões ou o apoio à ideologia de gênero já é transversal?

Há uma capacidade dos poderes financeiros e dos lobbies LGBT para influenciar no mundo independentemente de filiações políticas. Mas não se pode ignorar que a esquerda do século XXI aderiu ideologicamente às instâncias do laicismo e da cultura individualista. O genderismo está para a esquerda de hoje como o marxismo esteve para a de ontem.

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