Saudade do tempo em que o telefone ficava em casa

Ele tinha um lugar especial. Onde eu morava, na época com os meus pais, tinha na sala a mesinha do telefone. Nela colocava o aparelho e a lista telefônica, um livro grosso, que conseguíamos encontrar o número do telefone das pessoas.

Quando saíamos de casa, íamos com rumo certo para nossas atividades, sejam elas de trabalho ou de lazer. Se pensávamos em alguém, que sentíamos saudade, não víamos a hora de chegar em casa para dar o telefonema.

E por outro lado, que surpresa boa, quando ouvíamos o “trim, trim”, o telefone tocou. Quem será?  Atendíamos o telefone. E a surpresa estava por vir.

Tinha também a secretária eletrônica, que guardava as ligações não atendidas e tínhamos um tempo, para pensar e ver como responder.

Dávamos o número do nosso telefone para pessoas íntimas, pensávamos antes de dar o número do telefone, pois dar o número do telefone era já um sinal de acolhida. Não tínhamos, 100,200, 300,400,700, 1.000…( pessoas contatos) no bolso, na bolsa, andando conosco 24 horas. E que a qualquer momento, poderiam entrar na nossa rotina, muitas vezes, sem pedir licença e nos distraímos daqueles que estão ali na nossa frente, na nossa casa.

Escrevi essas poucas linhas, porque estava em um dos aeroportos de São Paulo, esperando um voo para Florianópolis. Era hora do almoço. Estava no restaurante e na mesa ao lado da minha estava um casal, com sua filha, provavelmente de 9 anos, com sua boneca. Ali permaneceram por 30 minutos.

O pai com uma mão no celular, a outra no garfo.

A mãe da mesma forma, uma mão no celular, outra no garfo.

A menina brincando de ensinar a boneca a mexer no celular.

Olhando essa cena. Pensei :“ Que saudade do tempo, em que o telefone ficava em casa. E imaginei, se ele não estivesse ali nas mãos daquelas três pessoas, o que será que elas estariam fazendo durante os 30 minutos de almoço, que estiveram naquela mesa? 

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