De novo a missa em latim? – D. Redovino Rizzardo
 13 de julho de 2007

No dia 7 de julho, o Vaticano publicou uma Carta Apostólica de Bento XVI, destinada a facilitar a celebração eucarística segundo o antigo Missal Romano, em vigor até a reforma introduzida por Paulo VI, em 1970. No documento, o Papa também lembra que a Missa em latim nunca foi abolida; ela continua sendo rezada em diversas circunstâncias, por inúmeras pessoas e comunidades –, como qualquer outra língua.

Como se lembra, durante o Concílio Vaticano II (1962/1965), a Igreja sentiu necessidade de rever algumas de suas posições em relação ao mundo e à sociedade. Nesse esforço de “aggiornamento” – como então se falava –, começou-se pela liturgia, na convicção de que a renovação parte da oração. Foi assim que, em 1962, João XXIII fez uma primeira revisão do Missal Romano, deixando o latim como língua litúrgica. Em 1970, seu sucessor, Paulo VI, avançou bem mais, e a nova reforma – em vigor até os nossos dias –, entre outras novidades, autorizou o uso do vernáculo na celebração dos sacramentos, sem, contudo, proibir o latim.

Por que Bento XVI emanou um decreto que, à primeira vista, apresenta todos os sinais de uma volta ao passado? Prevendo as críticas e o desgaste que a medida suscitaria em muitos ambientes, ele mesmo dá a resposta: «Trata-se de chegar a uma reconciliação interna no seio da Igreja. Olhando para o passado, para as divisões que no decurso dos séculos dilaceraram o Corpo de Cristo, tem-se continuamente a impressão de que, em momentos críticos, quando a divisão estava para nascer, não foi feito o suficiente por parte dos responsáveis da Igreja para manter ou reconquistar a reconciliação e a unidade; fica-se com a impressão de que as omissões na Igreja tenham a sua parte de culpa no fato de tais divisões se terem consolidado. Esta sensação do passado impõe-nos hoje uma obrigação: fazer todos os esforços para que todos aqueles que nutrem o desejo sincero da unidade, tenham possibilidades de permanecer nesta unidade ou de encontrá-la novamente».

Com essas palavras, Bento XVI, como teólogo e profundo conhecedor da história, nos lembra que teria sido suficiente um pouco mais de tolerância e de respeito mútuo para se evitar as grandes rupturas que abalaram e continuam dividindo a Igreja ainda hoje. É preferível o menos perfeito em unidade do que viver se digladiando em busca do que se julga o mais perfeito – se é que existe perfeição fora da comunhão!

O Papa esclarece que o documento é fruto de «longas reflexões, múltiplas consultas e oração», e não pode ser visto como «menosprezo ou dúvidas contra a autoridade do Concílio Vaticano II»: «A este respeito, é preciso antes de tudo afirmar que o Missal publicado por Paulo VI e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a forma normal – a forma ordinária – da Liturgia Eucarística. A última versão do Missal Romano anterior ao Concílio, que foi publicada sob a autoridade do Papa João XXIII, em 1962, e utilizada durante o Concílio, poderá, por sua vez, ser usada como forma extraordinária da Celebração Litúrgica».

Como comportar-se na prática do dia-a-dia, em nossas comunidades? Eis a diretriz oferecida pelo próprio Papa: «Nas paróquias onde haja um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco acolherá de bom grado seu pedido de celebrar a Santa Missa segundo o rito do Missal Romano editado em 1962. Deve procurar que o bem destes fiéis se harmonize com a atenção pastoral ordinária da paróquia, sob a direção do bispo, evitando a discórdia e favorecendo a unidade de toda a Igreja».

Se alguém me perguntasse como vejo o novo documento papal, responderia que se trata de mais uma concessão de Bento XVI aos fiéis – normalmente ligados a movimentos “tradicionalistas” – que têm problemas de consciência em participar de celebrações eucarísticas mais vivas e espontâneas, como se começou a fazer a partir do Concílio Vaticano II. Em outras palavras, um novo ato de compreensão e de amor para evitar que, por motivos litúrgicos, se perca o que é mais importante: a unidade da Igreja.

Costuma-se dizer que os extremos se tocam. Assim, como reação aos “modernistas”, que se sentem donos da celebração e acima de quaisquer normas litúrgicas, fortificam-se os “conservadores” na defesa de um ritualismo vazio e estereotipado. Não foi por nada que os antigos latinos cunharam o provérbio: “Virtus in medio: a virtude está no meio”, ou seja, no equilíbrio.

De minha parte, não vejo motivo algum para se retomar, na Igreja que presido, um rito que já teve a sua época áurea. Há assuntos bem mais urgentes com que se preocupar! E não é que estou contra o latim: o pouco de português que aprendi, veio precisamente do latim!

Dom Redovino Rizzardo, cs

Bispo de Dourados (MS)

domredovino@terra.com.br

 

12 Comentários

  1. Nunca assisti a uma missa em latin… Deve ser bonito.Mas só de vez em quando…

  2. “Se alguém me perguntasse como vejo o novo documento papal, responderia que se trata de mais uma concessão de Bento XVI aos fiéis – normalmente ligados a movimentos “tradicionalistas” – que têm problemas de consciência em participar de celebrações eucarísticas mais vivas e espontâneas, como se começou a fazer a partir do Concílio Vaticano II.”
    Se existe algum “tradicionalista” com problemas de consciência, que seja em aceitar ou participar de “celebrações mais vivas e espontãneas” na opinião da Vossa Eminência ai em cima, não é isso a finalidade do MOtu Proprio.

  3. Rudini Sampaio

    Esse texto reflete bem a resistência que vai haver dentro da Igreja para aceitação do Motu Proprio. O texto vai muito bem, até chegar nos dois ultimos paragrafos. Lá diz que “os conservadores defendem um ritualismo vazio e estereotipado”. E as missas show de hoje em dia defendem uma alegria superficial e sem convicções? O cuidado com a liturgia é uma preocupação séria. Muitos fieis gostam da missa antiga como uma defesa contra os exageros, que, digamos, são frequentissimos. Depois diz: “não vejo motivo algum para se retomar, na Igreja que presido, um rito que já teve a sua época áurea. Há assuntos bem mais urgentes com que se preocupar”. Segundo o Motu Proprio, o motivo não precisa vir do bispo, mas dos fieis. Será que ele pensa conhecer a vontade de todos os seus fieis? E se um grupo de fieis fizerem o pedido pela missa tridentina nessa paroquia? Ele não vai permitir, porque “há assuntos bem mais urgentes com que se preocupar”? Estaria indo contra a vontade do papa.

  4. Luiz Antonio

    Estes “assuntos bem mais urgentes com que se preocupar”…..devem ser ligados à Teologia da Libertação, cujos adeptos priorizam o material ao espiritual.

  5. Pedimos muitas orações urgentes para o Sr Valério Schillo que se encontra enfermo com câncer. Peçam a Deus que o livre desta doença e entrem nessa corrente de oração por ele. O Sr Valério é uma pessoa fantástica e que meresse receber essa graça, pois toda sua vida ajudou pessoas e continua ajudando de todas as formas possíveis…Precisamos dele bom para continuar seu trabalho de ajuda aos seus semelhantes…Deus todo poderoso, Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida, Padre Manoel e Coroinha Adilho, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora de Fátima, Jesus da Misericórdia…Todos os Anjos e Santos, intercedam por Valério Schilo e pela sua Cura…
    Se cada pessoa puder rezar pelo menos uma Ave Maria, Um Pai Nosso, Um Creio, Um santo Anjo por ele tenho certeza que Deus nos atenderá. Conto com vocês…

  6. João Barbosa

    Assisto a missa em latin, e gosto muito, eu não entendo latin, mas isso não é o mais importante, o importante é a compreensão da liturgia, e da importancia do que realmente representa a Santa Missa.

  7. Sérgio Alfaia

    Concordo com D. Redovino no que diz respeito ao equilíbrio, que muitas vezes é difícil de se alcançar entre conservadores e modernistas, entendo que nossa rica liturgia, deve ser realmente preservada assim como a lingua mãe de nossa Santa Igreja, porém, num momento em que nas comuidades, experimentamos uma evasão de fieis de nossas celebrações, por serem quase que mecanicas, sou conduzido a achar que depende muito de quem celebra e de sua sintonia com a assembléia que preside. Precisamos atrair do mais culto ao mais simplório, do mais moderno ao mais tradicionalista, então que sigamos a recomendação de nosso Sumo Pontífice, onde e quando for positivo, que se insira o latim, nas comunidades onde isso apenas afastaria o povo, que nem se cogite esta possibilidade!
    Mas com certeza temos assuntos mais urgentes a tratar, como a evasão aqui mencionada, ou ainda a empatia de nossos sacerdotes.
    Paz e Bem!!!

  8. fatima alcantara ( mãe )

    PEÇO ORAÇÃO PELAS ALMAS DOS MEUS FILHOS;
    FABIO ALEX DA SILVA – nascimento 30/03/1972 faleceu 31/12/2003
    FLÁVIO ALEX ALCÂNTARA – nascimento 21/03/1974 faleceu 23/01/2008
    EM NOME DE DEUS OREM PELOS MEUS FILHOS,
    DEUS ABENÇOA A TODOS QUE ORAREM.

  9. Maria - Palmas -To

    EM AÇÃO DE GRAÇAS PELO SUFRAGIO DAS ALMAS DOS ANTEPASSADOS DE MARIA DE FATIMA XAVIER RIBEIRO, JESUS DEPOSITO MINHA INTENÇÃO EM TODOS OS ALTARES DO MUNDO INTEIRO ONDE ESTÃO SENDO CELEBRADO MISSA , LIBERTA A FATIMA DE TUDO QUE É MAL, DAI ORDENS A TEUS ANJOS PARA ACAMPAREM AO REDOR DELA E FAZER COM QUE ELA CUMPRA COM SEUS COMPROMISSOS JESUS ENVIA TEU ESPIRITO SANTO E REVELE A FATIMA UMA FORMA DE PAGAR OS SETE MIL REAIS QUE ME DEVE .
    JESUS AGE COM PODER PRECISO QUE ESTE MILAGRE ACONTEÇA PARA GLÓRIA DE TEU NOME. MEU DEUS EM NOME DE TEU FILHO JESUS, O SENHOR DIZ NA TUA PALAVRA QUE TUDO QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NO CÉU… EU LIGO A TI AGORA JESUS EM TEU NOME A VIDA DE MARIA DE FATIMA XAVIER RIBEIRO JUNTAMENTE COM TODAS AS SUAS AÇÕES… QUE DESTE MOMENTO EM DIANTE O ESPIRITO SANTO É QUEM VAI GUIAR E CONTROLAR TUDO QUE ELA FIZER..JESUS TU ÉS O DONO DO OURO E DA PRATA….O DEUS DE TODO PODER…MEU PAI MISERICORDIA…VEM EM SOCORRO DA MINHA NECESSIDADE… PROVIDENCIA CONDIÇÕES PARA FÁTIMA ME PAGAR.

    MARIA MOURA DE LIMA

  10. “fortificam-se os “conservadores” na defesa de um ritualismo vazio e estereotipado.”

    é meu povo, é esse tipo de coisa que ouvimos hoje daqueles que respeitamos como sucessores dos apóstolos. A igreja é há 2000 anos uma igreja ritualistica, ou seja, o senhor bispo praticamente disse que durante todo esse tempo a igreja fora “vazia”.

    Antes do respeito a qualquer bispo, devo respeito ao Papa e a Cristo, presente na eucaristia que hoje é tão banalizada. Envergonho-me de saber que um bispo faz comentário como esse, é muito triste mesmo!

    Talvez ele prefira as missas com trilha sonora de forró, com um bando de “ministros” de eucaristia invadindo o santo altar, ou melhor, as missas da bichona do padre Pinto!

    Deus tenha piedade desse bispo, ou seja lá o que esse senhor seja…

  11. Existem coisas inportantes na igreja, e serem resolvidas, mas de maneira nehuma a missa em latin deve ser esquecida, pôs o latin é a ligua oficial da igreja, e preserava todo conteudo inportante da missa.
    o que tem que parar na missa moderna, é esse negocio de inplantar cântigos protestantes na missa, ou essa badalação, que mas parece uma micareta, pula-se, para lá, grita-se para cá, nem parece que é o sacrificio do nosso deus ( jesus ) no altar, parece os inimigos de cristo condenando cristo alegre e feliz com a sua condenação, enquanto o povo de deus em silêncio sofria com ele e ao mesmo tempo se santificava, é inacreditavel que um bispo aceite cântigos protestantes na missa, e praticamente condena o latin que e a voz oficial da igreja.

  12. Edson de Souza

    Fico muito triste em saber que o Bispo de minha paróquia pensa assim, D. Redovino preocupa-se mais com as coisas do Homem do que a de deus, por isso pensa assim. Esta preocupado com o ecumenismo entre religiões,com o relativismo bíblico, com o racionalismo e a historicidade real, triste é ver um bispo que não acredita no metafisico e no transcedental.

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