16. maio 2008 · 4 comments · Categories: Aborto

O jornal El Mundo, trouxe em 19 de dezembro de 2003 uma crônica de Jane Roe, sob o titulo de “A pioneira do aborto arrependida”
Em 22 de janeiro de 1973 a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu o direito ao aborto de Jane Roe, nome fictício para proteger Norma McCorvey, uma mulher de Dallas, soltera, pobre, maltratada e que usava drogas. O Texas estava, então, entre os Estados que condenavam com até cinco anos de prisão a mulher que abortasse.
A sentença Roe contra Wade chegou tarde para que a jovem interrompesse a sua gravidez, mas o seu caso extendeu o direito do aborto a todo o país. Trinta anos depois, Norma McCorvey, que agora tem 55 anos, luta pela vida e renega todo o seu passado, se converteu ao catolicismo e criou um grupo anti-aborto, chamado “Roe nunca mais”. “Tudo mudou quando me converti ao cristianismo”, explicou Norma a CRONICA por telefone.
Por que motivo abandonou a causa que defendeu durante 20 anos?
Simplemente compreendi que não se pode tomar a vida de uma criança e matá-la, isto não é para os que creem em Deus. A primeira vez que fui à Igreja, um sábado à noite, acompanhada de duas meninas pequenas, senti que tinha de pertencer a esta comunidade e renegar tudo.
Você se arrepende de tudo o que fez em sua vida anterior?
Por sorte, eu não cheguei a abortar. Agora aconselho as mulhers desesperadas. Minha missão na vida é ajudá-las a evitar que abortem.
Você não admite o direito ao aborto em absoluto, nem mesmo em casos de estupro ou perigo para a vida da mulher?
Não há nenhuma diferenaça. De qualquer forma, continua sendo um assassinato.
Durante 17 anos McCorvey permaneceu no anonimato. Deu a seu filho em adoção e tentou seguir adiante. Para os grupos pró-aborto, ela era uma heroína; para a frente anti-aborto, o simbolo da degradação do país. Somente nos anos 80 revelou o mistério de quem era Jane Roe. Então escreveu um livro e se voltou ativamente à defesa do direito que ela havia conseguido para todas as americanas. Inclusive trabalhou em clínicas abortivas como conselheira.
Neste tempo, segundo conta agora, tentou várias vezes os suicídio e se entregou às drogas pela dor de consciência de haver sido a causa da perda de tantas vidas.
Em 1995, Norma deu um giro radical a sua vida e surpreendeu aos ativistas das duas partes. Foi batizada e se uniu a um grupo ultra cristão contra o aborto chamado Operação Resgate.
Norma entrou em contato com eles quando a Associação abriu uma delegação justo ao lado de uma clínica onde trabalhava. Uma cura mudou a sua vida, e ela decidiu renegar tudo o que havia sido em suas últimas quatro décadas.
Inclusive o seu lesbianismo. Norma tinha vivido durante 30 anos com Connie Gonzales, sua única parceira desde que as duas se converteram ao catolicismo. Continuam partilhando a vida e a profissão, mas Norma agora vê a homossexualidade como pecado. Connie controla de perto todos os movimentos de Norma, é sua sombra constante. A protege da imprensa, das críticas e do que haja falta. Filtra suas chamadas telefonicas e basicamente vive para ela. É tão radical em suas posições como Norma. “Quando passou o que passou, não havia grupos como nós que ajudaram a mulheres” explica Connie sobre Texas, um dos estados mais conservadores do país.
Segundo ela Norma caiu nas garras das advogadas pró-abortistas porque não havia médicos e nem ativistas que lhe deram apoio.Neste país, todo mundo cuida das mulheres como ela, muitos pessoas defendem a vida. Não sei como é no resto do mundo”, conclui Connie. “Sou ex-lebiana, ex-pró-abortista, ex Jane Roe”, disse Norma em um documentário. Sou uma ex de tudo, parece que quanto maior sou, mais ex me volto”.
Como justificação a seus anos de ativismo pró-aborto, afirma que foi manipulada por “advogadas ambiciosas” que utilizaram a uma garota desesperada para fazerem-se famosas e conseguir seus propósitos, e que depois abandonaram.
Em 1969 ela estava só, tinha deixado o Colégio e já tinha dado filhos para adoção. As advogadas Sarah Weddington e Linda Coffee, a convenceram para que denunciasse ao fiscal de Dallas, Henry Wade, e lutar pelo direito de abortar no Texas. E assim nasceu Roe contra Wade: segundo Norma, um acúmulo de mentiras. Disse a suas advogadas que a haviam violentada, com a intenção de que a Justiça fosse mais rápida em seu caso. Anos depois confessou que não era certo: sua gravidez foi fruto de “uma simples aventura”, segundo declarou em uma entrevista no 25º aniversário da sentença, em 1998.
No começo dos anos 90, começou a decepcionar-se das campanhas e da clínica; não suportava a pressão de todas as mulheres que a cercavam para lhe dar graças por haver permitido que elas pudessem abortar.
Quando começou a trabalhar com o grupo católico, toda a sua vida até o momento lhe pareceu um erro. “Caiu da bandeira de símbolo do aborto, e fui direta aos braços de Deus”, explica uma ativista católico na página web de “Roe nunca mais”. Assim Norma se converteu em porta voz de sua causa e publicou um novo livro contrário a tudo que tinha feito antes: “Won by Love” (Vencida pelo Amor).
Faz cinco anos, declarou no subcomitê constitucional dirigido por John Ashcroft, então senador e ativista anti-aborto que recolhia testemunhos para combater a decisão do Supremo Tribunal. Este é o aniversário de uma trajédia” disse o hoje fiscal geral dos Estados Unidos. “Foram perdidas 37 milhões de vidas de crianças que nunca conheceram o calor do abraço de um pai ou a força do carinho de uma mãe”.
Norma McCorvey disse rezar cada ano que passa para que não chegue o aniversário seguinte.
No portal da página web dos defensores da vida há uma imagem de um feto, acompanhada da frase: “Eu sou americano”. Patriotismo e anti-aborto em uma combinação perfeita.

4 Comentários

  1. Tiago Paolini

    Aí vai uma crítica construtiva ao artigo: nome próprio em princípio não se traduz, pois o nome próprio que uma coisa ou pessoa recebeu originalmente é o seu nome oficial em qualquer local do mundo.

    O nome do grupo anti-aborto foi apresentado como “Roe Nunca Mais”, quando o nome original é “Roe No More” (http://www.leaderu.com/norma/). Isso acaba dificultando a pesquisa sobre o assunto, pois o mais correto é pesquisar pelo nome original. O mais apropriado seria ter apresentado o nome original, e uma tradução entre parênteses.

    Outra crítica construtiva: no final do texto se diz “No portal da página web dos defensores da vida…“, mas não se informa o endereço da referida página. Seria interessante que ele aparecesse.

    Abraços,
    Tiago

  2. Edem de Almeida

    A história do movimento abortista, principalmente nos EUA, é uma sucessão de fraudes. A mais famosa foi esse citado pelo Prof. Felipe: o processo Roe versus Wade, que legalizou o aborto nos EUA enganando a Suprema Corte com o falso depoimento de uma jovem que alegava ter engravidado por estupro.

    Bernard Nathanson, importante líder da luta pela liberação do aborto nos anos 60, admitiu anos depois ter falsificado estatísticas sobre a quantidade de abortos ilegais para persuadir o público a aceitar a nova lei.

    A outra grande propagandista do aborto é CDD (Católicas pelo Direito de Decidir). A mentira é de tal ordem radical que está até mesmo no nome de sua própria organização, pois não são católicas de forma alguma, pelo contrário, há provas concretas que são satanistas.

    A Planned Parenthood, barulhenta organização abortista dos EUA, está sob investigação porque há décadas seus membros médicos praticam abortos em meninas menores de 14 anos sem apresentar prova de estupro, exigida por lei nesses casos. São alguns milhões de crimes, sob o manto de uma “luta pelo direito”.

    Cristo eninou-nos que o demônio é o pai da mentira. Nenhuma causa moderna pode ser comparada a essa pelo número de fraudes utilizado na tentativa de alcançar um objetivo. Os meios que os abortistas empregam provam quem é o “pai espiritual” dessa família diabólica.

  3. Infelismente os Estados Unidos pagará o preço de ter permitido tantos abortos ao longo dos anos.

  4. ao ler esse texto, me lembrou a conversão de Paulo… Jesus convertendo aquela que lutava a favor do aborto.
    Obrigado pelo post!
    No meu blog, estou falando de aborto no dia de hoje também.
    Abraços

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