Uma relíquia é parte do corpo de um santo ou objetos que estiveram ou foram usados por estes, aos quais os católicos, prestam veneração ou reverência.

A palavra relíquia tem origem no latim reliquiae, que significa resto.

A Igreja estabeleceu três classificações de relíquias:

Primeira classificação – parte do corpo de um santo (fragmento de osso, unhas, cabelo etc.). Temos por exemplo, as relíquias de Santa Teresa D’Ávila, que se encontram na Espanha: conservam-se seu braço e o coração. A Igreja guarda também a língua e a faringe de Santo Antônio de Pádua na Catedral de Pádua, Itália.

Segunda classificação – objetos pessoais de um santo (roupa, cajado, os pregos da cruz, e outros).

Terceira classificação – inclui pedaços de tecido que tocaram no corpo do santo ou no relicário onde uma porção do seu corpo está conservada.

É proibido sob pena de excomunhão, vender, trocar ou exibir para fins lucrativos relíquias de Primeira e Segunda Classe. As relíquias são guardadas geralmente por pessoas da família no caso de ser um objeto.

A veneração das relíquias é uma ato tão natural que se encontra também fora do catolicismo. Assim os muçulmanos guardam na mesquita de El Jazzar em Akko (Israel) alguns pêlos da barba de Maomé, que todo o ano são apresentados aos devotos durante o mês do Ramadã. Em 1988 as autoridades soviéticas (comunistas), para comemorar o aniversário do Batismo da Rússia, devolveram ao Patriarca de Moscou as relíquias conservadas no Kremlin.

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O costume das relíquias dos santos vem desde os primórdios do cristianismo. Primeiramente os mártires foram cultuados; o povo de Deus recolhia seus corpos e os sepultava com reverência. As sepulturas dos mártires eram visitadas por peregrinos; muitos queriam ser sepultados junto a um mártir, pois julgavam que este intercederia ainda mais por eles no Céu.

Infelizmente no passado, especialmente na Idade Média, houve muitos abusos com a veneração das relíquias, atribuindo-lhes um poder mágico, havendo comercialização e também muitas falsas relíquias.

Os Cruzados, ao voltarem do Oriente traziam consigo “maravilhosas relíquias”, nem sempre verdadeiras; assim, por exemplo, segundo os Evangelhos apócrifos, a Virgem Maria teria deixado ao Apóstolo Tomé o seu véu, como testemunho da sua Assunção aos céus; isto não é verdade.

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Os abusos provocaram a rejeição das relíquias por parte do protestantismo, no entanto, o Concílio de Trento analisou a questão e aprovou o seu uso correto:

“Ensinem os bispos diligentemente que devem ser venerados pelos fiéis os sagrados corpos dos santos mártires e dos outros que vivem com Cristo, [corpos] que foram membros vivos de Cristo e templos do Espírito Santo (cf. 1Cor 3, 16;6, 15.17.19; 2Cor 6,16) e que por Ele hão de ser ressuscitados para a vida eterna e glorificados, e pelos quais concede Deus aos homens muitos benefícios.

Por isso, aqueles que afirmam que às relíquias dos santos não se deve prestar veneração e honra, ou que elas e outros sagrados restos mortais são inutilmente venerados pelos fiéis, ou que em vão se cultua a memória deles para lhes pedir ajuda: [aqueles que tais coisas afirmam] devem ser de todo condenados, como já antigamente os condenou e agora também os condena a Igreja” (Collantes, FC n. 7255).

Retirado do livro: Por que venerar as santas relíquias? Coleção Formação Católica. Prof. Felipe Aquino. Editora Cléofas, 2017.

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