Nas grandes conquistas e navegações pela América, África e Ásia vemos os missionários que entregaram suas vidas aos povos a fim de evangelizá-los, denunciando os abusos dos colonizadores, defendendo os povos escravos.

Menos de cem anos depois da chegada de Cristóvão Colombo em São Domingos (12 de outubro de 1492), a fé católica já era propagada do Canadá até a Argentina. Nas caravelas do descobridor português Vasco da Gama para as Índias, o Cristianismo penetra com Roberto Nobili e Matteo Ricci na China, São Francisco Xavier no Japão, nas Molucas, Filipinas, Congo etc.

Já as primeiras viagens dos descobrimentos contaram com missionários nas caravelas. Na segunda expedição de Colombo, em 1493, ele levou consigo um grupo de monges e clérigos, chefiados por Bernardo Buil, beneditino de Monserrat; e na terceira expedição ocorrida em 1498 levou um batalhão de franciscanos. Em 1494, construiu em Espanhola (República Dominicana e Haiti) a primeira igreja do Novo Mundo. Em seguida vieram os beneditinos, cistercienses, carmelitas, agostinianos, mercedários… (Rops, Vol. 5, p. 288).

Os missionários desenvolveram a instrução, criaram obras de assistência, fundaram quatrocentos mosteiros, inúmeras igrejas, abriram universidades, seminários, escolas, hospitais, asilos…, o que fez a América Latina se tornar o maior continente católico do planeta.

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A pedido do rei de Portugal, o Superior-geral dos jesuítas, Simão Rodrigues, designou os sacerdotes Manoel da Nóbrega (1517-1570), Leonardo Nunes, Antônio Pires e João de Aspicuelta, e os noviços, Vicente Rodrigues e Diogo Jacome, para acompanharem a armada que trazia o primeiro Governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, que desembarcou na Bahia de Todos os Santos em 29 de março de 1549. Em 1550, chegaram mais quatro padres: Salvador Rodrigues, Manuel de Paiva, Afonso Bráz e Francisco Pires. Em 1553, com o Segundo-governador, Duarte da Costa, vieram mais dois sacerdotes, Luís de Graã, e quatro noviços, entre os quais, São José de Anchieta.

Neste século XVI com as descobertas e conquistas do mundo, graças aos portugueses e espanhóis católicos, o santo sacrifício da Missa uniu os homens de todas as raças da terra. Diz Daniel Rops: “era certamente um belo espetáculo presenciar em Lisboa a partida anual da frota para a Índia, a 25 de março, dia da Anunciação, precedida por uma procissão grandiosa que, entre cânticos, vivas e repicar de sinos, desfilava ao longo das margens do rio Tejo até a Torre de Belém, diante das quais estavam fundeadas as caravelas” (Rops, Vol. 5, p. 277). O próprio Camões enaltece Os Lusíadas, apóstolos de Cristo, “por terem desprezado os perigos mais temíveis para levar o facho da verdade” (Idem, p. 278).

Os descobridores da América do Sul eram católicos. Fernão de Cortés, o conquistador do México, disse numa ordem do dia a sua tropa: “Amigos, sigamos a Cruz, e se tivermos fé, com esse sinal venceremos” (Idem, p. 279). O historiador Daniel Rops reconhece que o primeiro motivo da conquista da América foi a evangelização. É o que distingue o empreendimento espanhol e português dos demais colonialismos anteriores e posteriores.

Cortés escreveu num dos seus relatórios ao imperador:

“Estávamos na disposição para ganhar para Vossa Majestade os maiores reinos e domínios que havia no mundo. Além disso, ao fazer aquilo que, pelo fato de sermos cristãos, devíamos fazer, ganharíamos a glória no outro mundo, e, neste, conseguiríamos mais honra e renome que jamais uma nação conquistou até hoje” (Ibidem, p. 281).

Um dos infantes de Cortés “quis estabelecer-se como eremita num antigo templo indígena destinado aos sacrifícios humanos a fim de consagrar a sua vida à penitência pelos horrores que ali se tinham cometido” (Ibidem p. 283). Garsilaso de la Vega, filho de uma princesa inca e um conquistador espanhol, e autor da primeira Relación da conquista do Peru, narra sem ressentimentos e até com orgulho a tomada do Império Quíchua por Pizarro… Não só não deplora a queda do Império Inca, mas, afirma explicitamente que se tratou de um fato providencial e agradece a Deus a possibilidade de que seu povo tenha podido ter assim o contato com o cristianismo” (Ibidem, p. 283). Isto desmente diversas mentiras contadas sobre a evangelização e a colonização da América espanhola.

Retirado do livro: “História da Igreja – Idade Moderna e Contemporânea”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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