ACIDENTE DE PERCURSO

A importância da oração em nossa vida é sem limites. Lembro de uma sexta-feira, que começou chuvosa em Cachoeiro do Itapemirim-ES. Levantei cedo porque pegaria a estrada as sete da manhã. Como de costume, eu e Valéria fizemos uma oração, antes de ouvir a buzina do colega da empresa em frente a casa. Nos despedimos, enquanto minha esposa sentia o coração tão apertado, que nem conseguiu voltar a dormir. Se ajoelhou diante do Jesus crucificado, que temos na cabeceira da cama e começou a rezar e pedir pela minha viagem.

Sentei no banco carona da pick-up da emissora que trabalhava e meu companheiro de viagem estava meio receoso, com tanta chuva. Seguimos pela BR-101, em direção a Vitória-ES. Logo nos primeiros quilômetros de estrada, me senti muito incomodado com o cinto de segurança. Estava meio desregulado, machuvaca o pescoço e fui tentado tirá-lo. Só que ao descer a mão em direção a fivela, toquei em minha perna e senti as bolinhas do santo terço que estava em meu bolso. Imediatamente troquei de ideia, sem perceber.

Em vez de tirar o cinto de segurança comecei a rezar o terço e minutos depois, o meu companheiro de viagem fez uma curva, que estava totalmente alagada. Ele não conseguiu segurar a pickup e em fração de segundos vi minha vida passar inteira em meus pensamentos achando que era o fim da linha, enquanto a mureta de contenção da estrada se aproximava de minha porta. A caminhonete bateu forte na mureta e capotou terminando de rodas para cima. Ainda lembro do teto ralando no asfalto e descendo em direção a minha cabeça.

Quando o barulho cessou, estava pendurado pelo cinto de segurança e de ponta a cabeça. Só depois que saímos do carro percebemos que a pick-up estava no meio da pista e por muito pouco ela não foi “varrida” por uma daquelas carretas, que transportavam blocos de mármore. Sentia o ombro doer e cantava comemorando: “…quem me segurou, foi Deus, com teu amor de pai… quem me amparou, foi Deus!!!” Meu companheiro parou um ônibus, que seguia para Cachoeiro do Itapemirim-ES e pediu ao motorista que me deixasse no hospital.

Entrei no ônibus, enquanto as pessoas apavoradas me olhavam e comentavam: “…eles nasceram de novo…”. Olhei pela janela e vi que elas estavam certíssimas. A pick-up estava detonada e meu colega de empresa, sem um arranhão sequer, coçava a cabeça ainda sem entender o que aconteceu. Foi quando o meu celular tocou. Era Valéria, que após a oração sentiu nescessidade de falar comigo e saber como estava a viagem. Apenas disse que estava chovendo muito e por isso resolvemos voltar para Cachoeiro. Ela respirou aliviada e eu já não consegui enchergar as pessoas e nem a paisagem enxarcada. Agora a chuva era em meus olhos, tamanha a emoção que senti ao perceber que foi Nossa Senhora, nossa mãe, que mudou o fim dessa história.

Cheguei ao hospital e o médico constatou que estava com a cravícula direita, descolada. Me levou para imobilizar meu lado direito, enquanto dizia que depois de 15 dias, seria necessário fazer uma cirurgia para a colocação de um grampo para unir a cravícula ao ombro. Perguntei se resolveria e ele disse que só não poderia pegar peso, pois poderia descolar o osso outra vez. Foi aí que decidi não operar e deixar essa marca da vitória em minha vida, sob a intercessão de Nossa Senhora. Hoje, dia da Imaculada Conceição, agradeço a Virgem Maria e digo, por experiência própria, que a oração é capaz de mudar o rumo da estrada e te fazer perceber que vale a pena ser de Deus.

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova
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Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.