(Mergulhões-de-crista com filhotes)
Por Corinna Leonbacher – Alemanha

Fui buscar nessa fotografia da alemã, Corinna Leonbacher, vencedora do prêmio 2021 da Sociedade Alemã de Fotografia de Natureza, a inspiração do texto de hoje. Na verdade, esse é o tipo de registro raríssimo de se ver, por conta da riqueza de detalhes. A mãe amparando os filhos na asa e o pai providenciando o alimento para todos. A vida e os costumes de família dos mergulhões não sofreram alterações ou intervenções ao longo dos séculos. Basicamente é assim que se cumpre as regras da natureza. Cada bicho com sua particularidade, com seu habitat natural, com sua cadeia alimentar e com sua perpetuação da espécie. Só o homem pode quebrar toda a harmonia e sequência natural dos mergulhões ou de qualquer outra espécie da fauna e flora mundiais. A poluição de mares, rios e lagos. O desmatamento de matas e florestas. Agressões ambientais que colocam em risco inúmeras espécies e a extinção de tantas outras. Mas não existe degradação que não venha acompanhada de grandes consequências. O processo natural de uma família de aves como os mergulhões, cumpre a regra da criação. O macho corteja a fêmea que se encanta com suas cores únicas. Eles se acasalam e preparam o ninho, onde os ovos são colocados e chocados até que os filhotes nasçam. O macho é o provedor e a fêmea a educadora. Mas no processo natural da família humana, o homem pode bagunçar tudo e transformar o que é fácil e simples em algo confuso e complexo de entender. Os séculos se completam, bordados de revoluções, convulsões e confusões bélicas e mentais. Muitos desses momentos são carregados de traumas e transformações, que afetaram duramente a forma de ser família. Hoje homens e mulheres são motivados a buscarem freneticamente, destaque, posição e reconhecimento no mercado de trabalho, no status pessoal e o que é pior, de forma individual, sem a graça da união marido e mulher. E esse individualismo tem gerado rachaduras irreparáveis na espécie e no relacionamento entre o homem esposo e a mulher esposa, que também são pai e mãe. Hoje existem várias formas de união e parcerias, criadas entre os seres humanos. Fica cada vez mais difícil traçar a ordem da natureza humana, como a dos mergulhões. Entre nós, nem sempre é o homem que providencia o alimento para esposa e filhos. Entre nós, nem sempre é a mãe que dá o carinho e educação inicial aos filhos. Entre nós, nem sempre nadamos no mesmo lago chamado casa. Muitos machos buscam outros lagos. Exibem a plumagem colorida para atrair outras aves, que não serão família com eles. E enquanto isso na família abandonada, fêmea e filhotes  continuam a precisar deles. Entre nós, nem sempre existe tempo para se dedicar aos filhotes. Ou eles se viram sozinhos ou se apela ao vovô e vovó, para dar a devida atenção e o amor que os filhotes precisam. Dizem por aí que o modelo tradicional de família só é mantido entre os animais, onde pai e mãe serão sempre os mesmos e estarão sempre desempenhando seus reais papeis na criação e permanência das espécies. E nós? Até quando teremos a chance de ser aquilo que o criador arquitetou de forma tão única, como a voz de cada um, que nunca é igual a outra. Como o piscar dos olhos, como a impressão digital e como o coração. Tudo tão inédito e exclusivo que é impossível dizer que Deus não existe.  E Ele é tão soberano que muitas de suas criaturas, feitas a imagem e semelhança Dele, querem muitas vezes ser mais do que Ele e mudar a própria espécie, para tentar provar o improvável. Deus é Deus e nós apenas criaturas. Algumas insatisfeitas que querem mudar tudo. Outras tão realizadas que querem apenas seguir o que Ele pré-determinou, sem tirar e nem pôr, na certeza de que o Senhor sabe sempre o que é melhor pra cada um dos seus filhos! Pense nisso!

Deus Abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova


Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.

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