AMNÉSIA DE SENTIMENTOS

Foto: Wallace Andrade – Amigos e irmãos da comunidade Canção Nova

Todos os dias reviro a minha lista de contatos e sempre me deparo com uma pequena foto de identificação de um amigo que o vento da vida levou pra longe do meu convívio. Alguns pela velha desculpa da “falta de tempo” e outros pelo acaso da distância física e falta de vontade de usar os recursos virtuais e eletrônicos para voltar a estreitar relacionamentos. As vezes chego a pensar que aqueles que pertencem a pequena ilha de meu coração, estão sofrendo daquela perda parcial da capacidade de recordar boas experiências, batizada pela medicina de “Amnésia”. Mas não é por causa de lesões como traumatismos ou degenerações no cérebro. A amnésia é de sentimentos! As distrações provocadas por tantos meios eletrônicos leva muitos a viverem o agora e só lembrarem dos que estão no convívio de hoje. E assim os que te ajudaram a escrever páginas importantes do livro de sua vida, não são muito ou não são mais lembrados por pura amnésia de sentimentos. É assim que a “nova era” está, sorrateiramente, apagando as memórias afetivas e espirituais. Tem muita gente que não tem mais álbum de fotografias e nem sabe mais usar caneta ou lápis num papel. Pior ainda é ver três ou quatro pessoas numa sala de espera de um consultório médico ou odontológico, sem trocar uma única palavra sonora. Ninguém mais consegue conversar com a pessoa na cadeira ao lado, mas curte vídeos e fotos de gente que nunca vai ter a chance de dar ao menos um abraço fraterno. Se perde a grande chance de conviver com pessoas de carne e osso, reais e com sentimentos, em troca dos milhares de “amigos virtuais”. Me recordo bem de um certo “rei” da música brasileira, que cantou uma “profecia” em 1974. E pode acreditar, ela está se cumprindo nos dias de hoje. Roberto Carlos, na canção “Eu Quero Apenas”, revelava com todas as palavras que queria ter um milhão de amigos. E não é isso mesmo que muita gente quer hoje nas redes sociais? Roberto e seu parceiro e grande amigo, Erasmo Carlos, descreviam uma sensação de que o mundo já precisava acordar para algumas realidades. Entre elas a de preservar os bons relacionamentos, as boas amizades, sem deixar que elas se percam no relógio do tempo. E olha só, que interessante, como algumas frases parecem atuais e reais nessa letra! 

“Eu quero apenas olhar os camposEu quero apenas cantar meu cantoEu só não quero cantar sozinhoEu quero um coro de passarinhosQuero levar o meu canto amigoA qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigosE bem mais forte poder cantar.”
E se você hoje sofre de amnésia de sentimentos, não se afobe. Tem cura e um remédio bem simples. Comece hoje mesmo essa “terapia”. Crie coragem e perca a vergonha de pegar sua lista de contatos e ligar, em vez de mandar cards e digitar pequenas frases em seu aplicativo de mensagens. E pra não perder a chance de te convencer definitivamente a mudar o rumo dessa estrada, vai mais um pouco da letra do Rei e o Tremendão. 
“Eu quero o amor decidindo a vidaSentir a força da mão amigaO meu irmão com um sorriso abertoSe ele chorar quero estar por pertoQuero levar o meu canto amigoA qualquer amigo que precisar.
Eu quero ter um milhão de amigosE bem mais forte poder cantar.”
E nem precisa ter um milhão de amigos! Basta aquela quantidade que dá pra contar com os dedos de uma só mão. O mais importante é que eles não façam parte de sua amnésia de sentimentos, porque os amigos são pra sempre, se um dia tiveram a chance e a capacidade de viver como irmãos, deixando que o Senhor seja sempre o Deus dessa união.
Deus abençoe!
Wallace Manhães de Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com

Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.