POR QUE NÃO NOTICIAR SUICÍDIO?

Alguns especialistas em Comunicação apostam numa mudança recente de comportamento do jornalismo no que diz respeito às notícias ligadas ao suicídio. Muitos meios acreditam que noticiar uma morte deste tipo tem como principal finalidade o equilibrio do interesse público com a ética. Também afirmam que seria uma maneira de ajudar a entender melhor essa prática e com isso trabalhar reportagens que ampliem o debate e, quem sabe, reduzam o drama de quem enfrenta problemas emocionais e corre o risco de cometer suicídio. Falam até em evitar o sensacionalismo e não permitir o chamado efeito “imitação”, que ao longo das últimas décadas pode ter contribuído com o crescimento das estatísticas. Qualquer psicólogo é capaz de afirmar que pessoas com tendências suicídas, se sentem estimuladas a fazer o mesmo, quando assistem conteúdos que noticiam, ou até mesmo ensinam a fazer o mesmo. Até falam em matérias com foco na conscientização, prevenção, desde que não se detalhem métodos ou locais em que suicídios acontecem. Numa busca rápida, com auxílio da Inteligência Artificial, dá até pra encontrar algumas diretrizes éticas e práticas na forma de noticiar um suicídio.  Coisas do tipo:

Evitar Sensacionalismo: A cobertura não deve glamourizar ou detalhar o ato.
Foco na Prevenção: A notícia deve ser pautada como saúde pública e incluir informações sobre busca de ajuda.
Respeito à Família: A abordagem precisa ser empática, preservando a intimidade dos envolvidos.
Exceções: Casos de figuras públicas ou ocorrências em locais públicos que impactam a coletividade podem exigir cobertura, mas com extremo cuidado.
Abordagem Atual: O suicídio tem deixado de ser um tabu absoluto, sendo tratado com maior seriedade para quebrar o estigma, sem dar “roteiros” à novos casos.

Então me ajude a entender essas diretrizes. Uma cobertura jornalística sobre suicídio, já não revela uma pitada de sensacionalismo, ou alguém é capaz de achar sensacional um suicídio?
Ao noticiar um suicídio eu consigo previnir mais o que, se a vítima atribulada já tirou a sua vida? Talvez, no máximo, criticar a inoperância do sistema de saúde, que além do Setembro Amarelo,  muito pouco faz para mudar esse quadro, que registra uma média de 38 pessoas que tiram a própria vida por dia no Brasil, cerca de 14 mil casos só em 2025.  Respeitar a família, preservar a intimidade do envolvido, não seria também ficar sem ninguém para abordar sobre o suicídio ocorrido? Só em estar com seu equipamento jornalístico no local onde o suicida foi encontrado, já gera nos familiares uma mistura de angústia e vergonha, incapazes de serem reveladas de outra forma. Ou se entra na intimidade do caso, mesmo sem detalhes, ou não se entra.  As exceções, significam que as figuras públicas, se tratam de pessoas que não tem mais família? Os outros suicídas, sem fama pública, não impactam a coletividade? Como fazer uma cobertura extremamente cuidadosa? Falar o lado bom de quem suicidou? Abordagem Atual, não seria na verdade a banalização desse tipo de prática? E antes? Esse tipo de tema era tratado com menor seriedade?

E não quero terminar esse pesado tema, sem um último questionamento.  Por que não se detalha, por exemplo, que as tentações malignas e influências demoníacas, instigam ao pecado que afasta a pessoa de Deus, ao ponto de incitar o desespero interior e fatalmente os pensamentos suicidas. A vítima do pecado, instigado pelo inimigo de Deus, perde a confiança na misericórdia divina, se isola da comunidade e perde a esperança. E sem esperança se perde o sentido da vida. No artigo 2280 do Catecismo da Igreja Católica lemos: “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lhe deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra dele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.  No artigo 2281 – “O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo, porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo”.  Por isso as boas e belas notícias podem sim ser remédio para os que hoje enfrentam tentações. Principalmente aquelas que recordam, com riquezas de detalhes, que Deus é capaz de mudar toda e qualquer situação. Basta apenas que confiemos mais nele e menos nas coisas do mundo.

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova


Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.