Fé e encontro com Jesus: até onde essa experiência tem te levado?

Existe um momento na vida em que a fé e encontro com Jesus deixam de ser apenas uma ideia — e se tornam uma necessidade real. Acreditar já não é suficiente. Você precisa experimentar.

Se você abrir sua Bíblia em João 20,19-31 e ler atentamente este evangelho, vai perceber que essa passagem não é sobre a ressurreição de Jesus. É mais do que isso: é sobre tocar, experimentar e testemunhar a ressurreição da sua própria vida.

As dúvidas de Tomé, as Chagas de Jesus e a fé nas coisas que não se veem revelam algo profundo: Deus não tem medo da nossa dúvida— Ele entra nela.

Fé e encontro com Jesus: quando acreditar já não é suficiente

Nos Evangelhos, vemos esse movimento acontecendo. Enquanto Evangelho de São João destaca a ausência de Tomé no primeiro encontro com o Ressuscitado, Evangelho de São Lucas mostra os discípulos reunidos após a experiência de Emaús, testemunhando:

“Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” (Lc 24,34)

E, enquanto ainda falavam, Jesus se colocou no meio deles e disse:

“A paz esteja convosco!” (Lc 24,36)

Tomé não estava ali. E, ao ouvir o testemunho dos outros, respondeu:

“Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se não puser o dedo nas marcas dos pregos e a mão no seu lado, não acreditarei.” (Jo 20,25)

Oito dias depois, Jesus aparece novamente e vai direto ao encontro da sua dúvida:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel.” (Jo 20,27)

Tomé responde:

“Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28)

E Jesus conclui:

“Porque me viste, acreditaste? Felizes os que não viram e creram!” (Jo 20,29)

Tomé toca a chaga no lado de Jesus ressuscitado enquanto olha com espanto e fé, cercado pelos discípulos em uma sala simples do tempo de Jesus

Tomé passa da dúvida ao encontro ao tocar o lado aberto de Jesus — a fé que se torna experiência.

Por que Deus permitiu a dúvida?

A questão central aqui não são apenas os fatos, mas o motivo.

Por que Jesus permitiu que um discípulo escolhido por Ele duvidasse?

Você já parou para pensar nisso?

Foi por nossa causa.
Por nós, que chegamos à fé depois da sua ascensão.

A dúvida de Tomé não foi uma fraqueza inútil — foi um ensinamento pedagógico para nos alcançar hoje.

Assim como a fé pronta de Maria nos inspira, a dúvida de Tomé nos representa.

É nesse ponto que a fé e encontro com Jesus deixam de ser teoria e se tornam experiência concreta de vida.

O problema não é duvidar — é permanecer na incredulidade

Tomé duvidou, mas não permaneceu na dúvida.

Aqui está o ponto: podemos vacilar, questionar e ter momentos de insegurança…
mas permanecer fechados é mais grave do que a própria fraqueza.

Deus não se escandaliza com a nossa luta.
Ele entra nela para nos conduzir à Sua Vontade para a nossa vida.

As chagas não são um detalhe — são o caminho

Diante dessa cena, surge uma pergunta inevitável:

Por que Jesus ressuscitado ainda carrega as marcas da cruz?

Por que não apagou as feridas?

Porque é justamente ali que acontece o encontro.

Ao dizer:

“Não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20,27),

Jesus não apenas corrige Tomé — Ele mostra o caminho.

Tomé não apenas viu.
Ele tocou.

Ele experimentou, na carne glorificada de Cristo, a verdade de Deus.

E nós, mesmo sem ver, somos chamados a crer.

Não basta acreditar — é preciso encontrar o Ressuscitado

Não é suficiente um conhecimento intelectual ou doutrinário para sustentar a fé.

É preciso um encontro real com o Ressuscitado, com Aquele que passou pela cruz e traz em si as chagas gloriosas.

É nelas que encontramos também o destino das nossas próprias feridas: a transfiguração.

“E, assim como trouxemos a imagem do homem terreno, traremos também a imagem do homem celeste.” (1Cor 15,49)

E o próprio Senhor afirma:

“Quem ouve a minha palavra e acredita naquele que me enviou tem a vida eterna… passou da morte para a vida.” (Jo 5,24)

Do encontro à missão: a fé que se torna vida

Tomé não apenas fez uma experiência pessoal — ele foi transformado por ela.

Ele foi, por assim dizer, imerso no corpo e sangue, alma e divindade de Cristo. Essa não foi apenas uma emoção passageira, mas a experiência mais profunda de sua vida — aquela que o sustentaria na missão.

Alguns anos depois, a fé anunciada por Tomé chegou a terras distantes. Há registros antigos de uma comunidade cristã na Índia que recebeu o Evangelho por meio dele e permaneceu fiel ao longo dos séculos.

Após os acontecimentos narrados no Novo Testamento, Tomé se dedicou à evangelização, levando Cristo até a Pérsia e a Índia. Ele não guardou para si o que viveu: entregou a própria vida pelo Evangelho, sendo martirizado enquanto anunciava o Ressuscitado.

Uma vida nova começa agora

Essa experiência muda o centro da vida.

Nos apóstolos, já não são mais seus planos ou fragilidades que ocupam o centro — é Jesus.

Tudo se orienta para Ele.
O olhar, os gestos, as decisões.

O objetivo deixa de ser uma vida confortável ou bem-sucedida e passa a ser anunciar o Ressuscitado.

Essa é a vida nova: uma vida que não brilha com luz própria, mas reflete a luz de Cristo.

Viver como quem já ressuscitou

Somos chamados a viver essa realidade agora, mesmo em caminho.

“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto… aspirai às coisas do alto e não às da terra.” (Cl 3,1-2)

“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.” (Rm 13,14)

“Todos vós sois um só em Cristo Jesus.” (Gl 3,28)

Vivemos ainda na esperança, mas com a garantia do Espírito.

Caminhamos como peregrinos, sabendo que Ele é ao mesmo tempo o caminho e o destino.

Porque a fé e encontro com Jesus não são apenas um conceito — são um caminho que transforma toda a vida.

padre jonas e joão batista campanha vocacional

Até onde a sua fé tem te levado?

Talvez hoje Jesus não esteja te pedindo respostas prontas — mas um passo a mais.

Permita que Ele entre nas suas dúvidas.

Porque a fé só cresce quando deixa de ser apenas algo abstrato
e se torna vida vivida com Ele no centro de tudo.

Porque a fé e encontro com Jesus crescem quando deixam de ser apenas crença e se tornam um caminho vivido com Ele.

Até onde a sua fé tem te levado?

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Foto de Graziele, editora do texto.Graziele R. Lacquaneti é missionária da Comunidade Canção Nova há mais de 30 anos, celibatária consagrada e formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atualmente é pós-graduanda em Sagradas Escrituras e coordena o setor de Produção Digital de Conteúdos Formativos da Comunidade Canção Nova, atuando na evangelização e formação cristã por meio das mídias digitais.

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