Como fazer uma boa confissão: passos para viver a conversão

Muitas pessoas desejam saber como fazer uma boa confissão e redescobrir o sacramento da reconciliação. A Palavra de Deus nos ajuda a compreender esse caminho interior por meio do encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado no Evangelho de João. Nesse diálogo, Jesus revela algo profundo: existe um poço que esvazia a vida e existe a fonte que realmente sacia o coração humano. Entender essa diferença nos ajuda a compreender melhor a confissão, a conversão e a misericórdia de Deus.

O poço da Samaritana e o sentido espiritual da sede humana

Na Palavra de Deus, a morte não aparece simplesmente como o fim da existência, mas como uma forma fragmentada de viver, uma vida que vai perdendo sua inteireza e acaba conduzindo a pessoa ao fundo do poço.

Durante a Quaresma, especialmente no terceiro domingo, meditamos sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana, um episódio profundamente simbólico narrado no Evangelho de João.

O Evangelho diz que “era preciso que Ele passasse pela Samaria” (cf. Jo 4,4). Essa necessidade não era apenas geográfica. Havia ali um desígnio de Deus, um encontro que precisava acontecer.

Na cidade de Sicar, havia um poço onde as mulheres costumavam buscar água. Mas, normalmente, elas iam logo cedo, quando o sol ainda era suportável e a água podia ser usada ao longo de todo o dia (cf. Jo 4,6).

Mas algo chama a atenção nesse encontro. A mulher samaritana vai ao poço ao meio-dia, justamente no horário de sol mais intenso.

E é nesse momento que Jesus lhe dirige um pedido simples e surpreendente:

“Dai-me de beber!” (Jo 4,7)

O diálogo continua e, em determinado momento, ela responde:

“Senhor, não tens sequer um balde e o poço é fundo…” (cf. Jo 4,11)

Jesus e a mulher samaritana no poço de Jacó enquanto ela tira água e escuta suas palavras.

O poço das riquezas e dos prazeres do mundo

De fato, o poço ao qual Jesus se refere pode ser interpretado como o poço das riquezas e dos prazeres deste mundo.

Esse poço é profundo — ou melhor, é sem fundo.

O livro dos Provérbios expressa essa realidade com uma imagem forte:

“A sanguessuga tem duas filhas: ‘Dá mais, dá mais’ […] nunca dizem ‘basta’.”
(Provérbios 30,15)

São desejos insaciáveis.

Santo Antônio, em seus sermões quaresmais, chega a dizer que esse poço é como uma fossa. A expressão é forte, mas descreve bem uma realidade espiritual muito concreta.

Isso acontece porque, como afirma São Paulo:

“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.” (1Tm 6,10)

Quando nos entregamos a isso, desviamo-nos da vontade de Deus para a nossa vida e acabamos mergulhando em inúmeros sofrimentos.

O poço do abismo: quando a vida perde a luz

A Bíblia fala também de outro poço.

No Apocalipse, encontramos a imagem do poço do Abismo:

“Do poço do Abismo saiu fumaça, como a fumaça de uma grande fornalha, e o sol e o ar se escureceram…”
(Ap 9,2-3)

Essa fumaça simboliza aquilo que obscurece a vida espiritual.

Podemos compreender essa imagem como a fumaça do amor desordenado às riquezas, que sobe como de uma fossa e escurece o brilho da santidade da nossa vida. Dessa realidade. nascem muitos sofrimentos.

O próprio livro do Apocalipse fala de gafanhotos e escorpiões que atormentam as pessoas. Eles não matam o corpo fisicamente, mas ferem profundamente a alma, cansando, desgastando e obscurecendo a vida interior.

São aquelas situações que não destroem imediatamente a vida exterior, mas vão corroendo o coração pouco a pouco: inquietação, apego desordenado, medo, ansiedade e a busca incessante por segurança nas coisas materiais.

É justamente diante dessa realidade que fica ainda mais claro como a espiritualidade vivida na Canção Nova é profética: ela nos chama à dependência total de Deus.

Padre Jonas Abib exorta que, “num mundo que luta para conquistar segurança econômica, Deus nos impulsiona a arriscar a nossa vida no Evangelho: viver uma total dependência da Providência amorosa do Pai. Nossa segurança é Ele.” (Nossos Documentos – Estatuto Semente n.85)

Em cada situação confiamos: Deus proverá

A voz que prepara o caminho: João Batista e a conversão

Os poços, na antiguidade, normalmente ficavam fora das cidades, muitas vezes em regiões desertas. Eram lugares importantes de parada e descanso para os viajantes, onde se encontrava água e um breve alívio no caminho.

É justamente nesse contexto que ecoa a voz de João Batista.

Ele proclama no deserto:

Eu sou a voz de quem grita no deserto: endireitai o caminho do Senhor(Jo 1,23).

A voz precede a Palavra, assim como João Batista precedeu o próprio Filho de Deus.

Para nós, essa voz é um chamado muito concreto: reconhecermos os nossos pecados para sermos salvos.

Mulher ajoelhada em oração na igreja, em silêncio diante de Deus, buscando conversão e paz interior.É ele quem abre o caminho para a conversão, porque a salvação começa exatamente por esse caminho interior, quando reconhecemos nossas fraquezas e percebemos o quanto precisamos de Deus.

Por isso, também somos chamados a assumir, neste mundo, a missão profética de João Batista: preparar caminhos, despertar consciências e reconduzir os corações a Deus.

Padre Jonas Abib expressa isso de forma muito concreta ao exortar:

“Quem centra a própria vida em ganhar dinheiro vai ter que vivê-la com todas as preocupações próprias deste modo de vida. Quem tem a graça e a coragem de dar o salto e centrar a própria vida em ganhar almas tem, como resposta de Deus, o acréscimo.

A justiça é dar a cada um aquilo que lhe pertence. As almas são de Deus. Precisamos lutar para resgatá-las, restaurá-las e devolvê-las ao Senhor; este é o nosso trabalho.” (ND 373)

Essa é a a nossa missão: preparar o caminho para que as pessoas encontrem o Senhor e vivam uma vida nova em Deus.

A confissão: a casa da misericórdia de Deus

O sacramento da confissão é a manifestação concreta da misericórdia de Deus.

É a festa do pecador arrependido.Mulher ajoelhada no confessionário vivendo o sacramento da confissão e experimentando a misericórdia de Deus.

Por isso a confissão também pode ser chamada de “casa de Deus”, porque nela o pecador é reconciliado com o Pai.

O Evangelho mostra essa realidade na parábola do filho pródigo.

Quando o filho mais velho se aproximou da casa do pai, ouviu algo inesperado: música e dança dentro da casa. (cf. Lc 15,25)

Era a festa pelo filho que havia voltado arrependido.

Ao retornar à casa do Pai, encontramos três coisas:

  • o banquete pelo arrependimento
  • a música pela confissão
  • a festa pela conversão

Porque, uma vez arrependido e reconciliado, recebemos uma vida nova.

Como diz o Salmo:

“Sacia-nos de manhã com tua graça, para exultarmos de alegria pela vida afora. Alegra-nos em troca dos dias em que nos afligimos, dos anos que vimos a desgraça. Que teus filhos vejam a tua obra e teus filhos a tua glória.” (Sl 90,15-16)

Como fazer uma boa confissão passo a passo

Para fazer uma boa confissão, a Igreja nos orienta a viver alguns passos importantes.

1. Exame de consciência

É necessário preparar-se com oração e examinar a própria vida à luz da Palavra de Deus.

2. Arrependimento

É preciso sentir dor pelos pecados cometidos e desejar, sinceramente, mudar de vida.

3. Confissão ao sacerdote

Devemos confessar os pecados ao sacerdote, que age como embaixador de Deus.

4. Reparação

Depois do perdão recebido na confissão, é importante reparar o mal cometido e iniciar uma vida nova.

padre jonas e joão batista campanha vocacional

Um chamado para preparar caminhos

A história da salvação nos mostra que Deus sempre se serve de pessoas para se comunicar conosco, nos corrigir, nos chamar de volta e nos acolher, conduzindo-nos novamente ao encontro com Ele.

João Batista viveu essa missão no deserto. Ele despertou consciências, chamou o povo à conversão e ajudou muitos a voltar o coração para Deus.

E a forma de Deus agir não mudou.

Ainda hoje, Ele chama pessoas para serem vozes que preparam caminhos, ajudando outros a reencontrar o Senhor e experimentar a alegria de uma vida nova.

Talvez o Senhor esteja chamando você. Já pensou nisso?

Quando respondemos a esse chamado, descobrimos algo essencial:

Não existe alegria maior do que ajudar uma alma a voltar para Deus.

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Foto de Graziele, editora do texto.

Graziele R. Lacquaneti é missionária da Comunidade Canção Nova há mais de 30 anos, celibatária consagrada e formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atualmente é pós-graduanda em Sagradas Escrituras e coordena o setor de Produção Digital de Conteúdos Formativos da Comunidade Canção Nova, atuando na evangelização e formação cristã por meio das mídias digitais.

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