A natureza, todos os dias, nos ensina lições importantes e uma delas é este processo de saber respeitar o tempo certo para cada coisa. Precisamos ser  aprendiz da natureza e seus ensinamentos.

natureza

Quando paramos para pensar, logo percebemos que estamos em alguma das estações. Grande sabedoria é vivê-la bem, respeitando seu processo, seus limites, suas virtudes e fraquezas, mas sem pressa nem apego. A primavera é encantadora, mas se nos apegarmos a ela, como iremos contemplar os dias iluminados do verão? E se não nos lançarmos no outono deixando que caiam as folhas amareladas, como poderemos acolher o silêncio e a calma do inverno que refaz?

A vida é assim, passa por fases, com nossas escolhas colaboramos ou atrapalhamos seu processo.

Peçamos o auxílio do Espírito Santo, que enviado por Deus, vem em socorro das nossas necessidades em cada tempo de maneira exclusiva, pois é assim que Deus nos ama.

Para quem encontra-se hoje como a “árvore desfolhada”, passando pelo silêncio e a calma do inverno, peça o Espírito Santo que aqueça, ilumine e devolva esperança ao coração abatido. Para quem se sente passando pelo “outono”, mas percebe suas folhas presas por alguma razão, o Espírito Santo vem como vento e sopra para longe tudo o que é empecilho para sua renovação.

Aos que se sentem sufocados por entulhos das “estações” passadas, “folhas secas” amontoadas impedindo que a beleza desabroche, o Espírito vem como fogo do verão e queima todo o lixo, permitindo que a vida renasça. Para os que não conseguem ver os frutos crescer e a esperança de uma boa colheita parece distante, o Espírito Santo vem como luz, água e calor, fortalecendo a “árvore” e proporcionando uma “colheita” abundante, fortalecendo seus sonhos e o encorajando a perseverar para chegar à vitória.

Seja qual for seu tempo diante de Deus, procure vivê-lo bem, extraindo a graça própria, que por intermédio d’Ele é oferecida hoje.

Estamos juntos!

Assista a pregação: “Vocacionados a castidade”, do Monsenhor Jonas Abib

A vocação é antes de tudo fruto da liberdade e gratuidade de Deus Jesus chamou os que ele quis; e foram a ele.(Mc 3,13).

Eu sou o Padre Edison, fui ordenado recentemente. Alegro-me por poder recordar contigo nestas linhas, as maravilhas da ação de Deus em minha vida.

O sacramento da Ordem que recebi, confere tal ligação com o Cristo Bom Pastor – que a Igreja chama essa ligação, essa marca da presença de Deus na vida do Padre – de caráter indelével. Ou seja, nada pode apagar, nem mesmo os erros. Uma vez Padre, Padre para sempre.

Por ser uma vocação tão sublime, cada Padre é chamado à santidade, casa Padre é chamado a ser santo, a corresponder com fidelidade à fidelidade do Deus que o chamou.

Ordenação Sacerdotal, Dom João Inácio Müller e o Padre Edson/ Foto: Wesley Almeida

Ordenação Sacerdotal, Dom João Inácio Müller e o Padre Edson/ Foto: Wesley Almeida

Esse chamado de Deus em minha vida eu percebi com aproximadamente 15 anos, tive maior certeza quando aos 17. E aconteceu em um dos momentos mais fortes e bonitos de minha vida.

Eu fiz minha primeira Eucaristia de maneira tardia, já era jovem e não mais adolescente. E foi ali que percebi que Deus me chamava a ser Padre, no dia da minha primeira comunhão. Foi um momento único e cheio de sinais que para mim foram decisivos. Mas o maior sinal foi a santa inquietação colocada por Deus em meu coração.

No momento em que recebi a Eucaristia pela primeira vez, um movimento interior dizia-me que o sentido da minha vida estava em ser Padre. Dali pra frente só foi questão de aguardar a concretização do que Deus queria pra mim, e dar passos.

No começo achei que seria rápido, mas descobri que no processo de discernimento da vocação o tempo é nosso melhor amigo. O tempo é meu amigo, mas não posso deixar para amanhã uma resposta que eu posso dar hoje. Se Deus chama, dê o passo, confie, não deixe para amanhã. Faça agora. Mas não tenha pressa na acolhida das respostas, tenha paciência.

O processo de encontro com minha identidade profunda começou em 2005, quando iniciei um caminho de discernimento vocacional com a Comunidade Canção Nova. Já tinha o chamado para um estado de vida específico, o sacerdócio. Mas este estado de vida só teria sentido dentro de outro chamado, o chamado a ser parte de uma comunidade com um jeito específico de ser e evangelizar, a Canção Nova. É aqui que eu sou completo, é aqui que a minha vida tem sentido. É aqui que minha real identidade é cada dia formada.
Entrei para a comunidade Canção Nova em 2007 e aqui também iniciei os estudos específicos para a realidade sacerdotal. Sou feliz por ser Canção Nova, sou feliz por ser Padre.

Padre Edison de Oliveira
Comunidade Canção Nova

Meu nome é Maria Angélica de Mello Anjos, tenho 31 anos, sou natural de Agudos ­SP. Sou missionária da Comunidade Canção Nova há 6 anos, e hoje vivo na missão de Fátima em Portugal.

No ano de 2003, fui para um retiro de Carnaval na cidade de Arealva , com a comunidade Alpha e Ômega, e naqueles dias tive minha experiência de encontro pessoal com Jesus e batismo no Espírito Santo, e a partir desse retiro conheci mais de perto a realidade de novas comunidades e dentro de mim crescia o anseio do meu coração em ser de Deus, em servir a Deus integralmente.

Fui tocando então no desígnio de Deus para a minha vida, havia um chamado de Deus para mim. Sempre fui ativa em minha paróquia, a São Paulo Apóstolo, participava da pastoral da juventude, da Renovação Carismática, onde frequentava o grupo de oração Mensageiros da Divina Misericórdia, mas tudo aquilo que eu fazia, que não era pouco, pois meus fins de semana eram sempre ocupados com as atividades do grupo e da paróquia, eu julgava e sentia ser pouco, havia sempre um vazio interior e o desejo de fazer mais e dar mais para Deus do meu tempo.

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Eu ia realizando meus sonhos e projetos pessoais, mas o vazio interior não se preenchia. Fui percebendo então a escolha de Deus para mim em uma consagração de vida. Em 2005, consegui uma bolsa de estudos para o curso que eu desejava estudar , Ciências Biológicas, iniciei a realização de um grande sonho meu e de minha família também, e nesse mesmo ano conheci mais de perto a Comunidade Canção Nova, através da Casa de Missão de Bauru, a vida missionária; a fraternidade vivida na casa comunitária; o colocar a vida em comum como narra o livro dos Atos dos Apóstolos, e com essa aproximação percebia ali uma grande ressonância com aquilo que meu coração tinha o anseio e se sentia chamado a viver.

Iniciei então o caminho vocacional, e a cada encontro eu me identificava mais como o modo de viver Canção Nova, mas também vivia ao mesmo tempo a concretização da realização de um sonho que era me formar na faculdade e como já disse sonho da minha família também, principalmente meu pai.

No tempo de caminho vocacional fui dando-me a conhecer e a Comunidade Canção Nova foi me conhecendo também. Trabalhando a minha história de vida pessoal, me reconciliando com ela e me descobrindo como pertença no Carisma Canção Nova.

Ao final do segundo ano, o meu desejo de ser de Deus era tão grande que eu estava disposta a deixar tudo para seguir Jesus e ingressar na comunidade, inclusive a faculdade que não estava terminada. Meu pai manifestou uma resistência à minha escolha e não concordava com isso, fui partilhando com a missionária da Canção Nova que me acompanhava, Jaqueline Novais e diante de algumas marcas que trazia na minha historia com meu pai, algumas feridas causadas pelo vício da bebida, o meu relacionamento com ele que por esses motivos tinha se tornado distante. Então fui aconselhada a terminar a faculdade, buscar essa reconciliação com meu pai , a reaproximação dos laços que tinham se perdido entre pai e filha e continuar a fazer o caminho vocacional, pois eu precisava sair da minha casa com a benção do meu pai e naquela altura eu ainda não a tinha .

Leia também:
:: Qual é a sua vocação?
:: Talvez você seja Canção Nova
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:: Na Canção Nova se formam famílias missionárias

De inicio eu não entendi a decisão da equipe vocacional , mas acolhi e obedeci. Vivi aquele ano que me foi dado a busca de aproximação , do perdão e da cura da minha historia com meu pai de forma intensa, fui percebendo que a faculdade era um mero pretexto de Deus para que eu vivesse tudo isso.

Quando chegou o final de 2009 , eu já terminava os estudos , e já não havia mais nenhum impedimento para que eu desse meu sim a Deus, entregando minha vida a Deus na Canção Nova.

Entreguei meu TCC, fiz colação de grau , vivi essa alegria com a minha família. No dia 16/01/2010 às 16:00 com a benção do meu pai cheguei na Canção Nova , na missão de Cachoeira Paulista.

Era uma alegria, pois havia encontrado a vontade de Deus para minha vida e o lugar que Deus tinha escolhido para me plantar e me ver florescer. Mas como o seguimento de Jesus nunca vem sem ser acompanhado do “tomar a sua cruz e seguir”, nem tudo era flores e dois meses depois de estar na Comunidade, muito feliz , um dia liguei para casa e percebo meu pai muito distante e muito calado. Quando pergunto a meu pai “esta tudo bem ? Ele não consegue esconder e me diz : “não está não, o pai está doente e não sabe o que tem!”

Naquela ligação eu fiquei sem chão, tinha apenas 2 meses que eu tinha saído da minha casa e meu pai estava bem , como podia ser?

E assim na semana daquela ligação , ele foi fazer uma endoscopia e o médico ficou assutado pois foi muito dificil realizar. Eu fui para casa e ao chegar me deparei com meus pai 10kg mais magro, fraco, debilitado em uma cadeira de rodas e naqueles dias em que estive lá saiu o diagnóstico um câncer invasivo de esôfago já em estado terminal.

Busquei forças em Deus e fui sustentada na oração pela minha Comunidade, tentando ser a presença de Deus e levar esperança para minha mãe e meus irmãos de que tudo ia ficar bem. Mas quando estivemos com o médico que era conhecido da minha família , ele nos disse :”não há o que fazer , o câncer está muito avançado , ele esta muito debilitado, não resistirá a uma cirurgia, é apenas questão de dias, e assim foi meu pai ficou no hospital , já não se alimentava mais , muito debilitado, viveu naqueles dias vários processos de reconciliação com pessoas que era preciso e na sexta ­feira da paixão , dia 02/04/10, às 14:45 ele entrou na vida eterna.

Foi muito difícil para mim , tinha apenas 2 meses que eu tinha deixado a minha casa , minha mãe e meus irmãos. Meu pai era um porto seguro para nós, mas dentro de mim eu me sentia muito em paz , pois tive a graça de viver essa reconciliação que me trouxe essa tranquilidade com a sua morte e a certeza que meu pai foi curado sim , não do corpo mas na sua alma e hoje tenho a certeza que está no céu e é nosso intercessor.

Tudo isso só pude viver pela graça e ajuda que recebi no caminho vocacional que me ajudou a enxergar que minha história com meu pai precisava de reconciliação e assim aconteceu. Penso que se eu não tive vivido isso, não suportaria voltar para minha casa e não encontrar mais meu pai se não tivesse me reconciliado com ele.

Você que se sente chamado por Deus a uma entrega de vida não tenha medo de se deixar acompanhar em um caminho vocacional, independente de você ingressar em uma Comunidade, Congregação ou um seminário vai ser uma ajuda útil para a sua vida !

Deus abençoe !

Maria Angelica Anjos
Missionária da Comunidade Canção Nova – Portugal

The Sailboat Project

Nesses tempos em que a instituição familiar sofre pressões de todos os lados, principalmente as que buscam enfraquecer seus pilares impondo novos “padrões”, abraçar essa vocação é, como diz nosso fundador Mons. Jonas Abib, “não ter medo de nadar contra a correnteza. Não ter medo de ser diferente. Não ter medo de ser sinal.

Família Missionaria da Comunidade Canção Nova

Família Missionaria da Comunidade Canção Nova/ Foto: Wesley CN

Enquanto essas forças tentam debilitá-la, nós a revigoramos com a nossa vida.Somos uma família missionária. Eu e meu esposo estamos na Comunidade Canção Nova, há 16 anos. Viemos solteiros e com o tempo fomos nos descobrindo, também, o nosso chamado ao matrimônio.

Nesses dez anos de casados fomos entendendo que precisávamos buscar os verdadeiros valores de uma família cristã, deixando para trás toda a influência que pudéssemos ter herdado dessa cultura contemporânea, que trata do matrimônio com tais princípios invertidos.

Ser família em uma comunidade como a Canção Nova é viver o comum dos homens, mas sem perder de vista as exigências de uma vida de doação por um povo ao qual somos chamados a evangelizar.

A nossa rotina é de uma família comum, com tribulações, muita correria, orçamento apertado e uma luta intensa de conversão, como toda família. E tudo isso com alegria e muita garra pra lutar em cada desafio que nos aparece. O dia a dia de uma família com filhos não é moleza e nem tem lugar para preguiça. Deus nos dá a graça e a força para levantarmos todos os dias e realizarmos a nossa missão. E para que tudo ocorra em harmonia, eu e o Márcio (meu esposo) buscamos cuidar primeiramente de nossa relação, cuidar um do outro, amarmos um ao outro com afeto. “O amor que não cresce começa a correr perigo; e só podemos corresponder com mais atos de amor, com atos de carinhos mais frequentes, mais intensos, mais generosos, mais ternos mais alegres.” (AmorisLaetitia). A partir desse amor, há um transbordamento na família. Entendemos que se as crianças sentem que nos amamos tornam-se mais seguras e mais abertas, também no relacionamento com Deus. Na família é impossível haver amor sem Deus. Se nos amamos, Deus ali está (Conf. 1Jo2,5). Se Deus ali está, nos amamos.

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Em nossa casa procuramos deixar claro quem está no centro. As crianças sabem que em tudo Jesus precisa estar, seja na escola, na brincadeira, num passeio ou quando estamos juntos. Isso não significa que falamos de Deus o tempo todo, mas que em tudo trazemos Ele no coração. E isso faz com que tenhamos atitudes que ele teria.

Ser uma família cristã não é algo que se improvisa. Ela é formada, desde a preparação para o casamento (namoro e noivado) e aos afazeres cotidianos, ela é formada com base nas pequenas coisas. Quando habituamos nossos filhos a participar da missa, a pedir perdão para o amigo ou a fazer bem todas as coisas, vamos educando-os para o caminho de Deus.

Como ensina a doutrina social da Igreja, a família é a célula da sociedade. É alma e a norma. Ali é o começo de tudo. Se educamos nossos filhos para Deus, para serem pessoas de bem, estamos educando uma sociedade cheia de valores e bem estruturada.

Assim é ser família na Canção Nova. Não perder tempo, dar o que temos de melhor, que é Jesus. Investir nossa vida, dia após dia, no chamado de evangelizar, mas também fazer com que essa evangelização aconteça, primeiro em casa, entre nós. Instruímos as crianças que evangelizar é sinônimo de alegria e comunicar essa alegria, a nossa experiência com Deus. “Cada cristão é missionário na medida que se encontrou com o amor de Deus”, ensina a Evangelii Gaudium. Para que comuniquemos Jesus, precisamos estar cheios Dele.

Na alegria, celebramos o dom de termos uns aos outros. Quando o sofrimento nos visita, entendemos juntos o caminho da cruz e sempre à espera da ressurreição. Esse é o chamado para todas as famílias. Deus quer que caminhemos sem medo para a santidade, e isso não significa que sejamos perfeitos, mas que estamos em busca para que um dia possamos chegar ao Céu. Atualmente, falar que vivemos os princípios cristãos causa em muita gente uma repulsa, como se fosse um retrocesso ou mesmo moralismo. Não! Esse é nosso chamado.

Não tenhamos medo de mostrar a alegria de ser família, a alegria de ser aberto à vida, de ter uma casa com barulho de criança. Ser família é muito bom e o mundo sente falta disso. E melhor ainda: poder dizer que vivemos tudo em comunidade, o lugar que nos ajuda a desenraizar o egoísmo e nos ensina que tudo que fazemos juntos é melhor.

E assim vamos caminhando, deixando Deus nos guiar com sua providência e aprendendo a depender totalmente Dele.

Elzirene Pereira
Missionária da Comunidade Canção Nova

The Sailboat Project