Preparar o Caminho do Senhor: salvação e restauração revela o centro da história da salvação. Deus não abandonou a humanidade ao mistério da iniquidade: Ele entrou na história em Jesus Cristo para nos salvar, resgatar e restaurar a Aliança com Ele. Pela redenção, tornamo-nos seu povo e somos chamados a viver como sinal de salvação no mundo.
Ser profeta é ser “sacramento de salvação”.
A expressão é forte, mas é real.
Padre Jonas afirma nos Nossos Documentos (n. 879):
“Deus deu eficácia sobrenatural à Canção Nova. Podemos comparar com aquilo que acontece nos sacramentos. […]”
O nosso profetismo ultrapassa as tentativas humanas de traduzir o plano de Deus nas realidades deste mundo.
Somos, de fato, “sacramento de salvação”.
Mas apenas quem é Canção Nova é sacramento de salvação? Não.
Quem é “sacramento da salvação”?
O povo consagrado ao Senhor: a Igreja de Cristo.
A Igreja é, no mundo presente, o sacramento da salvação — sinal e instrumento da comunhão entre Deus e os homens, como afirma claramente o Catecismo da Igreja Católica (CIC, 780).
Os sacramentos são ações do Espírito Santo que agem no corpo de Cristo, que é a Igreja; são “as obras-primas de Deus” na Nova e Eterna Aliança (CIC, 1116). A Igreja contém e comunica a graça invisível que ela significa. Para isso, Deus — o Senhor Jesus — nos deu o Seu Espírito Santo, “que falou pelos profetas”. É neste sentido analógico que ela é chamada de “sacramento”.
Onde e como?
Ao longo de toda a sua vida, na história concreta do mundo.
Como diz Pe. Jonas:
“O pão nunca pensou em vir a ser Eucaristia…[…] Mas, uma vez ‘consagrados’ pelo Senhor, sem deixar de ser o que éramos, começamos a ser o que somos: ‘sacramento de Deus’, portadores da presença e da eficácia de Deus.” (ND 889)
É na vida e no trabalho que se concretiza o objetivo de Deus: uma vida fecunda, um trabalho eficaz[…] Vida e trabalho como um “sacramento” no exercício da missão (cf. ND 1131).
Eis o nosso chamado e a nossa missão como povo consagrado ao Senhor.
Preparar o Caminho do Senhor diante do mistério da iniquidade
Um mundo criado por amor e para a liberdade é um lugar de escolhas — inclusive da possibilidade do mal.
É aqui que entramos no mistério da iniquidade.
O pecado nasce da liberdade humana, mas nele atuam forças que nos ultrapassam. Como ensina São Paulo, existem influências que operam no mundo e tentam dominar o coração humano.
Qual é o objetivo dessas forças?
Nos separar de Deus — e, mais ainda, voltar-nos contra Ele.
A raiz mais profunda do pecado está nessa ruptura: quando nos afastamos do plano original de Deus e dividimos o coração, perdemos o equilíbrio interior e surgem contradições e conflitos.
Fragmentados por dentro, rompemos relações com os outros e com o mundo. Deixamos de viver aquilo que professamos, até afastar Deus da nossa vida. Ele deixa de ser prioridade.
Essa é a lógica do sistema do mundo: a fragmentação e o isolamento.
Podemos afirmar que acreditamos em Deus, mas nossas atitudes revelam o contrário.
O que pensamos não corresponde ao que fazemos; o que fazemos não expressa amor, nem a Deus e muito menos ao próximo.
Como ensina a Primeira Carta de São João:
“Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão, é mentiroso” (1Jo 4,20).
Em Deus não há divisão.
Só existe um mandamento: amar a Deus e ao irmão.
Deus é um e o seu agir manifesta esta unidade perfeita. É nesse horizonte que somos chamados a “ser perfeitos como o Pai é perfeito” (Mt 5,48): sem divisão, onde o agir é um, ou seja, unificado em relação a tudo e a todos.
É justamente aqui que compreendemos a necessidade da redenção.
Preparar o Caminho do Senhor e a restauração de todas as coisas
O plano de amor do Pai sempre esteve centrado em nos salvar e nos “resgatar”, para que sejamos o seu povo.
A salvação é a aquisição que Deus fez de nós para nos consagrar a Ele.
Por isso está escrito: “Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e enviou seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados” (1Jo 4,10; cf. Rm 5,8).
Mas a quem o resgate é entregue: a Deus? Ao demônio?
Sabemos que é “pelos homens”, ou seja, para o nosso bem. Aliás, mais que isso: “em nosso lugar”.
O essencial é o que afirma Tito em sua carta:
“A graça de Deus se manifestou para a salvação […] Ela nos ensina a abandonar a impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com autodomínio, justiça e piedade, aguardando […] a manifestação da glória (segunda vinda) do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo por nós para nos resgatar de toda iniquidade e para purificar um povo que lhe pertence…” (Tt 2,11-14; cf. Ef 5,25-26).
Por isso, Pe. Jonas nos ensina em Nossos Documentos (n. 373):
“A justiça é dar a cada um aquilo que lhe pertence. As almas são de Deus; precisamos lutar para resgatá-las, restaurá-las e devolvê-las ao Senhor. Este é o nosso trabalho.”
Preparar o Caminho do Senhor: missão da Igreja no mundo
Trata-se de resgatá-las para levá-las à restauração, obra do Espírito Santo em nós, reconduzindo-as à origem que, no Novo Testamento, é chamada de “restituição” ou “restauração” de toda a criação ao seu estado original (cf. At 3,21).
Essa restauração começa já em nossa história, porque somos um pequeno cosmos (microcosmos) e o centro de toda a criação, e se completará na segunda vinda de Jesus. Por isso, toda a criação também aguarda, “com esperança de ser salva […] e participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (cf. Rm 8,18-25).
Somos nós que, salvos pelo encontro pessoal com Jesus e restaurados pelo Batismo no Espírito Santo, nos tornamos, por meio dessa vida nova, “sacramento de salvação”. Assim, preparamos e apressamos a renovação de todas as coisas: o Mundo Novo.
Esta é a nossa missão:
“Esta nova sociedade, esta humanidade nova a partir de pessoas novas, renovadas pela presença e pelo poder de Deus […]; que do velho tira o novo homem. Por isso, a ação de Deus aí se centraliza […] para remodelar, para fazê-la semente da comunidade nova, da sociedade nova, da nova humanidade. ” (ND 402).
Preparar o Caminho do Senhor: viver hoje de modo a fecundar, onde estivermos, as sementes dos céus novos e da terra nova, para que a renovação completa comece a acontecer.
Preparar o Caminho do Senhor no cotidiano
O nosso profetismo traz essa característica marcante: a dimensão escatológica, isto é, a vinda de Jesus.
Somos profetas da esperança futura e de suas exigências concretas no desenvolvimento da nossa história humana, como está no Cântico de Zacarias:
“iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.” (Lc 1,79)
A paz refere-se aos bens espirituais que nos estão reservados, mas que já podemos experimentar nesta vida para a nossa santificação e como primícias dos bens eternos.
A evangelização começa no cotidiano: no trabalho, na família e nas relações.
Preparar o Caminho do Senhor é tornar o ordinário em um lugar extraordinário de paz, de bens espirituais e de salvação — um espaço onde cada gesto abre uma estrada para que Cristo venha ao encontro das pessoas.
A Bíblia de Jerusalém traduz muitas vezes shalom por «felicidade» (cf. Is 45,7; 48,18; 54,13).
Essa paz — ou o desejo de “estar a salvo” — também é definida como «vida», no sentido escatológico, em oposição à «morte».
Portanto, dentro de todo esse contexto — felicidade, paz e vida — a salvação tem um caráter escatológico.
A revelação judeu-cristã é promessa; o Evangelho é promessa.
A plena revelação de quem é o Deus vivo situa-se no futuro:
“Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14);
“Ele é, Ele era e Ele vem” (Ap 1,8).
Preparar o Caminho do Senhor é viver na tensão entre o já e o ainda não.
É anunciar que a salvação foi conquistada, mas ainda será completada.
É viver como “sacramento” no dia a dia.
Campanha Vocacional 2026–2027
Preparai o Caminho do Senhor
João preparou a Primeira Vinda.
A Canção Nova existe para preparar a Segunda.
Essa voz ainda ecoa.
Vamos juntos preparar o caminho do Senhor?
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Graziele R. Lacquaneti é missionária da Comunidade Canção Nova há mais de 30 anos, celibatária consagrada e formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atualmente é pós-graduanda em Sagradas Escrituras e coordena o setor de Produção Digital de Conteúdos Formativos da Comunidade Canção Nova, atuando na evangelização e formação cristã por meio das mídias digitais.

