Sofrer com Cristo: você está disposto a viver essa missão?

Sofrer com Cristo é uma das experiências mais profundas — e mais difíceis — da vida cristã. Depois daquela Semana Santa em Jerusalém, onde Jesus sofreu as piores dores…

O sofrimento que foi transformado em Amor

Depois daquela Semana Santa em Jerusalém, onde Jesus sofreu as piores dores que nenhum ser humano é capaz de suportar, o sofrimento humano alcançou seu ponto máximo e, ao mesmo tempo, assumiu uma dimensão totalmente nova: foi unido ao Amor, ao Amor que gera o bem até a partir do mal

A Cruz se tornou uma fonte de onde brotam rios de água viva. O nosso Redentor sofreu em nosso lugar e em favor de nós. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Jesus elevou o nosso sofrimento. Ele se tornou Redentor.

O que significa participar do sofrimento de Cristo?

Significa que cada um de nós é também chamado a participar daquele sofrimento Redentor, no qual foi redimido todo o nosso sofrimento.

E de que forma nós podemos participar?

Na segunda Carta aos Coríntios, São Paulo escreve:

“Em tudo somos atribulados, mas não abatidos, postos em apuros, mas não desesperançados, perseguidos, mas não desamparados, derrubados, mas não aniquilados, por toda a parte e sempre levamos em nosso corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo. Com efeito, nós que vivemos, somos sem cessar entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. Assim a morte atua em nós, e em vós, a vida”. (II Cor. 4, 7-12)

E continua:

“Por isso, não desanimamos. Mesmo que o nosso exterior vá se arruinando, o nosso interior, pelo contrário, se renova a cada dia” (II Cor. 4, 16); pois, “à medida que aumentam para nós os sofrimentos de Cristo, assim também por Cristo aumenta a nossa consolação”. (II Cor. 1,5).

E na Carta aos Romanos, Paulo escreve:

“Eu vos exorto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o vosso verdadeiro culto”. (Rm. 12,1)

Como participar do sofrimento de Cristo

São Paulo deixa claro que a própria participação nos sofrimentos de Cristo tem uma dupla dimensão: Jesus se tornou participante de todos os nossos sofrimentos e, assim, encontramos Nele um novo sentido para os nossos próprios sofrimentos.

É isso que ele quer expressar na Carta aos Gálatas:

“Com Cristo eu fui pregado na Cruz. Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (G. 2,19-20).

Somente a fé nos permite conhecer o amor que levou Jesus a morrer por nós na Cruz. Ele entrou no nosso sofrimento para que pudéssemos entrar no Seu Amor.

Quando fazemos essa experiência de sofrer com Jesus os nossos sofrimentos, começamos a sofrer de forma diferente.

O sofrimento que gera vida nova

A Cruz ilumina a vida.

Ela carrega em si a força da Ressurreição.

Participar dos sofrimentos de Cristo é, ao mesmo tempo, amadurecer para uma vida em Deus.

É nesse caminho que a vocação se purifica, se fortalece e se torna verdadeira.

Jesus carregando a cruz

Getsêmani: quando a vontade precisa morrer

Quando fui diagnosticada com câncer na língua, vivi o meu próprio Getsêmani.

Foi nos últimos dias da Quaresma de 2023, e quanto desejei que o Senhor me curasse com um milagre, que aquele tumor desaparecesse e tudo passasse.

Mas aprendi a dizer: “seja feita a Tua vontade”. Se o Senhor deseja me curar tendo que passar pela cirurgia e depois pelo tratamento, que assim seja.

Ali, minha autossuficiência começou a morrer.

A Cruz: quando não temos mais controle

Foram mais de 12 horas de cirurgia e, depois de um mês de recuperação, após a primeira sessão de quimioterapia, tive uma trombose e, em seguida, embolia pulmonar. Poderia ter morrido naquela madrugada, mas não.

Foram dias de internação sem poder me mover na cama do hospital, sem autonomia, sem controle… fui obrigada a me render.

Ali, vi minha miséria.

Ali, reconheci minha incapacidade de controlar a minha vida.

Ali, começou a nascer a mulher nova.

Via dolorosa: o caminho da purificação

Há poucos meses, em uma das consultas de acompanhamento, eu e o cirurgião responsável por mim fazíamos memória do tratamento pelo qual passei, e ele dizia: foi um verdadeiro calvário.

Ele havia me alertado desde o início que seria desafiador, mas não podíamos imaginar o quanto.

Mas, em cada sessão de radioterapia e quimioterapia, a mulher velha morria um pouco mais.

Cada dor era uma oferta. Eu me unia mais a Jesus em Seu sofrimento e me sentia profundamente consolada por Seu Amor.

O valor espiritual do sofrimento oferecido

Foram muitas ofertas: pelas almas do purgatório, pelas famílias que sofrem com bebida e tantos vícios, pelos jovens viciados, pelos que vivem à beira da morte — e tantos pedidos que chegavam.

Como nos ensina Pe. Jonas Abib:

“É a alegria no sofrimento. É acolher de coração e com alegria os sofrimentos que nos atingem, sabendo que eles são necessários para a realização da missão. Nós sofremos por aqueles a quem somos enviados, para que a graça os atinja com os frutos da redenção de Cristo.” (ND 1096)

O papa Pio XII dizia, em sua encíclica sobre o Corpo Místico de Cristo, que a salvação de muitos depende — e o verbo é esse: depender — dos sofrimentos, orações e sacrifícios voluntariamente aceitos pelos membros do corpo de Cristo.

Ele mesmo reconhece que isso é um mistério: não conseguimos compreender plenamente como ou por que é assim. Mas a realidade permanece — a salvação de muitos passa pela nossa oferta.

Por isso, meu irmão e minha irmã, o nosso sofrimento é elemento essencial para a salvação das almas. E, por isso, torna-se consequência experimentar a alegria no sofrimento suportado por amor.

Essa é outra característica forte do nosso profetismo: a alegria no sofrimento. Como diz Pe. Jonas: o problema é meu, mas a cara é do outro.

O nosso suor, nossa lágrima e o nosso próprio sangue tornam-se instrumentos de salvação para aqueles a quem somos enviados.

E é por isso que assumimos, com alegria, esse caminho.

Canção Nova: Casa do Sacrifício

Talvez você esteja fugindo da dor, tentando controlar tudo ou esperando que Deus retire a cruz do seu caminho.

Mas a verdade é simples — e exigente:
Deus não desperdiça sofrimento.

Ele transforma. Ele redime. Ele chama.

A sua vocação pode estar justamente no lugar que você mais evita.

A pergunta é direta:
você quer apenas escapar da cruz… ou permitir que Deus transforme a sua vida através dela?

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Graziele, escritora do artigo

Graziele R. Lacquaneti é missionária da Comunidade Canção Nova há mais de 30 anos, celibatária consagrada e formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda. Atualmente é pós-graduanda em Sagradas Escrituras e coordena o setor de Produção Digital de Conteúdos Formativos da Comunidade Canção Nova, atuando na evangelização e formação cristã por meio das mídias digitais.

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