É preciso que a paciência efetue a sua obra a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma. (Tg1,4).

Sou uma mulher imediatista, não espero que as coisas venham até mim, essa é uma frase muito comum de se escutar de uma mulher moderna. A cultura do imediatismo é o termo usado para se referir a uma tendência comportamental que ultrapassa fronteiras. Ela está em todo lugar, manifestando-se da mesma forma em diferentes culturas e países, o fato é que vivemos atualmente em um mundo globalizado, onde a internet e as mídias sociais ajudam a otimizar o nosso dia a dia, mas também potencializam o imediatismo inerente a todos nós. Recebemos a todo momento uma enxurrada de informações de inúmeras fontes e estamos sempre conectados, em smartphones, computadores ou tablets. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar neste tempo líquido, as pessoas infelizmente estão descartando umas às outras e isso é uma tristeza. Bauma ainda afirma que na modernidade líquida, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, causando uma disposição ao isolamento social, onde um grande número de pessoas escolhe vivenciar uma rotina solitária e com isso o número de pessoas depressivas e ansiosas têm aumentado. A cultura do imediatismo mudou a forma como nos relacionamos com o tempo, que deixou de ser linear. O ser humano sempre quis tudo para agora. Isso fica claro no comportamento das crianças, que têm dificuldade de abrir mão de um desejo imediato em detrimento de algo maior e mais significativo no futuro. Antes éramos ensinados e obrigados a esperar porque tudo acontecia mais devagar. Com o advento da internet e das mídias sociais, tudo começou a se resolver rapidamente e ficamos mal-acostumadas. Neste mundo moderno a virtude da paciência não está em alta, mas ela é de fundamental importância para nós mulheres, pois a Paciência tudo alcança e segundo o apóstolo São Tiago ela nos leva à perfeição. Foi pela paciência que Abraão esperou o seu Isaac, 25 anos após a promessa de Deus. Foi pela paciência que Jó venceu as provações e agradou a Deus. O fato é que a paciência exige esforço pessoal e empenho para, antes de tudo, vencer a si mesmo. Podemos citar vários exemplos Bíblicos que vivenciaram a virtude da paciência, por exemplo a Virgem Maria , que diante das realidades que viveu. Ela aprendeu a enfrentar as adversidades do dia a dia com tranquilidade, e alimentava a sua esperança na fé em Deus, ou seja, tinha por base a paciência confiante n’Ele. A paciência do cristão não é vazia e nem significa imobilismo ou resignação mórbida. Nem perda de tempo. Não. É a certeza de que tudo está nas mãos Daquele que tudo pode. Aos poucos vamos entendendo que não há barreira espiritual que não caia pela força da paciência, a qual é fruto da fé, da humildade e do abandono da vida em Deus. Os santos relatam que há dois tipos de martírio: o da morte pela espada; e o da morte pela paciência. A paciência é uma forma de martírio que vence todo sofrimento. Na minha vida vejo que eu preciso muito crescer nesta realidade, sei que não é fácil e que diante deste contexto eu preciso ser paciente comigo mesma e entender as minhas limitações. Lembrando que o primeiro passo para superar os limites é compreendê-los e, então, traçar metas para se superá-los. Por isso, para muitas situações na minha vida eu precisei e preciso agir com muita calma. Assim também é na sua vida.

Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação (Ecle 7,8b-9).

O que não pudermos mudar em nós ou nos outros, deveremos aceitar com paciência, até que Deus disponha as coisas de outro modo. Ninguém perde por esperar, pois até para agir precisamos esperar o tempo justo e temos um exemplo claro na vida da Rainha Ester.
A paciência é uma qualidade rara e valiosa. Embora a Rainha Ester estivesse aflita e ansiosa para falar com o Rei diante do drama que estava vivendo, ela foi paciente e esperou o momento certo. Podemos aprender muito com Ester, pois com certeza todas nós vemos coisas erradas que precisam ser corrigidas, ou passamos por situações injustas, adversas e complicadas, mas se quisermos convencer alguém em autoridade a resolver uma situação, precisamos imitar Ester e ser pacientes. Se esperarmos pacientemente o momento certo e falarmos com brandura, assim como Ester fez, até mesmo uma oposição tão dura quanto o fato de ter que revogar algo, as situações podem até terem um resultado diferente. Sei que a vida de um verdadeiro cristão não é fácil e que por muitas vezes, a vontade de Deus permite que as cruzes nos atinjam; onde precisamos curvar a cabeça com humildade e paciência. A realidade é que muitos de nós cristãos, estamos prontos para fazer a vontade de Deus no ―Tabor da transfiguração‖, mas poucos no ―Calvário da crucificação. No momento de calvário da vida da Rainha Ester, podemos imaginá-la orando silenciosamente a seu Deus antes de se dirigir ao Rei e falar: ―Se eu tiver achado favor aos teus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, dê-se-me a minha própria alma ao meu pedido, e meu povo, à minha solicitação. Note que primeiramente em suas palavras ela mostrou que o respeitava como rei e como autoridade. Ester era muito diferente de Vasti, ex-esposa do rei, que o havia humilhado de propósito por um mero capricho ou vontade. Além disso, Ester não criticou o rei por ter sido tolo em confiar em Hamã. Em vez disso, ela implorou que ele a protegesse como mulher, como esposa, como rainha, como judia, ela implorou a proteção diante de algo que punha a vida dela e do seu povo em risco. Com certeza, esse pedido deixou o rei impressionado e comovido por tamanha humildade de sua rainha. Quem ousaria colocar sua rainha em perigo a mulher que ele escolheu para reinar ao seu lado? Como Ester também somos chamadas a entrar na escola da paciência, procurando suportar os acontecimentos da nossa vida com esperança e serenidade, sabendo em Deus esperar, rezar, escutar e agir na hora certa, no tempo oportuno, com muita humildade e guiadas pelo Espírito Santo, pois o nosso Deus é o Senhor de todas as coisas e agindo Ele em nossa vida, quem o impedirá? Por fim, não podemos esquecer que a virtude da paciência exige de nós a capacidade de saber esperar e de aguentar as contrariedades da vida. Ser paciente é também não agir no imediatismo, mas sim dar um passo após o outro, levantar-se e estar disposta a sempre recomeçar, seja em casa, com os filhos, no casamento, nas amizades, nos investimentos, nos empreendimentos, na vida; enfim com paciência e maturidade todas nós mulheres podemos sempre recomeçar.