Qual é a importância de um bom exame de consciência?

Um bom católico deve ter o costume de examinar frequentemente a sua consciência. Em geral, o exame de consciência é feito para que a pessoa se prepare melhor para o Sacramento da Confissão, ou também, antes de deitar-se, como uma preparação para a morte, caso ela venha durante o sono. Contudo, a importância de um bom exame de consciência vai além desses dois aspectos.

A doutrina dos grandes santos está repleta de loas ao exame de consciência. Por exemplo, São João Crisóstomo, chegou a dizer que, se uma pessoa se empenhasse num bom exame de sua consciência, dentro de um mês, seguramente estaria no caminho da santidade. Trata-se, portanto, de uma doutrina plurissecular da Igreja que merece toda a atenção.

Segundo o Padre Paulo Ricardo, em uma de suas colocações, o coração do homem precisa estar centrado em Deus e o exame de consciência serve para mostrar o quanto é grande o afastamento, o quanto se está longe de Deus, do centro. Os pecados e as disposições habituais são apenas sintomas desse doença que é a distância do núcleo que é Deus. Portanto, identificar para onde está sendo orientada a vida é parte decisiva na cura.

Padre Paulo Ricardo afirma que, definido o exame de consciência, é possível dividi-lo em três partes: a primeira é o chamado “golpe de vista”, ou seja, aquele olhar que identifica os atos (superficial) e também aquele mais profundo que olha os hábitos já arraigados.

A segunda é a contrição, na qual a pessoa percebe que o pecado não só machuca e destrói, como manda para longe o Céu e aproxima perigosamente o Inferno (atrição). Nessa etapa é preciso dar um passo além, o passo do amor filial, saindo da condição de temor servil, percebendo a ofensa cometida contra o pai amoroso e imbuindo-se de um verdadeiro arrependimento por ter causado a ofensa. “Senhor, eu pequei, perdoa-me”.

A terceira etapa é a resolução ou o propósito de amar mais a Deus, cortar na raiz os maus hábitos e os vícios arraigados no coração. Para o Padre, a  frequência ideal do exame de consciência é três vezes ao dia, segundo Santo Ignácio de Loyola, sendo o primeiro pela manhã, de modo preventivo, olhando para a vida, para os vícios e atos maus costumeiramente praticados, orientando as próprias disposições a não cometê-los. O segundo, logo após o almoço, talvez na Hora Média ou numa visita ao Santíssimo Sacramento, avaliando como o dia foi conduzido até aquele momento e reforçando o desejo de acertar (ou não errar) no restante do dia.

Por fim, à noite, antes de dormir, seguindo mesmo as orientações da Igreja que recomenda o exame de consciência antes das Completas. Padre Paulo Ricardo, acentua que o  exame de consciência noturno é o mais importante dos três, pois não versa somente aquele dia (particular), mas deve ter o caráter geral, da vida toda e de como ela está sendo orientada, colocando diante de Deus toda miséria, louvando-O pelos bons atos realizados e colocando toda a confiança na misericórdia Dele e meditando no fato de que a salvação só pode vir pela Graça divina.

Fazendo assim não há dúvida de que a vida será realmente convertida, conduzida para Deus, naquilo que os antigos chamavam de epistrofe, mudar o rumo, a direção da vida, para que a ovelha errante perdida encontre o Pastor da Alma no fim de cada dia e em todos os dias da vida.Um livro em especial, “A vida interior simplificada e reconduzida ao seu fundamento”, escrito por pelo padre cartuxo François de Salles Poullien, em cuja terceira parte, vários capítulos são dedicados ao exame de consciência. Num deles, o Pe. Poullien relata a experiência de Santo Ignácio de Loyola que dirigia seus filhos jesuítas quase que unicamente pela reflexão pessoal e pela prática dos Sacramentos.

De tal forma que na Constituição da Ordem ele não poderia ser tido como dispensável. Isso significa que mesmo um jesuíta que estivesse doente, impedido de rezar, de frequentar os sacramentos estava dispensado de tudo, exceto do exame de consciência. Sendo assim, como fazer um bom exame de consciência e caminhar em direção à santidade? Existe um tipo, chamado superficial que é aquele que se detém nos atos, ou seja, nos pecados cometidos durante o dia ou ao longo da vida.

Já um exame de consciência profundo é aquele que mergulha no coração. Ora, sabe-se que o que se recolhe ao coração são os hábitos, as disposições habituais que, em geral, dão um rumo à vida. Se os hábitos são bons, a vida ruma para o bem, se são maus, a vida está desorientada. Então, é preciso mergulhar nos hábitos e identificá-los.

Para tanto, a pergunta fundamental que deve ser feita é: “onde está o meu coração?” O próprio Jesus afirmou nesse sentido: “onde está o seu coração, aí está o seu tesouro” (Mt 6,21). É a mesma pergunta que Deus fez a Adão ao entardecer do terrível dia em que o pecado veio ao mundo. Na brisa, Deus queria se encontrar com um amigo e perguntou: “Adão, onde estás?” (Gn 3,9). É precisamente a resposta à pergunta do Senhor que interessa ao exame. “Onde eu estava quando não estava com o Senhor?” Foi a forma encontrada por São Josemaría Escrivá de Balaguer y Albas para fazer a mesma pergunta. E a resposta em todos os casos é a mesma: disperso.

O coração do homem precisa estar centrado em Deus e o exame de consciência serve para mostrar o quanto é grande o afastamento, o quanto se está longe de Deus, do centro. Os pecados e as disposições habituais são apenas sintomas dessa doença que é a distância do núcleo que é Deus.

Portanto, identificar para onde está sendo orientada a vida é parte decisiva da cura e da libertação de nossa alma feminina. Agora quero te convidar a fazer um bom exame de consciência, pegue uma folha e uma caneta, reflita e responda para si mesma:

Neguei ou abandonei a minha fé? Tenho a preocupação de conhecê-la melhor?

Recusei-me a defender a minha fé ou fiquei envergonhado dela?

Existe algum aspecto da minha fé que eu ainda não aceito?Disse o nome de Deus em vão?

Pratiquei o espiritismo ou coloquei a minha confiança em adivinhos ou horóscopos?

Manifestei falta de respeito pelas pessoas, lugares ou coisas santas?

Faltei voluntariamente à Missa nos domingos ou dias de preceito?

Recebi a Sagrada Comunhão tendo algum pecado grave não confessado?

Recebi a Comunhão sem agradecimento ou sem a devida reverência?

Fui impaciente, fiquei irritado ou fui invejoso?

Guardei ressentimentos ou relutei em perdoar?

Fui violento nas palavras ou ações com outros?

Colaborei ou encorajei alguém a fazer um aborto ou a destruir embriões humanos, a praticar a eutanásia ou qualquer outro meio de acabar com a vida?

Tive ódio ou juízos críticos, em pensamentos ou ações?

Olhei os outros com desprezo?

Falei mal dos outros, transformando o assunto em fofoca?

Abusei de bebidas alcoólicas?

Usei drogas?

Fiquei vendo vídeos ou sites pornográficos?

Cometi atos impuros, sozinho ou com outras pessoas?

Estou morando com alguém como se fosse casado, sem que o seja?

Se sou casado, procuro amar o meu cônjuge mais do que a qualquer outra pessoa?

Coloco meu casamento em primeiro lugar? E os meus filhos?

Tenho uma atitude aberta para novos filhos?

Trabalho de modo desordenado, ocupando tempo e energias que deveria dedicar à minha família e aos amigos?

Fui orgulhoso ou egoísta em meus pensamentos e ações?

Deixei de ajudar os pobres e os necessitados?

Gastei dinheiro com o meu conforto e luxo pessoal, esquecendo as minhas responsabilidades para com os outros e para com a Igreja?

Disse mentiras?

Fui honesto e diligente no meu trabalho?

Roubei ou enganei alguém no trabalho?Cedi à preguiça?

Preferi a comodidade ao invés do serviço aos demais?

Descuidei a minha responsabilidade de aproximar de Deus os outros, com o meu exemplo e a minha palavra?

Existem diversos modelos de exame de consciência,  esse é apenas um modelo que pode te ajudar.


 

Missionária da Comunidade Canção Nova

Huanna Cruz