O Primeiro Sonho de D. Bosco

Filed under: Santos — Prof. Felipe Aquino at 4:30 pm on Thursday, January 31, 2008

Deus falava com São João Bosco através de muitos sonhos; este foi o primeiro deles, em sua infância. Ele nasceu em 1815, viveu seus primeiros anos felizes  e alegres nos campos de Becchi, uma pequena vila em Piedmont, Itália. Como um pastorzinho, ele podia brincar com seus coleguinhas, mantendo-os longe do mal e os levando à virtude. 

Em 1823, ele quis ir a escola na cidade de Castelnuovo,  poucos quilômetros de distância, mas o seu meio irmão mais velho de 21 anos, ignorante,  o privou disto, com a desculpa de precisar mais mão para o trabalho. 

Mas durante o inverno de 1824-1825, quando em Piedmont não havia trabalho nos campos cobertos de neve, a mãe de João Bosco o mandou para a escola  na vila próxima, onde um padre piedoso o ensinou a ler e a escrever, e acima de tudo lhe ensinou o Catecismo e o preparou para a Primeira Comunhão. Sob a supervisão do padre, o jovem João Bosco aprendeu os meios necessários para preservar a graça de Deus em sua alma pela  oração e mortificação. 

Uma vez capaz de ler, João sempre era visto com um livro na mão, mesmo enquanto vigiava os animais no pasto. Numa ocasião, outros jovens pastores o chamaram para brincar, mas ele recusou e bateram nele.  Ele poderia revidar, mas o perdão era sua vingança. Ele disse  a eles: “eu não posso brincar porque eu devo estudar: eu quero ser um padre”. 

Depois disto, eles o deixaram em paz. Admirando sua paciência e mansidão, eles se tornaram seus amigos. E então João Bosco os instruiria no Catecismo e os ensinou a cantar hinos a nossa Mãe Abençoada. Então, quando João Bosco tinha nove anos de idade, ele teve um sonho que revelou a ele seu próprio futuro sendo vasto e uma missão providencial  para meninos durante sua vida laboriosa. Ele mesmo narrou este sonho em suas Memórias do Oratório. 

João Bosco escreveu suas  Memórias do Oratório de São Francisco de Sales  depois de receber uma ordem explicita do Pai Eterno. Ele narra o seguinte sonho: Quando eu tinha nove anos, tive um sonho que me impressionou pelo resto da minha vida. Eu sonhei que estava perto de minha casa num parque de diversões imenso onde uma multidão de crianças brincava. Alguns riam, outros brincavam. Eu estava tão chocado com a linguagem deles que pulei no meio deles, gritando para eles pararem. Naquele momento um Homem apareceu, nobremente trajado com um porte masculino e forte.  Usava um manto branco e Sua face irradiava tamanha luz que eu não podia olhar diretamente em Sua face.  Ele me chamou pelo nome e me disse que ia colocar-me como líder daqueles garotos,  e acrescentou mais. 

“Você  terá de ganhar estes seus amigos não com gritos mas com  gentileza e doçura. Então comece  agora a mostrar a eles que o pecado é feio e a virtude é bonita”. Confuso e amedrontado, Eu respondi que era só um garoto e não podia falar aos mais jovens sobre religião. Naquele momento a confusão, e a gritaria pararam, e a multidão de garotos se reuniu em volta do Homem que estava falando.  

Quase inconscientemente, perguntei: “Mas como você pode me mandar fazer algo que parece impossível?”“O que parece tão impossível que você  deva alcançar o ser  obediente e pela aquisição de conhecimentos.”“Mas, onde? Como?”“Eu darei a você um Professor cuja orientação você aprenderá e sem esta ajuda todo o conhecimento se transformará em idiotice.” “Mas quem é você?” “Eu sou o Filho daquela que sua mãe te ensinou a cumprimentar três vezes ao dia.” 

“Minha mãe me disse para não falar com estranhos, a menos que ela dê permissão. Então, por favor, diga-me seu nome.”“Pergunte à Minha Mãe.”Naquele momento eu vi ao lado d”Ele uma Senhora de aparência majestosa, usando um lindo manto, brilhando com se estivesse coberto de estrelas. Ela viu minha confusão e me acenou.  

Pegando minha mão com grande delicadeza , ela disse: “Veja!”. Eu olhei e todas as crianças tinham sumido. E no lugar vi muitos animais. Havia bodes, cachorros, gatos, ursos e uma grande variedade de outros. “Este é o seu campo, aqui é onde deve trabalhar” a Senhora me disse. Torne-se  humilde, firme e forte. E o que você viu acontecer com estes animais, você fará com minhas crianças.” Eu olhei de novo, os animais selvagens se transformaram em muitos cordeiros – gentis, e saltitantes cordeiros - berrando boas vindas ao Homem e a Senhora. 

Neste ponto do meu sonho, eu comecei a chorar, e pedi à Senhora para que me explicasse o que dignificava, porque eu estava tão completamente confuso. Ela pos a mão em minha cabeça e disse: “No tempo certo, tudo se tornará claro para você.” 

Depois dela dizer estas palavras, fui acordado por um barulho, tudo tinha desaparecido. Eu estava completamente  confuso… De algum modo minhas mãos ainda doíam. E a conversa com aquele Homem e Senhora transtornou minha mente de modo que eu não pude mais dormir naquela noite. 

De manhã eu mal podia esperar para contar meu sonho. Quando meus irmãos o escutaram, eles caçoaram de mim. Eu então contei à minha mãe e avó. Cada uma escutou e deu diferente interpretação. Meu irmão José me disse: “Você vai se tornar um pastor e cuidar de bodes , carneiros e gado.” E minha mãe retrucou: “Quem sabe? Talvez você se torne um padre.” E, friamente, Antonio murmurou:” Você devia virar o chefe de uma gangue de bandidos.” Mas minha avó muito religiosa deu a última palavra: “Você não deve dar atenção a sonhos.” 

Não tirava o sonho de minha cabeça, e meus parentes não deram importância. Mais tarde, em 1858, quando eu fui a Roma para estar com o Papa sobre a ordem salesiana, o Papa Pio IX (1846-1878) me perguntou se algo sobrenatural tinha acontecido. Narrei meu sonho que eu tive aos nove anos. O Papa me ordenou que escrevesse esse sonho em detalhes para poder dar coragem aos membros da Congregação, pela qual eu fui a Roma. 

Este sonho se repetiu a João Bosco várias vezes por um período de dezoito anos,  e cada vez que se repetia sempre havia novos fatos. Cada vez que o sonho repetia, ele pôde ver claramente  não só o estabelecimento deste Oratório e a divulgar seu trabalho, mas também os obstáculos que poderiam aparecer e as ciladas dos  inimigos, ele venceria a todos. 

(Fonte: The Biographical Memoirs of Saint John Bosco)  

Lorraine Allard, mãe

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 3:41 pm on Thursday, January 31, 2008

Lorraine Allard

 

Lorraine Allard. Guardemos este nome.

Não, ela não é uma adolescente talentosa que irá estourar nas paradas dentro de pouco tempo. Tampouco sua imagem estará estampada em revistas de fofoca. Ninguém correrá para as bancas de jornal para saber de suas últimas peripécias…

Lorraine Allard. Guardemos este nome.

Ela já não está mais entre nós. Lorraine faleceu em 18 de janeiro passado aos 33 anos de idade, vítima de câncer.

Dois meses antes, no dia 18 de novembro, Lorraine deu à luz seu quarto filho, o primeiro homem, Liam, que chegou a este mundo após apenas 25 semanas de gestação.

Lorraine soube que estava com câncer no fígado em estágio avançado às 16 semanas de gestação. Ela e seu marido Martyn ficaram devastados com a notícia. Quem não ficaria? Quem não olharia para os céus e perguntaria: “Por quê?”

Os médicos de Lorraine a aconselharam a abortar e começar imediatamente a quimioterapia.

Lorraine Allard Bebe Solução humana. Solução fria, calculada. Para Lorraine, solução errada.

“Se eu morrerei, meu bebê deve viver!”

Estas foram as palavras de Lorraine. Lorraine quis esperar o máximo possível para que seu bebê tivesse mais chances ao sair de seu ventre. Lorraine recusou tratamento quimioterápico até dar a luz.

Liam chegou até nós por parto natural devido a Lorraine entrar em trabalho de parto 1 semana antes da cesareana agendada. Logo após o nascimento de Liam, Lorraine iniciou o tratamento contra o câncer.

Enquanto Liam ficou no hospital na incubadora, Lorraine ficou em casa, em tratamento. Devido a isto, ela pôde ver seu filho apenas 4 vezes após o parto. Cada encontro foi uma benção para Lorraine, para Liam, para Martyn, para suas filhas maiores, para todos nós.

Foi em um destes encontros que estas fotos foram tiradas. O sorriso de Lorraine diz tudo. Ela sabia que segurava em seus braços uma dádiva. Liam ainda não tem consciência da dádiva que ele teve no início de sua vida.

Lorraine Allard

Olhemos para o rosto de Lorraine… Onde está a dor? Onde o câncer? Onde o absurdo da morte? Onde está o vazio que tantos propagam?

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Cor 15:55)

Lorraine Allard. Mãe.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://contra-o-aborto.blogspot.com/2008/01/lorraine-allard-me.html

 

 

 

Por que o namoro não é o tempo de viver a vida sexual?

Filed under: Namoro — Prof. Felipe Aquino at 3:22 pm on Thursday, January 31, 2008

   As coisas da vida somente são boas e nos fazem felizes se são usadas dentro de sua finalidade. Você não pode, por exemplo, usar  o seu celular como um martelo!… Desvirtuando a sua finalidade, você provoca dano. Com o sexo se dá o mesmo; se for vivido fora do seu sentido, estraga tudo. Qual o sentido do sexo? O sexo, no plano de Deus,  tem duas dimensões, finalidades: “unitiva” e “procriativa”; elas se completam. Deus fez do casal humano “a nascente da vida” (Paulo VI); e assim deu ao homem a honra, a glória e a missão de gerar e educar os filhos.  Nenhuma outra missão é mais nobre do que esta.  

Se é belo construir casas, carros, aviões …, mais belo ainda é gerar é educar um ser humano, imagem e semelhança de Deus. Nada se compara à missão de ser pai e mãe.  Na aurora da humanidade Deus disse ao casal: “multiplicai-vos”. “A dualidade dos sexos foi querida por Deus, para que o homem e a mulher, juntos, fossem a imagem de Deus” ( Paulo VI). 

É através da atividade sexual que o casal se multiplica e se une profundamente; isto é um desígnio de Deus. O ato sexual é o ato “fundante” da geração do filho, porque é por ele que a doação amorosa do casal acontece.  É por isso que a Igreja não aceita outra maneira de gerar a vida humana. A geração de um filho tem de ser um ato de amor dos pais; por isso a fecundação não pode ser passada para as mãos dos médicos e bioquímicos.  

Por outro lado, a relação sexual une o casal. Há muitas maneiras de se manifestar o amor: um gesto atencioso, uma palavra carinhosa, um presente, uma flor, um telefonema…, mas a mais forte manifestação de amor entre o casal, é o ato sexual. É a “liturgia” do amor conjugal. Ali cada um não apenas dá presentes ao outro, nem só palavras, mas “se dá” ao outro física e espiritualmente. É a expressão da “entrega da vida”. 

Ora, você só pode entregar a sua intimidade profunda a alguém que o ama e que tem um “compromisso de vida” com você para sempre!  

Qual é a diferença entre o sexo no casamento, realizado com amor e por amor, e a prostituição?  É o amor baseado num compromisso de vida para sempre. Se você tirar o amor, o sexo se transforma em prostituição, comércio. 

No plano de Deus o sexo é diferente, é manifestação do amor conjugal; é a “marca” na alma, de duas pessoas que se uniram para sempre, na dor e na alegria, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza; é uma verdadeira liturgia desse amor, cujo fruto será o filho do casal. Cada um é “responsável pelo outro”  até a morte, em todas as circunstâncias fáceis e difíceis da vida. Sem este “compromisso de vida” o ato sexual não tem sentido, e se torna vazio e perigoso. 

Na fusão dos corpos se celebra profundamente o amor de um pelo outro: a compreensão recíproca, a paciência exercida, o perdão dado, o diálogo mantido, as vitórias conquistadas, as lágrimas derramadas… é a “festa do amor conjugal”.  Por isso é o ato fundante da vida. 

O ato sexual vai muito além de um mero ato físico; a união dos corpos sinaliza a “união dos corações” e dos espíritos pelo amor. Por isso não pode ser um ato improvisado, um mero momento de prazer ou de celebração emotiva; é muito mais, é a celebração de uma vida vivida a dois para sempre, na renúncia e na alegria. 

Nesta “festa” do amor conjugal, o casal se une fortemente, e no ápice do seu prazer, Deus quis que o filho fosse gerado. Assim, ele não é apenas carne e sangue dos seus pais, mas “amor do seu amor”. 

É por isso que a Igreja ensina que o ato sexual, para não ser desvirtuado, deve sempre estar aberto à geração da vida, sem que isto seja impedido por meios artificiais. 

Ora, se o ato sexual gera a vida de um novo ser humano, ele precisa ser acolhido em um lar pelos seus pais. É um direito da criança que vem a este mundo. Nem o namoro, nem o noivado oferece ainda uma família sólida e estável para o filho. Não existe ainda um compromisso “ até que a morte os separe”. 

Quantos rapazes engravidaram a namorada, e tiveram de mudar totalmente o rumo de suas vidas!  Às vezes são obrigados a deixar os estudos para trabalhar; vão morar na casa dos pais … sem poderem constituir uma família como convém. 

É por isso que o sexo não deve ser vivido no namoro e no noivado. Ao contrário do que acontece hoje comumente, a última entrega ao outro deveria ser a do próprio corpo, só depois que os corações e as vidas estivessem unidas e compromissadas por uma “aliança”  definitiva. Isto está longe de acontecer ainda no namoro que é apenas um tempo de escolha.  

Se você apanhar e comer uma maçã ainda verde, ela vai fazer mal a você, e se estragará. Se você viver a vida sexual antes do casamento, você terá problemas e não alegrias. E poderá ferir a outra pessoa. Além do mais, quando o namoro termina, as marcas que o sexo deixou ficam no corpo da mulher para sempre.  Para o rapaz tudo é mais fácil.  

Então, como é que você quer exigir da sua namorada o seu corpo, se você não têm um compromisso de vida assumido com ela, para sempre? Não é justo e nem lícito exigir o corpo de uma mulher antes de colocar uma aliança – prova de amor e de fidelidade – na sua mão esquerda. 

São Paulo há dois mil anos já ensinava aos Coríntios: “A mulher não pode dispor do seu corpo: ele pertence ao seu marido. E também o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa”  (1 Cor 7,4). O Apóstolo não diz que o corpo da namorada pertence ao namorado, e nem que o corpo da noiva pertence ao noivo.  

As conseqüências do sexo vivido fora do casamento são terríveis: mães e pais solteiros, despreparados; filhos abandonados, ou criados pelos avós, ou
em orfanatos.  Muitos desses se tornam ás vezes abandonados e delinqüentes que cada vez mais enchem as nossas ruas, buscando nas drogas e no crime a compensação de suas dores. Quantos abortos são cometidos porque busca-se apenas egoisticamente o prazer do sexo, e depois elimina-se o fruto, a criança!  Só no Brasil são 4 milhões por ano.  Quatro milhões de crianças assassinadas pelos próprios pais! 

As doenças venéreas são outro flagelo do sexo fora do casamento. Ainda hoje convivemos com os horrores da sífilis, blenorragia, cancro, sem falar do flagelo da AIDS. Por causa dessa desvalorização da vida sexual, e da sua vivência de modo irresponsável e sem compromisso, assistimos hoje esse triste espetáculo de milhões de meninas adolescentes de 12 a 15 anos, grávidas. 

A nossa sociedade é perversa e irresponsável. Incita o jovem a viver o sexo de maneira precoce e sem compromissos, e depois fica apavorada com a tristeza das meninas grávidas. Isto é fruto da destruição da família, do chamado “amor livre”, e do comércio vergonhoso que se faz do sexo através da televisão, dos filmes eróticos, das revistas pornográficas e, agora, até através do telefone e da internet. 

E o que se oferece agora, a essas pobres meninas, é o veneno da Pílula do Dia Seguinte, uma bomba hormonal abortiva, com uma carga 10 vezes maior que a pílula anticoncepcional comum. É a promoção pública da depravação sexual e destruição da família. Veja jovem, quanta tristeza causa o sexo fora e antes do casamento. Além disso, a jovem, na sua psicologia feminina, não esquece os menores detalhes da sua vida amorosa. Ela guarda a data do primeiro encontro, o primeiro presente, etc…; será que ela vai esquecer a primeira relação sexual? Esta primeira relação deve acontecer num ambiente preparado, na lua de mel, onde a segurança do casamento a sustenta. 

O namoro é o tempo de conhecer o coração do outro, e não o seu corpo; é o momento de explorar a sua alma, e não o seu físico. 

Um casal de namorados que souber aguardar a hora do casamento para viver a vida sexual, é um casal que exercitou o autocontrole das paixões e saberá ser fiel um ao outro na vida conjugal. Eu sei que o mundo lhe diz exatamente o contrário, pois ele não quer “entrar pela porta estreita” (Mt 7,14), mas que conduz à vida. 

Peço que você faça esta experiência: veja quais são as famílias bem constituídas que você conhece; veja quais são os casamentos que estão estáveis, e verifique sob que bases eles foram construídos. Você verá que nasceram de casais de namorados que se respeitaram e não brincaram com a vida do outro. 

Eu vivi assim; não tivemos vida sexual até o nosso casamento; somos casados há 36 anos e felizes, com os nossos cinco filhos e seis netos.

Do livro “Namoro” - Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br

Nota da Comissão da CNBB sobre a Pílula do Dia Seguinte

Filed under: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 12:47 am on Thursday, January 31, 2008

 30 de janeiro de 2008 

 Em nota assinada pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte, nesta quarta-feira, 30, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB condenou a pílula do dia seguinte, classificando-a como “moralmente inaceitável”. Médico e membro da Comissão, dom Antônio explica que a pílula do dia seguinte é abortiva. “Trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita “desprotegida”, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez”, explica a nota. 

Na nota, a Comissão manifesta também apoio ao arcebispo de Olinda e Recife que recorreu à justiça contra a decisão da Prefeitura de Olinda de distribuir a pílula do dia seguinte nos dias de carnaval.  

Abaixo, segue a íntegra da Nota à imprensa:  

A intervenção do Arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, na questão da distribuição da pílula do dia seguinte pelo poder público no âmbito de sua Arquidiocese tem suscitado uma polêmica em nível nacional, e merece um adequado esclarecimento. 

Em primeiro lugar, qualquer tipo de pílula anticoncepcional é um fármaco, que pode ter efeitos colaterais prejudiciais ao organismo da mulher, e seu uso deve ser acompanhado com adequados critérios clínicos, e mediante receita médica. 

Dentre os anticoncepcionais, a assim chamada pílula do dia seguinte – também denominada contracepção de emergência – apresenta o agravante de ser abortiva. De fato, trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita “desprotegida”, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez. 

Para interceptar o concepto, essa pílula deveria ser ingerida dentro das primeiras 72 horas após a relação sexual que se presume tenha sido durante o período fértil da mulher e que tenha ocorrido a fecundação. 

Na composição dessa pílula estão presentes os hormônios femininos estrogênio e progesterona em altas doses, segundo o protocolo de Iuzpe, e eles têm a função de alterar as fases do desenvolvimento da parede uterina (endométrio), impedindo assim a nidação (ou seja, a fixação no útero materno) da pessoa recém-concebida. O uso desses hormônios em alta dose pode acarretar sérias complicações à saúde da mulher, como os tromboembolismos. Além disso, sua ingestão nas primeiras 72 horas após a concepção provoca, na verdade, um aborto químico, tão gravemente imoral quanto o aborto cirúrgico. Por tudo isso, o uso da pílula do dia seguinte é moralmente inaceitável, ainda mais quando sua distribuição é feita de maneira indiscriminada e com o uso do dinheiro público. 

Dom José Cardoso Sobrinho é movido por zelo pastoral e por fundamentadas motivações éticas, e sua iniciativa merece todo o nosso apoio. 

Brasília – DF, 30 de janeiro de 2008.  

Dom Antonio Augusto Dias Duarte 

Médico, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e membro da 

Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da CNBB 

  

CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil  

  

A Verdade e a Caridade

Filed under: Virtudes — Prof. Felipe Aquino at 5:58 pm on Wednesday, January 30, 2008

A verdade é a caridade são duas virtudes fundamentais para a nossa salvação. Uma não pode ser vivida sem a outra, desprezando a outra, pois uma perde o seu valor se não observar a outra.  Sem verdade não há verdadeira caridade e não pode haver salvação. 

São Paulo disse que “a caridade é o vínculo da perfeição” (Col 3, 14); “A ciência incha mas a caridade edifica” (1Cor 8,1); “A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rom 13, 10); “Tudo o que fazeis, fazei-o na caridade” (1 Cor 16, 14); “Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo.” (Ef 4, 15) 

São Paulo mostra a excelência da caridade: “Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.” (1 Cor 13, 2).  

Se “Deus é amor”, como disse São João, da mesma foram Ele é a Verdade. “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6). O   Antigo Testamento atesta: Deus é fonte de toda verdade (Pr 8,7; 2Rs 7,28). Sua Palavra é verdade. Deus é “veraz” (Rm 3,4). Em Jesus Cristo, a verdade de Deus se manifestou plenamente. “Cheio de graça e verdade” (Jo 1,14), Ele é a “luz do mundo” (Jo 8,12). “Para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).  

São Paulo disse a S. Timóteo que “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. O nosso Catecismo afirma com todas as letras: “A salvação está na verdade. Os que obedecem  à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro do seu anseio levando-lhes a mesma verdade.” (§851) 

“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15); Paulo deixa claro para Timóteo. Sem a Igreja o edifício da verdade não para de pé. Por isso recomenda ao seu precioso bispo que  guarde com zelo o bom “depósito da fé”  (fidei depositum). “Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós.” (II Timóteo 1,14).  

O mesmo recomenda ao bispo S. Tito: “… firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem.” (Tito 1,9) .“O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina.” (Tito 2,1). “… e mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade na doutrina, gravidade” (Tito 2,7). 

Sem esta “sã doutrina” não existe salvação. Quando Jesus terminou o discurso… “a multidão ficou impressionada com a sua doutrina” (Mt 7,28). E ele recomendava: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas”. (Mt 11,29) 

Os discípulos viviam segundo esta verdade de Deus. “Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações”. (At 2, 42) 

 Jesus mostrou toda a força da verdade. “Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.” (Jo 3, 21) 

“Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4, 23-24). Por isso a Igreja ensina a “lex credendi, lex orandi” (como se crê se reza). “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,23). 

Jesus mostrou o perigo de se desviar da verdade, porque a mentira vem do Mal: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8,44) 

Muitos não quiseram ouvir a verdade de Jesus,como hoje: “Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que me não credes? (Jo 8,46) 

Jesus mostrou aos discípulos na última Ceia, que o Espírito Santo é a fonte da Verdade; e é Ele que conduzirá a Igreja `a “plenitude da verdade” em relação à doutrina.“É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.’ (Jo 14, 17) 

“Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim” (Jo 15, 26). “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13). 

A verdade de Jesus santifica: “Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17,17). “Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade” (Jo 17,19). Por tudo isso, Jesus veio ao mundo para dar testemunho da verdade: “Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18,37). 

Muitos querem apenas o “Deus que é Amor”, mas se esquecem do Deus que é também a Verdade. Esta é uma “porta estreita ” que muitos não querem entrar, mas é a “porta da vida”. (Mt 7,13). A Igreja é muitas vezes criticada exatamente porque não abre mão da verdade. Não aceita fazer a caridade sem observar a verdade. Paulo VI disse que o mal do mundo é “propor soluções fáceis para problemas difíceis”. São soluções que não resistem a uma análise ética e moral porque não respeitam a verdade revelada. 

Santo Agostinho recomendava com sua sabedoria e santidade: “Não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade em nome da caridade”. 

A verdade norteia o bom uso da caridade, para que ela não se desvirtue. Não se pode “fazer o bem através de um fim mal”, ensinava S. Tomas de Aquino. Não se pode, por exemplo, usar o narcotráfico para arrecadar fundos para a caridade. Não se pode usar uma “camisinha” para evitar a AIDS ou fazer contracepção, porque o meio é mau. Não se pode promover a justiça através da luta de classes, do desrespeito às leis.  Os fins não justificam os meios. E isto acontece quando a caridade é vivida sem observar a verdade.  

         Sem a verdade a caridade é falsa, e não pode haver salvação. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br 

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