O filósofo francês, Voltaire, mesmo se confessando ateu e inimigo da Igreja, não podia deixar de dizer que: “O mundo me perturba e não posso imaginar que este relógio funcione e não tenha tido relojoeiro”… Os latinos chamaram o universo de mundo (= belo, lindo, maravilhoso); os gregos o chamaram de kosmos (= disciplinado, ordenado).

Todos os astros obedecem a rigorosas leis da mecânica celeste, e nenhum deles muda a sua trajetória por própria conta. Alguém já disse que : “Deus não fala, mas tudo fala de Deus.” São Paulo nos lembra na Carta aos Romanos que: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade se tornam visíveis à inteligência por suas obras.” (Rom 1,19)

Você pode chegar a Deus olhando a natureza e olhando para dentro de você. Deus é silencioso e discreto; Ele não faz sua auto propaganda. Ele não coloca placas em cada rosa, em cada pássaro, ou em cada criança, com os dizeres: “Feito por Deus”. Ele não é como os homens. Ele não põe na embalagem das frutas o seu nome, e nem mesmo diz que o Seu produto é o “melhor” do comércio, como todos fazem.

Você nunca viu escrito nas ondas do mar e nem nas estrelas: “Criado por Deus”. O mundo é tão belo, tudo funciona tão automaticamente bem e de forma cientificamente tão perfeita, e silenciosa, que a filosofia moderna tende a eliminar a necessidade de Deus, como se tudo pudesse existir a partir do nada. Chegaram até a falar da “morte de Deus”.

A filosofia da “morte de Deus” desembocou na filosofia do desespero e da morte também do homem. São Tomás de Aquino disse que “quanto mais o homem se afasta de Deus, mais se aproxima do seu nada.” Há maravilhosas e complicadíssimas reações físico-químicas em todas as criaturas, mas você não vê o Físico-Químico responsável.

Há uma precisão matemática tão grande no movimento dos astros, que até acertamos o nosso relógio por eles, mas você não vê o grande Matemático desta obra. Ele não faz propaganda do seu Nome. Ele nunca aparece para receber os aplausos da platéia… Ele faz o Sol nascer todos os dias, rigorosamente… Ele faz a Lua girar em torno da Terra e refletir a luz do Sol… Ele faz cada Planeta girar em torno do Sol em uma órbita perfeitamente elíptica, com o astro rei no foco da cônica… Ele faz os elétrons girarem em torno do núcleo do átomo, obedecendo aos níveis de energia… Ele faz a terra germinar o grão e nascer a haste; a haste crescer e dar a espiga…

Jovem, você já pensou nisso? A natureza é como que um espelho através do qual se pode ver o “Rosto” de Deus. Ela é como uma “Carta de amor” que Ele escreveu para você. Aprenda a lê-la. É como aquele namorado apaixonado, que querendo demonstrar o seu amor à namorada escreveu o nome dela numa faixa de rua, depois, no muro da sua casa, e enfim, alugou um avião para poder jogar pétalas de rosas sobre a sua casa… Tudo para provar o seu amor!

Deus também faz assim conosco. Mas é preciso abrir os olhos para ver o seu amor. Nós estamos na Terra; um grão de areia no universo. Giramos ao redor do Sol com uma velocidade de 30 km/s ou 108 000 km/h; e o Sol gira ao redor da galáxia a 320 km/s, levando 250 milhões de anos para dar uma volta completa. Parece um sonho, mas é uma realidade, e nós estamos aí.

E é aí, como que no “ventre” do universo, na Terra, que a vida humana surgiu. Não sabemos se há vida em outros lugares; até agora nada há de confirmado pela ciência séria. Alguém disse que quando a vida humana surgiu na terra, “o universo exultou de alegria”. Foram necessários bilhões de anos para que a matéria inanimada chegasse até o homem, conduzida pela mão de Deus.

Os cientistas já sabem que há 300 milhões de anos a vida vegetal e animal já fervilhava sobre a face da terra. Quando o Gênesis narra a criação do mundo, de uma maneira poética mas reveladora, diz que após cada um dos seis dias, “Deus viu que tudo era bom”. (Gen 1, 10-25)

Tudo obedece um plano, uma idéia. Cada um de nós é um milagre da “engenharia” de Deus. Pense no seu cérebro, nas suas mãos, nos seus olhos…; e ainda mais, na sua inteligência, liberdade, vontade, capacidade de amar, sorrir, chorar, cantar, abraçar… Você é um milagre de Deus! O mundo é belo; a vida é bela; nada é absurdo!

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br


Por: Roberto Wagner Lima Nogueira – abril de 2009-04-26
Mestre em Direito Tributário, professor do Departamento de Direito Público das Universidades Católica de Petrópolis (UCP) , procurador do Município de Areal (RJ), membro do Conselho Científico da Associação Paulista de Direito Tributário (APET)


Fonte: Jus Navigandi,  nº 2123 (24.4.2009).


1. Fruto de uma interpretação propositalmente equivocada da Constituição Federal, se vem formando no seio da sociedade, e especificamente no setor público, uma idéia “laicista” de que o uso de crucifixos e Bíblias em prédios públicos é uma ofensa a condição do Estado Laico brasileiro.


2. Como bem pontua o jornalista Carlos Alberto Di Franco, do Jornal Estado de São Paulo, a laicidade é importante, uma vez que consiste em reconhecer a independência e a autonomia do Estado em relação a qualquer religião ou igreja concreta, já o laicismo é uma ideologia totalitária contra toda e qualquer manifestação religiosa no campo público. A laicidade está agasalhada na Constituição Federal em seu art. 19, I, já o laicismo é ofensivo ao art. 5º, VI, da mesma Constituição Federal.


3. É na linha desta horrenda perspectiva laicista totalitária, que agiu o Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Dr. Luis Zveiter, ao determinar a retirada dos crucifixos das salas de audiências e dependências do Tribunal de Justiça.


4. Olvidou o eminente magistrado, que o crucifixo e a Bíblia, são símbolos que ultrapassam em muito uma mera adesão de um Estado a uma religião, o crucifixo e a Bíblia são fecundos símbolos do homem ocidental e de seu encontro com sua humanidade.


5. A onda laicista totalitária não para por aí. O deputado João Campos tem sido criticado na Câmara dos Deputados, por ter presidido a Casa valendo-se em sua mesa, do uso de uma Bíblia, sob o argumento também de que o Estado é Laico como nos noticia o Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Martins Filho, o que mereceu uma resposta adequada do nobre deputado, a saber,

“A resposta do deputado João Campos pareceu-me de muita propriedade: a Bíblia é “fonte de inspiração” para o Legislativo”. (grifos nossos)
6.Perfeito também é o raciocínio do eminente Ministro do TST sobre a resposta do deputado,


“Por que não poderia sê-lo, se os valores cristãos permeiam toda a nossa história e fazem parte de nossa cultura? No Brasil, com a proclamação da República, o Estado brasileiro deixou de ser confessional para ser laico, o que nunca significou rejeição dos valores cristãos. A atual Constituição Federal, nessa esteira, apenas veda a subvenção ou o estabelecimento de cultos religiosos por parte do Estado, estabelecendo os princípios básicos que regem as relações Igreja-Estado no Brasil: autonomia, cooperação e liberdade religiosa (arts. 5°, VI, VII e VIII, 19, I, 143, §§ 1° e 2° 150, VI, b, 210, § 1°, 213 e 226, § 2°). Ou seja, Estado laico nunca foi sinônimo de Estado ateu, como pretendem alguns atualmente.” (grifos nossos).

7. É evidente e cristalina que esta onda interpretativa da Constituição Federal, é apenas uma forma disfarçada de negar ao homem a condição transcendente de sua existência e mais, negar as raízes dos valores fundamentais que informam e formam a vida do homem ocidental.
8. Não é demais, inclusive, lembrar com arrimo nas lições do eminente Prof. Dr. Thomas E, Woods, Jr, pela Universidade de Columbia nos EUA, que o direito ocidental é devedor em muito, da Igreja Católica, porquanto,

“Foi no direito canônico da Igreja que o Ocidente viu o primeiro exemplo de um sistema legal moderno, à luz do qual ganhou forma a moderna tradição legal do Ocidente. De igual modo, a lei penal ocidental foi profundamente influenciada, não só pelos princípios legais da lei canônica, mas também pelas idéias teológicas, particularmente pela doutrina da reparação desenvolvida por Santo Anselmo. E, por último, a própria idéia dos direitos naturais, que durante muito tempo se considerou ter surgido e alcançado sua plena formulação por obra dos pensadores liberais dos Séculos XVII e XVIII, teve a origem no trabalho dos canonistas, papas, professores universitários e filósofos católicos. Quanto mais os estudiosos pesquisam o direito ocidental, mas nítida se apresenta a marca que a Igreja Católica imprimiu à nossa civilização e mais nos convencemos de que foi ela a sua arquiteta”. (negritos são nossos).


9. Com tanta influência assim do cristianismo em todo ocidente, como assinala o professor norte-americano Thomas Woods, como podemos admitir uma interpretação constitucional que venha a suprimir os crucifixos e as Bíblias de nossos prédios públicos, porque o Estado é laico. Alto lá, isto é um absurdo hermenêutico!


10. Antes de fazermos uma abordagem sobre o Preâmbulo de nossa Constituição Federal, pensemos um pouco sobre a origem da concepção humanista que alimenta os direitos fundamentais dias atuais.


11. O Prof. Fábio Konder Comparato em seu livro clássico, “Ética. Direito, Moral e Religião no mundo moderno”, afirma a importância decisiva de Jesus Cristo e do Cristianismo na história da Ética de toda humanidade, porque foi Ele quem ao verberar a condição divina do homem, pontuou que todos somos chamados a construir uma sociedade comunitária, em que todos se irmanem na busca de seu destino comum (o “Reino dos Céus”), com isto,


“Introduziu-se, assim, na ética, a consciência de seu caráter evolutivo, fato que viria a exercer um papel da maior importância nos séculos seguintes. São Tomás retomou o argumento em relação à lei natural, e a teoria contemporânea dos direitos humanos dele se serve para sustentar, de um lado, a irrevogabilidade dos direitos fundamentais já declarados nas Constituições e tratados internacionais e, de outro, a legitimidade de sua ampliação progressiva, conforme a inevitável evolução da consciência ética da humanidade.” (grifos meus).


12. A própria distinção entre Estado e Religião, como bem salienta Fabio Konder Comparato, já era frisada com tintas fortes por Jesus quando ensinava, “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.


13. De maneira que o fato dos prédios públicos atuais terem em suas dependências, o uso de crucifixos e Bíblias, longe de afirmar um Estado confessional ou religioso, está a afirmar um Estado fundado nas origens dos direitos humanos, na doutrina humanista cristã que alimenta toda a cultura ocidental.


14. Somente uma visão ateia do homem pode extrair do Texto Constitucional a ilação de que os prédios públicos não podem ostentar crucifixos e Bíblias, o que, diga-se de passagem, é uma interpretação frontalmente ofensiva ao preâmbulo de nossa Carta que assim dispõe,

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, SOB A PROTEÇÃO DE DEUS, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”


15. É sabido que o preâmbulo contém uma proclamação de princípios para o ordenamento que acaba de se implantar. O preâmbulo é sim um decisivo elemento de interpretação e integração dos diversos artigos que lhe seguem. É o que nos ensina Alexandre de Moraes,

 

“Apesar de não fazer parte do texto constitucional propriamente dito e, conseqüentemente não conter normas constitucionais de valor jurídico autônomo, o preâmbulo não é juridicamente irrelevante, uma vez que deve ser observado como elemento de interpretação e integração dos diversos artigos que lhe seguem. (o negrito não consta do original)


16. Assim sendo, preâmbulo não é despiciendo para o operador do direito, porquanto o seu valor de elemento de interpretação e integração adere a outros artigos e enunciados da Constituição para que assim sejam aplicados fielmente os valores protegidos pelo povo brasileiro.
17. Enquanto elemento de integração e interpretação não autônomo, na dicção acertada de Alexandre Moraes, o preâmbulo é instrumento decisivo para o alcance e interpretação de todas as normas constitucionais. Ou, no dizer de Juan Bautista Alberdi, o preâmbulo serve de fonte interpretativa para dissipar as obscuridades das questões práticas e de rumo para atividade política do governo.


18. Entendido o preâmbulo como fonte interpretativa das normas constitucionais, já podemos afirmar sem qualquer receio de erro, que a Constituição Federal reconhece que a dignidade da pessoa humana está fundada na existência de DEUS. É um nítido reconhecimento Constitucional da natureza espiritual do homem.


19. Atenção caro e dileto leitor. Não consta aqui a afirmação de que o Estado brasileiro adota esta ou aquela religião. O que se está a dizer, porque juridicamente possível, é que para nossa Constituição o homem possui dignidade como pessoa humana por que fundado em DEUS. É a leitura que se deve fazer do preâmbulo em conexão com o art. 1º, III, da Carta Maior.


20. Indagamos, então: e o que mais poderia simbolizar a dignidade da pessoa humana do que um crucifixo e uma Bíblia? Evidentemente, que nada lhes é superior no que concerne aos fundamentos de nossa existência, porque ambos sintetizam a idéia do homem e de seus valores fundantes e de sua própria origem.


21. É verdade que o Brasil, existe a separação entre o Estado e a Igreja, sendo assim o Estado brasileiro é leigo, laico ou não-confessional como bem anota Pedro Lenza. Inclusive, consoante art. 5º, VI, “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Agora, insistimos, o Estado é laico, não tem religião, porém, está fundado sob a proteção de DEUS, por força da norma interpretativa oriunda do preâmbulo, o que implica a dizer que a Constituição brasileira delineia de forma límpida, a afirmação de que o nosso Estado adota um humanismo teocêntrico, noutro dizer, um humanismo fundado em Deus e não no homem (humanismo antropocêntrico).


22. Parafraseando Leonardo Boff, podemos dizer que nos escritórios, nos gabinetes dos magistrados, onde se desenvolve o direito enquanto jogo de puro poder econômico, pode até triunfar o cinismo, o descrédito em tudo e em todos. Porém, não podemos desprezar a aurora que vem, não podemos desfazer o olhar inocente da uma criança, não podemos contemplar com indiferença a profundidade do céu estrelado sem cair no silencio e na profunda reverência, nos perguntando o que se esconde atrás das estrelas, qual é o caminho da minha vida, o que posso esperar dela? O que é o ser humano que sou e os que me rodeiam? Para que serve o meu trabalho? Qual o sentido do meu trabalhar? São perguntas que o ser humano sempre se coloca, e, ao colocá-las revela-se como ser religioso, e, sobretudo com dignidade, uma vez que a dignidade da pessoa humana é valor imanente a todo e qualquer homem.


23. Precisamos avançar no sentido de coibir estas interpretações que só tendem a diminuir a dignidade do homem, de seus valores e de sua vocação à transcendência. É preciso que ouçamos o Ministro Ives Gandra da Silva Martins, quando assinala a importância do cristianismo e de seus valores para que construamos uma magistratura fecunda,


“No caso da magistratura, os valores cristãos se tornam ainda mais fortemente “fonte de inspiração” para as decisões, uma vez que “fazer justiça” é, de certo modo, exercer um atributo divino. A justiça humana será tanto menos falha quanto mais se inspirar na justiça divina.
Com efeito, quando se perde a dimensão vertical da filiação divina, torna-se mais difícil vivenciar a dimensão horizontal da fraternidade humana, tendendo-se para uma sociedade de castas, de exploração de uns pelos outros, com o direito sendo mero instrumento de dominação de uma classe sobre outra, como vaticinou Marx. Só podemos nos chamar realmente irmãos, porque temos um Pai comum. Por outro lado, Cristo mostrou a dignidade imensa do mais humilde dos homens, fazendo-se trabalhador manual e, sendo mestre, lavando os pés dos seus discípulos.
A influência dos valores cristãos é ainda mais sensível para a magistratura do Trabalho, da qual faço parte, pois uma das principais fontes materiais da CLT, segundo o ministro Arnaldo Süssekind, único consolidador vivo, foi a doutrina social cristã.


Os princípios da dignidade da pessoa humana, do bem comum, da destinação universal dos bens, da subsidiariedade, da dignidade do trabalho humano, da primazia do trabalho sobre o capital, da solidariedade e da proteção são norte seguro para a interpretação das leis trabalhistas e solução dos conflitos laborais.” (negritos não constam do original).


24. Merece profundos elogios jurídicos a forma como o Ministro do TST, Milton de Moura França, abre as sessões do tribunal, “invocando a proteção de Deus para os trabalhos”, como nos informa Ives Gandra da Silva Martins Filho, assim como também o faz o Ministro Ives em sua turma, a 7ª Turma da Corte. Trabalhando desta forma estão eles, ministros, aplicando a Constituição Federal e seus valores fundantes.


25. Pela importância do texto, abrimos aspas novamente para as palavras do Ministro Ives, sobre o uso dos sinais religiosos da cruz e da simbologia dos crucifixos, no Tribunal Superior do Trabalho, vejamos,

“Na presidência do TST, o quadro de Leão XIII nos recorda sua encíclica Rerum Novarum, reconhecida mundialmente como a carta magna da justiça social, por mostrar o caminho para escapar dos escolhos de um capitalismo selvagem e de um coletivismo desumanizante.
Nas sessões do pleno, vejo os ministros Carlos Alberto Reis de Paula e Maria Cristina Peduzzi, que se sentam ao meu lado, fazerem o sinal da cruz ao iniciar a sessão. Durante os julgamentos, em casos mais intrincados, os crucifixos colocados nas paredes das salas de sessão do tribunal nos servem de inspiração para acertar. Parece-me salutar, para um magistrado, a consciência humilde de sua falibilidade, sabendo que não julga os outros por estar acima deles, mas é apenas um igual a quem foi confiada a missão de julgar.


Essas são apenas algumas das razões pelas quais entendo que os símbolos cristãos devem continuar engalanando nossos pretórios, lembrando-nos nossas origens, nossa cultura, nossos valores, em estrito cumprimento de nossa carta política, promulgada “sob a proteção de Deus”, como alardeado por nossos constituintes. (os negritos não constam do original).
26. Enfim, os crucifixos e as Bíblias existentes em nossos prédios públicos, compreendendo-se aqui as salas de audiências, reuniões, bibliotecas e tudo o mais – devem ser entendidos muito antes de uma ofensa à condição de Estado Laico – como fontes de inspiração e como símbolos de um profundo chamado à ordem de que o homem foi feito para servir. Servir, sobretudo aos mais necessitados e em obediência estrita aos mais importantes valores humanos: o direito à vida, à liberdade e à igualdade, e sob a proteção de Deus como quer o preâmbulo de nossa Constituição Federal.

Sobre o autor:


Roberto Wagner Lima Nogueira é autor dos livros “Fundamentos do Dever Tributário”, Belo Horizonte, Del Rey, 2003, e “Direito Financeiro e Justiça Tributária”, Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2004; co-autor dos livros “ISS – LC 116/2003″ (coord. Marcelo Magalhães Peixoto e Ives Gandra da Silva Martins), Curitiba, Juruá, 2004; e “Planejamento Tributário” (coord. Marcelo Magalhães Peixoto), São Paulo, Quartier Latim, 2004.


Site: www.rwnogueira.blog.uol.com.br

NOGUEIRA, Roberto Wagner Lima. O uso de crucifixos e bíblias em prédios públicos à luz da Constituição Federal . Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 2123, 24 abr. 2009. Disponível em:

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=12686

“O Estado de São Paulo” do dia 13 de Abril de 2009, pág. A-14, publicou que na Argentina, algumas ONGs estão propondo um “desbatismo” coletivo para as pessoas que foram batizadas quando eram bebês na Igreja Católica e não desejam mais participar oficialmente dela, já que são ateias, agnósticas ou genericamente religiosas, mas indiferentes aos preceitos católicos. O movimento denominado “No em mi nombre”, ou seja, “Não em meu nome”, propõe aos argentinos que não se consideram mais católicos que enviem cartas aos bispos das cidades em que foram batizados para que “conste oficialmente dos registros da Igreja que não integram mais o rebanho”. Informa ainda o referido periódico que os ateus constituem um grupo em rápido crescimento naquele país, congregando 11,3 % da população. Continue lendo…

Jesus sinal de contradição

Cristo sempre foi e sempre será “Sinal de Contradição”, como disse o profeta Simeão. E da mesma forma a Igreja Católica e cada um de seus filhos autênticos. Por isso Cristo foi crucificado e a Igreja é perseguida e martirizada há dois mil anos; e hoje mais do que antes.

Aqueles que fazem o mal amam as trevas, a calada da noite para praticar os crimes, as corrupções, os conchavos… Cristo não recuou diante das ofensas e perseguições; hoje a Igreja precisa imitá-lo como fez nesses dois mil anos. Este livro quer mostrar o quanto a Igreja Católica e Jesus Cristo têm sido combatidos no Ocidente. Cresce rapidamente entre nós uma verdadeira Cristofobia e um verdadeiro ódio à Sua Igreja, nossa Mãe.

Jesus é a Luz que brilha nas trevas do mundo e esse a rejeita; como disse o evangelista São João: “Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1,4-5)… Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (v. 7-11).

Ficha Técnica
ISBN: 978-85-88158-51-1
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 264
Idioma: Português BR
Acabamento: Brochura
Formato: 14×21 cm

16. abril 2009 · 10 comments · Categories: Papas

 

O Papa Bento XVI está completando quatro anos de Pontificado; ele é o Representante de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra, o Vigário de Cristo; o Pedro de nossos dias, a quem o Senhor confia o cuidado do seu Rebanho. “Apascenta as minhas ovelhas” (João 21, 17); “Confirma os teus irmãos” (Lucas 22, 32). O Papa, como disse Santa Catarina de Sena, é o “Doce Cristo na Terra”. Ele é a “Pedra” (Kephas) de unidade da Igreja e guardião da doutrina; Pai espiritual de todo católico.

 

Levar adiante o trabalho de João Paulo II não é tarefa fácil, mas o Papa Bento XVI continua isso muito bem; realiza as importantes viagens pastorais a todo o mundo – apesar de sua idade avançada – o que por si só já é um desafio. Continua a luta em defesa da moral católica no combate ao aborto, à manipulação de embriões, à eutanásia, ao sexo livre e fora do casamento, `a prática homossexual e ao casamento de gays, uso da camisinha, etc. Isto tudo tem sido um grande desafio para o Papa e motivo de muitas críticas.

 

Além disso, o Papa tem combatido o que chama de “ditadura do relativismo”, segundo o qual não existe uma verdade absoluta e tudo se reduz `a vontade de cada um; dentro da Igreja combate o relativismo moral e doutrinário por parte até de pessoas do clero. Seu principal desafio, penso que seja a luta contra o ateísmo e o laicismo anti-católico que cresce na Europa e especialmente nas universidades e na mídia, e que parece querer banir a Igreja católica da sociedade e fazer calar a sua voz.

 

Alguns pensavam que o Papa fosse um reacionário ultra conservador, mas ele não precisou reverter esse quadro, porque simplesmente ela nunca foi frio e nem ultra-conservador; essa foi uma visão errada que a mídia passou dele para o  público. O então cardeal Ratzinger sempre foi acolhedor, humilde e bondoso; no entanto, sua missão de Prefeito da Congregação da Fé; a mais importante da Santa Sé, guardião da “sã doutrina” (Tito 1,9), exigia dele um trabalho profundo, recolhido, e pronto para corrigir os erros e as heresias que ameaçavam a pureza da fé. Ele foi obrigado a chamar ao Vaticano muitos teólogos que caminhavam em desacordo com a doutrina da Igreja; era sua missão; isso criou uma falsa visão de sua pessoa.  Durante 24 anos ele foi o homem  de confiança de João Paulo II nesta missão impar; isso gerou, erradamente, uma imagem distorcida do Papa. Foi um preço que ele teve de pagar para servir a Igreja com fidelidade e coragem.

 

Alguns quiserem denegrir a sua imagem dizendo que ele foi do exército de Hitler, como se tivesse cooperado com a loucura desse ditador. Esse foi outro ponto muito mal interpretado pela mídia e especialmente por quem desejava denegrir a imagem do Papa, como se pudesse caber na cabeça de alguém que um cardeal da Igreja, hoje Papa, pudesse ter sido colaborador de um dos piores carrascos que a humanidade já viu. Somente pessoas com muita má fé ou por ignorância poderiam pensar tal desatino.

 

No livro “O Sal da Terra”, o então Cardeal Ratzinger deu um longa entrevista ao jornalista Peter Seewald, onde conta toda a sua vida e seu maravilhoso trabalho de muitos anos pela Igreja. Entre outras coisas, Peter pergunta ao Papa: “O senhor pertenceu `a Juventude Hitlerista?; ao que ele respondeu:

“De início não pertencíamos. Contudo, com a introdução, em 1941, da juventude Hitlerista obrigatória, meu irmão tornou-se membro de acordo com essa norma. Eu ainda era muito novo [14 anos ], mas mais tarde fui inscrito na juventude Hitlerista quando estava no  seminário.  Assim que saí do seminário, nunca mais fui lá. E isso era difícil porque a redução da mensalidade, de que eu realmente precisava, estava ligado à comprovação de frequência à juventude Hitlerista. Mas, graças a Deus, tive um professor de Matemática muito compreensivo. Ele próprio era nazista, mas um homem  consciencioso, que me disse “ Vai lá uma vez para resolvermos isso…” Quando viu que eu realmente não queria ir , disse: “Entendo, eu dou um jeito nisso”, e assim pude ficar de fora” (p. 44). Pouco depois, os dois irmãos Ratzinger seminaristas foram mobilizados compulsoriamente e enviados para diferentes postos militares. O futuro Papa fez serviço militar na guarnição antiaérea de Munique, mas nunca atuou como soldado beligerante. Ele e outros tinham permissão de assistir às aulas no Colégio Maximiliano de Munique. Fora das horas de serviço, podiam fazer o que quisessem, e lá havia um grande grupo de católicos “engajados” que conseguiram organizar até aulas de religião, e de vez em quando podiam ir à igreja. (ver o livro ” A minha vida”, Ed. Paulinas, SP).

Mais tarde, em 20 de setembro de 1944, foi levado para um campo de trabalhos forçados em Burgenland. “Aquelas semanas de trabalho braçal ficaram-me na memória como uma recordação opressiva. Aprendemos a pegar e levar sobre o ombro a enxada com uma cerimoniosa disciplina militar; a limpeza da enxada, na qual não podia ficar a menor partícula de pó, era um dos elementos essenciais dessa pseudo-liturgia… Toda uma liturgia e
o mundo que se construía em torno dela apresentavam-se como uma grande mentira” (citado no livro “Joseph Ratzinger, uma biografia”, de Pablo Blanco, Ed. Quadrante 2005, pp. 31 e ss.).

 

         O Papa é conservador no sentido de conservar-se fiel ao Evangelho e ao Magistério da Igreja, e isso é correto; ele tem dito e ensinado as mesmas verdades que os Papas anteriores a ele ensinaram, nada a mais. Acontece que o mundo fica na ilusão de que a Igreja vá mudar a sua moral e a sua doutrina; mas ela não pode fazer isso, pois é um legado perene que Jesus deixou para a salvação da humanidade; e isso não pode ser mudado sob pena de se destruir o cristianismo e por em risco a salvação das pessoas.

 

Ele foi recentemente atacado na mídia e nas universidades por ter condenado o uso de preservativos; mas sempre a Igreja considerou o seu uso imoral e deprimente, uma vez que incentiva o sexo fora do casamento, e é um mau exemplo para os jovens. Ele nada disso de novo. O preservativo não impede 100% a contaminação pelo HIV, como estamos vendo pelo testemunho de muitos médicos e autoridades. Os paises da África que diminuíram o contágio do HIV o fizeram com a prática da abstinência sexual antes do casamento e a fidelidade conjugal, e não com o uso da camisinha; o Papa tem razão.

 

Sobre o casamento de gays, a Igreja sempre considerou a prática homossexual, não a tendência, uma grave desordem (cf. Catecismo §2357), algo contra a lei de Deus que criou o homem e a mulher para que o casal humano fosse a base da família e da sociedade. O casamento de gays cria uma família falsa, e isto prejudica a verdadeira, e tem sérias conseqüências.

 

O Papa tem viajado constantemente – apesar de sua idade, repito – e tem sido acolhido com entusiasmo como vimos na África, nos Estados Unidos, na Jornada Mundial da Juventude na Alemanha, no Brasil, etc.; isso mostra que ele continua a levar a Igreja e o Evangelho ao mundo e este o acolhe. Ele continua o mesmo trabalho de João Paulo II; dá ênfase ao ecumenismo, enaltece o Concilio Vaticano II como a “Primavera da Igreja”, vai às universidades levar a mensagem cristã, fala com a juventude, acolhe as famílias e conversa com os governantes do mundo todo. E já está de viagem marcada para Israel.

 

Este Papa foi eleito num dos Conclaves mais rápidos da história da Igreja, porque estava claro para os cardeais que ele era o Cardeal mais preparado para substituir João Paulo II, magno. E esses quatro anos mostraram o acerto dessa medida. Ele dá sequência ao trabalho de João Paulo com coragem, lucidez, e, de certa forma, com mais espontaneidade. Não tem medo de dizer a verdade de Deus onde quer que deva pregar, com humildade e sabedoria. Se o mundo o critica é porque Jesus Cristo sempre foi e sempre será “sinal de contradição” (Lc 2, 34), e o Papa é o seu Representante na terra; então, não podemos esperar outra reação do mundo.

 

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1, 4-5). Paulo VI já havia dito que o mundo vai mal porque quer dar soluções fáceis, rápidas, cômodas, e inócuas, para problemas difíceis. E a Igreja não aceita isso, porque não é irresponsável, por isso, será sempre atacada.

 

Prof. Felipe Aquino

www.cleofas.com.br