Nunca antes neste país vimos um estado tão intenso de corrupção instalado nos governos federal, estadual e municipal. Em apenas dez meses de governo já caíram seis ministros, sendo cinco deles por corrupção ministerial: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

A leitura dos fatos é fácil: vários ministérios estão corrompidos; é o caso de se perguntar qual será o próximo ministro a cair por corrupção; caiu um a cada dois meses na média, uma marca recorde na história do país. A causa básica é que os ministérios do governo federal estão “loteados” entre os partidos que formam a base do governo, e esses Partidos se tornaram donos dos ministérios, como se fossem feudos, onde empregam seus filiados e praticam a corrupção livremente.

O governo fala em “faxina”, mas é difícil acreditar nisso, pois sai um ministro corrompido e entra outro do mesmo Partido; então, a mudança mais parece uma “cortina de fumaça” para enganar o povo, e fazer de conta que a faxina está sendo feita. O ministro dos Esportes que ora caiu, já estava no ministério desde 2006; mas como a corrupção só apareceu 5 anos depois. Quem nomeou esses ministros não sabia dessas coisas? Não tem responsabilidade também sobre este estado endêmico de corrupção?

A corrupção só se torna pública porque uma parte da Imprensa, corajosa,  faz a denúncia; senão ela ficaria oculta. Tancredo Neves dizia que “a Imprensa é o pulmão da democracia”; e hoje a boa Imprensa  parece ser a grande defensora da Pátria contra os corruptos traidores da Nação. É preciso que a Imprensa continue livre para mostrar toda a sujeira escondida nos órgãos públicos.

Quando o Presidente nacional da “Ordem dos Advogados do Brasil” (OAB), Dr. Ophir Cavalcante tomou posse em Brasília (01/02/2010), disse que: “O Brasil institucional, indispensável à democracia, carece de decência, pois não são os índices do PIB que expressam o avanço de um país, mas a conduta moral de seus dirigentes”.”Estamos nestas circunstâncias: ou nos reencontramos com a decência ou naufragaremos, pois nenhum país avança, nenhum país ingressa no Primeiro Mundo com as mãos sujas!”.

Quando eu era criança ouvia dizer que “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”; hoje basta trocar a saúva pela corrupção.

Os cardeais de São Paulo, D. Damasceno, presidente da CNBB e D. Odilo Scherer, no dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, deram um grito contra a corrupção. Eles convocaram o povo a se indignar e  manifestar contra a corrupção.

D. Odilo disse que: “Quando não somos mais capazes de reagir e nos indignar diante da corrupção, é porque nosso senso ético também ficou corrompido”. “Quando o povo começa a se manifestar, a coisa melhora. É isso que precisa acontecer”.

D. Raymundo disse: “Sabemos de manifestações organizadas por redes sociais e defendemos que a população deve acompanhar os nossos homens públicos, sejam do Executivo ou do Legislativo. Quando há denúncias de corrupção, que sejam investigadas, [que se investigue] se há responsáveis ou não”.

A Revista VEJA (n.44, ed. 2240 – n. 43, pg. 78 , 26/10/2011) trouxe os números assustadores da corrupção hoje, e mostra “Dez motivos para se indignar com a corrupção”. São 85 bilhões por ano, 720 bilhões nos últimos 10 anos. Essa dinheirada seria suficiente para atender uma das alternativas seguintes: 1 – erradicar a miséria. 2 – custear 17 milhões de de sessões de quimioterapia. 3 -custear 34 milhões de diárias de uti nos melhores hospitais. 4 – construir 241 km de metrô. 5 – construir 36.000 km de rodovias. 6 -construir 1,5 milhões de casas. 7 – reduzir 1, 2% na taxa de juros. 8 – dar a cada brasileiro um premio de 443 reais. 9 – custear 2 milhões de bolsas de mestrado. 10 comprar 18 milhões de bolsas de luxo.

E a Revista mostra os números da corrupção em alguns ministérios. “Os ministérios campeões em irregularidades: Saúde – 2,2 bilhões; Integração Nacional – 1,1 bilhão; Educação – 700 milhões; Fazenda – 617 milhões; Trabalho e Emprego – 475 milhões; Planejamento – 440 milhões; Meio Ambiente – 260 milhões; Cultura – 184 milhões; Ciência e Tecnologia – 130 milhões; Previdência – 120 milhões”.

É o caso de se perguntar, por que o povo brasileiro faz passeatas gays com milhões de pessoas, caminhadas com Jesus com milhões de pessoas, e não faz passeatas assim contra a corrupção? A resposta dos entendidos é que “o povo está satisfeito com o governo”; mas como, com tanta corrupção? Alguns jornalistas apontam outras causas: “o Partido do governo, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados. São entusiastas e sócios do poder, coniventes com os desmandos porque têm interesses a preservar”. (Fernando de Barros, E SILVA, Folha de SP – 29/6/2011).

Junte-se a isso, os políticos que são corruptos, as ONGs disfarçadas que tiram dinheiro do governo; essas forças aliciadas pelo governo não deixam a indignação tomar as ruas.

O pecado da corrupção é gravíssimo; é contra o sétimo mandamento: “não roubar”. Como cristãos temos que denunciá-lo como os cardeais fizeram, porque prejudica principalmente as pessoas mais pobres. É preciso relembrar aos corruptos que um dia, logo após a morte, cada um se apresentará diante de Deus para ser julgado por seus atos durante a vida (cf. Hb 9,27).

Precisamos sair da indiferença e da omissão. Vale relembrar mais uma vez as palavras do grande Martin Luther King nos eu famoso discurso “I have a dream” (Eu tenho um sonho): “Não tenho medo da violência dos maus, do grito dos corruptos… tenho medo do silêncio dos bons”.

Prof. Felipe Aquino

A Revista VEJA (n.44, ed. 2240 – n. 43 , 26/10/2011) publicou uma matéria estarrecedora que todo brasileiro precisa conhecer e se indignar.

Ela apresenta os números da corrupção atual no Brasil, e o que se poderia fazer com este dinheiro enorme que vai para o bolso dos corruptos.

Veja os dados. Não é à toa que no dia de Nossa Senhora Aparecida os cardeais D. Odilo Scherer e D. Raimundo Damascendo, presidente da CNBB, estimularam o povo a se indignar contra essa situação inacreditável de corrupção. Que ninguém se omita em defesa da Pátria e dos pobres.

Dez motivos para se indignar com a corrupção (capa)* (Escolha uma das alternativas)

Com 85 bilhões de reais surrupiados pelos corruptos brasileiros no último ano seria possível:

1 – ERRADICAR A MISÉRIA

2 – CUSTEAR 17 MILHÕES DE DE SESSÕES DE QUIMIOTERAPIA

3 –CUSTEAR 34 MILHÕES DE DIÁRIAS DE UTI NOS MELHORES HOSPITAIS

4 – CONSTRUIR 241 KM DE METRÔ

5 – CONSTRUIR 36.000 KM DE RODOVIAS

6 –CONSTRUIR 1,5 MILHÕES DE CASAS

7 – REDUZIR 1, 2% NA TAXA DE JUROS

8 – DAR A CADA BRASILEIRO UM PREMIO DE 443 REAIS

9 – CUSTEAR 2 MILHÕES DE BOLSAS DE MESTRADO

10 COMPRAR 18 MILHÕES DE BOLSAS DE LUXO

(Iguais aquelas que os corruptos presenteiam suas mulheres e amantes)

Matéria completa pg. 76 – “São 720 bilhões de reais roubados nos últimos 10 anos”.

19% municipal; 30% estadual; 51% federal

Os ministérios campeões em irregularidades:

Saúde – 2,2 bilhões

Integração Nacional – 1,1 bilhão

Educação – 700 milhões

Fazenda – 617 milhões

Trabalho e Emprego – 475 milhões

Planejamento – 440 milhões

Meio Ambiente – 260 milhões

Cultura – 184 milhões

Ciência e Tecnologia – 130 milhões

Previdência – 120 milhões.

Prof. Felipe Aquino

Carta ao Leitor – REVISTA VEJA – 27/7/2011

Uma reportagem desta edição de VEJA traz o relatório da maior investigação já realizada pelo Tribunal de Contas da União sobre o sistema de compras do governo federal. A auditoria esquadrinhou 142000 contratos do governo Lula, envolvendo gastos totais superiores a 100 bilhões de reais. Os auditores encontraram mais de 80000 indícios de irregularidades que foram catalogadas em sete modalidades principais de fraude. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e ao Congresso, para que sejam tomadas as providências legais. Mas isso não basta. Na escalada de cifras bilionárias que aparecem a cada semana em notícias sobre desvios de dinheiro público, algo se perdeu entre os cidadãos que trabalham, estudam e pagam impostos escorchantes – a indignação. A falta dela é sintomática da impunidade que, se não é nova na história brasileira, se ampliou espantosamente durante o governo anterior. Os brasileiros mostram-se entorpecidos com as denúncias de corrupção, porque o braço da lei não desce com peso equivalente ao dano sobre as quadrilhas partidárias que infestam todos os escalões dos governos. , E preciso, no entanto, que a indignação ressurja e se traduza em manifestações enfáticas por parte da sociedade. Só a mobilização forte e permanente obrigará a Justiça e os políticos a tomar medidas sumárias para limpar a administração pública dos ladrões, colocá-los na cadeia – sim, na cadeia – e fazê-los devolver as quantias roubadas ao Erário.

Não se constrói uma nação civilizada apenas com votações limpas e periódicas ou com respeito às liberdades básicas como a de expressão e de acesso à Justiça. O momento atual do Brasil exige um ataque drástico à corrupção generalizada. Não falta capacidade de inovação no mundo oficial brasileiro quando o objetivo é desviar dinheiro público. Em matéria de engenho e em volume, não errará quem disser que vivemos o período mais auspicioso para os corruptos no país. Onde se deitam os olhos, há irregularidades. Entre as modalidades de fraude, destaca-se a do “laranja”, o sujeito que tem a identidade e o perfil bancário usados para promover diversos trambiques. Existem dois tipos de laranja. Um é ilustrado pelo pedreiro que aparece nessa reportagem de VEJA – a pessoa humilde, pobre, muitas vezes analfabeta ou parcamente alfabetizada cuja identidade é, sem seu conhecimento, usada no trabalho sujo. O pedreiro da foto soube recentemente que era “dono” de uma fortuna de 8 milhões de reais, dinheiro que ele mal consegue quantificar e que, claro, foi posto em seu nome momentaneamente enquanto o espertalhão que o roubou espera a oportunidade certa de gasta-lo. O relatório do TCU também tipificou a figura da “empresa-coelho”, uma artimanha para aumentar artificialmente o preço cobrado para fazer obras ou prestar serviços ao estado. Funciona assim: empresa oferece um preço lá embaixo, ganha a concorrência e, depois, desiste em favor da segunda colocada – esta, sim, com o preço nas nuvens. O que mais provoca indignação é a absoluta normalidade com que essas manobras são encaradas. O TCU flagrou, atenção, uma empresa que ganhou e desistiu ou foi desclassificada 12370 (doze mil trezentos e setenta) vezes. Guarde esse número e indigne-se.

Fonte:  Revista VEJA – Edição 2227 – n0 30 – 27/7/2011

É de arrepiar e revoltar o tamanho da corrupção implantada no governo federal e denunciada pelo TCU, publicado pela revista VEJA.

Mas, por que não há a indignação do povo diante de tanto roubo?

Algumas causas são identificáveis, como alguns jornalistas já tem mostrado: os pobres são calados com a Bolsa Família, os movimentos sociais recebem fartas verbas do governo e estão dominados; os sindicatos estão nadando em dinheiro das contribuições sindicais obrigatórias e ajuda do governo, e não se manifestam; os estudantes que são os mais indignados normalmente, estão anestesiados porque o governo banca a UNE – União Nacional dos Estudantes, paga seus eventos e encontros… e assim por diante. Sobra a classe média trabalhadora, que sua a camisa para se manter e pagar os impostos e não tem tempo para gritar. Então, “está tudo dominado”, e o roubo acontece sem punição. Como quebrar as grades dessa cadeia?

Prof. Felipe Aquino

 

A proposta que institui a “ficha limpa” para as eleições será entregue na próxima terça-feira à Câmara dos Deputados. O projeto de lei, de iniciativa popular, recebeu 1,3 milhão de assinaturas, coletadas pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O texto torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão-de-obra escrava e estupro. Precisamos agora fazer pressão sobre deputados e senadores para aprovar esse Projeto de Lei.

A OAB- RS deu um belo exemplo de cidadania na sexta-feira (13 julho), em um manifesto para o combate efetivo à impunidade e à corrupção que assolam o país. A partir do slogan “Agora chega!”, representantes e afiliados de 72 entidades da sociedade civil, organizadas e lideradas pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul (OAB/RS), lotaram a Esquina Democrática, no Centro de Porto Alegre, no ato público chamado de “Movimento Contra a Impunidade e a Corrupção”, ocorrido ao meio-dia. A Esquina Democrática, tradicional palco de manifestações populares, reviveu seus momentos históricos, que em várias ocasiões marcaram a trajetória política brasileira.
Disse o
 presidente da OAB/RS, Claudio Lamachia, que: “Com este movimento em defesa da ética e da democracia, estamos plantando uma semente que irá crescer e frutificar em todo o solo brasileiro”,  referindo-se à determinação das entidades em ver repetida a iniciativa em outras capitais, tornando nacional o alcance do protesto. Conforme Lamachia, as OABs do Paraná e de Santa Catarina e do Rio de Janeiro, cujos presidentes participaram da manifestação, já estão programando eventos semelhantes. Além deles, também estavam presentes dirigentes e representantes de outras seccionais da Ordem e das 104 OABs do Interior do RS (subseções). “É chegada a hora de a população sair às ruas para dizer que não agüenta mais assistir passivamente aos escândalos que envergonham a Nação e ferem os compromissos constitucionais das instituições”, destacou Lamachia, ao discursar para as milhares de pessoas que circundaram o palco montado na Esquina Democrática.
De fato o país não agüenta mais o estado endêmico de corrupção instalado nas instâncias de governo, municipal, estadual e federal; e somente uma ação organizada do povo, de maneira ordeira e eficaz poderá coibir este estado de coisas que envergonham e atrasam o nosso país.
É uma grande injustiça o dinheiro de nossos impostos serem consumidos  pelos corruptos que têm o poder nas mãos. Esta ação popular é importantíssima porque vai dar aos homens sérios a Nação, maior ânimo para praticar a justiça, especialmente os do poder judiciário.  

Fazemos votos de que este bom e corajoso exemplo da OAB –RS se espalhe por todo o país e faça corar de vergonha aqueles que se dão à prática pecadora da corrupção. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br