Não há montanha sem subida. Não existe história que não possa ser curada.

A vida é um contínuo movimento, já dizia Heráclito, filósofo grego do século 535 a.C. No movimento da vida, nos deparamos com as descobertas do mundo, das coisas boas e más. Aprendemos a escolher, dizer sim ou não.

No curso natural da história fomos fragilizados e machucados, muitas vezes por nossas próprias escolhas e ora por escolhas de terceiros. Sem sombra de dúvidas tais machucaduras deixaram marcas negativas em nossa vida.

"Não existe história que não possa ser curada". - Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

“Não existe história que não possa ser curada”. – Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

Seja no ambiente familiar, pela educação que nossos pais ou familiares nos deram, seja no ambiente escolar: a história no deixou feridas.

Reconciliar com a própria história, muitas das vezes será necessário voltar ao passado – seja no pensamento ou nos lugares concretos – para dar um “bye” àquilo que nos machucou. More »

Chorar com Cristo
Não desprezes o pecador, porque todos somos culpados

Se por amor de Deus tu te levantas contra ele, chora antes sobre ele. Por que o desprezas?

Despreza os seus pecados, e reza por ele, para seres semelhante a Cristo, que não Se irritou contra os pecadores, mas rezou por todos. Não vês como Ele chorou sobre Jerusalém?

Porque nós também, mais do que uma vez, somos joguete do Diabo. Por que desprezar aquele que, tal como nós, foi joguete do Diabo, que troça de todos nós? Por que, ó homem, desprezar o pecador?

É porque ele não é justo como tu? Mas onde está a tua justiça, desde que não tens o amor? Por que não choraste sobre ele? Pelo contrário, tu o persegues! É por ignorância que alguns se irritam, e eles que acreditam ter o discernimento das obras dos pecadores.

Bem-aventurado o homem que experimentou a própria miséria, porque aprende a ter misericórdia!

Dos Discursos ascéticos do grande místico Santo Isaac o Sírio, monge em Nínive, no século VII:

Para o ser humano não são suficientes relações meramente funcionais.

O ser humano precisa de relações interpessoais ricas de interioridade, gratuidade e oblatividade. Entre estas, é fundamental a que se realiza na família: nas relações entre os cônjuges, e na deles com os seus filhos. Toda a grande rede das relações humanas brota e regenera-se continuamente a partir daquela relação com a qual um homem e uma mulher se reconhecem feitos um para o outro, e decidem unir as próprias existências num só projeto de vida: “Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e une-se à sua mulher, e os dois tornam-se uma só carne” (Gn 2, 24).

imagem ilustrativa - foto: arquivo cancaonova.com

imagem ilustrativa – foto: arquivo cancaonova.com

Uma só carne

Como não captar o vigor desta expressão? A palavra bíblica “carne” não recorda apenas o aspecto físico do homem, mas a sua identidade global de espírito e de corpo. O que os esposos realizam não é só um encontro corpóreo, mas uma verdadeira união das suas pessoas. Uma união tão profunda, que os torna de certa forma um reflexo do “Nós” das Três Pessoas divinas na história (cf. Carta às famílias, 8).

Compreende-se então a grande aposta que emerge do debate de Jesus com os fariseus no Evangelho de Marcos, há pouco proclamado. Para os interlocutores de Jesus, tratava-se de um problema de interpretação da lei moisaica, que permitia o repúdio, provocando debates sobre as razões que o podiam legitimar. Jesus ultrapassa totalmente esta visão legalista, indo ao âmago do desígnio de Deus. Na norma moisaica ele vê uma concessão à “esclerocardia”, aos “corações duros”. Mas é sobretudo com estes corações duros que Jesus não se resigna. E como poderia, Ele que veio precisamente para os dissolver e oferecer ao homem, com a redenção, a força de vencer as oposições devidas ao pecado? Ele não receia indicar de novo o desígnio originário: “Desde o início da criação, Deus fê-los homem e mulher” (Mc 10, 6). More »

O homem diante dos temores e as Esperanças

A condição do homem no mundo contemporâneo

E dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas.

É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático. Algumas das principais características do mundo atual podem ser resumidas do do seguinte modo.

Transformações sociais

A humanidade vive hoje uma fase nova da sua história, na qual profundas e rápidas transformações se estendem progressivamente a toda a terra. Provocadas pela inteligência e actividade criadora do homem, elas reincidem sobre o mesmo homem, sobre os seus juízos e desejos individuais e colectivos, sobre os seus modos de pensar e agir, tanto em relação às coisas como às pessoas. De tal modo que podemos já falar duma verdadeira transformação social e cultural, que se reflecte também na vida religiosa.

Como acontece em qualquer crise de crescimento, esta transformação traz consigo não pequenas dificuldades. Assim, o homem, que tão imensamente alarga o próprio poder, nem sempre é capaz de o pôr ao seu serviço. Ao procurar penetrar mais fundo no interior de si mesmo, aparece frequentemente mais incerto a seu próprio respeito. E, descobrindo gradualmente com maior clareza as leis da vida social, hesita quanto à direcção que a esta deve imprimir.

Nunca o género humano teve ao seu dispor tão grande abundância de riquezas, possibilidades e poderio económico; e, no entanto, uma imensa parte dos habitantes da terra é atormentada pela fome e pela miséria, e inúmeros são ainda os analfabetos. Jamais os homens tiveram um tão vivo sentido da liberdade como hoje, em que surgem novas formas de servidão social e psicológica. Ao mesmo tempo que o mundo experimenta intensamente a própria unidade e a interdependência mútua dos seus membros na solidariedade necessária, ei-lo gravemente dilacerado por forças antagónicas; persistem ainda, com efeito, agudos conflitos políticos, sociais, económicos, «raciais» e ideológicos, nem está eliminado o perigo duma guerra que tudo subverta.

Aumenta o intercâmbio das ideias; mas as próprias palavras com que se exprimem conceitos da maior importância assumem sentidos muito diferentes segundo as diversas ideologias. Finalmente, procura-se com todo o empenho uma ordem temporal mais perfeita, mas sem que a acompanhe um progresso espiritual proporcionado.

Marcados por circunstâncias tão complexas, muitos dos nossos contemporâneos são incapazes de discernir os valores verdadeiramente permanentes e de os harmonizar com os novamente descobertos. Daí que, agitados entre a esperança e a angústia, sentem-se oprimidos pela inquietação, quando se interrogam acerca da evolução atual dos acontecimentos. Mas esta desafia o homem, força-o até a uma resposta.

Fonte: § 4 Indrodução da Gaudium Et Spes

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