Diário vaticano critica “Lua Nova”, a saga do filme Crepúsculo

Arquivado em: Diversos — redacao at 2:03 pm on terça-feira, novembro 24, 2009

O jornal L’Osservatore Romano (LOR) publicou em sua edição desta sexta-feira um artigo no qual critica a nova produção “Lua Nova (New Moon)”, saga de “Crepúsculo”, uma história que relata o triângulo amoroso entre um vampiro vegetariano, um lobisomem e uma adolescente solitária que não encaixa em seu ambiente.

Esta segunda parte da saga mostra a protagonista Bela Swan, deprimida pela partida de seu noivo Edward Cullen, o vampiro, que a deixa para não colocar a vida de sua amada em perigo. Assim se aproxima de seu amigo Jacob Black, quem na realidade é um lobisomem.

“Em Lua Nova –diz LOR– Bela acaba de cumprir 18 anos, mas está cheia de cicatrizes não curadas, não só exteriores, é uma moça próxima aos lobisomens que vive em equilíbrio entre dois mundos e foi ferida por quem deveria tê-la protegido”.

O jornal vaticano assinala que este filme “já gerou comentários de muitos (críticos profissionais e não profissionais, bloggers e outros) e a repetição até o cansaço do já foi dito e ouvido sobre o primeiro episódio: se trataria de pura propaganda moralmente perigosa, de um ‘elogio à repressão sexual em si mesma’, de uma espécie de anúncio cristão camuflado como best seller juvenil”.

Com esta tendência, diz o artigo, “terei que tirar o chapéu” para a autora Stephanie Meyers, quem escreveu a saga e “que foi capaz de dourar a pílula para encobrir o severo alerta obscurantista com alguns” clichês “para ir criando uma máquina de dinheiro que funciona à toda potência em todo o mundo”.

Depois de comentar o tratamento pouco claro da produção sobre a sexualidade, LOR descreve que no filme “existe uma zona escura, uma hostil ansiedade comum a todos os personagens principais, assim como o medo a serem divididos pelo tempo que passa (apenas para Bela, a protagonista, pois Edward, o vampiro, terá sempre 17 anos) e o terror de decepcionar a pessoa amada, de perdê-la para sempre ou de causar-lhe um mal irremediável, como sucedeu com o Romeu” de Shakespeare.

Como em Crepúsculo, “a opção por fazer que os ‘monstros’ assim como os vampiros e os lobisomens falem é um eficaz instrumento expressivo fazendo que a própria pessoa esteja diante do enigma da liberdade e do misterioso impulso de morte que envenena a vida gerando violência, infelicidade e caos no mundo dos humanos, a ‘ferida original’ que todos têm dentro”.

É melhor, prossegue o artigo do LOR, “evitar chamar ‘pecado’ (seu aroma a incenso poderia alarmar aos laicistas) à ‘ferida original’ que pode ser traduzida como a sombra que envolve as relações de amizade ou amor, que transforma à chamada sociedade civil em uma instância de crueldade e ferocidade”.

Pode-se ver, ademais, “a facilidade com a que um afeto profundo ou inclusive uma relação de simples empatia se transforma em uma relação de poder, e o gosto amargo da ‘espinhosa realidade’, como escrevia Rimbaud, que se revela na contínua repetição do mecanismo de ‘tensão para o cumprimento, desilusão, reação violenta’”.

O texto assinala também que a “cada certo tempo o registro constantemente alto do roteiro faz tropeçar os diálogos em qualquer ingenuidade e não faltam algumas estupidez e quedas da tensão, sobre tudo nas cenas rodadas na Itália, em Montepulciano (…) mas os intérpretes parecem convincentes (ao menos até agora) e irônicos inclusive fora do set: ‘75 por cento do mérito é dos cabelos’, responde Robert Pattinson (Edward) ao ser perguntado pelo êxito planetário do bom vampiro, um pouco James Dean, um pouco ícone dark de quem vive na cidade mais chuvosa dos Estados Unidos”.

De outro lado, o perito em cinema do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Franco Perazzolo, assinalou que a esta produção constitui “um vazio mais perigoso que qualquer tipo de mensagem desviada”.

“O gênero vampiresco combina uma série explosiva de imagens que sempre atrai às jovens gerações para os extremos, depois do qual se encontra o vazio”, disse.

Veja também:

Sobre Crepúsculo


Fonte: ACI Digital

Jornal vaticano comenta o sucesso do filme “Crepúsculo”

Arquivado em: Diversos — redacao at 1:58 pm on terça-feira, novembro 24, 2009

Em um artigo titulado “O segredo de Twilight”, o jornal oficioso do Vaticano, L’Osservatore Romano, comenta o êxito do primeiro dos filmes da saga “Crepúsculo” que relata a história de amor de uma solitária adolescente que não encaixa em seu meio e um “jovem” vampiro vegetariano que decidiu abster-se de sangue humano.

No texto escrito por Silvia Guidi, a jornalista questiona inicialmente no que radica o êxito deste filme que “fascina a milhões de pessoas (não só adolescentes, pois existe também o clube de mães do Crepúsculo)”. “Bella –junto com os fãs da saga– foram conquistados pela fascinação do amor difícil, pelo qual vale a pena arriscar-se”, escreve.

Com a história apresentada em Crepúsculo, prossegue Guidi, os protagonistas “estão entre dois mundos (um Romeo e uma Julieta atípicos: a ameaça não é exterior, mas vem de um deles)” eles “demonstram que é impossível exilar as grandes perguntas da cultura e da arte” que vão abrindo passo “até chegar ao grande mar da cultura popular”.

“São histórias ‘maximalistas’ capazes de conquistar leitores e espectadores dando voz às expectativas mais profundas –e mais censuradas pela cultura contemporânea– do coração do homem”.

Seguidamente a jornalista descreve que para Edward Cullen, o vampiro personificado pelo ator Robert Pattinson; e Bella Swan, a adolescente que se apaixona por ele (a atriz Kristen Stewart) a “eternidade não é só o fato de viver para sempre; mas sobre tudo viver mais, com uma intensidade desconhecida para as pessoas ‘normais’”.

Edward, prossegue, “tem as reações e sentimentos de um adolescente, mas a maturidade de alguém que já viveu 108 anos. Não escolhe ser bom, mas muda devido ao exemplo que vê em seu adotivo, o vampiro ‘vegetariano’ Carlyle, e devido ao encontro com sua presa ideal (’não se deve brincar com a comida’, adverte o vampiro Laurent)” no filme.

Ao fundo de tudo, continua Guidi, “estão os pais separados de Bella, símbolo de quem renunciou ao ‘para sempre’. Para eles, parafraseando um filme de Verdone, o amor só eterno enquanto dura. Seu pai, Charlie, a ama, mas não sabe literalmente o que dizer-lhe. Viver com ele significa a rotina da cerveja: noites inteiras diante da TV para ver as comédias que nenhum dos dois gosta, comer no automóvel uma vez por semana, um afeto sólido mas incapaz de converter-se em uma companhia real em sua vida”.

Bella, diz logo, “ama seu pai, mas não espera muito dele. Vive esse tipo de desalento que a faz presa dos rapazes quando se dirigem a um adulto com uma pergunta muito importante e escutam uma resposta genérica ou completamente afastada do tema”.

A adolescente, comenta Guidi, também vê “na solidão de Edward sua mesma inquietude: ambos estão isolados, ele por sua condição de ‘monstro’ encoberto; ela porque deve fingir interesse em coisas que não lhe interessam: o culto pelas compras, a expectativa pelo baile de fim de ano, o desespero por aparecer no último número da revista da escola, os bate-papos com as amigas”.

Ambos, quando estão juntos, “estão condenados a uma especial atenção: Bella sabe que arrisca a vida; Edward, para aceitar amá-la, deve consentir o fato de esconder seu pior lado. Com isto se tem a oposição exata à ideologia juvenil do “Just do it!”

A realidade, adiciona, “não segue esta lei, como toda fábula ensina: Cinderela sabe que deve voltar do baile às 12 em ponto; a menos que queira que todo se desapareça transformando a limusine em uma abóbora, anulando também o encanto do amor”.

Finalmente, a autora cita a crítica italiana de cinema, Mariarosa Mancuso, quem se questionava sobre o êxito deste filme: “A pergunta não é tanto ‘por que tantos gostam de Crepúsculo?’ mas ‘Como pode um jovem ficar indiferente a ela?’”.

Fonte: ACI Digital

Podcast da Redação: Conheça a história da Canção Nova na internet - II

Arquivado em: Podcast — redacao at 8:23 am on sexta-feira, novembro 20, 2009

No mês de aniversário da presença da Comunidade Canção Nova na internet, o Podcast da Redação traz episódios especiais que narram a história desses 14 anos de evangelização na web.

Neste segundo episódio comemorativo, Willieny Isaias, gerente do portal cancaonova.com, conversa com o missionário da Comunidade Canção Nova Maurício Rebouças, ex-gerente de conteúdo  do cancaonova.com,  que narra os desafios e as vitórias durante os cinco anos em que trabalhou no site.

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O milagre e o martírio na vida dos santos

Arquivado em: Entrevistas — redacao at 3:32 pm on terça-feira, novembro 17, 2009

Já o Papa Inocêncio IV (falecido em 1254), na sua Glosa às Decretais do Papa Gregório IX, exigia para a canonização que fossem provadas a «fides et excellentia vitae» (fé e excelência de vida) e os milagres realizados por intercessão de um servo de Deus. E o Papa Bento XIV, embora admita se poder chegar à prova certa da santidade heroica de um servo de Deus, também insiste nos milagres como forma de obter a confirmação divina para um não mártir.

Note-se, no entanto, que os milagres não suprem um eventual defeito de provas de heroicidade das virtudes, por isso, na prática plurissecular da Congregação, os milagres nunca são examinados antes da declaração sobre a heroicidade das virtudes. Gostaria, igualmente, de esclarecer que os milagres realizados, por vezes, enquanto os servos de Deus se encontram vivos não constituem uma prova de santidade: só os que ocorreram após a morte, por sua intercessão, confirmam definitivamente essa santidade com autoridade divina.

O número requerido para a beatificação e a canonização varia na história do direito eclesiástico. Na legislação do Código de Direito Canônico de 1917, para a beatificação eram exigidos dois milagres (e em alguns casos até mesmo três ou quatro), com a possibilidade de dispensa no caso de um mártir cujo martírio fosse evidente. A partir do ano santo de 1975, começou-se a dispensar o segundo milagre para a beatificação e, assim, se chegou à atual prática de um só milagre para a beatificação e outro a seguir para a canonização.

Deixando de lado a questão da variedade do número [dos milagres exigidos], que é um fato puramente jurídico e dependente dos tempos e das práticas, devo esclarecer que, no milagre, a Igreja vê a «marca de Deus» sobre a própria reflexão e sobre o próprio trabalho. As investigações testemunhais, os exames clínicos, as consultas teológicas desenrolam-se sempre com seriedade e acuidade até se atingir a certeza moral; nesta, porém, reside sempre a avaliação humana. Consciente desta precariedade, num espírito de humildade e expectativa, a Igreja invoca um sinal do Alto. O milagre é pois entendido como confirmação da fé, como uma espécie de marca aposta por Deus, por meio da qual Ele garante a santidade do candidato aos altares.

Cardeal Saraiva Martins fala sobre a “esperança cristã”. Confira:

Na nossa Congregação, a cada vez que se proclama um beato ou um santo, sentimos que os milagres são uma realidade. O que é que se pode dizer, por exemplo, quando uma respeitável comissão de médicos e cientistas, dentre os quais personalidades laicas, perante uma cura misteriosa afirma que não existem explicações científicas? Se há católicos que não acreditam nos milagres é apenas um problema de formação e informação. E aqui importa, como Igreja, trabalhar mais nas paróquias, nas dioceses, entre as pessoas, porque os milagres são uma realidade da vida de todos os dias que deve ser explicada, precisamente para combater a dúvida que pode surgir em qualquer pessoa.

Mártires: Tão rigorosa como a verificação da heroicidade das virtudes sempre foi a verificação do suposto martírio, que é válido quando se verificam simultaneamente diversas circunstâncias: a) a morte violenta do cristão; b) a aceitação da morte por fidelidade a Cristo; c) a ação do perseguidor como forma de ódio contra a fé ou contra outra virtude cristã. Juntamente com a prova do martírio material e formal, exigia-se ainda a prova do milagre. De fato, podia haver no presumível mártir ou no perfeito o martírio. O milagre, neste caso, serve de confirmação dada por Deus para garantir a existência do martírio.

Com a nova legislação, faz-se hoje a beatificação dos mártires sem a aprovação prévia de um milagre. A razão é sobretudo teológica. O Vaticano II, ao definir na Lumem gentium o martírio como «dom exímio e prova suprema de caridade», acrescentou que «o martírio é concedido a poucos». Esta expressão indica claramente que o martírio, como oferta da própria vida a Cristo, não é um fato puramente humano, mas sim, um dom do Alto, uma graça. Com outras palavras, o mártir aceita livremente a morte sob a ação do Espírito Santo, que o ilumina e o apoia interiormente, a ponto de exprimir o maior ato de caridade. Por conseguinte, onde é seguro o ato do martírio, é igualmente certa a intervenção de Deus, tornando assim supérflua a confirmação por meio de um milagre. Poder-se-ia dizer que o martírio é já em si um milagre que ultrapassa as forças pessoais daquele que se imola por Cristo.

(Trecho extraído do livro “Como se faz um santo” de Cardeal Saraiva Martins; págs. 90-93)

Sobre o Cardeal

José Saraiva Martins nasceu a 6 de janeiro de 1932 em Gagos de Jarmelo, Portugal. Tendo entrado ainda jovem para a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria, foi ordenado sacerdote a 16 de março de 1975. Docente de Teologia e Reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana, durante o período da sua atividade acadêmica publicou vasta e notória obra de Teologia. Em 1988 foi nomeado arcebispo secretário da Congregação para a Educação Católica. Foi de 30 de maio de 1998 até 9 de julho de 2008 Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Elevado a cardeal pelo Papa João Paulo II em 21 de fevereiro de 2001, foi-lhe atribuído o título da basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Podcast da Redação: Conheça a história da Canção Nova na internet I

Arquivado em: Podcast — redacao at 5:41 pm on sexta-feira, novembro 13, 2009

Novembro é o mês de aniversário da presença da Comunidade Canção Nova na internet. Para festejar a data, o Podcast da Redação preparou episódios especiais que narram a história desses 14 anos de evangelização na web.

Neste primeiro episódio comemorativo, Willieny Isaias, gerente do portal cancaonova.com, conversa com o missionário da Comunidade Canção Nova e Superintendente do Departamento de TI (Tecnologia da Informação) da Fundação João Paulo II, Jorge Aparecido, que narra a trajetória da comunidade católica dentro da internet.

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Podcast da Redação esclarece o sentido da provação

Arquivado em: Podcast — redacao at 4:43 pm on sexta-feira, novembro 6, 2009

Neste episódio Willieny Isaias, gerente do portal cancaonova.com, conversa com o missionário da Comunidade Canção Nova Alexandre de Oliveira que explica o que é a “provação” e seu sentido na vida do cristão.

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