No ano novo: Igreja faz apelo para que cristãos preservem a natureza

Arquivado em: Diversos — redacao at 3:13 pm on quinta-feira, dezembro 31, 2009

“A Igreja tem sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público para defender a terra, a água, o ar, dádivas feitas pelo Criador a todos”. Este é um trecho da mensagem do Papa Bento XVI para a 43ª Jornada Mundial da Paz que será celebrada em 1 de janeiro de 2010. A Igreja começa o ano chamando a atenção do mundo para a questão do meio ambiente, que neste mês de dezembro foi tema de debate em Copenhagen, na Dinamarca, durante a conferência sobre o Clima.

Para muitos, a conferência não trouxe resultados satisfatórios e gerou um certo desconforto para aqueles que esperavam grandes soluções e um maior compromisso por parte de alguns países. Diante de tal realidade, a Igreja se posiciona não apontando os insucessos e decepções geradas por esta ou demais iniciativas, mas incentivando cada cristão a fazer a diferença em meio a uma realidade que às vezes assusta, mas que não porta em si um fim iminente, por vezes enfatizado pelas mega produções “hollywoodianas”. Corremos o risco de nos deixarmos levar pelas notícias catastróficas e imagens impactantes e nos esquecermos de proferir qualquer frase de vida e esperança em meio a tantos “escombros”.

A mensagem do Papa traz uma abordagem ampliada de como a humanidade é responsável tanto pela destruição, quanto pela reconstrução deste patrimônio de todos nos, que é a natureza. Com isso, o Papa não quis oferecer soluções técnicas e projetos políticos promissores, mas chamou a atenção da comunidade internacional, dos países em desenvolvimento, dos governantes e até dos meios de comunicação, para o papel que cada qual deve assumir.

Na coletiva de imprensa realizada no Vaticano, na qual foi apresentada a nós jornalistas esta mensagem do Papa na íntegra, no último dia 15 de dezembro, o Cardeal emérito do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Cardeal Renato Rafaelle Martino, explicou: “O Papa destaca os efeitos negativos da conduta humana na mensagem, mas nunca perde a esperança na inteligência e na dignidade do homem”. Vejo nesta afirmação, o quanto a Igreja conta conosco e mais do que isto, acredita que somos capazes de juntos revertermos tal situação.

O tema da mensagem traz em si um convite endereçado a todos, pessoalmente: “Se queres cultivar a paz, cuides da criação”, frase inspirada nos trinta anos da proclamação de São Francisco de Assis, como padroeiro da ecologia. O pobrezinho de Assis, como é carinhosamente chamado aqui na Itália, autor do cântico das criaturas, que viveu em uma pequena cidade da região de Úmbria a mais ou menos 200 quilômetros de Roma, quis demonstrar que a verdadeira paz surge quando toda a criação se relaciona harmoniosamente. Ele também nos ensina que precisamos nos despojar do nosso egoísmo e da nossa ganância para enxergarmos o Deus que se manifesta naquilo que Ele mesmo criou. Não foi a toa que este simples e ao mesmo tempo, ‘grande santo’ inspirou o Papa a escrever sobre este tema tão rico e ao mesmo tempo tão desafiador.

Que neste novo ano que se inicia respondamos a este apelo da Igreja que é mãe e por isto nos faz abrir os olhos para uma perspectiva de mudança que começa a partir de uma experiência com o Deus que nos criou por amor e para o amor.

Mirticeli Medeiros
Comunidade Canção Nova
Roma, Itália

Habitar o mundo digital: intenção geral do Papa para 2010

Arquivado em: Comemorações, Diversos, Know how, Promoção, Sem Categoria — redacao at 2:33 pm on quarta-feira, dezembro 30, 2009

“Que os jovens saibam utilizar os meios modernos de comunicação social para seu crescimento pessoal e para se prepararem melhor para servir a sociedade.”

1. Geração digital

Não é novidade a apetência dos mais jovens pelas novas tecnologias, sobretudo aquelas que permitem comunicações fáceis e instantâneas. Rodeados de produtos destinados ao entretenimento e à comunicação, os mais novos desenvolvem rapidamente competências várias, sobretudo como utilizadores. E ainda bem, pois eles precisam de dominar as linguagens específicas destes meios, quer por razões de socialização, quer por razões práticas: evitar o analfabetismo digital. Isso não implica, naturalmente, descurar a sua formação noutras áreas mais tradicionais – aliás, sem estas nunca poderão ser competentes naquela.

A revolução digital trouxe consigo o aumento dos canais de informação, o aparecimento de novos agentes nesta área e a necessidade de os antigos meios de comunicação se reconverterem, acompanhando as exigências das novas linguagens. Realidades ainda há pouco inexistentes, como as chamadas “redes sociais” (Facebook, Twitter), a criação de “vidas” virtuais (Second Life), as enciclopédias livres on-line (Wikipedia), a possibilidade de qualquer pessoa criar e manter uma página na internet (blog) constituem hoje lugares comuns para milhões de pessoas em todo o mundo – sobretudo para as gerações mais novas.

2. Habitar no mundo digital

A possibilidade de pessoas e grupos comunicarem livremente no mundo digital levou a um aumento massivo da informação disponível. Só como exemplo, na internet, usando um motor de busca e a palavra “vampiro” (um dos temas da moda entre adolescentes), obtiveram-se, em 37 segundos, dois milhões e quinhentos mil resultados. A quantidade e a qualidade, porém, não andam necessariamente juntas. Importa, por isso, gerir sabiamente a informação disponível e desenvolver critérios para o uso dos meios de comunicação.

Quanto à gestão dos imensos volumes de informação disponível, sobretudo na internet, a forma mais eficaz é atender à qualidade das fontes: meios de comunicação de valor reconhecido, instituições respeitadas constituem, à partida, garantia de qualidade. O mais importante, no entanto, é o desenvolvimento de critérios que permitam fazer a selecção dos conteúdos e a reflexão crítica sobre os mesmos.

Pensando nos mais novos, isto implica sobretudo a educação dos valores: respeito por si próprio e pelo outro, apreço pela dignidade da pessoa, disponibilidade para o voluntariado e o serviço comunitário – para que seja natural aos mais novos recusarem a pornografia, o racismo, a violência gratuita, a discriminação, o egoísmo; apreço pelas formas democráticas de governo, preservação dos bens comuns, cuidado com natureza – tornando mais fácil a rejeição dos totalitarismos, dos comportamentos anti-sociais, das atitudes menos sadias; para os crentes, a educação no amor a Deus e ao próximo, a vivência comunitária da fé – abrindo caminho para dimensões da existência humana capazes de a dotarem de sentido e transcendência…

Os mesmos critérios e valores serão fundamentais à medida que os mais novos passem de consumidores de produtos de entretenimento ou informação a criadores de conteúdos para serem consumidos por outros. De facto, a originalidade maior do mundo digital é o esbatimento das diferenças entre produtores e consumidores de informação (ou entretenimento) e a permanente criação de novas formas e oportunidades de comunicar. Ajudar os jovens a assumir, com responsabilidade e criatividade, o seu papel neste ambiente comunicacionalmente tão intenso é um serviço inestimável, não só aos mesmos jovens mas a toda a sociedade.

Fonte: Elias Couto, Agência Ecclesia

Qual a diferença entre graça e milagre?

Arquivado em: Entrevistas — redacao at 9:12 am on segunda-feira, dezembro 28, 2009

A graça é uma ajuda divina que se obtém para o bom êxito das atividades do homem. Essa ajuda, todavia, não se exprime como perturbação das leis naturais, mas como um «suplemento» no seio da própria natureza, uma assistência particular que Deus concede intensificando as potencialidades naturais.

O milagre, por sua vez, manifesta-se precisamente como um acontecimento que se distingue do habitual desenvolvimento da realidade. Possui características particulares. Nas causas dos santos, geralmente, são as curas, os milagres que o Discatério examina; e isso porque elas são acessíveis ao controle dos sentidos. Devem-se à intervenção de Deus por meio da intercessão de um servo d’Ele.

Na prática da Congregação, antes de o Papa declarar que um fato é milagroso, todo o processo é estudado de forma científica. Nesta fase, os médicos, singularmente e de forma colegial, são chamados a esclarecer se uma determinada cura é realmente inexplicável à luz da ciência médica atual. Para que uma cura possa ser considerada miraculosa tem de se constatar cientificamente que esta foi instantânea, completa e duradoura (p. 97).

Cardeal Saraiva Martins fala sobre “O amor dos santos à Eucaristia e a Maria”. Confira:

<i>Pedidos</i>: Aqui entramos no mistério de Deus. Nós não conhecemos os planos d’Ele na escolha de quem será atendido. Conceder uma graça ou uma cura é um ato livre do Senhor. Ele pede-nos total confiança. Na documentação para o estudo de um milagre nota-se, com frequência, que Deus, por intermédio de um venerável ou de um beato, concede a sua própria intervenção a favor de pessoas dispostas a receber o dom da cura e sobretudo intencionadas a cumprir a Sua vontade: «Pedi e recebereis, batei à porta e ser-vos-á aberta», diz o Evangelho. A fé não só faz aderir à vontade do Todo-poderoso, mas é uma tensão viva do homem para entrar no mistério divino.

(Trecho extraído do livro “Como se faz um santo” de Cardeal Saraiva Martins; págs. 99-100)

Sobre o Cardeal

José Saraiva Martins nasceu a 6 de janeiro de 1932 em Gagos de Jarmelo, Portugal. Tendo entrado ainda jovem para a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria, foi ordenado sacerdote a 16 de março de 1975. Docente de Teologia e Reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana, durante o período da sua atividade acadêmica publicou vasta e notória obra de Teologia. Em 1988 foi nomeado arcebispo secretário da Congregação para a Educação Católica. Foi de 30 de maio de 1998 até 9 de julho de 2008 Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Elevado a cardeal pelo Papa João Paulo II em 21 de fevereiro de 2001, foi-lhe atribuído o título da basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Feliz Natal e que Jesus abençoe a sua vida!

Arquivado em: Comemorações, Promoção — redacao at 10:13 am on quinta-feira, dezembro 24, 2009

A equipe do Portal Canção Nova deseja a você, internauta que acompanha o conteúdo de evangelização desta Obra de Deus, um feliz e santo Natal. Que neste dia você e sua família possam se encher do Espirito Santo para receber o Menino Jesus – que nasceu para salvar a humanidade.

Muito mais do que ganhar presentes e reunir a família, o Natal representa a chegada do Filho de Deus. Na hora das comemorações, não se esqueça de agradecer pelo dom da sua vida e de todas as pessoas importantes que estão a sua volta.

Que o Senhor proteja, abençoe e ilumine os seus dias.

São os votos mais sinceros da equipe do Portal Canção!

Veja também:

:: Venha passar o Natal na Canção Nova

:: Missionários da Canção Nova desejam Feliz Natal aos internautas

:: Podcast: Saiba como é realizado o Natal em outros países

Podcast da Redação: Saiba como é realizado o Natal em diversos países

Arquivado em: Podcast — redacao at 2:24 pm on terça-feira, dezembro 22, 2009

Neste episódio Willieny Isaias, gerente do portal cancaonova.com, conversa com correspondentes internacionais de cinco países que descrevem as festividades de Natal nestes locais:

Nos Estados Unidos - Manuela Almeida
Em Portugal - Cris Henrique
Na França - Tatiana Gomes
Em Roma - Paula Dizaró
Na Terra Santa, na cidade de Belém, local onde Jesus nasceu - Ana Paula Rosa

Ouça e deixe seu comentário



Como baixar:

Ao ir para a página do Podcast da Redação, você encontrará uma seta abaixo de cada arquivo de áudio; clique para baixá-lo em MP3.

:: Ouça: Sacerdote explica o verdadeiro sentido do Natal

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Podcast da Redação: Padre Eliano explica o verdadeiro sentido do Natal

Arquivado em: Podcast — redacao at 3:45 pm on sexta-feira, dezembro 18, 2009

Neste episódio Willieny Isaias, gerente do portal cancaonova.com, conversa com o sacerdote da Fraternidade ‘Jesus Salvador’ Padre Eliano Luiz que fala sobre o verdadeiro sentido do Natal. “O Natal só tem sentido no coração daquele que tem fé”, explica.

‘Somente quem tem um coração pobre acolhe a presença do Menino Deus’ (Padre Eliano).

Ouça e deixe seu testemunho.


Como baixar:

Ao ir para a página do Podcast da Redação, você encontrará uma seta abaixo de cada arquivo de áudio; clique para baixá-lo em MP3.

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Todo casal pode usar o Método Billings

Arquivado em: Entrevistas — redacao at 10:52 am on terça-feira, dezembro 15, 2009

Marian Corkill e Marie Marshell, diretoras da Organização Mundial do Método da Ovulação Billigns (WOOMB) em entrevista exclusiva ao cancaonova.com.

Marian Corkill é instrutora sênior do Método de Ovulação Billings, com 35 anos de experiência na formação de instrutores na Austrália e em muitos outros países dos cinco continentes. Fez parte de um dos primeiros grupos de mulheres para as quais a doutora Evelyn Billings pediu que ensinassem o sistema a outros casais. Marian é diretora da WOOMB Internacional.

Marie Marshell é coordenadora de formação, tem extensa experiência de ensino do MOB e na formação de instrutores. Ela foi a instrutora sênior acompanhando John e Evelyn Billings durante suas muitas visitas à China para conduta da formação de instrutores. É atualmente líder do grupo de estudos sobre a eficácia do método. É diretora da WOOMB Internacional.

Leia a entrevista e deixe seu comentário

Você sabe o que é um milagre?

Arquivado em: Entrevistas — redacao at 6:00 am on terça-feira, dezembro 15, 2009

O milagre (de miror: maravilho-me, admiro-me), indica algo de extraordinário, que chama a atenção e causa espanto. A melhor síntese está na definição dada pelo Cardeal Pietro Parente para o Dicionário de Teologia Dogmática, retomando, acima de tudo, as opiniões de Santo Agostinho e de Santo Tomás.

O primeiro destacou o aspecto objetivo, definindo milagre como um fato difícil e insólito, superior à capacidade de quem observa, querido por Deus para confirmar uma verdade religiosa e para transmitir uma mensagem ao homem. O segundo, por sua vez, sublinhou o aspecto subjetivo de uma intervenção extraordinária de Deus. O acontecimento é querido por Deus, como causa principal, que pode servir-se nomeadamente de uma criatura qualquer. É realizado no mundo fora da ordem material, isto é, de modo superior às forças da natureza e não contra a ordem natural.

O milagre, portanto, não é uma violação das leis da natureza, mas um fato essencial, determinado por uma virtude divina especial, que ultrapassa o ritmo normal das coisas. Deus, criador do universo, através do milagre, oferece ao homem um gesto de amor. Ele, que nos quer bem, alivia dores e sofrimentos de criaturas que voltam o rosto para Ele.

Cardeal Saraiva Martins fala sobre “santidade e ecumenismo”. Confira:

Concluiu ainda o Cardeal Parente: «A possibilidade do milagre assenta principalmente no domínio absoluto de Deus como causa primeira e livre do mundo, cujas leis físicas são subordinadas a Ele, contudo, não limitam nem a Sua liberdade nem a Sua potência. Só o absurdo e o pecado são impossíveis para Deus. O milagre pode ultrapassar as forças da natureza: a) quanto às substâncias do fato, por exemplo: a ressurreição da carne; b) quanto ao modo, por exemplo: uma cura instantânea. Enfim, alguns milagres são objeto de fé e, portanto, fora da experiência sensível; outros são fatos externos, de evidência tangível e são ordenados por Deus para demonstrar uma verdade de fé.»

Exemplo: Todas as curas, quando tomamos conhecimento delas, nos deixam assombrados. Entre os numerosos testemunhos sobre os milagres que li, impressionou-me imensamente o do pequeno Matteo Colella, que, com sete anos, quando frequentava a escola primária, foi repentinamente atingido por uma grave forma de meningite. Já desenganado pelos médicos e pelo pai, também ele médico, curou-se miraculosamente no dia 2 de fevereiro de 2000, depois de ter passado alguns dias no hospital. A cura foi definida como «cientificamente inexplicável» pelos médicos do Conselho e permitiu a canonização do Padre Pio de Pietrelcina.

No meio da quantidade de dados técnicos e de relatórios médicos, impressionou-me a candura e a simplicidade com que o pequeno Matteo contou a sua extraordinária experiência: «Eu estava perto das máquinas e um velho de barba branca e de vestido comprido e castanho deu-me a mão e disse-me ‘Matteo, não te preocupes, em breve ficarás curado’».

(Trecho extraído do livro “Como se faz um santo” de Cardeal Saraiva Martins; págs. 95-96)

Sobre o Cardeal

José Saraiva Martins nasceu a 6 de janeiro de 1932 em Gagos de Jarmelo, Portugal. Tendo entrado ainda jovem para a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria, foi ordenado sacerdote a 16 de março de 1975. Docente de Teologia e Reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana, durante o período da sua atividade acadêmica publicou vasta e notória obra de Teologia. Em 1988 foi nomeado arcebispo secretário da Congregação para a Educação Católica. Foi de 30 de maio de 1998 até 9 de julho de 2008 Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Elevado a cardeal pelo Papa João Paulo II em 21 de fevereiro de 2001, foi-lhe atribuído o título da basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

O mundo vê a essência de Bento XVI?

Arquivado em: Bastidores — redacao at 3:26 pm on segunda-feira, dezembro 14, 2009

Começo expressando a emoção de, a cada evento com o Papa, ver aquilo que um homem de 82 anos, muitas vezes, desacreditado por muitos, é capaz de fazer. Nessas horas, me pergunto: O mundo vê a essência de Bento XVI? O que ele representa para a sociedade hoje?

Algumas das minhas respostas chegam por intermédio das pessoas que erguem suas bandeiras e gritam, calorosamente, na Praça de São Pedro, muitas vezes, debaixo de um calor escaldante em agosto ou do frio que atinge a casa dos 2 graus no mês de dezembro aqui na Itália: “Viva o Papa!” ou “Nós te amamos, Bento XVI!”.

Mas, como escrevi anteriormente, essas manifestações respondem a apenas algumas das minhas perguntas. O que mais me intriga é que, no meio de tudo isso e de tantas pessoas que têm a graça que muitos não têm de escutar os discursos proferidos pelo Santo Padre na íntegra e sem cortes, existem alguns que têm a coragem de transmitir àqueles que não estiveram presentes uma versão reduzida daquilo que o próprio Papa disse e diz. Nessas horas, me vêm as próprias palavras de Jesus no Evangelho: “Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça” (Mateus, 13, 9).

A partir dessa orientação de Jesus, lanço também a reflexão: Como estamos ouvindo o que o Sumo Pontífice nos diz? Até que ponto as interpretações que faço dos discursos de Bento XVI estão imbuídas de minhas ideologias ou até mesmo do medo de me aprofundar em uma pessoa que sabe o que diz?

Vou começar citando uma visão distorcida que, no decorrer de cinco anos, acabou sendo criada: “ O Papa é inimigo da ciência”. Mas como aceitar tal afirmação se esse mesmo Papa é membro de várias academias científicas da Europa, como a francesa Académie des sciences morales et politiques e recebeu oito doutorados honoríficos de diferentes universidades, entre elas da Universidade de Navarra? Sem contar que ele ainda traz em seu “currículo” o domínio de 6 idiomas, fora aqueles em que não tem total fluência.

Hoje, residindo em Roma, eu não consigo aceitar que manchetes de jornais transformem o Santo Papa em alguém insensível e alheio às realidades do mundo.

Agora vamos partir para um novo rótulo que criaram para Sua Santidade: “O Papa é inimigo da mídia”, afirmação feita por vários jornais da Europa e do mundo no último dia 8 de dezembro, após o ato de veneração a Imaculada Conceição de Maria, na Piazza Spagna, na capital italiana. Se essa informação passou realmente pelo crivo da ética, como explicar que, – no pontificado de Ratzinger –, vários projetos inovadores e “midiáticos” foram aprovados, incluindo a inserção do Vaticano em ferramentas como o Facebook e o YouTube, entre outros, sem contar o trabalho de inúmeras rádios e TVs católicas espalhadas pelo mundo que têm o aval da Igreja de Roma para funcionar?

Outro detalhe importante que todos devem saber (já que eu estava presente no evento no qual o Papa falou um pouco sobre o que os “mass media” divulgam) é que Bento XVI, em um de seus discursos, criticou as pessoas que fazem mau uso da mídia e em nenhum momento citou que os recursos tecnológicos não são necessários nos tempos de hoje.

Mais uma vez, ressoam as palavras de Jesus: “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”, e completo dizendo: e nos esforcemos para ouvir bem. Espero que este pequeno artigo contribua para que todos nós estejamos atentos ao que o Papa realmente quer nos dizer e, a partir disso, nos deixemos transformar por estas palavras cheias de vida.

Mirticeli Medeiros
Comunidade Cancao Nova
Roma, Itália.

O que você quer ver no cancaonova.com em 2010?

Arquivado em: Opine, Sugestões — redacao at 9:38 am on segunda-feira, dezembro 14, 2009

No ano de 2010, você pode nos ajudar a produzir o conteúdo para o cancaonova.com. Para isso, basta deixar suas ideias e sugestões nos comentários e fazer parte deste equipe que trabalha exclusivamente para levar até você o que há de melhor em músicas católicas, palestras, formações, entrevistas e informações de tudo o que acontece nos acampamentos da Canção Nova.

Em 2009, nos alegramos muito com a possibilidade de estar mais perto de você por meio dos comentários e do Twitter, no qual nossos seguidores têm nos dado uma resposta imediata ao nosso trabalho. Então, ajude-nos a pensar, a inovar neste novo ano.

Sua opinião é essencial para que possamos, cada vez mais, levar o melhor da Igreja até você.

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