Quem diria que ao nascer tão pequenina se tornaria tão grande? É só olhar para trás e perceber como você cresceu e deu passos tão importantes. Nasceu no momento em que o mundo vivia os horrores da segunda guerra mundial. Era um tempo de grandes incertezas e de muita carestia. Faltava tudo, inclusive paz para as famílias de todas as nações. Mas sua manjedoura foi tecida com amor pelo pai pedreiro e a mãe dona de casa. Cresceu com muitos irmãos, seis meninos e cinco meninas. E aprendeu bem cedinho que a vida não é fácil e sempre vai ser preciso vivê-la com coragem, honestidade e fé. As mãozinhas pequenas de menina, aprenderam a equilibrar o tabuleiro de pastel feito pela prendada mãe. Não sem um dia deixar cair tudo no chão e levar uma bronca daquelas por tamanho descuido. Mas com muita determinação aprendeu a não vacilar mais e vendia todos os quitutes que levava pra rua. Era seu algo a mais de criança, que trocava a infância pelo trabalho, só para ajudar a mamãe e o papai a sustentar a casa. Cresceu um pouco mais e foi trabalhar em um pequeno comércio. Aprendeu a mexer com mais dinheiro sendo caixa do estabelecimento e acabou sendo vítima de assédio moral. Acusada de algo que não fez, chegou a ser levada para a delegacia, onde conseguiu provar que em sua honestidade de berço não havia espaço para roubos e furtos.A menina virou moça e ao se enamorar por um jovem sapateiro, descobriu o amor e com ele se casou. Viveram as durezas de uma vida simples e no pequeno lar de telha lajota e quintal de terra, tiveram dois filhos. O transporte da família era uma bicicleta Philips barra dupla e o sapateiro tinha pernas fortes para levar esposa na garupa com a menina no colo e o menino na cadeirinha fixada no guidão. O passeio do fim de semana era de ônibus e a rota era do Turfe Clube à Barra do Jacaré, onde morava sua sogra.  A igreja São Benedito era o lugar de encontro com Deus na santa missa dominical. E ali ensinava os filhos a serem também pessoas de fé. A mesma fé que a fez ficar de pé quando seu esposo faleceu ainda tão novo. “Ela não tem nem 40 anos e já veste o véu escuro das viúvas!”, exclamava alguém na igreja. Aceitou muitos desafios para sustentar os filhos. De cuidadora de idosa a vendedora de loja. De viúva a esposa por mais duas vezes. Aprendeu com o falecimento dos outros dois esposos, que existe um verdadeiro sentido na viuvez.  As vezes suspira de saudade do tempo em que o corpo era mais jovem e tinha disposição pra tanta coisa. As vezes chora de emoção ao perceber que o tempo passou e muito do que viveu não consegue mais viver. É assim quando se chega aos 78 anos de vida, minha amada senhora.Mas tenha a certeza de que  valeu muito a pena para todos nós que conhecemos verdadeiramente seu coração e sua reta intenção.  Hoje as suas forças podem parecer mínimas. Mas quem disse que você precisa mostrar mais alguma coisa pra alguém?Muito pelo contrário, somos nós que precisamos mostrar o quanto aprendemos com seus ensinamentos. Somos nós que precisamos ser um pouquinho do muito que você tem sido nesses 78 anos de tanta profundidade no viver e no ser. Tenha apenas a certeza de uma coisa, senhora que me fez conhece-la de dentro pra fora. Em cada segundo de minha vida eu continuarei a me esforçar para ser tão honesto, tão dedicado e tão cheio de fé e amor a Deus e a Virgem Maria, como você me ensinou desde o seu ventre.E mesmo distante de você em mais um aniversário seu, acredite: eu te amo muito mais que ontem e muito menos que amanhã. E que esse seja um aniversário repleto de realizações. E que a principal delas a experimentar nesse dia, seja a de missão muito bem realizada, como boa filha que foi, como irmã atenciosa que és, como esposa dedicada que foi, como mãe incomparável que és, como tia que levava sobrinhos pra catequese e como madrinha que reza toda noite pelos afilhados.São tantos que aprenderam a arte de viver, convivendo um pouquinho com você. São poucos que ainda não entenderam que viver com você por perto e crescer em graça, tamanho e sabedoria. E que nunca nos falte a oportunidade de poder te agradecer e te dizer Te Amo!

Deus abençoe!

Wallace Andrade
Comunidade Canção Nova


Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.

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