O CHEFE DE REPORTAGEM

De tempos em tempos Deus visita os canteiros desse mundo para colher algumas flores raras e replantá-las no jardim celeste. Hoje ao saber da páscoa do meu querido Maurício Nani, confesso que fiquei com os olhos mareados e o coração apertado. Tive a graça de aprender muito do telejornalismo que hoje exerço com meu primeiro chefe de reportagem.  Alguém iluminado e que vibrava com tudo que fazia. Um homem carismático e que era capaz de fazer qualquer um acreditar no potencial que se tem. Juntamente com Aurênio Nascimento, editor-chefe, Maurício Nani chefiou as sete equipes de reportagem de um tempo áureo do telejornalismo campista, na extinta TV Norte Fluminense, afiliada a TV Globo.  Minha chance de crescer profissionalmente com a “batuta” do maestro Nani, foi de 1994 a 1996. Era um tempo novo no telejornalismo da TV Norte, nova grade de programação jornalística, o advento do programa Integração Regional, a menina dos olhos do Maurício Nani e de matérias especiais para os três telejornais diários que eram exibidos. Vibrávamos com tudo que fazíamos. Eu e meus amigos de reportagem, Cláudia Eleonora, Maurício Ferreira, Sílvia Ribeiro, Mauro Antônio, Ocinei Trindade, Osiel Azevedo, o saudoso Luiz Maurício, André Casteloge, Euline Alves, Júnior Marins, Ineida de Oliveira e Gilberto Moraes, vivemos belos momentos, contamos belas histórias e percorremos muitos lugares, chefiados por Maurício Nani e com o aval de Aurênio Nascimento. Quando a TV Norte Fluminense perdeu o direito de sinal da TV Globo e se tornou afiliada da TV Bandeirantes, Maurício Nani foi um entusiasta e levantou a bandeira de que era só um recomeço e que tudo iria ficar bem. E realmente ficou bem por um tempo, até que ele mesmo decidiu investir a carreira em uma agência de publicidade e aquele sonho de belas reportagens e um telejornalismo humanitário e comunitário, começou a se dissolver e ser costruído de uma outra forma e com uma outra bandeira. Por onde andei e ainda ando, lembrava sempre do jeito suave e otimista de Maurício Nani a me estimular e fazer acreditar que eu podia mais e melhor. Quando me tornei editor-chefe numa afiliada da TV Globo no Espírito Santo, ele, juntamente com Nilo Muniz e Aurênio Nascimento, vibraram. Afinal o aluno aqui tinha dado um belo passo profissional, a partir do que aprendi com os três. Hoje como editor-chefe da TV Canção Nova em São Paulo, levo muitos anos pra rever amigos importantes em minha história. Do grande catálogo de verdadeiros “irmãos” do telejornalismo que ganhei, poucos são os que consigo manter contato, tamanha correria que cada um de nós vive. E quando me deparo com uma partida assim, surpresa, como a do Nani, vejo como a vida é fulgaz e como precisamos valorizar o precioso tempo que temos para rever os que um dia entraram em nossas vidas, sem pedir licença, modificaram pra melhor os nossos caminhos e depois saíram se aviso prévio para seguirem a via da saudade. Aprendi um tempo atrás, com uma canção que: “só se tem saudade do que é bom!” Meu amigo, meu irmão e meu chefe de reportagem, você foi muito bom para nossas vidas. Descanse em paz e se Deus nos permitir, um dia nos reencontraremos no reino dos céus!

Deus abençoe!

Wallace Manhães de Andrade
Comunidade Canção Nova
wallace.andrade@cancaonova.com 


Jornalista, missionário da Comunidade Canção Nova, escritor, casado com Valeria Martins Andrade e pai de Davi Andrade, natural de Campos dos Goytacazes-RJ.