Quarta-Feira com Dom Bosco

O juízo

Oração inicial para todos os dias da semana 

Meu Deus, arrependo-me de todo o coração de vos haver ofendido;concedei-me a graça de compreender bem as verdades que vou meditar e abrasai-me no vosso amor. Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus, meu Anjo da Guarda e todos os Santos do céu, rogai por mim.

  1. O juízo é a sentença que o Salvador há de pronunciar no fim da nossa vida, sentença com a qual fixará o destino de cada um por toda a eternidade. Basta vir a morte e a alma comparecerá perante o supremo Juiz. 

A primeira coisa que torna esse comparecimento terrível à alma do pecador é que a alma se encontrará sozinha na presença de Deus que foi desprezado, que conhece cada pensamento, que conhece todos os segredos do nosso coração. O que levaremos conosco? Levaremos o bem ou o mal que tivermos feito durante a vida. Não poderemos inventar ou usar pretexto nenhum. “Pois é necessário que todos compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que mereceu, enquanto estava no corpo, bem ou mal – ut referat unusquisque propria corporis, prout gessit, sive bonum, sive malum.” (2Cor 5,10). Santo Agostinho falando deste terrível comparecimento diz: “Quando tu, ó homem, compareceres diante do Criador para seres julgado, terás sobre tua cabeça um Juiz indignado; de um lado, os pecados que te acusam; de outro, os demônios prontos a executar a condenação; dentro de ti uma consciência que te agita e te atormenta; debaixo de ti um inferno aberto, pronto a tragar-te.” 

Em tais apertos, para onde você irá, para onde fugirá? Feliz de você, meu filho, se tiver feito o bem durante a vida, pois o Divino Juiz abrirá os livros da consciência e começará o exame.

  1. Então dirá o inapelável Juiz: Quem é você? – Eu sou um cristão, você responderá. – Bem, replicará Ele; então, se é cristão, vamos ver se comportou-se como tal. Em seguida começará a recordar as promessas feitas no Santo Batismo, pela quais você renunciou o demônio, ao mundo, e à carne; lembrará as graças que Ele lhe concedeu, as muitas vezes que recebeu os sacramentos, as pregações, as instruções, os avisos dos confessores e as correções dos pais: tudo será posto diante de você. Dirá então ao Divino Juiz: – A despeito de tanto dons, de tantas graças, oh! quão mal você correspondeu à sua profissão de cristão! Chegando à idade em que apenas começava a me conhecer, começou a me ofender com mentiras, com falta de respeito às igrejas, com desobediências a seus pais e com muitas outras transgressões dos deveres. Se ao menos com o correr dos anos tivesse melhorado o seu agir, mas não: crescendo em idade você foi juntamente aumentando, infelizmente, também o desprezo à minha lei. Missas perdidas, profanação dos dias santos, blasfêmias, jejuns não observados, confissões mal feitas, comunhões sacrílegas e escândalos : eis o que fez em vez de me servir. 

O Senhor se voltará cheio de indignação contra o escandaloso e dirá: “Vê aquela alma que caminha pela estrada do pecado? Foi você, com as suas conversas imorais, que lhe ensinou a malícia. Como cristão você deveria ter ensinado com bons exemplos o caminho do céu aos amigos. Pelo contrário, traindo o meu Sangue, lhe ensinou o caminho da perdição. Vê aquela outra alma no inferno? Foi você com seus pérfidos conselhos que a encaminhou para o demônio e foi você causa de sua eterna condenação. Agora pagará com a própria alma por ter deixado aquela outra alma se perder por causa de teus escândalos.” 

Que lhe pareceu, meu filho, seu exame? Que lhe diz a sua consciência? Existe ainda tempo, se você quiser: peça a Deus perdão dos seus pecados e faça um sincero propósito de não tornar a pecar. Comece desde hoje uma vida de bom cristão preparando-se assim um tesouro de boas obras para o dia em que tiver que comparecer perante o Tribunal de Jesus Cristo. 

III.  Perante as rigorosas contas que o Juiz Supremo exige do pecador, caso esse tente opor alguma desculpa ou pretexto, dizendo que não sabia que deveria ser submetido a um exame tão rigoroso, receberá essa resposta: “Não ouviu aquele sermão e aquela explicação do catecismo que ensinava sobre o dia em que haveria de prestar conta de tudo?”. O infeliz então se encomendará à misericórdia divina; mas a indulgência não serve mais pra ele, porque não merece compaixão quem por tanto tempo dela abusou, e porque na morte também termina o tempo da misericórdia. 

Então o pecador não encontrando mais nenhum refúgio, gritará às montanhas e aos rochedos que o cubram e esses não se moverão; Então verá o inferno se abrir. Esse é o momento em que o inexorável Juiz proferirá a sentença tremenda: “Para longe de mim, filho infiel. Vá para o fogo eterno gemer e sofrer com os demônios por toda a eternidade – Discedite a me maledicti ignem aeternum” (Mateus 25,41).

Aquela alma infiel, antes de se afastar para sempre de Deus, volverá pela última vez o olhar ao Céu e, no auge da desolação, dirá: “Adeus, companheiros, adeus, amigos que habitam o reino da glória; sereis felizes para sempre e eu serei para sempre atormentado. Adeus, meu anjo da Guarda, anjos e todos santos do paraíso: nunca vos verei. Adeus, ó Salvador, adeus, ó Cruz santa, adeus ó Sangue em vão por mim derramado. A partir deste momento, não sou mais filho de Deus; serei para sempre escravo dos demônios no inferno.” – Então esta alma infeliz será abandonada nas mãos dos demônios que a conduzirão ao abismo de torturas, infelicidade e tormentos eternos. 

Não teme para ti uma sentença semelhante? Ah! Por amor de Jesus e de Maria, prepare com boas obras uma sentença favorável e lembre-se de que tanto quanto é terrível a sentença proferida contra o pecador, igualmente consolador será o convite que há de dirigir Jesus a quem viveu cristãmente: “Venha”, Ele dirá, “venha tomar posse da glória que para ti preparei. Tu me serviste por um pouco de tempo, agora gozará de minha alegria para sempre – intra in gaudium domini tui” (mateus 25,21). 

Meu Jesus, concedei-me a graça de poder ser também um desses bem-aventurados. Virgem Santíssima, ajudai-me e protegei-me na vida e na morte, especialmente quando me apresentar ao Vosso divino Filho para ser julgado.